OS PERIGOS DA MEGALOMANIA E DO VOLUNTARISMO GOVERNAMENTAIS

OS PERIGOS DA MEGALOMANIA E DO VOLUNTARISMO GOVERNAMENTAIS.

Flavio Lyra, Economista.

Cada dia que passa fica mais evidente que Bolsonaro e os que compõem a cúpula de seu governo padecem de uma grande falta de sentido da realidade.

Eles devem imaginar que os 58 milhões de votos que a população brasileira lhes deu no final do ano passado representam uma prova irrefutável e permanente de que a totalidade de ditos eleitores estão de acordo com a ideologia de extrema-direita que povoa suas cabeças incultas e desinformadas sobre a realidade do país e do mundo.

Devem pensar também que depende exclusivamente de suas vontades imprimir às instituições do país o formato que estaria de acordo com sua visão estreita e autoritária do mundo em que vivemos.

Nada mais enganoso e deletério para o país do que um governo comandado por gente com esse perfil psicológico, pois vão provocar naturalmente muitos conflitos e o caos pode se instalar no país.

A esta altura os votos que elegeram Bolsonaro já estão muito aquém dos números iniciais e podem muito breve deixar seu governo com um apoio muito reduzido da população, o que vai impedir que o governo siga adiante com suas poucas propostas de mudanças que fazem algum sentido para a sociedade.

A reforma da previdência, em que pese o desejo insano da classe empresarial de reduzir seus custos em prejuízo do bem-estar do grosso da população, vai agravar o quadro recessivo em que transita a atividade econômica.

A economia está estagnada e a ânsia contencionista do gasto público não irá permitir sair do quadro depressivo em que se acha a atividade industrial, pois os investimentos públicos não poderão acontecer no ritmo e volume que seriam necessários para estimular e expandir a atividade econômica e o emprego.  

O projeto de lei da reforma previdenciária, que se encontra na Câmara, peca pela falta de transparência e a intenção do governo de enganar os parlamentares e a população sobre seus efeitos deletérios sobre as condições de vida dos mais pobres. Já ninguém confia nos números e nas justificativas apresentadas pelo Ministro da Economia.

O servilismo de Bolsonaro frente ao Presidente Trump e sua clara intensão de intervir na Venezuela, já estão a marcar de forma indelével a imagem que conseguimos construir de país respeitoso da soberania de nossos vizinhos e de parceiro confiável nas lides internacionais em prol do desenvolvimento da região.

Chega a chocar o bom senso e o mínimo de coerência assistir aos pronunciamentos das autoridades brasileiras em defesa de mudanças no governo da Venezuela em nome do bem-estar dos venezuelanos, que padecem pela falta de emprego e de bens de consumo básico.

Essas autoridades parecem não perceber que nas circunstâncias atuais a situação do Brasil é muito parecida, com cerca de ¼ da população, 28 milhões de pessoas desempregadas ou subempregadas.

Na área da Educação se sucedem os desacertos e as ações destrutivas do governo sobre o patrimônio científico acumulado nas universidades públicas e de apoio à penetração forçada naqueles ambientes de ideologias retrógradas e já superadas pelo avanço da ciência e da civilização.

No campo industrial já não cabem dúvidas de que o governo busca abrir caminho para avançar com a privatização da Petrobras e a penetração crescente de grandes grupos internacionais na exploração de nossas reservas de petróleo e gás.

Argumentam com base em um liberalismo concorrencial inteiramente anacrônico, que visa destruir os monopólios nacionais e entregá-los ao capital estrangeiro, num mundo inteiramente dominado pelas grandes empresas.

Em relação à proteção ao meio-ambiente são notórias as ações destinadas a fragilizar o aparato público de controle e regulação da atividade econômica para impedir a destruição dos recursos naturais, propiciar a preservação das condições climáticas e a proteção das populações frente à poluição industrial e o uso irresponsável de agrotóxicos e produtos químicos na agricultura.

O inimigo já está demonstrando ao que veio e a onda de destruição que pode acarretar, fruto da irracionalidade que caracteriza a megalomania e o voluntarismo dos que se supõem donos do poder, precisam ser combatidos com todo vigor antes que produzam os males que são incapazes de perceber em sua ânsia de por em prática as ideias insanas que perpassam suas mentes doentias ou mesmo atender interesses escusos disfarçados de boas intenções.

Brasília, 1º de Maio de 2019.  

Exibições: 11

Responder esta

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço