O tratamento da Obesidade - parte IV (epílogo!!)

Uma das maiores discussões no meio médico atualmente é o uso de medicações no tratamento da obesidade. Trata-se de um ponto delicado, até porque a história das doenças foi se modificando ao longo do tempo. São exemplos bem típicos dessa mudança as formas atuais da hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, diabete, câncer e a obesidade. Antes, muitas vezes, essas doenças evoluiam para a morte. Hoje, com o advento de processos de controle e mesmo de cura, muitas dessas moléstias se tornaram o que se costuma chamar de 'doenças crônicas'. É bastante gritante o exemplo da AIDS. Há vinte anos, ser soropositivo era ter em mãos uma condenação à morte.
A obesidade não foge à regra. Se não tratada e controlada, levará muitas pessoas a complicações graves como o diabete tipo II, a hipertensão, diversos tipos de câncer, artoses devido à gravidade agindo sobre as juntas, etc.
Atualmente a obesidade é considerada uma doença crônica não transmissível e, como tal, deve ser tratada e controlada. Dificilmente será totalmente curada, da mesma forma que o diabete e a hipertensão.
Imagine você tendo uma pressão alta constante, sem tratamento. Talvez você nada sinta mas seus órgãos sentirão. Ao longo do tempo seus rins poderão vir a ficar insuficientes, da mesma forma que seu coração.
Aí, você inicia o tratamento médico e vê sua pressão normalizada e pensa: não vou mais tomar o remédio. Não toma e a pressão volta a subir. Nessas idas e vindas, um acidente vascular, cerebral (AVC) ou cardíaco (infarto) pode acontecer.
Com a obesidade não é diferente. Você inicia seu programa de reeducação alimentar e atividade física, seu peso diminui e você, feliz da vida, suspende tudo e volta a comer e a sedentarizar. É muito provavel que seu peso subirá novamente.
Mas e as medicações?
Da mesma forma que as de outras doenças crônicas, há medicamentos que devem ser indicados após avaliação clínica, levando em consideração outras doenças, como a hipertensão e o diabete, arritmias cardíacas, etc.
Não havendo incompatibilidade, o uso judicioso de medicamentos anti-obesidade pode e, no parecer deste médico, deve ser usado.
Tais medicamentos pertencem a grupos diferentes. Um primeiro grupo é composto por aqueles medicamentos que reduzem a absorção das gorduras. Há marcas famosas no mercado e seu resultado é bastante bom, embora os efeitos colaterais possam ser bastante desagradáveis, como a diarréia gordurosa.
Num segundo grupo encontram-se os remédios chamados 'sacietógenos', por provocarem uma sensação de saciedade, de estar satisfeito com pouco alimento.
O terceiro grupo é o que provoca mais polêmicas, uma vez que provoca uma perda importante do apetite. São os moderadores ou inibidores do apetite e são drogas que podem provocar a subida da pressão arterial, arritmias, além de euforia. Mais que todas as medicações dos outros dois grupos, o uso destes medicamentos precisa de supervisão médica constante.
Um ponto polêmico. Pessoas leigas, boa parte da imprensa e mesmo médicos desinformados, taxam toda medicação anti-obesidade de 'anfetamina'.
Quero deixar claro que as anfetaminas foram banidas da medicina brasileira ainda na década de 1950</. Seu uso, se ocorrer, será ilícito, criminoso.
Finalmente, a cirurgia de redução do estômago. Encarada como uma panacéia num passado não muito distante, mostrou que pode não trazer os benefícios previstos (não vamos nos esquecer que a Medicina não é ciência exata) sendo atualmente indicada em duas situações básicas: quando o IMC for maior que 40 kg/m², sem resposta ao tratamento médico proposto (reeducação e atividade física), ou quando o IMC estiver acima de 30 kg/m² associado a comorbidades ( hipertensão, diabete, insuficiência cardíaca, etc. ). Há necessidade de um excelente preparo psicológico e clinico para que o paciente se ajuste ao novo corpo, o que não será fácil.
Não citei os medicamentos dos diversos grupos acima devido a questões éticas e de consciência.
Se você estiver com este problema de saúde pública mundial, recomendo enfaticamente a você: procure emagrecer. Procure um médico habilitado e trate-se.

Agradeço aos amigos do blog em geral, e ao LN, em particular, a chance de colocar minhas opiniões neste espaço.

Um abraço a todos e, como diria o Dr. Spock (Jornada das Estrelas), "vida longa e prosperidade".

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Respostas a este tópico

É sério mesmo, Lena! Virou modismo e tem a té adolescente fazendo com colegas assim, digamos, pouco comprometidos com o paciente. As indicações são bem precisas, como eu escrevi no texto. E tem mais, não é só redução, mas reconstrução do trânsito intestinal. Tem uma coisa chamada 'Y de Roux' que tira parte do intestino do processo digestivo. A saúde dos pacientes, quando mal indicada a cirurgia, fica em perigo.
Bom, um abraço e obrigado pelo contato.
parabéns Paulo pelo sua generosa contribuição. e obrigada, claro.
agora você vê que a dona marise correu daqui.
por que será, hein? acho que é culpa de não obedecer as recomendações suas... eu acho... é só uma opinião...
Cadê a dona Marise???
Sumiu? Ora, vamos, o cara aqui só quer ajudar, ara!
Um abraço!
A dona Marise não sumiu. Ela está acompanhando tudo. Mas está quietinha pois levou uma vida politicamente incorreta, quanto se tratando de saude, que hoje está pagando o pato.
O que tem me ajudado é que, apesar dos pesares, me considero uma pessoa feliz. Reconheço meus erros, continuo praticando alguns, mas vou levando a vida enquanto der. Acho importantíssimo toda a tua matéria. E... principalmente para os moços seguirem e terem uma velhice com saúde, o que não é meu caso. É aquela velha história:"Façam o que digo, mas não façam o que eu fiz."
Beijo e parabéns por tudo que escreves
Ô, dona Marise. Acho que as regras foram feitas para serem quebradas. Pôxa, já pensou o que é se privar de um torresmo com cachaça de vez em quando, ou de pipoca debaixo do cobertor, assistindo televisão. São coisas impagáveis! Nossos avós sempre fizeram essas coisas e morreram de velhos (não tinha televisão, mas as alternativas eram outras, hehe) e, na medida do possível, felizes.
Acho que hoje em dia o que mata mesmo é o stress e as cobranças exageradas para ser o que os outros querem, como se alguém batesse em nossa porta para perguntar: precisa de algo, comida, água, afeto? As garotinhas de 15 já se preparam para uma futura anorexia, ou para botar silicone ou são erotizadas muito antes da hora. Os caras, mesma coisa, lutam pra ser bombados, injetam anabolizantes e vivem de forma desregrada. Isso sim, é nada saudável. Espero chegar um dia, na minha velhice, em que eu possa trocar longas conversas com a minha mulher. Falar de abobrinhas e que tais. Já pensou se não tivessem inventado a previsão do tempo? Não teríamos o que conversar com muita gente... Um abraço e um beijo afetuoso!

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