OUSADIA E DESFAÇATEZ DE BOLSONARO.

Flavio Lyra. Brasília, 24 de setembro de 2019.

 

O discurso de Jair Bolsonaro na abertura do período de sessões da ONU, apresentado no dia de hoje, serve apenas como mais um indicador do elevado grau de descompromisso do grupo que está no poder no Brasil, com a realidade e o bom-senso.

Quem de sã consciência será capaz de aceitar as afirmações realizadas naquele palco internacional que o governo Bolsonaro tem posto em prática uma política de defesa do meio-ambiente e de proteção da Amazônia frente à destruição da floresta?

Ou ainda que o pacote “Anticrime” de Sergio Moro, a facilitação da aquisição de armas pela população ou o aumento de ações letais da polícia nas periferias das grandes cidades, vai diminuir o tráfico de drogas e a violência?

Por último, que cabe entender como defesa da soberania nacional dos arroubos patrioteiros de um governo que pretende privatizar a PETROBRAS, que entregou a Base de Alcântara aos Estados Unidos, que vendeu a EMBRAER, nossa principal empresa no campo da indústria aeronáutica, à BOEING, e que se aliou incondicionalmente ao governo Trump?   

O citado dirigente, seus acólitos e os segmentos das classes proprietárias que lhe dão sustentação, há muito perderam o sentido de realidade do mundo e buscam difundir uma versão ilusória do que vem ocorrendo, com o propósito de manter seus seguidores numa espécie de idolatria que lhes deixam cegos em relação aos desdobramentos das ações do governo que vêm sendo postas em prática.

Na cabeça dessa gente, tudo se passa como se o povo brasileiro devesse agora pagar na própria carne o preço de ter exorbitado na conquista de direitos e benesses durante os governos do PT, a que não fariam jus, e que tais custos precisariam ser pagos em termos de sacrifícios em nome da austeridade para restaurar o bom funcionamento da sociedade.

Nada mais falso e enganador do que o que estão se propondo a realizar com reformas econômicas, cuja tônica é a retirada de direitos básicos da população com reflexo direto em seu poder de compra e no aumento das desigualdades e da pobreza.

Que dizer de um governo que pretende instalar na principal embaixada do país no Exterior, a dos Estados Unidos, um filho semianalfabeto do presidente, sem qualquer qualificação na área de relações internacionais?

Apesar de tudo, ressalta a ousadia com que se lançam às mudanças que se propõem a realizar no país, sem qualquer respeito ou consideração pelos avanços civilizacionais que já foram alcançados até recentemente, com reformas que visam aprofundar os traços mais retrógrados de nossas instituições e costumes.

Tudo isto é encarado com muita desfaçatez, como se estivessem contribuindo para a reconstrução econômica, política e moral do país.

É preciso que fique claro que o Governo Bolsonaro tem como seu foco principal muito mais bloquear as possibilidades de que o país enverede por uma rota de crescente poder da classe trabalhadora na condução dos destinos do país do que propriamente a de fomentar uma nova dinâmica para o capitalismo aqui instalado.

O objetivo perseguido é extinguir os germes de uma futura organização social de cunho socialista, mesmo que às custas de uma degradação da organização capitalista em que atualmente vivemos.

Até quando, os interesses mesquinhos e a visão de curto-prazo e mercenária de nossa retrógrada burguesia vai compactuar com essa farsa que já chega a ser muito pior do que a tragédia que teria existido no passado (Golpe de 1964 ?) da qual seria a repetição, nos termos das palavras de Marx no “18 de Brumário de Napoleão Bonaparte”?

É pouco provável que sem a retomada da iniciativa pela classe trabalhadora, ocorram mudanças expressivas nesse quadro desolador que atualmente emoldura os movimentos de nossa História.

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