Poema ao Trabalhador - Enviado por Dr. Fernando Enéas
Levanto ao raiar da aurora.
O orvalho da madrugada inda chora.
O corpo vai balançando no lotação,
Com dezenas de outros irmãos,
Todos em busca de migalhas,
Trocados pra comprar pão,
Numa luta vã e inglória.
De segunda a sábado a tralha carrego.
Na velha marmita, a matula de cada dia.
Depois de cinco horas de trabalho pesado,
Dão pausa pro rango de pouca sustança,
Dieta insossa de um trabalhador braçal.
Mal engulo o grude, vem o irritante sinal.
É preciso dar continuidade à dura labuta.
Sinta-se bem ou mal, chova ou faça sol.
Na construção obro de tudo um pouco:
Faço proteção,
Levanto andaime,
Amasso bolo,
Varo prego,
Faço paginação,
Amoleço massa,
Levanto paredes,
Espalho reboco,
Talho mármore,
Trabalho granito,
Deixo vãos.
Tenho mãos calejadas.
Tosse advinda do cimento.
Pulmão inflamado pelo pó.
Músculos talhados pelo peso.
Corpo moído pela argamassa.
Depois do serviço pronto, sou esquecido.
Impedido de entrar nas casas e edifícios,
Onde deixei impressa minha indelével marca
Feita de suor e dor, em cada tijolo da construção.
De tanto esconder o lamento,
Desacredito em patrão ou amigo.
Desconfio de tudo, que se move.
Até da velha e surrada gaiola que sobe,
Aos trancos, nos esqueletos das paredes.
Só ando com um pé na frente e outro atrás.
Penso que, no fundo, empregador é tudo igual.
Eu também sou:
O oleiro da vida.
O artista filho da terra,
Que dá vida ao que talha,
Que dá forma ao que toca,
Que ergue palácios e choças,
Maternidades e cemitérios.
Sou o dedicado ourives,
Que trabalha o ouro.
Homem e gente.
Permanência e infinito.
O eterno e o agora.
Tenho mãos grossas e calejadas.
Mas, bem maiores são minhas idéias.
Com elas construo parte do mundo:
Casas, muros e pontes,
Escolas, estradas e prédios,
Hospitais, cadeias e shoppings,
Que minguadinhos saem do chão.
Depois, quase tocam os céus,
Desafiando a gravitação.
Sou um democrata nato.
Ergo a morada dos bons e maus,
Dos arrogantes e humildes,
Dos letrados e analfabetos,
Dos crentes e ateus,
Sem nenhuma distinção.
Ainda que em casa, a família
Viva num inacabado barraco,
Bem coladinho ao chão.
Sou eterno.
Viverei nas coisas, que construo.
Em cada prédio que levanto,
Minha marca fica gravada.
Mesmo que nenhuma geração,
Conheça o meu nome,
Permanecerei neste planeta.
Escravos ergueram pirâmides no Egito.
Elas permanecem após milhares de anos,
Mas foram-se os reis, num curto tempo.
Carrego dentro de mim o dom divino,
Recebido através do sopro de Deus.
Os diplomados ditam-me as normas,
Mas, quem põe a mão na massa sou eu.
Sou filho amado da mãe Terra.
Acaricio-a, todos os dias, com as mãos
Ainda que rudes, suadas e cheias de calo.
Gosto de tocá-la e senti-la junto a mim,
Pois, um dia, eu me juntarei a ela,
Que, com certeza, irá se lembrar
De seu filho, caboclo humilde,
Que dela nunca sentiu vergonha.
A Terra me dará de presente um naco de seu torrão,
Pra que nele meus ossos adormeçam eternamente.
Bem coladinhos ao seu coração.
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Permalink Responder até Paulo Kautscher em 1 maio 2012 at 10:15
Permalink Responder até Raí Araujo em 1 maio 2012 at 23:25
O têxto do Gramsci, citado pelo companheiro Paulo Kautscher, vem "in time" e desde aquele 1º de maio de 1919, o trabalhador dá o sur em seu dia a dia, para fazer a riqueza do capital, e nem sempre participa desta riqueza, proporcionalmente, daí as costumeiras manifestações sindicais(a maioria pelêga)para que os governos definam por "canetadas" uma maior participação nesta riqueza, por parte dos seus associados.
Esquecem-se estes líderes sindicais, que somente a plena organização de uma categoria, seja esta sindicalizada legalmente ou não,é que consegue os resultados práticos, e não são estes discursos elaborados em gabinetes refrigerados dos sindicatos, que farão a coisa mudar.
Em 1968, quando o então diretor do Sindicato dos metalúrgicos de S.B. do Campo, Frei Chico, convidou o seu irmão caçula, Luis Inácio, trabalhador recem contratado da Vilares, a ser militante do sindicato citado, o então torneiro-mecânico respondeu: O que efetivamente o sindicato "de vocês" querem: Aumento de salário que será incorporado imediatamente no preço dos produtos , ou uma real participação na vida política do país, e uma reforma sindical, que resulte np ingresso dos trabalhadores, na vida política do país ?
Se for a 1ª hipótese, não contem comigo,pois ela é falsa e ilusória, e a categoria continuará sendo "pisada" pelo capital e jamais sairá da merda; Se for para ir prá rua, mudar a forma de relacionar-se com o capital, e incluir o sindicalismo nas negociações políticas, e não somente para conseguir aumentos salariais falsos e repassados aos trabalhadores em geral, aí eu "tô dentro".
Foi naquele dia, que começou a surgir o maior líder sindical do Brasil, e poucos anos depois, o mais inteligente político brasileiro, que neste dia do trabalhador, comemora a entrada no governo e no ministério que deve estar ao lado dos trabalhadores, o do Trabalho e Emprêgo,o Brizola Neto, que sendo neto de um dos mais briguentos defensores destes trabalhadores, vai seguramente levar o seu trabalho, na direção que o Lula e a Pres. Dilma quer.
Permalink Responder até Paulo Kautscher em 2 maio 2012 at 2:30
Teones França, de São Paulo (SP)
A importância do movimento sindical.
Limites do sindicalismo.
E, em outra passagem:
NOTAS:
1. Giovanni Alves. Limites do sindicalismo – crítica da economia política. Bauru, Projeto editorial Práxis, 2003. pp. 331 e 340.
2. Idem. p. 23.
3. F. Engels. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Citado por Giovanni Alves. Op. Cit. p. 48.
4. Giovanni Alves. Op. Cit. pp. 231 e 293.
5. Karl Marx. Miséria da filosofia (na edição francesa). Citado por Giovanni Alves. Op. Cit. p. 126.
6. Leon Trotsky. Texto escrito em março de 1923, in: Escritos sobre sindicatos. S.P., Kairós Liv. e edit., 1978. p. 20.
7. Lênin. Texto escrito em 1899, in: Sobre os sindicatos. S.P., Liv. e Ed. Polis, 1979. p. 42.
8. Idem. p. 40.
9. Giovanni Alves. Op. Cit. p. 49.
10. Idem. p. 207.
11. Karl Marx. Salário, preço e lucro. S.P., Global Editora, 1988. pp. 85-86.
12. Lênin. Texto de junho de 1901, in: Op. Cit. p. 45.
13. Lênin. Texto de junho/julho de 1905, in: Op. Cit. p. 76.
14. Lênin. Que fazer? S.P., Hucitec, 1988. p. 24.
15. Leon Trotsky. Programa de Transição. 1ª edição, 1938. S/ ed. s/ data. pp. 13-15.
16. Leon Trotsky. Texto escrito em setembro de 1933, in: Escritos sobre sindicatos. Op. Cit. p. 79.
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