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Antônio Palocci enquadra-se no perfil ideal do que procuravam os organizadores do Golpe parlamentar de 2016, que foi arquitetado desde o fomento e monitoramento das manifestações de 2013, para enfrentar e derrubar nas urnas a maior liderança popular brasileira desde a colonização. O ex-vereador, deputado estadual/federal, presidente regional de partido, chefe de campanha e ministro (por duas vezes) pelo Partido dos Trabalhadores é o candidato perfeito (alternativa nunca pensada talvez) para publicamente desbancar todas as conquistas de um movimento vitorioso e que parecia ser duradouro. Como na fábula

bíblica, estamos próximos de uma tragédia com consequências jamais imaginadas (irmão contra irmão, pai contra filho). O seu vice (de Palocci) poderá ser Alckmin, Dória, Huck, tanto faz. Na verdade seja qual for o segundo nome da chapa exercerá uma espécie de agente de segurança (do regime que está sendo instalado gradativamente, sem hora para terminar). Como ninguém na carta publicada ontem, o personagem que sairá da cadeia para os braços da grande imprensa, despudoramente agride com violência jamais vista em qualquer parlamentar dos opositores ao PT. De verdade somente um na galeria mundial seria capaz de reproduzir essa violência com o mesmo requinte – Donald Trump.

 

Conheci Palocci (1988) no início de sua carreira pública, como vereador recém-saído das fileiras de uma das “tendências” do PT, ingressando na maior força interna do partido, a Articulação. Militamos juntos nessa parada, mas nem foi duradouro, nem pessoal, o suficiente para chamarmos um ao outro pelo primeiro nome – Antônio. Como havia uma diferença substancial de interesse, como atividade profissional, retornei ao Teatro e ele subiu vertiginosamente na carreira política. Vez ou outra nos encontramos, mas jamais tive qualquer relação de apadrinhamento ou troca de favores – as metas do PT, ao que tudo indicava, seguiam para ambas inalteradas. Numa delas ele me surpreendeu (1994) quando em comício pela campanha de Lula. Ele ao lado deste e eu do público nas primeiras fileiras pedi seu telefone fazendo mímica para que escrevesse num papel o seu telefone (na época ele prefeito de Ribeirão Preto). Prontamente ele apanhou um “santinho” deu um autógrafo. Quando o papel chegou até mim, fiz cara de “o que é isso, virou astro de tevê?”. Ele ao me reconhecer pediu desculpas e soletrou seu telefone particular, que nunca usei. Era o primeiro sinal de um personagem extravagante.

 

Alguns anos mais tarde, desta feita em manifestação de Primeiro de Maio no Anhangabaú, encontrei a ele, do lado de baixo do palanque, a procura desesperada por um banheiro. Estava com dor de barriga. Não pude ajudar muito, pois sua situação era de fato desesperadora. Sei que disponibilizou seu contato no diretório estadual, que também nunca usei. O terceiro encontro, porém dramático se deu no enterro de Celso Daniel (caso já relatado anteriormente em outro texto) quando ele aparecia de colete a prova de balas, já escolhido às pressas, para assumir o posto do companheiro que acabara de ser assassinado.

 

Desses encontros furtivos e que ainda nos chamávamos de Antônio ficou pra mim a certeza, que o ex-ator de teatro amador em Ribeirão Preto tinha encontrado afinal o seu grande personagem. E que apesar de se achar estrela, ter dor de barriga como qualquer ser vivo, e surpreendentemente perspicaz à tragédia do companheiro morto no ABC, não consegui visualizar nele a grandiosidade de seu personagem bufão. Não me considero nem o melhor, tão pouco o maior especialista na minha área – o Teatro. Talvez por essa razão não tenha formatado uma certeza a respeito do seu talento. Sei, contudo agora que ele me surpreendeu. O capítulo final de sua tragédia ainda está para ser escrita.

 

Concluo: Antônio Palocci, nascido brasileiro, médico, tem todas as qualificações para o extraordinário enredo cinematográfico para assumir o papel de candidato a presidente da republica até o dia 6. Hoje sem partido, ainda tem alguns dias para junto com seus novos companheiros de “organização”, se tornar o grande concorrente de Lula. Será ele sim quem poderá apertar o gatilho com uma bala de prata. Não vai precisar frequentar palanques, basta no estúdio gravar meticulosamente outras barbaridades do seu tempo de PT, o trabalho mais sujo será feito pela imprensa que vai repercutir todos os dias exaustivamente, como estão fazendo agora. Do outro lado, o ex-líder operário, popular e de uma nação está fragilizado, porém não morto, ainda respira. Para os organizadores do Golpe essa é a situação ideal para quem se colocou a campo para o maior filme brasileiro de todos os tempos. Melhor que Lula nem seja preso agora, ideal mais tarde, depois de derrotado e humilhado. Não sobrarão nem cinzas, essas serão jogadas no mar do esquecimento – PT, Lula, Dilma. José Dirceu. È a cena final do enredo do filme Guerra Total. Para o projetado novo Presidente da República do Brasil, Antônio Palocci, só resta uma absolvição, ou mesmo uma condenação branda, o que não o impediria de concorrer em outubro de 2018. Questão só de combinar com os patrocinadores e com Judiciário.

 

Perfil de Palocci: Ele não pode ser considerado nenhum líder do partido do qual acaba de ser “saído”. Não conheço nenhum fenômeno como “paloliccismo”. Seus mais diretos colaboradores hoje fazem parte do lixo da história (Rogério Buratti e Silvio Pereira, ambos abandonados pelo próprio). Seu perfil se adequa mais ao empresário de sucesso sabe ganhar dinheiro e levar vantagem. Ao que tudo indica deu a cartada suprema vendendo a honra alheia a preço de algumas moedas (de prata).

 

The End – veja o show, compre o cd e DVD, todos farão parte deste roteiro que se encaixa ao Brasil contemporâneo, que jogou para o papel de figurantes os ministros do STF, Congresso e a população brasileira.

Jair Antonio Alves - dramaturgo

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