Os horrores da escravidão, tal como o holocausto, não pode ser esquecido!

Aqui um vídeo com fotos de escravos.

Olhe nos olhos e leia a alma de cada um deles.

http://www.youtube.com/watch?v=jRZRa4H8674&feature=related

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Respostas a este tópico

Cena de um navio negreiro: 

                 Obrigado AnaLú,

                 estão ótimas, o importante não é qualidade da arte, mas seu conteúdo.

                 Estamos cumprindo uma das funções da internet.

grande abraço,

Militão

Concordo. 

Qual o seria o conteúdo das imagens, Sr. Militão? Imagens que misturam pinturas de épocas diferentes com as fotografias do vídeo, uma suposição que apesar da "qualidade" da arte há na imagem a expressão da realidade. 

O seu convite de olhar nos olhos das variadas imagens apresentadas no vídeo espera a confirmação de que a escravidão africana deve ser lembrada no Brasil como o holocausto.

Desde o século retrasado, na invenção da fotografia, a  imersão do mundo das imagens é algo vitorioso e quase incontestável no senso comum.

A imagem traduz ainda a "representação da realidade", do mesmo modo que Aristóteles assinalou no modelo de cúpula/ matriz da câmara escura: todos olham pelo mesmo buraco para enxergar dentro da câmara a mesma coisa. 

Dá até para traçar uma linha evolutiva quase linear desse domínio instrumental que cada vez mais dispensa o texto e autoria:

                                  faca>bala>mísseis>vírus>imagem 

quase linear, se lembrarmos das lunetas e telescópios, das gravuras em metais, pedras e vidros no caminho até a publicidade e a programação visual.

Hoje vivemos dentro da televisão e seus pontos digitais, essa é a grande função da internet.

Ouvi há pouco uma chamada na tv, em que a voz poderosa de um locutor perguntava:

"Diante da imagem desse crime bárbaro, qual a pena que os senhores dariam para o assassino?"

Frequentemente, cada vez mais, a imagem é usada justamente para esquecer. Banalizada e sem o texto, ela ajuda a desfazer a memória, aviltando a experiência. 

O prestígio inabalável das imagens evocam o desejo de segurança diante da "fragilidade" dos testemunhos orais ou escritos. Relatos sobre a prática do canibalismo indígena são diferentes se o autor é um filósofo francês humanista (Montaigne) ou um desbravador aventureiro, considerando ainda que ambos são cristãos. 

Se a fotografia em si não é conhecimento ou ciência de coisa alguma, é indubitável a presença nas coleções  iconográficas dos sinais da permanência do escravagismo no país. Um traço que se impõe à  dominação colonial lusa, associado ao trabalho urbano ou rural.

 Barbeiros e outros escravos de ganho, por Debret. Reparar nas manilhas de ferro presas nos pescoços, indicando que tentaram fugir.

Nas imagens do genial Rugendas, há indícios da diferença da concepção de trabalho, a exemplaridade dos castigos quase sempre nos pelourinhos públicos e a força da cultura africana no início do século, mais clara do que a percepção desenvolvida ao longo do século XIX, associando aos escravos a indolência, ignorância e preguiça.

Batuque

capoeira?

 

Essa imagem de Rugendas,  a seguir, mereceu um estudo específico. Traz vários elementos culturais que os escravos trouxeram da cultura banto:

Além do trabalho, a escravidão é mola mestra da hierarquização social. Os castigos corporais públicos eram quase sempre exemplares ( o que permaneceu como tradição na educação das crianças pobres no âmbito doméstico) . Com ou sem bons tratos - lembrar que qq sistema apenas repressivo não sobrevive - , as representações sociais estabeleciam sem pudor a ordem e o lugar de cada um. 

A leitura das imagens é desafio para o olhar. A imagem abaixo me traz muitas perguntas. Infelizmente não obtive a referência da época, nem a autoria. Supondo que seja brasileira, é intrigante pensar como uma jovem, provavelmente não mais escrava, ainda traz as marcas étnicas no rosto. O fim do tráfico foi em 1850, o surgimento da fotografia foi mais ou menos nessa década, mas os escravos foram fotografados com seus "donos" em torno de 1870/1880. 

 

              Grande contribuição Manú, bem como sua leitura crítica.

Grato, um abraço,

Militão

desgastar paroles nananina.
andrei só ventriloqua
maNu - tu considera que vou conseguir uma boa sova? ou aspas me sssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssalVarão?

"Se a crítica requalifica a denúncia, a denúncia isolada esteriliza a crítica.

As exposições em geral inseridas no vasto campo temático genocídio devem preservar a discussão ampla sobre funções e fins, e a pertinência da discussão está diretamente vinculada às condições que oferece em esclarecer o presente e o futuro, mediante reflexão crítica sobre o passado.

Senão, qual o propósito? Inumeráveis povos e culturas têm os seus próprios sofrimentos a relatar, bem como os seus créditos irrestituíveis no balanço final da história e as inevitáveis cicatrizes marcadas no espírito comum de nacionalidade que anima os esforços de cada um de seus integrantes na tarefa de inventar um destino comum. Cada população co-habitante deste planeta pluriétnico e pluricultural terá virtudes e pecados a contabilizar no tribunal definitivo da história; pois a história da civilização humana é a fusão sintetizada das histórias de cada civilização específica, por efêmera que tenha sido (ou seja) e que habitou (ou habita) algum recanto desta Terra, trabalhando o solo à sua maneira, interagindo com a natureza física, subjugando habitats à sua necessidade, desenvolvendo habilidades específicas, inventando sonhos, construindo memórias visíveis e subjetivas; acrescendo, enfim, a sua parcela de inventividade e dolo no painel monumental resultante da produção civilizatória do ser humano a imprimir, em sua curta escala no planeta, uma marca indelével de rastro, uma impressão digital e os indícios irreversíveis de uma racionalidade ao mesmo tempo criadora e destrutiva.

Há sentido, nesse tempo mundializado em que vivemos interligados à rede virtual, falar-se em reservas culturais, identidade, soberania nacional ou especificidade ética? Haverá, por exemplo, algum elemento prático na referência à questão particularizada de conflitos étnicos ou inter-nacionais no contexto da multi-sociedade global em que Chang e Nakano, como Silva, Smith, Schultz, Altafini, Leblanc, Petersen, González, Alexeyev, Abu, Okono, Nguen, Ako, Ahmed, Abramovich, Smith, terão todos por sobrenome-acréscimo o @pontocom? Há pertinência em buscar respostas a perguntas que uma ocorrência histórica circunscrita em tempo e espaço específicos levantam quanto à compreensão do caráter dos indivíduos, enquanto agentes históricos? os motivos e as circunstâncias psicossociais envolvidos e os traços em comum que afloraram em momentos e locais vários? Pode-se tentar buscar nas particularidades dessa ocorrência algo que leve à elucidação dos “fatores universais” que geram decisões humanas, enquanto manifestações de caráteres individuais, depois coletivas, depois históricas?

A compreensão da história passa pela compreensão do indivíduo que faz a história; mas a compreensão do individuo só faz sentido se (quando) entendido no tempo e no meio em que este vive e se move, intervindo e sofrendo intervenção de outros que, simultaneamente a ele, conformam o tecido econômico, político, social e cultural que reveste a história geral da humanidade. Denunciar genocídios é matéria de resgate humanitário. O esclarecimento requer a elucidação dos móveis que agem por trás, ou por baixo, de explosões genocidas, uma vez acordado de que não são excrescências, mas manifestações de incidência crônica no inter-relacionamento entre povos e culturas. O modo de se tentar evitar genocídio, e não somente denunciar genocídio a cada vez que ocorre, é encarar o desafio de buscar as raízes últimas – econômicas, políticas, sociais e culturais – do genocídio e principalmente encarar a difícil evidência de que cada um de nós, a despeito de convicções religiosas, éticas e morais particulares, em situações determinadas e sujeitos a contingências específicas, somos aptos a nos tornar genocidas.

Porque se a definição semântica já não prima pela clareza: genocídio = crime contra a humanidade (cf. Aurélio Buarque de Hollanda), a qualificação teórica é ainda mais dúbia e obscura a partir da quantificação. Afinal, de quantas vítimas (e autores) se necessita para caracterizar incontestavelmente um fato como genocídio? Uma basta? duas? dez? mil? cem mil? um milhão...? Haverá genocídios maiores e menores? Mais ou menos condenáveis? Justificáveis ou injustificáveis? ou todos injustificáveis, sem exceção? E tomando por base que genocídio se caracterize pelo saldo de um grande número de vítimas (e autores), em que lapso de tempo deverá ocorrer? Uma hora? um dia? um mês? um ano? dez anos? um século? E mais ainda, a condição individual das vítimas influi na caracterização? Cem mil soldados mortos em combate não caracterizam um genocídio, mas dez civis, sim? O fato de haver mulheres e crianças entre as vítimas é fator agravante? O grau de violência empenhado conta? Humilhação? Crueldade? Espancamento? Estupro? Tortura? Execução sumária de prisioneiros de guerra? Desabastecimento? Omissão de socorro? Ataque a locais proibidos pelas convenções internacionais de guerra, como hospitais, escolas, hotéis, templos, conjuntos residenciais e instalações de caráter civil-humanitário?

Como se pode ver, quanto mais se tenta alcançar o terreno firme das definições concretas, mais risco de se atolar no terreno pantanoso da ideologia.

A definição fundamental, portanto, volta a espelhar-se na máxima velha de guerra: “A História escrita pelos vencedores”. Ou seja, por mais que o marco inaugural da civilização judaico-cristã haja sido sedimentado sobre escombros e cadáveres de incontáveis tribos semitas rivais, para a maior glória dos arquitetos da carnificina, à estirpe de Moisés, Elias, Eliseu, Jacó, Sansão, Saul, Davi, Jonas, Ezequiel, Absalão e outros tantos reis-profetas-combatentes que ofereceram à humanidade os subsídios necessários ao florescimento de exemplares transcendentes, como Dante, Shakespeare, Cervantes, Camões, Bocaccio, Michelangelo, Rafael, Vico, Giotto, Velásquez – e podemos preencher páginas e páginas com exemplos da mais elevada inspiração – seus resultados respondem aos valores intrínsecos de uma cultura dominante. As narrativas fundadoras não têm como contornar inferências ideológicas, derivadas das relações sociopolíticas dentro das quais são produzidas. O Anjo Exterminador, anunciado por Moisés a Ramsés, que andou pela terra do Egito liquidando os primogênitos de seres vivos em uma única noite, exceto os dos filhos de Israel, é símbolo inspirador de libertação para o povo hebreu, evidência viva da força de sua fé. A matança de crianças de até dois anos, por ordem de Herodes, igualmente executada em uma única noite, em Belém, restou nas crônicas como exemplo o mais acabado de genocídio.

Assim sendo, é mais do que compreensível que registros de genocídio terão os seus efeitos agravados por um lado e minimizados por outro (quando não pura e categoricamente negados) e a arbitragem final, em geral revestida de um caráter internacionalista, para assegurar o reconfortante grau de isenção, pauta-se na ponderação das respectivas interpretações de parte e outra, devidamente filtradas pelo substrato ideológico predominante à época dos julgamentos, não dos fatos, sendo que em muitas vezes, partes prejudicadas nem sequer comparecem às sessões por motivo de dizimação total, perdendo a causa, como nos casos das populações extirpadas do planeta por ocasião de processos havidos em épocas e localidades distintas da história humana.

A partir disso, uma imagem pode valer mil palavras a obscurecer milhões de outras imagens e o nome da rosa é Propaganda". Vide fonte Wiki: O termo "propaganda" tem a sua origem no gerúndio do verbo latim propagare, equivalente ao português propagar, significando o ato de difundir algo, originalmente referindo-se à prática agrícola de plantio usada para propagar plantas como a vinha. O uso da palavra "propaganda" no sentido actual é uma cunhagem inglesa do século XVIII, nascida da abreviação de Congregatio de Propaganda Fide de cardeais estabelecida em 1622 pelo Papa Gregório XV para supervisionar a propagação da fé cristã nas missões estrangeiras. Originalmente o termo não era pejorativo, e o seu sentido político atual remonta à I Guerra Mundial.

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