Portal Luis Nassif

Os critérios que norteiam as rádios e as televisões no Brasil

Os critérios que norteiam as rádios e as televisões no Brasil

 

A.P.Santos

 

Muita gente usa a frase latina De gustibus et coloribus non est disputandum para para fugir a discussões sobre gostos. Alguns dizem que gosto não se discute. Gosto se discute sim. Pode-se e deve-se discutir gostos, ainda mais quando o vizinho amante do funk coloca o som a todo o volume. Se a minha mulher propõe que se pinte de preto as paredes da sala eu penso que terei que discutir a questão com ela.

 

O fato é que existe o mau gosto. Em geral o mau gosto está associado a uma “estética do grotesco” e a baixos níveis de capacidade cognoscitiva. Atribui-se ao poeta Fernando Pessoa a frase (talvez parte de um poema) “O Binômio de Newton é tão belo quanto a Vênus de Milo. Pena que poucos possam entendê-lo”. Por ai se vê que a apreciação das manifestações mais elevadas da cultura e da arte não estão ao alcance de qualquer um. Os diretores de programação das nossas redes de televisão sabem disso muito bem. Quando a televisão surgiu no Brasil o cronista, compositor e jornalista pernambucano, Antonio Maria, via os seus roteiros para a televisão sistematicamente recusados pelos diretores, que diziam: “tem que baixar o nível. Isso ai está intelectual demais para o povão”. E assim o Antonio Maria ia baixando o nível até que um dia entregou o roteiro que havia modificado, dizendo para o diretor: “Ai está. Não me peça mais modificações porque  pior do que isso não consigo fazer”.

 

Eu usei a expressão “manifestações mais elevadas da cultura e da arte”. E o que seriam tais manifestações? Dois critérios podem ser apresentados como ilustração: o da perenidade e o da atualidade. O “Teorema de Pitágoras” foi enunciado séculos antes da Era Cristã sem, todavia, ter perdido a sua atualidade a aplicabilidade.

 

Sófocles viveu séculos antes de Cristo mas a sua obra continua atual a ponto do doutor Freud ter nela se inspirado para elaborar o conceito conhecido como “Complexo de Édipo”. Aliás, a síntese da psicanálise encontra-se no “Nosce te Ipsum” socrático.

 

Eu poderia citar, igualmente, a obra de Cervantes e a de Shakespeare, mas fico por aqui, passando a outro tipo de ilustração. Imaginem o Taj Mahal, construído no século XVII, na Índia, e o comparem com um barraco de uma favela ou de uma periferia qualquer do Brasil. Um  barraco é, certamente, útil para quem precisa morar nele, mas não durará quatro séculos nem os administradores públicos se empenharão na sua preservação.

 

Pensem agora num compositor como o Mozart, que morreu em 1791 mas cuja obra continua sendo ouvida com enlevo em todo o mundo civilizado. Quantos compositores viveram nos tempos do Mozart e quantos tiveram a sua obra e os seus nomes preservados?

 

Estes são critérios de valor, todavia o “vulgum pecus” sempre preferirá ver uma apresentação do Tiririca ou o “Programa do Ratinho” a ter uma aula sobre o “Teorema de Pitágoras”, ler um tratado de filosofia ou comparecer a um concerto com músicas de Bach.

 

Mas isso já é outra história.

 

Exibições: 22

Responder esta

Publicidade

Blogs Brasilianas

© 2017   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço