Previsões do clima e consequências sobre o desabastecimento em São Paulo.

Li em algum lugar que o Fantástico noticiou alguma pesquisa que transfere a responsabilidade da falta de água para o Aquecimento Global e o desmatamento. 

Quanto ao desmatamento há algum consenso que este pode provocar localmente a variação do regime de chuvas próximo a região desmatada, porém quanto ao clima global e outras variáveis mais locais há sérias dúvidas sobre a viabilidade do emprego dos chamados modelos regionais para previsão de eventos extremos, para deixar claro, fiz um pequeno texto que tenta elucidar qual é a confiabilidade dos modelos regionais de clima para eventos extremos de chuva (cheias e secas), procurei ser o menos técnico possível para ilustrar o meu ponto de vista, mas se houverem dúvidas posso entrar em detalhes.

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 Modelos climatológicos regionais de precipitação.

Deseja-se atribuir ao desmatamento na Amazônia a falta de chuvas em São Paulo, uma forma de transferir a responsabilidade para o Aquecimento Global Antropogênico a falta de investimentos da Cetesb, porém parece que nem o IPCC acredita muito nisto!

Para se verificar a influência da variação da temperatura e de outras condições na variabilidade das chuvas em determinadas regiões, empregam-se os chamados modelos regionais de clima. Estes modelos pegam as condições globais geradas pelos grandes modelos globais e utilizando estas (condições de contorno), geram-se localmente em determinadas regiões, criando os chamados Modelos Regionais de Clima.

Conforme o próprio IPCC na Tabela Table SPM.1 do documento Summary for Policymakers, página SPM-23, chama a atenção sobre o grau de confiabilidade das simulações de previsões de secas feitas através dos seus modelos. No item “Increases in intensity and/or duration of drought” está claro que as previsões de secas são tidas como um ítem de “Low confidence on a global scale” e “Likely changes in some regions” (Low confidence = baixo nível de confiança), ou seja, de acordo com a classificação do IPCC que se encontra em outra publicação “Guidance Note for Lead Authors of the IPCC Fifth Assessment Report on Consistent Treatment of Uncertainties” define baixo nível de confiança como um aspecto qualitativo, ou seja, ele tira a responsabilidade de estabelecer estatisticamente qual o grau de confiança nestas previsões e coloca isto meramente qualificativo. Apesar de tirar a responsabilidade de se posicionar sobre a questão fica claro que “low confidence” ou “baixo nível de certeza” quer dizer que os resultados são incertos e que não devem ser considerados para decisões mais concretas.

Se olharmos num dos últimos trabalhos brasileiros sobre a aplicação de modelos regionais de previsão de clima no Brasil “Avaliação Preliminar da Sensibilidade dos Modelos do CMIP5 a Precipitação Sazonal do Brasil Tropical” publicado em 2014, vemos que os autores chegam a conclusões que concordam com a avaliação do IPCC sobre estimativas de precipitação sazonal no Brasil, nas regiões Norte e Nordeste, ou seja, que as previsões dos modelos globais não são satisfatórias.

Como se sabe que estes modelos globais não são satisfatórios, quando se passa para modelos regionais que utilizam os dados dos modelos globais como entrada, a precisão cai ainda mais (isto está escrito no quinto relatório do IPCC, porém é proibido citá-lo ou distribuí-lo). Os modelos globais tem-se mostrados completamente inábeis para simular as últimas duas décadas, pois apesar do CO2 continuar a subir a temperatura que os modelos previam um aumento de no mínimo 0,4ºC teimam em não subir.

É interessante notar que para análise de situações extremas de secas ou cheias o relatório do grupo I do IPCC cita insistentemente trabalhos de alguns pesquisadores brasileiros exatamente da instituição que está transferindo a culpa da falta de água para o clima global, e grande parte da classificação das previsões de extremos de chuva são classificadas como baixo nível de certeza, para completo nível de incerteza é devido a estas citações.

As pessoas que não acreditam em ciência e veem em tudo manipulações para aumentar a credibilidade de pesquisadores, poderiam maldosamente atribuir a isto, porém isto simplesmente tiraria o crédito total dos revisores de seus trabalhos e da seriedade das revistas que os publicam. Porém pode-se achar dentro mesmo da ciência uma justificativa clara e honesta de erros nestes trabalhos. Como trabalhos sobre eventos extremos de secas e cheias são os mais publicados no mundo inteiro (mais de algumas centenas por décadas) é natural que por aleatoriedade características do clima, por estatística 5% dos trabalhos sobre simulação de modelos regionais, o clima acompanhe a previsão dos modelos. Ou seja, se testarmos modelos regionais em 100 regiões distintas, há uma imensa probabilidade de em 5% destes, o clima seguir a tendência que os modelos, sem que haja nenhuma manipulação nem no modelo nem nos dados do clima.

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Respostas a este tópico

Caros

Sem medo de errar, digo que os ditos cientistas climatologistas do IPCC são os que podemos chamar de "engenheiros de obras prontas", "conforme o toque vai a dança", quando chove muito, ou faz seca o aquecimento que promoveu, chuvas ou secas,  exemplo, vejam essa entrevista com o Sr Carlos Nobre de 2006, na ocasião, época do tornado Catarina que passou por Santa Catarina, tinhamos chuvas  em excesso no sul e sudeste, e alguma seca na região amazônica, pois a culpa disso era o aquecimento global, hoje vemos exatamente o contrario, excesso de chuvas na amazônia e seca no sudeste então o disco virou completamente, afinal fazer previsões assim desse tipo, vai chover muito, porem pode fazer seca, até eu faço, sem doutorado em nada. 

http://www.oeco.org.br/reportagens/10956-oeco_19040

Abraços

Sebastião.

Se olhares o que escrevo sobre Marina e o Rei do Butão, verás que o ciclo se fecha entre aquecimento global e decrescimento, ou seja, as coisas são muito bem montadas e o que parece ingênuo e credível a todos é uma boa tática de manter os países pobres, sempre pobre, mas felizes!

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