http://www.unipress.blog.br/participacao-da-mulher-nao-chegou-ainda...

O COPOM – Conselho de Política Monetária é uma instância da mais alta relevância para a definição das políticas no país, na medida em que delibera sobre a política monetária, determinando sua direção restritiva ou expansiva e sua velocidade, bem como, ao definir as taxas de juros básicas da economia, impacta diretamente os níveis de preços no mercado, além de influir decididamente nos índices de emprego e, consequentemente, de renda do trabalhador.

Num país como o Brasil, que viveu por décadas, conhecidas como “décadas perdidas”, sob o estrangulamento causado pela gigantesca dívida externa, reduzida substancialmente durante as gestões do Presidente Lula, mas que ainda é obrigado a conviver com uma dívida interna significativa e onerosa, em função de ser remunerada por altas taxas básicas de juros (SELIC), o COPOM acaba possuindo uma importância efetiva muito grande, agravada pelo fato de que sua composição é uma função do governo, sem nenhuma discussão prévia com a sociedade sobre nenhum de seus integrantes, o que representa, sem dúvida, uma manifestação evidente do déficit democrático que ainda persiste na estrutura das instituições do Estado Brasileiro, em que pesem os avanços obtidos com a Constituição de 1988 e com os incrementos democratizantes nascidos posteriormente.

A este respeito, já publiquei artigo aqui no blog, tratando da reivindicação da CUT para que o COPOM fosse reformulado, inclusive para ser composto com representação indicada pelos trabalhadores, de tal modo que pudesse ter como missão orientar a política monetária não só pelo combate à inflação, mas também para a manutenção dos níveis de emprego.

Na ata recentemente publicada da última reunião do COPOM, que reduziu a taxa SELIC de 11% para 10,5% ao ano e que apontou a tendência de queda recorrente nos meses futuros até que cheguemos, ainda este ano, a taxa de um dígito, um outro aspecto chamou-me a atenção: de todos os participantes da reunião, com poder de voto ou técnicos, sem poder deliberativo, há referência na ata à presença de apenas uma mulher, dentre um número na faixa de quinze a vinte homens participantes.

Isso não me passou desapercebido, na medida em que estamos vendo por parte da Presidenta Dilma um esforço efetivo de conceder às mulheres o justo direito de compartilharem com os homens dos espaços de poder e decisão no país. Além do mais, nesta semana, a presidência da Petrobrás, a maior empresa brasileira e uma das maiores do mundo, foi entregue a uma mulher, assim como Dilma já o fizera com alguns dos mais importantes ministérios da Esplanada.

Na verdade, o COPOM persiste sendo um intransponível Clube do Bolinha, uma característica que, junto com aquela reclamada pela CUT, de ser integrado também por representantes da sociedade, necessariamente precisa ser mudada, mudança que precisa ser feita por pressão dos movimentos de trabalhadores e de mulheres, de todos os que defendem a sociedade democrática.

As milhares de experiências do microcrédito no mundo e, inclusive no Brasil, já demonstraram que os trabalhadores e as mulheres possuem muito maior perspicácia no trato do dinheiro do que os viciados profissionais do mercado financeiro, que instalaram a crise que afeta gravemente tanto os Estados Unidos quanto os países da Comunidade Européia.

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Respostas a este tópico

Edmar, se nem nos "blogs progressistas" as mulheres sao respeitadas, como seriam no COPOM? 

AnaLú, minha amiga, por onde andam nossas amigas do Portal?

Dê uma olhada neste tópico: http://blogln.ning.com/forum/topics/o-machismo-no-nassif-online. Acho que te responde... 

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