Pergunte para qualquer cidadão de Juiz de Fora razoavelmente bem informado o que significa o “Castelo do Edmar”. Pois muita gente aqui já sabe, há anos, do assunto que ora domina a mídia nacional: o novo corregedor da Câmara, o deputado federal Edmar Moreira (DEM-MG), construiu um Castelo – sim, com “C” – espetacular na cidade próxima, São João Nepomuceno. Isto sem falar dos concorridos réveillons que, lá ambientados, pipocam nas colunas sociais locais como “O” Evento.

Pessoalmente, a coisa me incomoda menos pela vocação nababesca de alguns políticos e mais pela mania da imprensa nacional de sempre chegar retardatária em assuntos afins. Isto lembra também do recente escândalo do “prefeito gatuno” que envergonhou os juiz-foranos. E não foi por falta dos “fortes rumores” populares – carros importados, avião, iate, mansões etc. – de enriquecimento ilícito que a imprensa não foi ao menos checar a informação. Que fim levou o tal do “jornalismo investigativo”?

O leitor deve conhecer, na sua região, pelo menos um caso de político que, “milagrosamente”, construiu fortuna. Já perdi as contas dos tantos casos de ostentação ou desvios de conduta de políticos que nunca mereceram a devida atenção da mídia. Da mesma forma, irrita-me a convicção de que o escândalo só será repercutido quando o agente político ascender a um cargo que a imprensa considera importante. Exemplo: Corregedoria da Câmara. Ou seja: nesta visão, o fato de o cidadão assumir o cargo de deputado federal não é relevante; assim como não deve ser grande coisa o cargo de Senador da República – a não ser que o senador assuma... vá lá... a Presidência do Senado. Só assim, ‘talvez’, vão descobrir e noticiar, bem mais tarde, que o sujeito tinha uma amante cuja pensão era paga por uma empreiteira; ou que mantinha uma fazenda para lavar dinheiro... Neste caso, a força do ‘talvez’ está sempre condicionada aos interesses – e à hipocrisia – da própria confraria conservadora que acusa.

Quero acreditar que a imprensa brasileira é séria, isenta e não faz parte desse jogo.

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Verdade Michel, a imprensa só vê um ou outro castelo, sabe-se lá porque, não é mesmo? é uma imprensa seletiva. mas eu queria mesmo é que ela desse o destaque a este castelo (25 MILHÕES, não é?) proporcional ao escandalo da tapioca.

vc já imaginou? não ia se falar em outra coisa por uns 2 anos...
Caro Michel, infelizmente a imprensa, assim como parte dos seres humanos, só "enxerga" o que lhes convém, quase sempre movidos por interesses pessoais ( afinal jornalistas também são empregados). Todos conhecemos uma dúzia de casos de má versação do dinheiro público e que não são noticiados até que alguém da "oposição" se interesse por eles.
Ao contrário do Sr., já não acredito mais tanto assim na imprensa, que em geral não resistem a um olhar mais crítico e sereno, infelizmente temos que admitir que a falta de educação familiar aliada a fraca formação escolar, resultam em profissionais de baixa qualidade com pouco interesse em notícias sem grande audiência.
Grande Gabriel, não acredite tanto assim na minha crença na imprensa. A dica é você prestar atençao na última palavra do meu texto.
Abraços!
Prezado Michel,


Em primeiro lugar, seja bem vindo. Se me permitir, gostaria de fazer algumas colocações pessoais, sem nenhuma pretenção que não seja de aprender com a sua experiência.

Você disse "Que fim levou o tal do “jornalismo investigativo”?" - Isto não daria ao jornalista, sem nenhun demérito aos vendedores de porta em porta, ares de supervisores do uso da noticia, antes mesmo que ela esteja pronta para a realidade?

Ao meu ver o jornalista tem uma relação triunivoca com a realidade e hierarquica com o economista e o juiz. Ou seja o juizo de Deus, o mundo dos objetos, e a realidade já subjetivada, que paira sobre as relações, em particular, são contemporâneas.

Num ponto de indefinições destes dominios, quem julga a justiça (de Deus?), o mundo (dos objetos), e a realidade que chama um dado momento (publico, privado) para si, pode se colocar como um agente dela, invadindo areas que não lhe são afins, senão limitados por seus acontecimentos?

Um abraço

MAEC
Olá Miguel, obrigado pelo elegante retorno.

Não é à toa que a expressão "jornalismo investigativo" esteja assim, entre aspas, e precedido do pronome "tal" que, neste caso, empresta um teor não muito louvável àquilo que é estigmatizado por alguns setores da imprensa. Não vou nem me aprofundar na questão de que o "jornalismo investigativo" esteja, hoje, funcionando como mero apêndice de determinada 'entidade' (vamos chamar assim) política. Os exemplos eu citei no meu texto, ou seja, casos em que a repercussão do escândalo por parte da imprensa parecia - e esta é uma impressão pessoal - estar afiliada a tal 'entidade'. Por força das circunstâncias, custa-me crer que, no "Caso do Castelo do Edmar", a repercussão seria tão fantástica se a 'entidade' saísse vitoriosa (assumisse a Presidência da Câmara) e o nobre deputado pertencesse à chapa.

Mas falando em 'jornalismo investigativo"... Há quem defenda a idéia de que o termo "investigativo" soe redundante, já que todo jornalismo traz, na sua essência, um caráter investigativo. Mas desde o chamado 'Caso Watergate', aprendendi que não é bem assim...

Enfim, acho que o tema renderia uma saudável discussão... Fica como sugestão para outro tópico.
Você tem toda razão do jornalismo trazer a essência do caráter "jornalistico" (da forma e da fama?), ao meu modo de ver, que as vezes funciona como redundância do que há em todos nós, nas multiplas realidades da vida, sobre uma mídia ainda aberta a sua própria descoberta.

Mas "quanto a repercussão do "Caso Castelo do Edmar", a política não seria um cenário em que o jornalista milita as suas varias visões, sem poder dela participar - porque não é a mídia em si - a menos que crie uma linha ilusória (qual) entre o gozo e o trágico?

Estamos em campos de batalha diferentes contra afiliados, mas parabéns por noticiar um foco (corrupção) para as lutas (de correção) da imprensa.

Um abraço

MAEC
Parece ser que esta cuestion de vocación politica que tiene algunos dirigentes por estas regiones se reitera, y justamente no es natural la vocación por el bien común( entendiendo que común proviene de comunidad, comunitario) sino por el afanoso empeño por lograr el bien privado o personal, a través del enriquecimiento ilicito, casos por estos lares muchas veces no investigados por la justiccia argentina. La ostentación en la compra de empresas, medios , propiedades,etc mucahs veces acallada por la prensa local.
Gracias un placer leerte, me siento afirmando el refrán popular: "mal de muchos parece ser un consuelo de tontos."
Contatação pedestre, que nossa imprensa aliada aos que deveriam investigar a má conduta estão em coluio permanente com políticos de reputação duvidosa mas que detém a discricionariedade da verba que sustenta a mídia.

Já o lado cômico e trágico da situação não pode ser desprezado sob pena de se perder a piada. Este castelão me evoca um bordelzão, já que castelinho como nome de bordel existe às pencas por este Brasil afora. Vai saber a motivação de quem o construiu.

Adorei sua colocação, Michel. Como você citou o nosso ex prefeito, deve se lembrar que em seu primeiro mandato o vereador Leopoldo Tristão investigou a origem de sua fortuna e tentou de várias formas "impichá-lo". A imprensa não deu a mínima e o gatuno acabou sendo eleito novamente. Quanto ao "Castelo de Caras", você já disse tudo.
Abraços.
Helô
Seria possível encontrar tais informações na internet para que eu possa repassá-las em todos os fóruns "pró PIG" que puder participar ?
Um abraço
Gabriel.
O PIG é podre, não tem notícia séria e fica buscando algo que todo mundo já sabe e, pior, ignora os muitos senadores e deputados que possuem muito mais do que Edmar, mas são ligados ou dependem do próprio PIG e vazam inúmeros fatos que em sua grande maioria carecem de seriedade. É indmissível uma figura como o delegado Protógenes não ter espaço no PIG, aliás, sintomático.

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