Vimos a importância do tema como problema de saúde, sua definição e seus limites. Agora é interessante que discutamos o tratamento médico da obesidade. Quando falo médico é isso mesmo que quero dizer: obesidade é uma síndrome multifatorial onde, além do excesso de peso às custas do acúmulo de gordura, juntam-se outros, e às vezes graves, problemas de saúde. O tratamento médico, global, assim se justifica, uma vez que nem sempre apenas a reeducação alimentar é suficiente para dar conta do problema.
Explico. Junto com a obesidade surgem ou se agravam outras doenças, entre elas as temidas hipertensão arterial e o diabete melito. E isso ocorre por alguns motivos que tentarei explicar sem muita firula.
A hipertensão, por exemplo. Quem está acima de seu peso pode ser interpretado como alguem com boa saúde carregando uma mochila com o excesso de gordura. Para que as atividades dessa pessoa possam ser executadas com naturalidade, há maior esforço do coração em distribuir pelo corpo uma quantidade de sangue também maior (é necessário um excedente de sangue para suprir a massa de gordura quando há aumento do peso). Esse excesso de sangue dentro de um sistema de vasos (artérias e veias, que podem ser assemelhados a tubos hidráulicos) cria dentro da 'tubulação' um excedente de pressão, que será detectado no exame médico na forma de hipertensão. Quando a pressão arterial mínima vai acima de 90 mmHg e/ou a máxima acima de 140 mmHg temos, clinicamente, hipertensão em seu início.
O diabete ocorre, também ocorre, quando associado à obesidade, em função da gordura corporal. Não nos esqueçamos que há um tipo primário de diabete, o chamado tipo I. Este ocorre devido à falta de produção de insulina por parte do pâncreas. No caso do diabete da pessoa obesa, a taxa de insulina é, geralmente normal no início da doença, podendo degenerar com o passar do tempo. Aqui, no diabete do obeso, há um sequestro da insulina por parte do tecido adiposo (gorduroso) por quem tem grande afinidade. Assim, não falta insulina mas ela se encontra inoperante.
Outras doenças, associadas ou não à obesidade, se beneficiam de seu tratamento: os distúrbios do colesterol, dos triglicérides, do ácido úrico, as artrites devidas à sobrecarga provocada pelo peso, alguns casos de infertilidade, entre outras.
Como vemos, o tratamento da obesidade acaba por tratar pelo menos outras duas doenças de gravidade moderada a séria. Com a regularização do peso, as taxas de insulina sequestrada tendem a voltar ao normal e o paciente pode voltar a ter doses menores dos medicamentos contra o diabete. O mesmo ocorre em relação à hipertensão.
Assim, não é exagero afirmar que tratar obesidade dá, como bônus uma atenuação dos quadros dessas duas doenças, quando não seu controle mais eficaz.
Bom, chega de linguiça. Vamos ao tratamento.
Em primeiro lugar, informação é a primeira arma nesse tratamento. E informação séria anda rara por aí. Assim, a oportunidade que o Luis Nassif nos dá de veicular com cuidado estas informações é realmente um prêmio. Há uma rede cercando o paciente obeso, formada por pessoas e empresas que se aproveitam dessa condição para lucrar, e muito. Propagandas enganosas podem ser vistas na tv e nos jornais, rádios e na internet. A grande maioria disso é balela.
Senão vejamos.
Você come bem? Mesmo? Quantas refeições você faz por dia? Você deixa de jantar para diminuir seu peso (não vale mentir)? Você toma chás de 600 ervas em jejum, com adoçante, cinco vezes ao dia? Já comeu cogumelos do sol para emagrecer? Toma só refrigerante diet? Quanto de água você bebe por dia? Você pratica alguma atividade física (entende-se por atividade física o movimentar o corpo por pelo menos 30 minutos diários, gerando calor), por mais 'insignificante' que seja considerada? Usa controle remoto para mudar os canais da tv? Seu carro tem controle elétrico dos vidros, direção hidráulica e câmbio automático? Quanto tempo você fica sentado diante do micro, todos os dias?
Pergunta demais? Você não viu nada ainda.
No próximo tópico as explicações para estes questionamentos.

Em tempo: em nutrologia se diz que 'quem perde peso rápido, o encontra também rápido'. Vale dizer: precisamos aprender a perder peso e mantê-lo sob controle.

Um abraço.

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Respostas a este tópico

rsrsrs... aqui em Sampa tem uma pizzaria por rua... fazer o que? obrigam a gente comer sim... ai que fome!
Mas a frigideira não é a inimiga, ara!
o problema é o óleo prá fritar as batatinhas e as batatinhas também, ou não?
vc vai liberar a gente da abstinência da batatinha? vou contar prá marise...
Duro é achar esse rango por lá...
esta salsicha lá em cima... com C devia ser ruim mesmo. desculpa aí, viu!
hehe. Erro de digitação.... Liga,não!
tadeu, caminho diariamente 4 km (eu disse, quatro quilômetros) por dia. às vezes mais. em jpa na praia, aqui no horto florestal... e vc seu preguiçoso?
esquece o preguiçoso aí de cima. parabéns, menino caprichoso. vc usa aqueles aparelhinhos quando anda?
Concordo ipsis literis. Você sabe quantas calorias por hora você deixa de gastar só de zapear usando o controle remoto da tv, sem se levantar para mudar os canais? Pois é, 8 kCal/hora! Isso corresponde a 2 gramas de açúcar ou quase 1 grama de gordura. Deixar de usar elevador aos poucos (descer dois andares antes, por exemplo) ou andar um pouco mais (descer do ônibus um ponto antes e seguir caminhando) são exemplos simples de medidas que ajudam a perder peso. Importante: atividade física sob stress (durante o trabalho) é menos eficaz do que quando você está de folga. Isso ocorre porque o seu sistema de alerta está ligado. Esse sistema impede que você queime calorias fora da conta. Assim, fazer exercícios nos horários de folga é o ideal.

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