Então. Eu precisava de pedregulhos para o fundo do vaso em que pretendo plantar uma mudinha de pimenta. O vaso vai ficar na varanda, ao lado do alecrim azul que ofereci para a Maria Magnoni, em troca do fermento de garrafa dela. Foi uma transação poético/comercial que não deu certo porque ela está aí no Brasil e eu moro no Japão. Sou um carcamano no oriente.

Percebi que cascalho de rio resolveria meu problema e, por acaso, há um riozinho que passa bem junto da minha casa. Como esta é uma atividade do meu primeiro dia de férias em anos, decidi principiá-la com uma cerveja. Tenho o hábito de conversar com o Kami deste rio, conversas que são sempre melhores com uma cerveja. Um Kami é um Deus, mas não é um Deus como Esse que vocês têm aí, porque o Kami é muito mais acessível. Parece mais com os Deuses da África, que nós também temos aí.

Mas voltemos ao cascalho da pimenta, que é o começo desta história. Foi fácil escolher as pedrinhas que precisava: fui até o meio do ribeirão e apanhei, colocando-as no saquinho que me deram quando comprei a tal da latinha de cerveja. Uma latinha, diga-se, porque a cerveja aqui é excelente, mas é muito cara. Enquanto eu catava os seixos, com água pelos joelhos, carpas recém nascidas brincavam nos meus dedos. Mais adiante havia uma família de tartarugas tomando sol e, do outro lado, uma garça almoçava carpinhas mais azaradas. Sim, vida por todos os lados num riozinho que atravessa kilômetros de zona urbana densamente povoada.

Eu nunca vi nada parecido no Brasil. Nunca.

Digo isto para que tenhamos mais respeito quando falarmos de Fukushima.  

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Respostas a este tópico

Em termos de corrupção não. Acho que não me expliquei bem. Hoje estava conversando com minha filha que é fisioterapeuta, que ando brigando com o alemão véio  um tal de Alzaimer (acho que é assim) mas que essas conversas no PC estão trazendo de volta muitas palavras que eu usava fluentemente e que ultimamente estavam me fugindo.
complementando, estava dando apoio ao escrito pela Luzete em termos de corrupção, desvio de dinheiro, etc, etc...

esta eu não peguei joel!

acho que o velho alemão também anda passeando pelaqui!

mas, ainda que não saiba exatamente a que você se referia, acredito que até nisto existe uma diferença cultural: o modo como os povos lidam com a corrupção, com a incompetência. enquanto aqui temos que engolir sarney... sim, porque ele nos é enfiado goela abaixo (e acabo de ler que sumiram provas de processos contra o filho dele... como assim, sumiram? sumiram!), no japão acontece isto:

 

A saída de Naoto Kan da chefia do governo japonês é consequência da sua gestão da crise provocada no país após o tsunami e o acidente nuclear de Fukushima, em março. A campanha realizada pelo primeiro-ministro pelo abandono da energia nuclear no Japão não conseguiu frear sua queda nas pesquisas de opinião.

Mesmo se 80% dos japoneses desejam abandonar o nuclear, eles não esquecem que Naoto Kan não agiu tão rapidamente quanto necessário para evitar o acidente e levou três meses para confessar à população a gravidade da situação em Fukushima.

http://www.portugues.rfi.fr/node/90275 )

 

Você disse: "sei lá, viu, hermê, eu não sei explicar... mas, por exemplo, é assustador o número de empreendimentos imobiliários aqui na ilha... e, olha, até que se tem um pessoal vigilante, mas o morro acima tá ficando chique demais. e são os muitos ricos que invadem, desrespeitosamente, áreas de preservação permanente, sem dó, sem piedade. assusta mesmo."

ai eu disse: "vide o que aconteceu com as cidades serranas no Rio"

Aí o Rogério disse: "o que aconteceu lá que não acontece a 100anos"

Aí eu disse "corrupção" e todo o resto.

cidades

 

 

(respondendo ao Maestri)

É Hermê, não ocorriam acidentes porque não haviam cidades!

Quer dizer que Kurosawa “estava esclerosado” quando dirigiu estas cenas:

 

 

 

 

 

Mil vezes a “senilidade” de Akira do que a “jovialidade” dos omissos, que reconhecem a destruição ambiental, mas no seu campo de conhecimento, não denuncia, alega que “ambiente é o termômetro”, não percebe que é o sintoma, a própria febre que deve ser controlada, da doença degenerativa do capitalismo.

esclerosado?!

akira kurosawa esclerosado?! jura que isto foi dito para julgar a obra de um dos maiores poetas do mundo?!

meu deus, eu morro e ainda não verei todas as barbaridades de que o homem é capaz de dizer e fazer. mas o que o santo google não é capaz, não é mesmo?! ô loco, sô! 

Hermê, me corrija se estiver errado: O Japão não tem esgoto no estilo ocidental com tubulações e jogando no mar ou no lixo. Certa vez li não sei onde que, devido aos terremotos, ficava muito custoso refazer as tubulações. Optaram então por containers para coleta dos dejetos que são tratados para servirem de adubo. Isso explicaria a limpeza das águas. Já a presença de carpas, me leva a acreditar que foi feito repovoamento dos rios, pois os mesmos não têm apenas um tipo de peixe. Provavelmente são do tipo que aqui chamamos decorativas ou japonesas.

Joel

Também ouvi esta história de que o esgoto seria coletado por caminhões especiais, não me lembro aonde (deve ser o velho alemão), mas nunca vi isso. Talvez exista nas grandes cidades, mas eu moro numa média. O esgoto é normal, claro que 100% tratado. Nem as águas pluviais urbanas são lançadas diretamente nos rios e mar.
A fauna do ambiente, de tão diversificada, me parece nativa. Mas, sim, a população de carpas, em especial, foi recomposta em toda a parte com a finalidade de servir de indicador da qualidade da água. Não são nishikigoi (aquelas ornamentais) na maioria, mas se encotra algumas, aqui e ali.

Caros

 

Depois de 15 dias de abstinencia total do vicio ao blog do Nassif, e de um retiro no Tibet, retorno muiiiito maiiis zeeennnn.

Andei lendo os comentarios das semanas nem todos mas o suficiente para algumas respostas e indagações, que as farei todas por aqui mesmo, com a licença do Herme para utilizar o espaço dele para todas as questões uma vez que todos leem tudo, vamos racionalizar.

Assim segue as colocações nominais :

Herme - Sua historia sobre o riacho japones em plena zona urbana com aguas limpidas e peixes nadando num ambiente completamente harmonico com homens e natureza, repito aquilo que ja coloquei por aqui, "A maior agressão que se possa imprimir à natureza é a POBREZA.", obviamente atras da condição colocada como a vilã ambiental "POBREZA" segue as outras todas :  educação, saude, moradia, saneamento, etc, etc....

 

Alexandre - Voce postou não sei mais em que topico um estudo sobre o conhecidissimo CO2, com estudos e projetos que se entendi corretamente visa a apreensão do gas no subsolo para extrai-lo da atmosfera.

Sinceramente, sou muito mais, mas desavergonhadamente muito mais os ensinamentos das professorinhas do Herme sobre fotossintese. Essa loucura toda que falam do CO2 é porque a concentração desse "heroico" gas aumentou de 260 PPM para 320 PPM, sem os devidos esclarecimentos de onde foram feitas as medições, se areas urbanas ou florestas, e todos os senões que uma teoria dessas imposta politicamente causa.

Volto a repetir o que ja havia dito em outras ocasiões, existem bilhões de "boquinhas" de plantons esperando avidas por CO2,  que se porventura lhes forem oferecidas ira inevitavelmente acontecer apenas uma coisa, aumento das atividades na cadeia alimentar dos oceanos. Sei que disso voce entende e muito, não há necessidade de maiores explicações.

 

Almeida - Com a mesma retorica utilizada para explicar o que estamos fazendo com nossa casa, image uma casa com inumeros quartos, grandes, pequenos, pobres, ricos, muitos dos quartos pobres contem uma dispensa com enorme quantidade de alimentos, materiais e principalmente combustivel para as lamparinas utilizadas nos quartos mais sofisticados,  indispensaveis para a manutenção das pessoas que moram nos quartos principalmente os maiores e mais ricos.

Esses mais ricos, por sua vez, recomendam aos mais pobres, que apesar de possuirem essas dispensas com enorme quantidade de produtos não os utilizem pois seria a completa destruição do planeta, assim fiquemos nas condições que nos encontramos, pobre como pobres e ricos da forma que estão.

Reconheço o que voce fala sobre crescimento populacional com totais de recursos naturais, porem estamos carentes em saber quando essa curva se intersecciona, população com recursos naturais.

Não se esqueça ainda que, tudo que temos na face da Terra, aqui esta, sendo plenamente possivel seu reaproveitamento, reciclagem, reuso, e vai por ai...

 

Marli - Voce postou um video onde mostra indios da Raposa Serra do Sol, tentando nos convencer que estão bem instalados, vivendo com fartura, enfim tudo maravilhoso.

O que tenho a dizer, não esta maravilhoso, porque não estão vivendo do extrativismo como indios viviam, e por outro lado não tem capacidade organizacional de produtividade como a nossa, moral da historia, ficarão eternamente a merce de auxilio governamental e das influencias politicas das conhecidissimas ongs tão interessadas na desestruturação social da região.

Para não me alongar no comentario, no final do video voce percebeu o que a aquela avó oferece à netinha de praticamente 4 ou 5 anos de idade ? Uma bebida fermentada feita a base de mandioca, se não me engano "macuxi"  cujo teor alcoolico ultrapassa e muito ao da cerveja. Isso mesmo, já imaginou no que vai resultar daquele pobrezinho daqui a 10 anos, se nessa tenra idade toma bebida alcoolica ofertada pela avó ?

 

 

A todos otimo final de semana

abraços

 

 

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