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 Enquanto alguns estão preocupados com a crise econômica do país, os povos indígenas sem perspectivas se preocupam com os projetos de desenvolvimento sustentável que precisam ser executados e, se possível com certa urgência.

Por exemplo; em 2008, quando o STF, deu por encerrado o processo da demarcação da TI Raposa Serra do Sol/RR, e a sentença que só saiu em 2009, após o Ministro Marco Aurélio Mello, pedir vistas deste processo, falavam na época que estava sendo criada a nação indígena no Norte do país, o que deixou muitas pessoas preocupadas, talvez fosse pela falta de esclarecimento.

O que estas pessoas desconhecem, é que o território onde habitam os índios é do Brasil.

Sabe-se que desde Marechal Rondon, os povos indígenas sempre quiseram viver em seu mundo, para isso criou-se o SPI, depois vieram os Villas Boas que tiveram a compreensão e o respeito para com os índios de forma a mostrar e preparar como conviver com o outro lado e viver em harmonia com os brancos. 

Na década de 80, Darci Ribeiro, tentou  ajudar a população indígena do Brasil, ajudando a eleger o cacique Juruna, primeiro deputado federal eleito pelo estado do Rio de Janeiro, o qual caiu no descrédito, porque passou a ser ridicularizado ao dizer que “políticos não honram suas palavras’’ e levava um gravador no pescoço para ter provas.

Os tempos passaram e muita coisa mudou, quer dizer na teoria, porque na prática está no mesmo.

Voltando a 2009, com a demarcação da TI Raposa Serra do Sol, percebe-se que o sentimento da perda passou a dominar os não índios, e aí após reuniões, e discussões dos que podiam decidir o futuro dos povos indígenas, chegaram a conclusão da criação das 18 recomendações, condições imposta pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, quando votou no STF sobre a Reserva Raposa Serra do Sol de Roraima que muitos conhecem.

A primeira recomendação do STF esclareceu que, os índios não são donos das terras que ocupam, elas pertencem a União, elas são e sempre serão da União. Ou seja, o governo cria uma reserva e dá aos índios apenas o usufruto da terra, o que eles podem fazer é apenas morar (quando alguém permite), e tomar conta (vigia) da grande ‘’geladeira natural’’ que não pertence somente aos índios, mais de todos os brasileiros.

Como pode o estado fazer um trabalho imenso de identificação, reconhecimento, demarcação e homologação de uma terra para os índios habitarem oferecendo apenas o usufruto parcial e sem mais nem menos, resolve construir uma hidrelétrica e retirá-los desta área uma vez que as reservas e suas fontes de sobrevivência não lhes pertencem, o que se pensa, é que aos índios é dado apenas o direito de passar um tempinho ali naquele terreno, até a proprietária do terreno (A União), decidir qual a benfeitoria que vai fazer em nome do progresso.

Isso tudo respaldado nas recomendações do ministro Direito, que acatadas por seus pares no STF criou-se regras de princípios constitucionais que serve até para o caso da hidrelétrica de Belo Monte, como por exemplo;  condições número 2- ‘’O usufruto dos índios não abrange a exploração de recursos hídricos e potenciais energéticos, que dependerá sempre da autorização do Congresso Nacional’’ e 5 –‘’O usufruto dos índios fica condicionado ao interesse da Política de Defesa Nacional. A instalação de bases, unidades e postos militares e demais intervenções militares, a expansão estratégica da malha viária, a exploração de alternativas energéticas de cunho estratégico e o resguardo das riquezas de cunho estratégico a critério dos órgãos competentes (o Ministério da Defesa, o Conselho de Defesa Nacional) serão implementados independentemente de consulta às comunidades indígenas envolvidas e á FUNAI’’.

Na teoria, os índios contam com muitos direitos assegurados, mas na prática a coisa não é bem assim, é o que todos aprendem logo que se envolvem e passam a conhecer e defender as causas indígenas.

Para aqueles desinformados, que acham que os índios vivem em uma ‘’geladeira natural’’ podendo usufruir de tudo, leia com bastante atenção, (para não escrever e falar besteira depois), condição número 8- ‘’O usufruto dos índios na área afetada por unidade de conservação fica restrito ao ingresso, trânsito e permanência, bem como caça, pesca e extrativismo vegetal, tudo nos períodos, temporadas e condições estipuladas pela administração da unidade de conservação, que ficará sob a responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade’’.

E tem mais, se qualquer cidadão brasileiro ou não, quiser visitar uma aldeia indígena e sentir vontade de pescar, caçar ou mesmo colher frutas para comer ou levar para sua família, também não pode, quer ver; condição número 15 –‘’É vedada, nas terras indígenas, qualquer pessoa estranha aos grupos tribais ou comunidades indígenas a prática da caça, pesca ou coleta de frutas, assim como da atividade agropecuária extrativa’’.

Com a chegada de um novo ano, se espera que a Presidenta Dilma, que provavelmente fará mudanças em alguns setores, lembre-se também de mudar algumas pessoas que trabalham nos órgãos de assistência aos índios apenas pelo salário, não tendo a mínima identificação com o trabalho ao qual foi designado.

Existem também, as chamadas influências políticas que faz com os bens intencionados passem a sofrer campanhas dentro do próprio órgão, a fim de derrotá-lo com o intuito de recolocar aqueles já viciados ao antigo sistema.  Espera-se, que também no setor indígena a Presidenta do Brasil Dilma Rousseff, possa varrer e tirar os malfeitos.

Sei que hoje existem muitos interesses em jogo envolvendo índios e, de isolados e marginalizados, passaram a ser defendidos até por artistas globais, que em atos teatrais bem ensaiados, tiram até sutiã para chamar atenção para suas “preocupações”, com os índios, Amazônia etc.,veja o vídeo neste link:http://reginacoiama.blogspot.com.br/2011/11/artistas-fazem-video-de...  mais diante dessas condições impostas pelo STF em áreas indígenas, não vai ter sutiã que vai dar jeito.

Enquanto isso, os índios guaranis kaiowá são massacrados no MS, e nos outros estados os indígenas não tem nenhuma melhora em suas vidas, suas reivindicações não são atendidas e aqueles que ousam buscar ajuda nos centros urbanos, são enganados e jogados em garagens imundas e fétidas convivendo com ratos lixos e sucatas de carros velhos enferrujados, comendo o pão que o diabo amassou, sendo humilhados e tratados pelo estado, como párias.

Quanto aos órgãos de assistência aos índios deveria exercer suas finalidades de promover o desenvolvimento sustentável, fazer a proteção e defesa das terras e dos povos indígenas, garantido lhes assistência jurídica, além e claro da identificação e demarcação,sem se envolverem em parcerias delegando poderes que é da esfera federal, a órgãos de estados e municípios que não possui projetos específicos para o povo indígena tentando o domínio, manipulação e cooptação de falsas lideranças através da persuasão, para manter os índios de certa forma tutelados a regimes políticos oligárquicos, que tentam manter os índios dentro de uma redoma para serem usados em situações que favoreçam quem detém o poder.

 

O índio é uma questão federal, desde que estejam habitando em suas aldeias e comunidades ou em terras que tradicionalmente ocupam.  Tudo que envolvem seus interesses e direitos, deverá ser resolvido nesta esfera. Se estiver integrado, a comunhão nacional, vivendo como todos os cidadãos brasileiros em áreas urbanas, seus direitos e deveres são os mesmos que qualquer cidadão, tendo que respeitar as leis vigentes dos municípios, estados e país.

 
 
 

Tags: Belo, Brasil, FUNAI, Guarani., Indígena, Kaiowá, Monte, STF, Terra, Índios

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HISTÓRICO DA REOCUPAÇÃO DO VALE DO AÇU – RN

 

As glebas de terras que hoje compõem os municípios do Vale do Açu, no início da colonização do Brasil, eram habitadas por índios da tribo Janduís, nome derivado do grande chefe, rei Janduí, que de um modo natural também, se estendeu à tribo.

Os índios Janduís eram nômades e pertenciam à grande nação dos Tapuias, também, chamada de Cariris.

O nome Janduí ou Nhandui quer dizer na língua tupi ema pequena. Corresponde a uma ave de pequeno porte, de pernas longas e corredeira, muito comum nos largos campos cheio de lagoas e olhos d’água do atual estado do Rio Grande do Norte.

O nome Cariri ou Kiriri, segundo o etnógrafo Luis da Câmara Cascudo, provinha de um apelido dado pelos indígenas da tribo Potiguar vizinha pertencente à grande nação Tupi e significava calado, silencioso e taciturno. Quando falavam, articulavam mal as palavras, sendo, por isso chamado de Gentios da Língua Travada ou genericamente de Bárbaros.

A palavra Tapuia segundo explica o jesuíta Simão de Vasconcelos no livro do pesquisador Abdias Moura2 não corresponde a uma designação dada a si própria pelos índios refugiados no sertão. Trata-se de uma expressão pejorativa, a eles atribuída pelos que viviam no litoral e falavam a língua tupi.

O engenheiro e historiador Varnhagen3 haveria de insistir na inexistência de uma nação tapuia. Escreve, todavia, que esta palavra quer dizer contrario e os indígenas a aplicavam até aos franceses, contrario dos nossos, chamando-lhes de tapuy-tinga, isto é tapuia branco.

 

Joan Nieuhof, que esteve o Brasil entre os anos de 1640 e 1649, escreveu a obra Memorável Viagem Marítima e Terrestre ao Brasil publicada em 1682. Este escritor narra os costumes de quatro tribos Tapuias sob o domínio dos flamengos entre as quais se encontra os Cariris, os Caririvasu, os Caririjou e os Tararijou, Escreveu assim conforme pesquisa da CEDOCH-DL/USP elaborada pelo pesquisador Eran Stutz:

 

“Os tapuias habitam o interior, ao poente das regiões que se acham sob o domínio dos portugueses e holandeses, entre o Rio Grande, o Rio Ceará e o São Francisco.

Dividem-se eles em diversas nações que se distiguem tanto pela língua como pela denominação: Os tapuias no limite extremo de Pernambuco chamavam-se Cariris e eram governados pelo rei Ceriou Kei; seus vizinhos eram os Caririvasu cujo chefe se chamava Carapoto; a seguir vinham os Caririjou e depois os Tararijou, muitos conhecidos nossos. Seu rei era Jandui, não obstante alguns deles viverem sob autoridade de um Karacara. “Outras tribos eram governadas por vários reis, a saber: Prityaba, Arigpaygh, Wanasewajug, Tsering e Dremenge”

.  

No texto Niehof as nação dos tapuias eram bem conhecidas dos holandeses. O perspicaz pesquisador flamengo delimita em ordem de seqüência Pernambuco, Paraíba e o Rio Grande do Norte. Ademais, delimita o habitat desses nativos observando a hidrografia da região e os governantes dessas nações. Os rios São Francisco, conhecido popularmente por Velho Chico: O rio Grande que corresponde naturalmente ao rio Açu descrito por Gabriel de Souza que nasce na divisa Pernambuco com a Paraiba. O rio Ceará é neste estudo a ribeira média e superior do Ceará-mirim.

 

Viviam principalmente nas margens da ribeira do Açu, aonde desciam até o litoral.  parte da ribeira do Apodi, do Ceará – mirim em plena harmonia com o meio ambiente, só retirando da natureza aquilo necessário para a sua sobrevivência. Alimentava-se da caça, da pesca e da coleta de frutos, raízes, ervas e mel silvestre. Cultivavam a lavoura de subsistência, onde plantavam principalmente o jerimum e a mandioca.

 

 

O pesquisador Abdias Moura, em seu livro O sumidouro do S. Francisco – Subterrãneos da Cultura Brasileira, cita o historiador paraibano Coronel Delmiro de Andrade que:

 

“Todas as forças vivas do governo, nas cinco capitanias do Nordeste, Pernambuco, Itamaracá, Paraiba, Rio Grande do Norte e Ceará, foram arregimentadas contra o Tapuia, nas chamada confederação dos Caririjós, do Açu ao Cunhaú, tendo por centro o sertão alto e médio do rio Piranhas”. 

      

O grande chefe Janduí, segundo antigos cronistas europeus viveu nesta região por mais de cem anos. Ele, juntamente com seu familiar Karacará, e três de seus filhos, o Canindé, Oquenaçu, Taya Açu e o cruel Jerereca foram importantes ícones da civilização indígena brasileira, na época da colonização do Brasil e Guerra dos Bárbaros ou Guerra do Açu, de uma maneira não correta conhecida nacionalmente como Confederação dos Cariris.

 O historia dor Grabriel Soares de Sousa já descrevia o Rio Grande em 1587;

         “Desta baía ao rio S. Miguel são sete léguas, a qual está em altura de três graus e 2/3, em a qual os navios da costa surgem por acharem nela boa abrigada. Desta baía ao rio Grande são quatro léguas o qual está em altura de quatro graus. Êste rio tem duas pontas saídas para o mar, e entre uma e outra há uma ilhota, que lhe faz duas barras, pelas quais entram navios da costa. Defronte deste rio se começam os baixos de São Roque, e deste rio Grande até ao cabo de São Roque são dez léguas, o qual está em altura de quatro graus e um seismo; entre este cabo e a ponta do rio Grande se faz de uma ponta a outra uma grande baía, cuja terra é boa e cheia de mato, em cuja ribeira ao longo do mar se acha muito sal feito. Defronte desta baía estão os baixos de S. Roque, os quais arrebentam em três ordens, e entra-se nesta baía por cinco canais que vêm ter ao canal que está entre um arrecife e outro, pelos quais se acha fundo de duas, três, quatro e cinco braças, por onde entram os navios da costa à vontade.”

 Na descrição de Sousa, podemos deduzir com segurança que o rio Grande que ele descreve é o atual rio Açu que desemboca em dois braços de rio: O primeiro do lado poente é o rio das Conchas e no município do Porto do Mangue e o outro desemboca no atual município de Macau adjacente as maior jazidas de sal marino do Brasil. 

        

Georg Marcgraf (1610-1644) famoso naturalista e astrônomo alemão, chegou ao Brasil em 1638. Desenvolveu trabalho como auxiliar do holandês Willem Pies, aqui realizando inúmeros estudos de cartografia. Os dois escreveram uma obra importante, Historia Naturalis Brasiliae, onde se pode estudar uma abrangente classificação de mais de setecentas espécies de fauna e flora, registros etnográficos sobre os habitantes e seus costumes, textos e descrições astronômicas de planetas e estrelas do hemisfério sul, distâncias geométricas do globo e de longitudes.

Jorge Marcgrav, famoso naturalista e astrônomo alemão, que veio ao Brasil em 1638 em missão científica a convite do conde holandês Mauricio de Nassau, com a colaboração de Guilherme Piso produziram a importante obra Historia Natural do Brasil, Amsterdã 1648, na qual teceu considerações importantes sobre os costumes e habitat dos Janduís. Confeccionou o mais antigo desenho da nossa carnaubeira, palmeira nativa, genuinamente brasileira e abundante nos municípios do Vale do Açu. Neste importante documento histórico e geográfico Marcgrave escreveu este aspecto curioso e interessante a respeito desta importante e histórica região brasileira:

         “Este rio também chamado de Otshunogh, penetra, no continente , em direção ao Austro numa distância de mais de 100 milhas. A uma distancia de mais de vinte e cinco milhas do litoral, acha-se o grande lago Bajatagh, com grande quantidade de peixes. À esquerda deste, em direção ao nascente, acha-se outro chamado de Igtug, pelos indígenas, mas ninguém penetra nele, por causa dos peixes que mordem e são muito inimigos dos homem. A este fica adjacente ao vale Kuniangeya, tendo comprimento de 20 milhas e a largura de duas. Atravessa-o rio Otshunogh, abundante de peixes: aí se encontra grande abundancia de animais silvestre.”

 

Na descrição acima citada, correlacionando com a geografia da região podemos concluir que o vale Kuniangeya mencionada pelo cronista flamengo corresponde ao atual Vale do Açu. O rio Otschunogh é o rio Açu ou Piranhas-Açu. O grande lago Bajatagh é a lagoa do Piató no município do Assu. O outro lago Igtu é a Lagoa Ponta Grande no município de Ipanguaçu no Rio Grande do Norte. Os peixes que mordem e são inimigos do homem é a espécie Piranha que com certeza influenciou na denominação do grande rio Piranhas ou Açu.

A propósito é interessante esclarecer que geograficamente o rio Açu com seus 405 quilômetros de extensão, nasce na encosta ocidental do Planalto da Borborema, mas precisamente nas cabeceiras do rio Piancó na Paraiba onde desce rasgando o sertão daquele estado e entra no Rio Grande do Norte com o nome de Piranhas, indo desaguar no Atlântico Norte em foz do tipo delta, agora com o nome de Açu. Os riachos que constitui as chamadas cabeceiras do rio Piranhas-Açu, porção mais ocidental fica relativamente próximo a região do Cariri, quase no extremo de três estados nordestinos Ceará, Pernambuco e Paraíba.  

Com a chegada dos colonizadores europeus na terra potiguar e os conflitos decorrentes pela posse de terra, os nativos Tapuias Janduís, depois de impressionante resistência foram praticamente dizimados, ocorrendo então que os poucos que restaram foram aprisionados em Aldeias diferentes ou tangidos para o interior, onde se embrenharam sertões adentro indo se estabelecer até mesmo no longínquo interior do estado do Piauí.

Relatos históricos sobre o grande e temido rei Janduí e seus índios tapuias remontam praticamente do inicio do século XXVII.

Há registros históricos que narram que os holandeses, antes mesmo das primeiras tentativas de dominação do Brasil, em 1630, conquistaram a simpatia e amizade dos índios Tapuias, levando consigo para a região de Flandes norte da Europa alguns membros dos nossos índios para estudo antropológico e trocas de informações a respeito dos seus costumes e habitat.

Sendo assim, ao que tudo indica, no inicio da dominação do Brasil pelo povo batavo, os holandeses, já tinha os índios tapuias do chefe Janduí, que habitavam o Vale do Açu como os mais famosos aliados. Esta inteligente estratégia militar serviu para contrabalançar a superioridade numérica da população portuguesa em face do pequeno afluxo de colonos flamengos.

 

O historiador potiguar Olavo de Medeiros Filho com base em relatos de cronistas flamengos, da região de Flandres, norte da Europa, discorda da concepção  de que a tribo Janduís pertencia à nação Cariri. Defende que os índios tapuias Janduís pertenceram à nação dos Taruirús (Janduís e Aparentados) na qual habitavam principalmente as ribeiras do Açu e Mossoró. Advoga, inclusive que na Guerra dos Bárbaros ou Levante dos Gentios Tapuias, que na época recebeu por parte de escritores mais românticos, a denominação de Confederação dos Cariris, que os índios Cariris, em grande número, foram inclusive utilizados como combatentes, na repressão ao levante dos Gentios Tapuias, em que tinha predominância do elemento Tairurús, cuja tribo mais famosa e temida do Brasil colonial era a tribo dos Janduís.

Contudo, ainda persistem esta duas correntes de pensadores aonde uma advoga que os índios Janduis pertenciam a nação Cariri e a outra que os Janduis pertenciam a nação dos Tarairús. Todavia o que é de consenso entre os diversos historiadores da civilização indígena do Brasil, seja os mais antigos, seja os historiadores contemporâneos é que os índios da tribo Janduís habitavam o território em que hoje corresponde à bacia hidrográfica do rio Açu também chamada de Ribeira do Açu e em menor número na Ribeira de Ceará-mirim e não no longínquo estado do Ceará. Tal fato pode ser confirmado inclusive por experientes cientistas europeus que por aqui estiveram e descreveram a região.

 

VALENTIA DOS JANDUIS DA NAÇÃO DOS TARARIJOU OU CARARIJOU

 

Os Janduis, segundo Jose Antonio Gonsalves de Mello, eram aliados tão ferozes que muita fezes pareciam inimigos. Os holandeses sempre se preocuparam em mante-los afastados das zonas ocupadas (litoral leste da capitania do RN), qualquer movimentação era logo detectada e impedida. Puntoni p. 85

Assim, por exemplo, em 1639, quando o rei Jandui com 2000 tapuias, homens mulheres e meninos – aproximou se do povoado do Rio Grande (Natal), causando grandes danos aos moradores com a maior sem-cerimônia ia arrancando as roças novas e velhas que encontravam. O conselho despachou logo necessário os dois filhos de Jandui que se achavam em Recife, recomendando-lhes que fizesse de volta os seus para o lugar donde havia procedido, quando fosse necessário seriam chamados. Gonsalves de Melo, p 204.

 

Os tapuias Janduís eram diferentes em muitas coisas das demais nações indígenas do Brasil colonial que habitavam o litoral. Eram canibais, comedores de carne humana. Essa tribo era bastante temida na qual manteve a independência do seu povo em relação aos colonizadores portugueses e holandeses, não aceitando a imposição da cultura dos povos europeus em seu meio natural. Com este temperamento, nunca aceitavam serem escravizados e negociavam de igual para igual com os colonizadores.

 

Elias Herckman terceiro governador Holandês da Capitania da Paraíba faz referencia em seu livro Descrição Geral da Capitania da Paraíba, quatro nação Tapuias entre as quais as quais as nações Carariwasys liderada por Carupoto. Tararairyou particularmente conhecida pelos flamentos, sendo Janduwy o rei de uma parte da nação e  seu irmão Caracará de outra.

Outro alemão Jacob Rabbi, que viveu com os Tapuias do Rei Janduí por quatro anos deixou uma curiosa e importante crônica dirigida ao Conde João Mauricio de Nassau Siegen, que foi incorporada e publicada na Historia de Gaspar Barleus (1947). Ele chefiou um grupo de Janduis. Puntoni p 85

Gaspar Barléu escreve um livro com o nome de A história dos feitos recentemente praticado durante oito anos no Brasil sob o Governo de João Mauricio de Nassau, Conde de Nassau, relatando os feitos que o governo de Nassau fez no Brasil no período de 1637 a 1644, incluindo de forma resumida a crônica de Jacob Rabbi.  

Jorge Marcgrave, famoso naturalista e astrônomo alemão, que veio ao Brasil em 1638 em missão científica a convite do conde holandês Mauricio de Nassau, produziu com a colaboração de Guilherme Piso e relatos de Rabi a importante obra Historia Naturalis Brasiliae, Amsterdã 1648, escreveu algumas considerações importante sobre os costumes e habitat dos Janduís. Confeccionou o mais antigo desenho da nossa carnaubeira, palmeira nativa, genuinamente brasileira e abundante nos municípios do Vale do Açu.

Willem Piso médico do Conde de Nassau foi o pioneiro na pesquisa de plantas medicinais do Brasil. Também faz referência a tribo Janduís no seu Livro História Natural e Médica da Índia Ocidentais publicada no ano de 1658.

 

Joan Nieuhof, deixou registrado informações sobre as plantações de mandioca que os nativos plantavam aqui, e que fazia parte de sua alimentação cotidiana. Além da mandioca, segundo ele, podia ser acrescentado na alimentação dos índios, frutas diversas, raízes, ervas, peixe, carne de animais selvagens e mel silvestre retirado do oco das arvores.

          Na ribeira do Açu, os índios viviam em substancial número, ocupando, principalmente, as margens da então piscosa lagoa do Piató e lagoa da Ponta Grande, além das margens do rio Açu, repleto de carnaubeiras margeando o rio.

O rio Piancó/Piranhas-Açu, com seus 376,5 quilômetros de extensão, atualmente perenizado em um fino curso d’água devido a construção do sistema de barragens Coremas/Mãe D’água na sua parte superior e barragem do Açu, na sua porção média, naquela época colonial, era um rio de regime temporário, cujo deflúvio, só fluía para o mar ou para lagoa do marginais como, Piató, Igtu, Puaçá, Canto Grande, só no período das intensas chuvas caídas, principalmente, nos primeiros cinco meses do ano. As água deste rio adentrava mais  de duas léguas rumo ao sul do continente americano Sua porção seca, funcionou na época colonial como um verdadeiro caminho a ceú aberto e arenoso para que os colonizadores desbravassem o fechado interior do sertão nordestino, adensado de vegetação espinhenta, entre as quais, localmente a mata ciliar da carnaúba que formava verdadeira galeria margeando o curso do rio Açu e parte de alguns de seus afluentes. Além dessa espécie de vegetação, destacava-se a vegetação xerófila jurema preta, xiquexique e mandacaru, macambira, entre outras espécies de cactáceas do ecossistema caatinga.

        

        Barleu outro cronista europeu confirma, segundo informações colhidas por Medeiros Filho, 1984, que o peixe também fazia parte de maneira corriqueira da alimentação dos índios da região. Quando trovejava e soprava fortemente o vento, havia uma abundantíssima pescaria na lagoa do Piató.   

         Marcgrave, citado anteriormente, confirma a informação supracitada escrevendo que quando os rios transbordavam, nas invernadas de março ou abril, os índios apanhavam tanto peixe que era difícil a sua condução para os acampamentos.

         Neste contexto, não é difícil deduzir que os Janduís, apesar de serem errantes, tinham a sua região predileta. As várzeas férteis do Vale do Açu e arredores da lagoa do Piató, que eles chamavam de Bajatach, da lagoa Ponta Grande, que eles chamavam de Igtug e do extenso rio Açu que eles chamavam de Otschunog. Informações de cronistas flamengos, nos faz crer que esses eram lugares preferidos, tanto para o lazer, como para o habitat.

         O calvinista alemão Jacob Rabbi que conviveu por quatro anos com os Janduís e muito provável que deixou descendência na região se dizia ser delegado da Holanda, segundo consta no livro da assuense Auricea e vários outros de história do Rio Grande do Norte com auxilio de membros da tribo Jandui, por razões não bem esclarecidas, já que os holandeses não aprovaram o macabro fato, provocaram os famosos massacres de Uruaçu e Cunhaú conhecido hoje em dia em todo o mundo, agora com a beatificação de seus mártires pelo Papa João Paulo II. 

No que diz respeito a organização econômica, os índios do Vale do Açu viviam comunitariamente, repartindo de forma igualitária aquilo que produziam com a caça, pesca e lavoura. Isto quer dizer se um índio passasse fome toda a tribo passava também.

         A divisão de trabalho, via de regra baseava-se na idade e no sexo; Os homens derrubavam o mato, faziam queimadas, preparavam as terras, caçavam, pescavam, fabricavam canoas, armas e participavam de expedições guerreiras.

         As mulheres dedicavam-se ao trabalho agrícola, ao preparo de alimentos, bebidas, fabricação de redes e potes de argila, além do cuidado com as crianças.

         Os Janduis viviam uma vida simples por vezes monótona, porém digna e honrada, uma vez que, ninguém tinha ambição para enriquecer, nem tão pouco tinha receio e medo de empobrecer. Desejava isto sim era viver sossegados em plena harmonia com o meio natural que o cercava.

         O Vale do Açu, a lagoa do Piató e outras menores, o rio Açu e afluentes outrora abundante em peixe lhe proporcionavam os alimentos, a caatinga lhe fornecia os frutos, o mel silvestre e as plantas e ervas medicinais, remédios para curar ou amenizar suas enfermidades.

          Entretanto, com o passar do tempo, eis que algo de estranho começou a aparecer ao meio natural de relativo sossego dos nativos do vale. Era a presença do homem branco com feições e vestimentas estranhas que começava a chegar na costa brasileira e que, em um reduzido espaço de tempo, já começava a se embrenhar pelo interior do sertão, lugar onde foram encontrar os bravos Janduís, que habitavam o Vale do Açu e que eram os verdadeiros donos da terra.          

O nosso vale do Açu está fortemente no páreo para ser a primeira foz no nordeste desta importante visão. O pico do Cabuji que se destaca na linha do horizonte quando observado a olho nu a mais de 100 quilômetros de distancia, situado na região de Lages no território potiguar a cerca de 7º de latitude sul do equador, pode ser o primeiro monte alto e redondo visto por Cabral e não o monte Pascoal na Bahia, situado no meridiano de aproximadamente 39º de longitude oeste e muito abaixo da linha do equador, a cerca 17º de latitude sul e um tanto recuado, acanhado e escondido no que concerne as outras serras existente no estado da Bahia, cujo ponto culminante Pico das Almas que chega a atingir 1.800 metros de altura.

O cabo de São Roque extremo leste ou oriental do estado do Rio Grande do Norte, este situado a cerca de 35º a oeste do meridiano de Greenwich. Geologicamente e de natureza sedimentar 

          Como geólogo e pesquisador, conhecendo através de livros de geociência, a posição geográfica e a geologia do arquipélago de Fernando de Noronha, formado por rochas vulcânicas, advogo que o neck vulcânico que sobressai no relevo da principal ilha desse arquipélago poderia ser candidato também o primeiro monte alto e redondo observado pela expedição de Cabral. Esse conjunto de ilhas, descoberto por Fernando Noronha e situado a 375 km da costa nordeste do Rio Grande do Norte. Essa seria talvez a razão pelo qual Cabral chamou a primeira terra descoberta de Ilha de Vera Cruz? O que é certo é que devido ao segredo de estado na época do apogeu das conquistas marítimas, estabelecido entre a Espanha e Portugal, muitas descobertas importantes foram escondidas e só depois reveladas.        

No século XXVII, a ribeira do Açu, onde se concentrava os Janduis, a mais brava e temida tribo da nação Tapuias, era considerado pelos portugueses quando das primeiras tentativas de escravidão, tomada e colonização de sua propriedade, resistiram bravamente, relutando em ceder um só palmo de terra aos invasores europeus.

Para acabar com os intensos e sangrentos conflitos, entre os Janduis apoiados pelos holandeses e os colonos portugueses, em 1654, após conseguir derrotar definitivamente os holandeses na Campina da Taborda, João Fernandes Vieira, propõe um tratado de Paz que é aceito pelo grande chefe Jandui, antigo aliado dos holandeses, sendo o Jandui então nomeado como Mestre de Campo e Governador de Índios do Rio Grande do Norte.

Em 26 de Janeiro ano de 1654, é assinada a rendição dos holandeses. Os patriotas brasileiros haviam vencido e terminava então o domínio holandês no Brasil.

A primeira providencia, após a expulsão dos holandeses, foi a doação de Sesmaria com o intuito de povoar o sertão do nordeste brasileiro.

Em 1656 foi nomeado pelo governo português, para administrar a Capitania do Rio Grande (do Norte) o Capitão-Mor Antonio Vaz Gondim.  

Em 1660, aproveitando-se da paz estabelecida através das normas tratado com o chefe Jandui e ausência de tropas holandesas, foi doado ao capitão João Fernandes Vieira, um patriota que se destacou na expulsão dos holandeses no Brasil, uma Sesmaria, considerada oficialmente como a primeira e grande fazenda de gado bovino na região do Vale do Açu.

A propósito, vale lembrar, que João Fernandes Vieira, lutou ao lado de Matias de Albuquerque contra a invasão dos holandeses a Pernambuco. Depois vivendo entre os holandeses admirou bastante o trabalho de Nassau.

Com a volta de Nassau para Holanda, João Fernandes Vieira, que fora deputado em Pernambuco, liderou a rebelião dos brasileiros com ajuda do governador geral do Brasil, Antonio Telles da Silva, André Vidal de Negreiros, comandante Antonio Dias Cardoso, comandante Martin Soares Bueno e Antônio Felipe Camarão com seus índios conseguiram expulsar definitivamente os holandeses do nordeste do Brasil.

No inicio do ano de 1968, João Fernandes Vieira, tendo sob seu comando uma expedição de mais de 50 homens, incluindo escravos e índios da tribo Potiguares, se dirige para a ribeira do Açu, com sua família, vindo a falecer em meados do ano de 1682.

Após a morte do capitão, a viúva D. Maria Cézar, requer a concessão da Sesmaria, colonizada pelo seu marido. A concessão é dada a 17 de fevereiro de 1682, três dias após o requerimento.

Com presença de vaqueiros, índios aliados e trabalhadores da fazenda da família dos Vieira, armados a vagar com grande boiada a procura de melhores pastos no território indígena Janduí, sem cerca de arame, não tarda a que membros da tribo Jandui se desentendam com os colonizadores e os conflitos recomecem.

Por volta do ano de 1685, revoltados com a invasão e morte indiscriminada de grande parcela de membros de sua tribo, em represália aos estranhos invasores, em incursões periódicas e estratégicas, os índios Janduis resolveram, destruir tudo o que viam pela frente e que tinha sido edificado pelos portugueses na região do Açu. Queimaram plantações, mataram colonizadores, tomaram a posse milhares cabeças de gado, cavalos e outros animais de estimação introduzido na região pelos portugueses. Este foi o estopim para se começar a famosa Guerra dos Bárbaros.

           Por serem hostis e oferecerem grande resistência a presença de portugueses, em meados do século XXVII, foram travadas sangrentas e intensas lutas que perduraram por 37 anos, tendo como fase mais aguda e sangrenta os anos de 1687 e 1697, entre as expedições de colonizadores portugueses e os Janduís pela disputa de terras no Vale do Açu e adjacência.

           Para vencerem os aguerridos índios Janduis, foi preciso a vinda de reforço de tropas do estado da Paraíba, Pernambuco e Bahia e, até mesmo a vinda do destemido Terço Paulista, tendo sob o comando do destemido, violento e cruel Domingos Jorge Velho.

         As tropas do mercenário Domingos Jorge Velho, em 1688, não esperavam uma guerra. Supunha uma simples caçada aos nativos revoltosos. Contudo, encontraram uma guerra relativamente dura, onde os guerreiros Janduis sob a tática de guerrilha resistiam bravamente por mais de uma década.

         Com material bélico por demais avançado em relação aos usados pelos nativos, o governador Bernardo Vieira de Melo, depois de uma incursão a região do Açu-RN, conseguiu destruir a resistência, aprisionar ou expulsar e dispersar os indígenas revoltosos, tangendo-os sertão adentro em direção da região do Cariri no Ceará.

           Em 24 de Julho de 1687, organiza-se um acampamento denominando-no de Arraial de Santa Margarida, ponto de partida para segurar a colonização efetiva da região.

Em 20 de Abril de 1696 é construído um presídio, o qual é denominado de Presídio Nossa Senhora dos Prazeres.

Em 11 de Agosto de 1788 o Arraial passa a condição de Vila, agora com o nome Vila Nova da Princesa em homenagem a princesa do Brasil Dona Carlota Joaquina, esposa de D. João VI.

Em 13 de outubro de 1845 foi concedido o título de cidade, com o nome de Assu.

Os tradicionais escritores da região, supõem, que este presídio seja a atual comunidade da Casa forte ao Norte da sede do município do Assu.  

         

Neste período de história colonial do Brasil, a região do Vale do Açu foi palco do maior genocídio da civilização indígena brasileira, que devido às crueldade e barbáries do conflito, reportado por diversos historiadores brasileiros como sendo a Guerra dos Bárbaros ou de um modo mais amigo dos portugueses de Confederação do Cariris.

O mercenário Domingos Jorge Velho, após o massacre na porção superior e chegada ao Vale do Açu, recebeu uma proposta do então governador de Pernambuco, Souto Maior, para deixar a região e organizar, outra grande expedição, agora contra a civilização negra, onde em 3 de Dezembro de 1691, assina um acordo para destruir o Quilombo do Palmares no atual estado de Alagoas. Receberia em troca, tal com aconteceu no Vale do Açu, dinheiro, terras e o perdão para possíveis crimes cometidos por seus homens. O governo entraria ainda com munição, armas e seiscentos alqueires de farinha.

Os negros tal como os Janduis resistiram bravamente. Para vencer a resistência dos membros da raça negra o governador Souto Maior, manda o capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, considerado o fundador oficial da cidade do Assu, com reforço a ajudar amigo Domingos Jorge Velho.

Em 1694 os “bandeirantes de aluguel”, destroem o Quilombo dos Palmares, mas não consegue matar Zumbi que foge e é assassinado um ano após em 1695.

         Este período da atuação dos Bandeirantes no nordeste brasileiro ficou conhecido na história do Brasil como o ciclo do sertanismo de contrato.

Para o rico e histórico município do Açu, o registro do ciclo sertanismo de contrato, isto é, a presença dos bandeirantes do Terço Paulista, entre os açuenses nos anos de 1687 a 1725, deixou como marca o nome de uma comunidade rural, um riacho e uma lagoa, localizado a cerca de 24 quilômetros a oeste da cidade do Assu, a poucos quilômetros da BR-304 que interliga Natal a Fortaleza. Quanto aos Tapuias ficou um riacho com o nome de Tapuio afluente do atual rio Paraú que nasce na encosta da conhecida serra do João do Vale e fica relativamente próximo ao atual riacho Paulista.

É interessante esclarecer que da localidade de Paulista de cima dava-se para se observar a lagoa do Piató onde os Janduis tinham predileção. Era um lugar estratégico do ponto de visto de guerra.

Hoje, em nosso meio natural resta uma ínfima quantidade de criaturas humanas com fisionomia de indígena que talvez nem tenha sangue de membros da tribo do aguerrido Janduis. Creio que isso se deve ao extermínio talvez total dessa brava gente brasileira, que eram os Verdadeiros Donos do Vale do Açu.

Prezado Eugênio Fonseca Pimentel, muito abrigada por sua colaboração a este tópico sobre os indígenas que habitaram no Sertão Nordestino, eles se inseriam em um contexto geral que envolve todo o Brasil.

Marli,

A amazônia é cobiçada por todos os paizes, mas o maior perigo não vem do norte, vem do oeste.

Falou...

Marli,

Existe uma ampliação das pretensões americanas, mas se pesquisar direitinho vai ver que o que não aparece é maior do que imaginamos e não vem do norte. Não precisa acreditar em mim, faça uma pesquisa mais acurada.

Falou...

Prezado Eugênio,

Se neste último parágrafo de seu comentário você está se referindo aos indígenas que existiam no Vale do Açu, membros da tribo dos aguerridos Janduís, caberá aos verdadeiros descendentes dessa tribo (se ainda existirem), lhe responder se tem sangue de membros dos Janduís.  O que posso lhe garantir é que no Brasil os descendentes dessa brava gente brasileira, que eram os verdadeiros donos desta terra, hoje ultrapassam uma quantidade de 800 mil criaturas humanas com fisionomia: "Costumes, línguas, crenças, tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo a União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens". Artigo 231 da Constituição da República Federativa do Brasil.

Regina,

A união, representada no caso pelo poder executivo, no concernente a operacionalidade do meio, tem como sempre problemas que são inerentes as relações de governo com qualquer outra esfera da nação. É sempre muito difícil a relação com o governo. 

Um parentese, pelo que entendi no seu post, a administração direta da TI Raposa Serra do sol, está entregue a fundação Chico Mendes e é ela quem determina o que se pode ou não fazer dentro destas terras.

Falou...

Cristovam,

A situação é muito mais séria do que voce imagina. No julgamento realizado pelo STF, da terra indígena Raposa Serra do Sol, um dos ministros, ao pronunciar o seu voto, impós 18 condições e foi seguido por seus pares, que acabou colocando os índios em uma situação de caseiros em terras alheias. Ou seja, afirmaram que os índios tem o usufruto de uma terra que não lhes pertecem(Todas as terras indígenas demarcadas e homologadas, pertece a União) e ainda acabaram impondo 18 codições para os índios habitarem nesta terra. Tudo isso em nome do progresso.

Nenhuma propriedade é absoluta.

Se um empresário comprar uma gleba na Amazônia, também estará sujeito a condicionantes legais.

 

Marli

Você poderia objetivar um pouco essas suas colocações?

 

Hermê e Marli,

A sociedade política é a principal culpada pelo retrocesso do desenvolvimento do povo indígena  pois é mais interessante manter esse sistema oligárquico, do que lhes dar condições de vida para que possam colaborar de forma benéfica para os dois lados. Ao votarem um Código Florestal em primeiro lugar, vem o interesse da barganha, onde índios e ribeirinhos ficam de fora.

Quando se fala de condicionante legal  é importante lembrar que os índios não foram e nem são compradores de terras(talvez até cheguem obrigados a ser), pelo contrário foram os legítimos (FORAM) proprietários desses espaços que continuam e devem continuar sendo invadido, uma vez que, a condicionante legal tudo é permitido, até a transgressão, fazendo com que aconteça o comércio ilegal de tudo que possa existir no meio ambiente.

Esquecem que é por causa dessa minoria que é tratada como entrave, que ainda existem seres humanos que criam e ditam regras interesseiras, que nada tem a ver com a verdadeira defesa ambiental.  Essa minoria no entanto sabe melhor do que ninguém praticar o próprio código ambiental uma vez que vem cuidando essa natureza há séculos e quem começou a destruição não foram eles...

Inclusive essa minoria desconhece as palavras políticas públicas, o  que poderia pelo menos lhes dar condições de aprender a assinar seu nome, mas que dentro de sua consciência humana sabe e o que deve fazer por todos.

Ouvi ontem alguém falar que  brasileiros tem que cuidar de seu país. Certo,  Mais aí amado mestre, se pergunta a quem caberá ensinar? Muito provavelmente não serão esses políticos não comprometidos com a natureza, mais devemos lembrar que existem pessoas que já o fazem  há 500 anos (no Brasil), livrando o país de invasões, lembra que muitos perderam suas vidas!  Protegendo essa terra e tudo que nela existe, mais do que determinados projetos de  proteção ambiental.  

Vejam que esses seres humanos  não tem sequer o direito de contestar, porque ele não passam de vigias de terras da União,  o pior é que até para isso não recebem apoio, porque aquele que ERA seu espaço, de repente nem é mais da União e sim propriedade particular e que sem entender, passam a ser perseguidos, sofrem expulsões, sofrem atentados e voltam ao velhos tempos de ver sua família sendo dizimada e sem sequer  ter a quem pedir ajuda .

Quando leio pergunta como da Marli, até quando?  Infelizmente, parece que pelo processo crescente dessas condições legais que estão sendo criadas, enquanto existirem sanguessugas ambientais, não haverá sequer previsões positivas para aqueles que sempre viveram, defendendo e resistindo contra tudo e contra todos até das leis, preservando aquilo que sabem que é importante não só para o Brasil e sim para toda a humanidade.  Mesmo que para isso, continuem vivendo de forma degradante, humilhado, discriminado sob todas as formas possíveis e imagináveis.      

Para os índios torna-se desnecessária criações legais de reservas, porque sempre que elas passam a ser criadas, não muda nada, a violência continua e sempre que aparecem os problemas quem perde é ele que não tem para onde ou a quem recorrer.  Cabe apenas aos índios continuar lutando contra sua extinção  que parece ser um caso inexistente aos olhos daqueles eu poderiam lhes conceder pelo menos o direito de defesa, para que daqui a poucos anos, nossos netos possam dizer, nesse país existiam índios que cuidavam e preservavam com seus conhecimentos da natureza, uma floresta que também não mais existe, devido a ganância e o egoismo dos homens brancos.

Ôpa, ôpa, Regina!
''Para os índios torna-se desnecessária criações legais de reservas, porque sempre que elas passam a ser criadas, não muda nada...''

Podíamos passar sem esta.

Regina,

Não tenho conhecimento específico sobre a causa indígena. Tenho conhecimento entretanto do funcionamento do Estado e, pode ter certeza, enquanto a população indígena não conseguir independência e exigir respeito a sua cultura, modus vivendi... como qualquer cidadão serão apenas servidores dos aproveitadores que com certeza se incrustam no meio.

Falou...

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