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Falar em mera insensatez dessa gente, digamos, super-simplificadamente, estrangeirada, nessa fase de oficialização generalizada da violência bruta, sem maquiagem, é eufemismo com lugar somente no chá das meninas, brincando de casinha.

 

As coisas da vida, entre as quais inclui-se, naturalmente, os que encarnam mentalidade de escravo (lembre-se, escravo é coisa), especialmente no âmbito das mentalidades, são assim mesmo: ignorância, gerando arrogância e prepotência, invariavelmente desaguando em truculência.

 

Com efeito, mesmo despidos de conhecimento, erudição, de cultura, compreenda-se, é-nos imperioso, sob pena de dissipação, atitude diante da vida, destacadamente do s sentimentos de ameaças, em face da correlata angústia existencial.

 

A lacuna da ignorância é preenchida de qualquer modo, do modo que for, e o é, fundamentalmente, pelo/no imaginário.

 

O imaginário, aqui, é uma seara em que vicejam forças delirantes, repositório de idéias inadequadas, isto é, despidas de razão, de mensuração, de logos (palavra verdadeira, aquela que há de ser lembrada, pois, adequada à realidade, afastados o embuste, a mistificação, o fantasismo, etc.).

 

Trata-se de fosso de extrapolação em miríade de desmedidas, quiçá criminosas (hybris), sob o signo do império de meras paixões, espasmódicas pulsões, em exercício de representação fantasmagórica, numa outra e forjada dimensão (o duplo, a segunda natureza), alucinatória e coletivamente compartilhada.

 

Por ser desafeto à realidade (de vida própria), posto que feita apenas de imaginação (dependente de jogo de luzes e sombras na mente), este agente pela representação volta-se para o mundo com arrogância, na certeza (fé, mesmo!) de si por si mesma, de ser ela a expressão da verdade que preponderantemente, prepotentemente, há de se valer no mundo perante os outros, gerando conflitos, resolvidos pela força bruta.

 

Desta sorte, a inabilidade para lidar com as situações adversas, aquelas não enquadradas nos modelos disponibilizados no curso do adestramento infantilizador, estupidizador, deformante[1], esta inabilidade, em suma, perversamente gerada pela ignorância cultivada, responde com espasmos de força bruta, que se sucedem em espiral crescente, até a aniquilação. É o império do mal contra a vida na sua luxuriante multiplicidade.

 

Veja-se, por exemplo, a dupla ousadia: (i) existir um povo eleito por D’us, em detrimento de todos os demais; e (ii) ter a si próprio por integrante deste povo – a desgraça parece rematar-se quando essa índole messiânica adere ao nome, pior ainda com rebatismo.

 

Este modelo eugenista judeu-cristão é inserto na base de qualquer sistema discriminatório ocidental, pelo viés que for: racial, propriamente dito ou não, ideológico de qualquer naipe, seja religioso, científico, enfim, político (desde o partidário a nível de Estado, descendo até o apenas doméstico - tudo é politico!).

 

A partir deste modelo estruturante, qualquer outra forma, ou variante, ao fim e ao cabo, qualquer outro não será humano tal qual o si-mesmo se tem por humaníssimo(!).

 

O outro, estranho à comunidade eleita, pode, senão, deve ser destruído em ato de purificação, em sacrifício, meio, assim, de  extirpar o mal – ou nem isso, se declarado h*** sacer, este assassinável impunemente e insacrificável aos deuses, por sua absoluta indignidade.

 

Ora, o ungido pelo divino somente pode representar/encarnar o bem. Logo, em contrapartida, maniqueistamente, o outro é o mal, um isso qualquer, indigno de existir, imerecedor do milagre da vida.

 

Destarte, a insana, a tresloucada, a fanática missão de todo convicto de uma verdade reputada absoluta, de uma teologia, é a eliminação ou a submissão, a dominação, a apropriação da alteridade, demenciando-a, reificando-a, inclusive, com direito a destruí-la (ius abutere, faculdade de destruir inerente ao domínio, enquanto direito absoluto de propriedade - é meu, e faço o que quiser!).

 

Daí, a ignorância só permitir compreender a força bruta,  efetiva ou fantasmagórica, e tem hábitat em toada autoritária, engendrando despotismos.

 

Assim, os jungidos pelo medo, impudentemente, propugnam pela solução violenta, estúpida, excludente, autorreferente, idiótica, reduzindo a vida à miséria da subdimensão existencial de sua própria, inefável e nefasta, ignorância, frise-se, cultivada.

 

Perfaz-se um mundo de reptilianos, esses de córtex indesenvolvido ou mortificado, movidos a atos-reflexos, violência combate-se com violência, impossível que é para eles agir inteligente, pois, feitos de vorazes e ferozes apetites, à altura de bestas-feras desviadas da hominização (Hesíodo), este processo de torna-se ser humano, pelo logos (lembre-se, palavra verdadeira).

 

Note-se que essa impossibilidade de inteligência funde-se com o infantilismo reinante. Isto porque, infantil, provém do latim, infans, significando primeiramente (i) o que não fala; numa primeira extensão metafórica, (ii) aquele que não fala por si; avançando semanticamente, (iii) quem fala o que em casa, na escola/academia, na igreja qualquer, nos quartéis, nas corporações, etc., lhe dizem para falar; enfim, (iv) os que repetem o que lhes jogam pelo caminho, p.ex., pela mídia, nas filas de qualquer tipo de curralito, etc.

 

Cuida-se de forjar a servidão, através de sistema mimético-mnemônico (memória e repetição), em que é proibida a criatividade, a crítica, o desvio ao modelo ministrado, assim, padronizando, obstando fala própria, nega-se voz ativa, impossibilita-se personalidade, coisifica-se o indivíduo, impedindo-o de ser pessoa.

 

Educação formal pune e droga, convergindo vias da disciplinarização reducionistas. Hoje, chegou-se ao ponto dos melhores, aqueles desviantes da miserabilização institucional anti-vitalista reinante, desde a família, imposta num processo de imbecilização a que são submetidas desde a infância, eles são drogados para enquadrar-se a reproduzir tonalidades afetivas dentro das matizes aceitáveis, seja, comprimidos ao padrão da média submissa, assim estigmatizados por comportamento impróprio, tal qual mero traquinas, .

 

Ora, pois, como pensar em inteligência num sistema, assim, de servidão? Inteligência é da ordem da escolha, da eleição, escolha que, obviamente, imprescinde de liberdade[2]. Afinal, fora disso há somente cartas marcadas, jogo de mero e mecânico processo de classificação, re-produtor de reducionista lógica identitária.

 

O infantil não vai além das alternativas já franqueadas pelos mestres, fora do quê colapsa, por inadequação. Inteligência pressupõe liberdade, e liberdade é insofismavelmente antagônica a servidão, que exsurge própria do infantil de qualquer cepa ou idade.

 

Ser humano no mais elevado sentido que possa ter, o de h*** sapiens sapiens, homem que sabe e sabe que sabe, requer um ser de saber e não só de habilidades, muito menos habilidades meramente operacionais.

 

Para além do bípede sem penas que ri, preciso ser capaz de: (i) compaixão, embriagando-se com as dores do mundo, não piedade, jamais, este é sentimento para escravos, inclusive no papel de senhores; (ii) de pensamento ético, firmando uma eudaimonia, um propugnar por bem viver; (iii) de compromisso, fazendo valer a confiança emprestada; e (iv) de ironia, este senso de humor de quem sabe que sabe o que sabe.

 

Neste ponto, vale lembrar que civilidade vem do latim, civis, que tem origem no indo-europeu kei-, que significa querido, amado, autorizando pensar em ambiência amorosa para se falar em civilidade.

 

Amorosidade, todavia, é incompatível com as sanhas fanáticas promovidas pela ignorância, como também pelo competitivismo, frise-se, darwinista cretinizante, imposto pelo liberalismo econômico, maximizado pelo viés da ditadura financista, numa corrida obsessiva pelo lucro a qualquer custo – aliás, tal estado de coisas gerou nova forma de eugenismo, o plutológico, aspecto fundamental do sacro-império pluto-clepto-dividocrata contemporâneo.

 

Amorosidade divisada nos princípios inerentes ao fomento à formação de sociedade livre, justa e solidária, com fundamento na dignificação da pessoa humana, estas, sim, são flexões harmoniosas à noção mínima que seja de civilidade.

 

O prendo e arrebento, o bandido bom é bandido morto, a lógica das galés (chicote e tambor), a bravata em coice, dão nota do desastre civilizatório de nossos dias, dias de afloramento do bestial que reside nos obscuros recônditos do animal humano mal educado, de hominização incompleta, abandonado à própria má sorte nas intempéries da natureza crua.

 

Cabe-nos, entretanto, sobreviver para domesticá-los, começando por manter viva a chama da vida-viva, resistindo, ao menos, denunciando este acanalhamento contra o milagre da vida a ser celebrado, jamais, sepultado, pois, parafraseando Milton Nascimento, quem se cala sobre seu corpo, consente na sua morte (https://www.vagalume.com.br/milton-nascimento/menino.html), ou seja, é cúmplice.

 

Fiquemos, por ora, com o poeta:

 

"A minha tristeza não é feita de angústias

...(omissis)...

A minha surpresa é só feita de fatos

De sangue nos olhos e lama nos sapatos

...(omissis)...

Minha fortaleza é de um silêncio infame

Bastando a si mesma, retendo o derrame

A minha represa"

(https://m.letras.mus.br/chico-buarque/85969/)

 

Obrigado a quem me compreendeu, perdão a quem incomodei. Faltou-me intenção de ofender, pois, de modo algum é pessoal, mas, sobrou-me de firmar posição e enfatizar opinião, sim, crítico-político-filosófica, sempre, com perspectiva histórica, hoje, mais que nunca, temperada pelo pasmo e pela estranheza.

 

Saudações libertárias, vitalistas e republicanamente civilizatórias.

 

 

 

 

 

[1] Sempre lembrando os pesinhos das chinesas amarrados por volta dos nove anos de idade, para que não crescessem, deformando-se, teratologicamente aos nossos olhos ocidentais, vez que eram objeto de fetiche muito apreciado pelos chinos, por séculos.

[2] “¡Ahí tienen ustedes a este animal! El hombre tendrá que ser, desde el principio, un animal esencialmente elector. Los latinos llamaban al hecho de elegir, escoger, seleccionar, eligere; y al que lo hacía, lo llamaban eligens o elegens, o elegans. El elegans o elegante no es más que el que elige y elige bien. Así pues, el hombre tiene de antemano una determinación elegante, tiene que ser elegante. Pero aún hay más. El latino advirtió —como es corriente en casi todas las lenguas— que después de un cierto tiempo la palabra  elegans y el hecho del «elegante» —la elegantia— se habían desvaído algo, por ello era menester agudizar la cuestión y se empezó a decir intellegans, intellegentia: inteligente. Yo no sé si los lingüistas tendrán que oponer algo a esta última deducción etimológica. Pero solo puede atribuirse a una mera casualidad el que la palabra intellegantia no se haya usado igual que intelligentia, como se dice en latín. Así pues, el hombre es inteligente, en los casos en que lo es, porque necesita elegir. Y porque tiene que elegir, tiene quehacerse libre. De ahí procede esta famosa libertad del hombre, esta terrible libertad del hombre, que es también su más alto privilegio. Solo se hizo libre porque se vio obligado a elegir, y esto se produjo porque tenía una fantasía tan rica, porque encontró en sí tantas locas visiones imaginarias.” (ORTEGA Y GASSET, El Mito del Hombre Allende la Técnica – destaque desta)

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Respostas a este tópico

O caos moral, social , governamental e a escravidão - são empiricamente, inerentes, SOMENTE - ao COMUNISMO, seus asseclas: A MAÇONARIA, e CONGÊNERES

Por favor, leia aqui https://www.e-reading.club/book.php?book=1020095  AO MENOS, o sexto parágrafo do III capítulo  "Revolução Russa"

e sua relação com a cronologia histórica

‘’A Segunda Guerra Mundial, muito mais claramente que a Primeira, seguiu o rumo fretado pelos Protocolos de 1905.” Tudo para salvar o comunismo está registrado - é só conferir o que foi documentado: - "billions of dollars in American made products, war materials, ships, airplanes -- just about everything a backward, floundering Communist Bolshevik nation would need to wage a war" aqui   http://www.sweetliberty.org/issues/wars/revolution_extends.htm     

 

a verdade AINDA está disponível - somente ela pode salvar a humanidade - JOÃO VIII/ XXXII  

https://katana17.wordpress.com/2016/01/09/the-myth-of-german-villai...   e ainda aqui  https://archive.org/stream/GermanyAndEnglandNestaWebster/Germany%20...   se há alguma relação com o que se documentou  http://ihr.org/other/what-the-world-rejected.html    decorrente também daquilo que poucos sabem http://www.ihr.org/jhr/v04/v04p135_Weber.html    ... razão pela qual, permanecem inexoravelmente reféns desta propaganda   https://flashbak.com/when-nazis-attack-mens-action-mags-and-hitlers...   

Nosso maior inimigo https://www.youtube.com/watch?v=7OsiqQ8UbeA&t=509s

Se essas forças não forem corrigidas, elas eventualmente trarão agonia e miséria ao ser humano. https://energeticsynthesis.com/glossary-2/222-portuguese/glossario-...

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