Proposição de ato público contra a Folha de S. Paulo (ditabranda)

Repito aqui tópico postado no Fórum do Grupo Mídia, porque o assunto é de interesse geral. Diz respeito ao movimento que o Eduardo Guimaraes está convocando contra as posições e atitudes inadmissíveis da Folha. Passo a palavra para ele (transcrição parcial, dado o tamanho do post dele):

"[...]No último sábado (21/02), a Folha de São Paulo voltou a debochar do país ao publicar, em sua seção de cartas de leitores, manifestação de alguém que, possivelmente a mando do jornal, tripudiou dos indignados com a absurda “ditabranda” prevendo que, “como sempre”, estes limitar-se-iam a fazer abaixo-assinados, e insinuando que é só isso o que “a esquerda” sabe fazer.

Acho muito pouco os e-mails, os artigos, os abaixo-assinados. Dizer que todo aquele horror, que tantas vidas destroçou com a colaboração inconteste da mesma Folha de São Paulo, foi “brando”, não pode ficar por isso mesmo, ou seja, pelas manifestações escritas e publicadas só na internet. Devemos romper o silêncio e dizer nossa indignação diante daquele tentáculo da ditadura, ao vivo e à cores.

Se, como em setembro de 2007, todos os indignados decidirem transformar sua indignação em reação unindo-se a esta ruptura do silêncio de que falava Luther King, estarei à frente e ao lado dessa reação.

Não precisamos de manifestações de apoio, mas de engajamento. Precisamos que vocês que se indignaram e que não querem silenciar se comprometam a participar do protesto, se preciso adiando viagens à praia, consultas médicas, festa na escola dos filhos, visita a parentes no interior, seja lá o que for, e que se engajem na dura missão de convencer outros a ir consigo.

Podem usar este texto, podem escrever os vossos, podem fazer como quiserem, contanto que façam.

Durante esta semana, manterei este texto em evidência no blog Cidadania (http://edu.guim.blog.uol.com.br), de forma que, como em 2007 e em 2008 (quando outros atos públicos foram convocados, como o que ocorreu no Masp, em São Paulo, para protestar contra o presidente do STF, Gilmar Mendes), viabilize a organização dos manifestantes até que outros blogs e sites unam-se a nós.

Senti-me na obrigação de fazer este chamamento, este alerta. Posso não ser atendido desta vez, como já aconteceu em outras, mas jamais me acusarei, diante do espelho, de silenciar enquanto os artífices da neo ditadura gritam.

Se quiserem garantir o mesmo para si, conto com vossos comentários aqui se comprometendo a participarem e deixando vossos e-mails (que garanto que não serão divulgados) para contato, e acompanhando, através do blog Cidadania – ou em outros que porventura adiram –, as notícias sobre data e hora de ato público de repúdio diante da sede da Folha de São Paulo, data e hora que serão definidas durante os próximos dias. [trecho cortado...]

Já fiz alguns contatos e na quinta-feira importantes blogs e sites começarão a difundir a manifestação junto com o Cidadania.

Quero cumprimentar aqueles que já se dispuseram a ir. Vocês são verdadeiros cidadãos.

Não tenho grandes expectativas em termos de número. Se conseguíssemos reunir as duas centenas de pessoas que foram à manifestação na Folha em 2007 ou na do Masp no ano passado, estaria de ótimo tamanho. Mas mesmo que não consigamos reunir tanta gente, o importante é a qualidade dos manifestantes, não a quantidade.

Se quiséssemos fazer número, seria só recorrer a comunidades carentes etc. Há muitos meio$ de levar essas pessoas a esse tipo de ato. O PSDB é craque nisso. No entanto, o que queremos são pessoas conscientes do que será feito, e que estarão lá por entenderem o que está em jogo hoje no Brasil.

Peço a todos que se dispuseram a ir se manifestar, que, durante os próximos dez dias, não descuidem de vir aqui se inteirar sobre o andamento das coisas.

Em nome da democracia, cumprimento a todos os que estão apoiando esta iniciativa cidadã." [fim do trecho transcrito]

Outro post do Eduardo sobre isso:

Diante do resultado do post anterior, acredito que já temos um bom número de pessoas dispostas a participar do ato público diante do jornal Folha de São Paulo para protestar contra a difusão daquele veículo do absurdo de que a ditadura militar que vigeu no Brasil entre 1964 e 1985 teria sido uma “ditabranda”.

Antes de prosseguir no anúncio do dia e da hora em que ocorrerá o ato de protesto, porém, desejo fazer algumas considerações.

Esta é uma iniciativa que não pretende nem precisa reunir uma grande multidão para protestar contra essa perniciosa revisão histórica de um fato que, a meu juízo, deveria equiparar-se ao Holocausto nazista, o qual, em vários países do mundo, não pode ser negado por força de lei, sob pena de o autor da negativa ser enquadrado em acusação criminal.

Ainda assim, entre o número dos que confirmaram que participarão do ato e dos acompanhantes que pretendem levar consigo, já temos perto de 40 pessoas. Contudo, acabamos de receber um comentário de leitor aqui no blog que promete ser importante para o número de manifestantes. Vejam:

Pode contar com a adesão do Fórum Permanente de Ex Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo ao ato em repúdio à Folha e em solidariedade aos professores. É só comunicar a data e hora. Abs.
Maurice Politi | Sao Paulo, SP, Brasil | Administrador | 25/02/2009 15:26

Também já temos notícias de que professores da USP e da Unicamp estariam se mobilizando para aderir. Além disso, há menção ao protesto em texto de Altamiro Borges, no site Vermelho, e, segundo informações do Altamiro por telefone, o site irá publicar uma chamada em destaque nesta quinta-feira. E, finalmente, o site do jornalista Luiz Carlos Azenha também deverá divulgar.

O que importa, entretanto, nem é quantos seremos. O importante é deixar claro que não se aceitará nunca mais silenciar ou aceitar revisões históricas sobre os anos de chumbo. Há que exigir respeito às vítimas da ditadura.

Na falta do ideal, que seria reabrir processos e punir torturadores, estupradores e assassinos do regime militar, ao menos o país tem que reconhecer essa chaga em nossa história incontestavelmente, visando que, através do conhecimento dos horrores pretéritos, estes nunca mais aconteçam. [trecho cortado]

Dia e hora do ato público na Folha de São Paulo
Com base nas manifestações dos leitores e de outras sondagens que fiz, acredito que o dia mais cômodo para a maioria dos manifestantes será sábado, dia 7 de março, às 10 horas da manhã. O local será diante da Sede do jornal Folha de São Paulo, na rua Barão de Limeira, no centro de São Paulo, região servida por linhas de metrô, de ônibus e, portanto, de fácil acesso.

Informo, ainda, que todos os leitores que se manifestaram aqui dispondo-se a participar do protesto receberão e-mail meu confirmando dia, hora e colocando-me à disposição para maiores informações.

Comentários de adesão ao ato público

Algumas pessoas de São Paulo que comentaram o post anterior, que propôs a realização do protesto, não foram consideradas porque, apesar de se manifestarem favoravelmente, não deixaram claro se pretendem participar ou não.

Só serão considerados os que deixarem claro que virão ou que pretendem vir. Estou elaborando algum material para os manifestantes e farei isso com base nos apoios decididos e explícitos.

Peço, pois, a todos os que decidirem apoiar esta iniciativa que sejam claros e sucintos, na medida do possível, ao manifestarem seu apoio e sua intenção de engrossar a manifestação com sua presença.

Este post será eventualmente atualizado com novas informações assim que eu as tiver. A partir de sábado, retomarei postagens de outros temas, mas sem esquecer do protesto do próximo dia 7.


Mais informações:

-- há tb uma petição online circulando na Web, que, pelas últimas informações que tive, já de algum tempo, estava com mais de 3.300 assinaturas:
http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat...

-- a historiadora Maria Vitória Benevides [insultada pela Redação da Folha de São Paulo no Painel do Leitor] confirmou à jornalista Conceição Lemes que vai comparecer ao ato; três professores do DH/USP tb já declararam seu apoio:
Prof. Dr. Francisco de Assis Queiroz
Prof.ª Dr.ª Íris Kantor
Prof.ª Dr.ª Marlene Suano (esta através de comentário no Blog)

-- links de algumas matérias imperdíveis sobre o assunto, a primeira do Idelber, do Biscoito Fino, as seguintes postadas no Azenha (vejam tb, no tópico do Grupo Mídia, textos completos postados no Blog do Mello e no site da Carta Capital):

http://www.idelberavelar.com/archives/2009/02/folha_de_sao_paulo_ci...
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/unidade-o-caso-folha-da-tarde/
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/frias-em-71-sobre-o-regime-...
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/elaine-tavares-a-folha-e-lixo/
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/o-golpe-de-64-por-otavio-fr...

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Respostas a este tópico

o abaxixo-assinado já tem quase 5 mil assinaturas
AnaLú,

Quando assinei o abaixo, hoje à tarde, o número de minha adesão era 4.550 ou seja, número bem expressivo para o tempo em que o assunto está circulando na net.

Quase certa de não poder estar dia 7 em São Paulo, envio à todas as pessoas que participarão do evento meus parabéns.

Pela cidadania assumida e a honradez à lembrança de nossos entes mais queridos; assassinados, torturados, desaparecidos, aleijados, exacrados, jogados em valas como lixo, e exilados pela DITADURÍSSIMA que tivemos naqueles dias tenebrosos. QUE NUNCA MAIS SEJA ESQUECIDA. E que todas as vezes, que textos midiáticos nefastos como este da Folha de São Paulo, vierem a sujar essa lembrança, QUE SAIAMOS ÀS RUAS PARA MOSTRAR NOSSO DESPREZO E REPÚDIO AOS QUE PARTICIPARAM, AOS QUE FORAM CONIVENTES E AINDA O SAO HOJE DE FORMA POLIDA E VELADA, AOS QUE SE CALARAM COVARDEMENTE EM DETRIMENTO DE SEUS NEGÓCIOS AINDA HOJE ESCUSOS, E QUE SAO LIVRES HOJE PELOS QUE SE FORAM ONTEM.

Que demonstrações dessa natureza e vulto, sirvam de exemplo para nossos filhos em início de vida e formação de ideais.

Muita paz á todos no dia 7.

Soledad,
Do Blog do Azenha

Maria Victoria Benevides: "A grande luta é pela democratização da informação"

Atualizado em 27 de fevereiro de 2009 às 19:32 | Publicado em 27 de fevereiro de 2009 às 19:05

por CONCEIÇÃO LEMES


A professora Maria Victoria Benevides é socióloga, com especialização em Ciência Política e do Direito. Atualmente, é titular da Faculdade de Educação da USP, onde leciona Sociologia e dá cursos de Teoria da Democracia e dos Direitos Humanos.



Ela e o advogado e professor Fábio Konder Comparato repudiaram veementemente o editorial da Folha de S. Paulo que classificou a ditadura militar brasileira (1964 a 1985) como "ditabranda". Por isso, foram insultados. A nota de Redação da Folha chamou-os de "cínicos" e "mentirosos".



Em entrevista exclusiva ao Viomundo, a professora Maria Victoria Benevides falou da solidariedade recebida, da felicidade de ter recebido também apoio dos jovens e do que, na sua avaliação, está por trás dos ataques da Folha a ela e ao professor Comparato.



Viomundo - O que a senhora está achando da repercussão?

Maria Victoria Benevides - Foi surpreendentemente muito maior do que nós poderíamos imaginar, ainda mais começando em pleno carnaval. Já há mais de 3 mil assinaturas na Petition online, que está circulando na internet. Mas muito mais do que isso a quantidade de blogs, sites e portais, que repercutiu a matéria positivamente. Ou seja, nos termos do manifesto: repúdio à Folha e solidariedade a nós. Eu achei isso muito surpreendente no sentido da rapidez, da mobilização, que mostra a importância da internet. A gente sabe que a internet tem problemas, é de controle difícil em certos casos. Eu, por exemplo, já fui muito insultada através de sites. Mas a internet é uma maravilha. Tudo isso é formidável e mostra como nós podemos usar a internet e os blogs decentes, claro, como uma alternativa concreta, real e perfeitamente viável da gente se desvincular dos jornalões, de uma imprensa de rabo preso.



Outra coisa interessante interessante é esse apoio que tem vindo de jovens também. Jovens que mal conhecem o que foi realmente a ditadura, porque isso não costuma ser ensinado nas escolas, com raríssimas e honrosíssimas exceções. E eles também não viveram isso. Eu fico feliz de ver como eles entenderam que uma coisa é discordar, outra, é apresentar uma visão facciosa, no caso da Folha até ignorante, porque o conceito de "ditabranda" foi inventado num outro contexto. Mas esses jovens tiveram realmente esse empenho.



Viomundo - A senhora esperava essa reação da Folha?

Maria Victoria Benevides - Para mim, essa experiência em relação à Folha é inédita. Eu fui colaboradora, sempre fui entrevistada. E isto eu faço questão de dizer. Eu sempre tive uma postura de desconfiança em relação à chamada grande imprensa. Eu nunca tive ilusões do que estava por trás dela. Eu lembro de que no começo do PT, a gente reclamava que eles [a grande imprensa] não davam aquilo que a gente fazia. Uma vez escutei de um supermilitante, fundador do partido: "Ah, vocês não dizem sempre que a imprensa é burguesa ...Vocês queriam que a grande imprensa elogiasse a gente?" Então eu colaborei com a Folha, sempre a pedido dela, que me pedia artigos para a Página 3. Mas eu sempre achando que, como professora de Ciência Política, de Sociologia, tratando de problemas de cidadania, de participação, democracia, direitos humanos, era importante aparecer num canal de muita divulgação. Até mesmo como obrigação pelas teses que sempre defendi. Depois , pelo fato trabalhar numa universidade pública.



Mas eu acho que esse argumento não vale mais. Não apenas porque há muitas outras opções... Quando eu comecei, a chamada imprensa alternativa estava muito amordaçada, e eu participava também quando podia. Mas hoje quando eu penso, tem toda a internet, tem uma imprensa independente que vai desde Carta Capital, Brasil de Fato, Jornal da Cidadania, Fórum. E a quantidade de blogs... Eu fiquei conhecendo um monte que eu não conhecia, porque eu não sou da geração de computador que já nasce com dedinho no teclado, como as minhas netas. Mas agora já sei. Estou craque em olhar os blogs, adicionar os favoritos. Consigo tirar coisas internete para botar em meus e-mails para mandar para os meus alunos...



Viomundo - Professora, qual o motivo dessa agressão da Folha à senhora e ao professor Comparato?

Maria Victoria Benevides - O que a gente tem que entender agora é o que está por trás dessa posição da Folha. Os termos da carta foram agressivos e ofensivos. E a Folha já deve estar muito convencida de que foi um tiro no pé. Isso eu não tem a menor dúvida. Mas se olharmos por trás, acho que há três pontos importantes. O primeiro é que a Folha enxerga tanto no professor Comparato quanto em mim pessoas muito ligadas a esse movimento de contestação da anistia para os torturadores. O professor Comparato é autor de várias representações ao Ministério Público - ele é advogado, eu não sou - na defesa de vítimas da ditadura... Isso é algo que não interessa a muita gente vinculada à Folha, porque quando a gente começa a remexer no passado não são só os torturadores que aparecem. Vai aparecer muita coisa. Vai ser lembrada muita coisa. Já tem muita gente lembrando, por exemplo, o caso da Folha com os furgões que transportavam torturadores para lá e para cá, etc. Esse é o primeiro ponto. O Fábio, principalmente, é muito identificado com isso. Porque as outras cartas, eles [a Folha] disseram que respeitavam a opinião. Nós fomos agredidos e insultados. Então, por quê? Teve gente que escreveu para lá, dizendo que aquilo era uma palhaçada, um absurdo, e ficou por isso mesmo.


Viomundo - Qual o segundo ponto?

Maria Victoria Benevides - Está havendo um insidioso caminho de revisionismo histórico em relação ao regime militar. Isso no meio acadêmico, no meio político, no meio editorial. Eles começam com aquela coisa de dizer que se o pessoal não tivesse desatinado para a luta armada, não tinha num sei o quê... Depois, dizem que foi ditadura, mas afinal não foi tão ruim assim quanto falam... E que o Brasil se desenvolveu, a infraestrutura...



Viomundo - Então esse revisionismo é mais amplo, é geral?

Maria Victoria Benevides - Eu acho que abrange muita gente. Não é só jornal Folha. Acho que é uma coisa espalhada. Eu fui assistir a alguns uns seminários sobre o Golpe de 1964, os 40 anos de AI-5. Eu fiquei muito impressionada de ver gente relativizando esse período. Então existe essa coisa insidiosa por aí.



Viomundo - E qual é o terceiro ponto?

Maria Victoria Benevides - A campanha de 2010. O professor Fábio é muito crítico do governo Lula, mas é muito mais crítico em relação à aliança PSDB/DEM, o antigo PFL. E jamais apoiará nada que venha daquele lado. Já eu sou plenamente identificada com o PT, com parte do governo Lula. Então, a ascensão da Dilma não está nos planos de interesse da Folha. Eu acho que esses três pontos que têm que ser levados em consideração.



Viomundo - Professora, a Folha ao agir dessa forma, ao falar da ditabranda, ela quer também reescrever a sua história, dizendo algo assim: "a ditadura não foi tão pesada assim, então nós não fomos tão safados"

Maria Victoria Benevides - Eu acho que desde aquele livro da Beatriz Kuschnir, Cães de Guarda, que não teve a repercussão merecida, mas agora vai ter... Eu mesma estou comprando para mandar de presente para um monte de gente. Então, eu acho que essa lembrança está sendo muito incômoda para a Folha. A Folha vive se explicando toda vez que esse assunto surge... É um esqueleto no armário. Mas eu não saberia dizer se ela está tentando reescrever a sua história. Ma eu acho que ela teve momentos muito importantes. Por exemplo, no período do Cláudio Abramo, da campanha das Diretas...Mas nós não podemos nos iludir com os interesses dos jornalões. Nem com a Folha, nem com o Estadão, nem com o Globo. Nem com as televisões que, de concessões públicas, acabam não tendo nada, porque estão a serviço dos caciques, etc.

Eu acho que a grande luta que nós temos pela frente é a luta da democratização dos meios de comunicação, da democratização da informação e da comunicação.
menina, qdo assinei o número tinha 3 digitos, já está em mais de 4 mil!
é preciso protestar, sim.
bj Laura
Ana Lú, querida,

Pretendia postar o vídeo que se intitula "Memória Para Uso Diário", filme produzido pelo pessoal do "Tortura Nunca Mais"... totalmente contundente, e demostrativo de quão "brandos" foram os anos de chumbo...

Mas, infelizmente, estou com um problema no meu computador que me impede de fazer qualquer postagem de vídeo... ele se encontra na minha página, quem tiver intreresse é só me visitar...

Infelizmente, a passarinha não poderá voar até à terrinha da garoa...

Saudações indignadas \♥/

Estarei lá, porque minha intuição me diz que ali começa o fim da ditadura midiática vigente no Brasil.
Lembram-se da nota intitulada "Basta!", assinada por Audálio Dantas, D. Paulo Evaristo Arns, Rabino Henry Sobel e Pastor Wright, em 25 de outubro de 1975, horas depois do assassinato de Vladimir Herzog?
Pois é. Apenas um pedaço de papel. Mas ali a ditadura começou a baquear, embora isso não tenha evitado a morte de Manoel Fiel Filho no janeiro seguinte.
Este ato não será o fim da ditadura midiática vigente, mas será um marco histórico no levante popular contra a manipulação, a corrupção, o elitismo cruel que hoje dominam a cartelizada imprensa brasileira.
Em Paz, vamos às ruas, e seremos ouvidos.
Ò GALERA!!!

Quem for à passeata, vai contar no miudinho pra gente, num vai???

Podem levar uma faixinha com a Graúna me representando??? rsss

Saudações, ainda, indignadas \O/

Espero que os amigos consigam visualizar, pois a praga que acometeu o compuatdor desta ave, me impede de conferir se configurou direitinho...

"MEMÓRIA PARA USO DIÁRIO"

Graúna, eu amo vc, vixe virei h*** agora, será?
Sem preconceito, viu?
um bj
Laura
PS: vim te avisar que o vídeo é para vc. Acabo de postar ai.

Para Graúna em especial:

Para que o passado seja conhecimento, como diz alguém no vídeo.

Só quem não viveu naqueles dias terríveis pode dizer que vivemos momentos de uma ditabranda. Ou viveu sem empatia com aqueles que viviam nos porões sendo torturados.

Uma lástima, um editor da Folha, jornal que tem uma repercussão enorme, dizer tamanho absurdo.
Há que se protestar, sim.

Vivíamos aterrorizados, com medo de que entrassem em nossas casas- receio de que algum livro nos denunciasse contra a ditadura, algum 'amigo' dedurasse um comentário contra os militares.

Amigos queridos foram torturados, a jovem representante do diretório de estudantes da PUC na época, colega nossa, sumiu, nunca mais soubemos.

Panfletos eram colocados nos banheiros.

Tínhamos medo de pegá-los, poderia ser isca.

Tenho certeza que minha vida seria diferente se eu não tivesse passado tanto tempo amedrontada. Seria mais feliz, com certeza.

Alguns conseguiram partir para a luta, eu não.

Alguns criaram, como nossos músicos, eu não.

Vivia tímida e assustada, desenhava perfis de figuras estranhas.

Fazia minha faculdade, saia com amigos, namorava, mas havia sempre o medo presente.

Choro de emoção vendo este vídeo. É arrepiante.

Que as novas gerações não passem por isso, é o que desejamos.

Que não haja retrocesso, que o Brasil seja cada dia mais livre.

Que o nosso povo seja mais consciente e lute pela liberdade, e por uma vida mais justa, com menos desigualdade social, que é, no meu ponto de vista, também ser livre.
A proposta de Eduardo Guimarães é séria e oportuna para se combater essa barbárie noticiada pela Folha de São Paulo. Essa ditadura nefasta e que serviu só para atrasar e matar os sonhos de uma geração, deve ser lembrada sempre para que estejamos unidos e conscientes de que tal período foi o que de pior teve na história do Brasil.
Laura, diga, minha querida!!!

Já tinha visto o seu mimo, mas como estava com problemas com a visualização de vídeos, não tinha como assistir o postado, para agradecer-lhe...

Vejo a nova geração: como a da Graúna-filha, que apesar da ave-mãe que tem, não ficou tão chocada; achou que tinha sido uma “colocação infeliz”, do jornal, sem razões para mais espantos...

Claro que deu chabu no ninho, plumas voaram pra tudo o que é lado, rsss...

È uma geração massacrada pela maior vitória dos anos de chumbo, a manutenção do “status quo”, através do ensurdecedor PLIM-PLIM...

Lembro-me, ainda quando ela era bem novinha, hipnotizada pela telinha, aluguei 2 vídeos: “O 4º Poder” & “Mera Coincidência”, aí, iniciei a minha campanha; “telinha nunca mais”, claro que não fui inteiramente vitoriosa, mas algo deve ter mexido com sua cabecinha, pois levei uma sapatada (pasme, rss, Bush-filho, ainda não tinha levado a dele) na cabeça, como reação à sua descoberta; de que o que se diz lá naquela maquinha-de-fazer-doudos, nem sempre é verdade...

Por que conto isto? Porque é preciso manter VIVA a lembrança da nossa sangrenta história, para que ela não se repita... “Passado tem que virar conhecimento”

“Memória Para Uso Diário”, espero sinceramente que este documentário volte urgente para os cinemas...

Saudações blogueiras agradecidas \♥/
P.S. Vc. estudou no IFCS, por acaso???

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