Vamos abrir aqui no Portal Luís Nassif uma agenda de discussões sobre as propostas relevantes para a campanha presidencial de 2010.

As sugestões deverão contemplar:

1. Temas não tratados pelo governo atual e anteriores.
2. Upgrades em políticas já em execução.
3. Compilação de temas já discutidos nos Fóruns do Portal.
4. Indicação de autores que estejam tratando de cada tema.

Peço que coloquem as observações nos comentários deste tópico, evitando abrir outros, por enquanto.

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Respostas a este tópico

A meu ver, e sem tempo no momento para aprofundar minhas observações, um bom tema seria a recuperação e o incremento da institucionalização e do planejamento nos três níveis de governança do país. Tanto uma como a outra, são questões que sofreram mutilações graves causadas pela versão terceiromundista da doutrina e da prática de governo neoliberal. A institucionalização foi corroida pelo desprestígio do serviço público e pela ascenção frenética de organizações não-governamentais e empresas de terceirização. O planejamento também só estava sendo admitido como "malade" no minimamente necessário. O planejamento urbano, por exemplo, foi quase totalmente destruído, transformando os revisionamentos de planos diretores em ações geridas e comandadas pelos empresários do ramo imobiliário e não mais pelos escritórios de planejamento urbano das cidades. O motor dos interesses especulativos, é claro, escamoteou as limitações e as necessidades de infraestrutura pública. E por aí vai.
Bom, Nassif, é difícil ousar em questoes dessa magnitude, sobretudo porque nao tenho a menor idéia de quem esteja estudando os pontos que vou aventar, mas eu diria que as principais discussoes deveriam ser sobre:

1) Reforma do Judiciário (do processo penal e seus vários níveis de recursos, até a formação do STF...);

2) Reforma política que pusesse os membros do Congresso e do Executivo mais livres em relação a financiadores de campanha, e tudo o que decorre dessa "submissao" aos interesses dos "patrocinadores"; que medidas concretas seriam necessárias, seria o caso de discutir;

3) Medidas de efetiva democratização da mídia; tb nao tenho propostas concretas, só a convicção da absoluta necessidade desse tipo de medidas se quisermos manter esse país como uma democracia.
Oi, Giuseppe

Democracia direta é um tema especialmente relevante para mim, afinal me chamo de Anarquista. Só que tb me chamo de Lúcida, ou seja, sei distinguir entre diretrizes para o futuro, meio utópicas, até, e o que é possível aqui/agora...

Olha, para responder realmente a você eu deveria dizer muito mais, mas estou super atolada de trabalho até pelo menos o domingo, e nao quis te deixar sem resposta nenhuma, já que você se dirigiu a mim especialmente. Prometo voltar mais tarde e desenvolver mais, tá?
A democracia representativa está superada pelo avanço tecnológico. A democracia original era direta, assembleias em praça pública. O crescimento das cidades tornou isso impraticável, daí a representação. Entre a representação e a instituição vai uma grande distância. Seria possível por exemplo discutir as leis em diversos foruns, em que todos participariam, e eleger representantes de cada um. Podemos dizer que esses delegados nos representariam. Muito diferente é eleger um zé mané que pede nosso voto de quatro em quatro anos prometendo isso e aquilo, dizendo que ele é isso é aquilo, depois vai pra câmara, pra assembleia, pro senado e dana a votar de acordo com sua cabeça, com os lobbies que o compram, com a orientação do seu partido sem qualquer base social. Isso é um tipo de democracia, e bem pouco democrática, admitamos. É a que vigora. Seria melhor chamá-la de lobycracia, ou elitecracia ou corruptocracia. Até partidocracia seria mais razoável, já os partidos não significam nada pro brasileiro - o PT que nasceu diferente tornou-se igual aos outros. A questão é que a democracia dita representativa não é mais necessária, em tempos de internet. Nosso voto pode ser direto, não precisamos mais de intermediários que absolutamente não nos representam e nunca representaram (quem esqueceu a campanha das diretas já?). Abaixo a democracia representativa! Viva a democracia virtual!
Os governantes antes de pensarem em programas fora da competência do serviço público deviam otimizá-lo para dar suporte a ações de política pública, logo se deve pensar em primeiro em arrumar a casa, tendo uma equipe de funcionários públicos BEM TREINADOS, motivados e com chance de subir na carreira
Modificação das leis de licitação: dando mais divulgação a estas, simplificando os casos de recursos, responsabilizando fornecedores irresponsáveis.
Modificação no RJU dos servidores: Hierarquizando o serviço público, responsabilizando as chefias por omissão, e os chefiados por não cumprimento de suas tarefas.
Limitação severa do número de Cargos de Confiança.
Profissionalização do servidor com acesso a cursos de formação.
Retomada pelo serviço público de ações correntes (quadro mínimo para garantir a continuidade de obras de manutenção), deixando as terceirizações para obras extras.
Desburocratização com a universalização de processos por meio eletrônico.
Menos possibilidades de licenças (acompanhamento disto e daquilo) com contrapartidas em salário.
Modificações nos concursos, avaliando não só a capacidade técnica mas a motivação dos pretendentes aos cargos.
Como, Rogério, avaliando a motivação dos pretendentes aos cargos, antes deles entrarem?!!! Como??? Por meio de entrevistas? Consulta a videntes? Detector de mentiras? Isso abre espaço para um "subjetivismo" enorme dos avaliadores. Entao é melhor deixar logo eles escolherem quem querem para os cargos, assim nao se gasta com concursos (óbvio que nao estou defendendo isso...).
Ana Lú

Não sei como! Mas algo mais é necessário.

A realidade é que várias pessoas ingressam no serviço público beatificadas pelo concurso, pois responderam as cinqüenta questões de Português corretamente, mais as oitenta sobre legislação disto ou daquilo e são TOTALMENTE INAPTAS para o relacionamento social com os colegas.

Tivemos casos na universidade que são de arrepiar o cabelo, para dar um extremo anedótico, tivemos um secretário que passou muito bem colocado no concurso e ficava a maior parte do tempo abrindo sites pornôs e quando só descobriram que o mesmo praticava o chamado “prazer solitário”, não em casa, mas na secretaria! Ou seja era um masturbador concursado!

Tivemos outro, que tinha o apelido de Rosnauro, porque rosnava para todos. Temos atualmente outro concursado em nível médio que tem nível superior e não faz nada porque está estudando para outros concursos de nível superior. É uma fauna!

Hoje em dia para uma vaga no serviço público há de mil a dois mil candidatos, para se passar num concurso desses deve-se ficar dois ou mais anos só estudando para o concurso, ou seja, enquanto pessoas normais trabalham uns só ficam estudando para concursos, qual a validade disto.

Falamos muito em avaliação em outros locais e aqui deveremos considerar que uma prova escrita seja a ÚNICA forma de avaliação (estou propondo que esta defina o pré-requisito para o ingresso e após isto se utilize outros critérios de sociabilidade e cooperação (como disposição para o trabalho).
Bom, a solução para isso poderia estar na realização de algum tipo de estágio como parte do processo seletivo. Mas nao sei se adiantaria. Hoje em dia já existe o "período probatório". É só as chefias serem responsáveis, e usarem as prerrogativas que têm. Pessoalmente, já vi tanta coisa em termos de parcialidade em concursos universitários, que prefiro que ainda nao haja outros modos de burlá-los além dos já existentes. Porque, pelo que sei, em alguns lugares se houvesse estágio como parte do processo seletivo, e passasse alguém que nao fosse da linha teórica da maioria do Departamento, podes crer que achariam algum defeito nele.
Cara Ana Lú
Sei que há alguma resistência contra o que vou propor, mas acho que deveria ser feito, e mais, a proposição que faço é baseada em experiência do nosso Instituto.
Temos no nosso Instituto um curso pós-segundo grau funcionando a mais de trinta anos para formação de Hidrotécnicos, este curso foi uma exigência da UNESCO para apoiar a implantação do curso de pós-graduação, exigência que se demonstrou extremamente pertinente. Este curso, que denominaríamos hoje em dia de tecnólogo e é análogo aos cursos que o governo federal está implantando através dos CEFETs, sua admissão não era feita via vestibular, eram feitas provas específicas e um psicotécnico elaborado por pessoas habilitadas para este fim, a partir de um perfil que o curso exigia.
Em alguns anos houve mais vagas que alunos e foram aceitas pessoas com o perfil não aconselhado pelo psicotécnico, como resultado em TODOS OS CASOS, sem que os professores soubessem do resultado do psicotécnico (que se mantinha em sigilo para preservar os alunos), estes tiveram sérios problemas, culminando na maior parte dos casos na não conclusão do curso. Outras vezes se passou apenas para testes de conhecimentos, também aconteceram problemas.
Em resumo, alunos que tinham insuficiência de aprendizado por provirem de escolas públicas, apresentavam problemas no início do curso, mas no fim obtinham êxito, enquanto alunos que iam bem nas provas de conhecimento mas não tinham um perfil adequado davam sérios problemas.
Resumo do resumo: Testes psicotécnicos feitos por pessoas habilitadas para este fim, podem dar ótimos resultados na seleção de pessoas.
Ah, Rogério, nisso discordamos mesmo. Tenho formação de psicóloga, sei como sao esses testes. Ademais, independentemente da adequação deles, NAO É DEMOCRÁTICO. Uns luminares decidem, com base em testes muitas vezes traduzidos de outras realidades e com base científica dúbia (mas mesmo que nao fosse assim...) quem entra e quem nao entra no Serviço Público, ou na Universidade...

Sem falar na falta de profissionais treinados para isso em número suficiente, na insuficiência da formação desses profissionais, que estariam decidindo o destino de outras pessoas, e na possibilidade de corrupção que esse tipo de processo abriria, e sem possibilidade de recurso, porque seria "a voz da ciência"... Nem pensar, NO WAY!

Inclusive em vários países testes projetivos sao de uso proibido, porque é considerado invasão de privacidade (uma forma de obter acesso nao autorizado ao seu inconsciente...) Outros tipos de teste (tipo os do ex-ISEB da FGV, de QI, etc), embora nao meçam conhecimento e sim habilidades, sao no fundo testes que medem competências resultantes de experiência com tipos de conhecimento; nesse sentido, muito parecidos com o ENEM do qual você discorda tanto...

Vou te contar um pouquinho sobre o uso de testes para classificação de alunos em turmas no antigo primário das escolas públicas do Rio no meu tempo (teste ABC, depois teste Metropolitano: por meio deles os alunos eram considerados em diferentes graus de "prontidao" para a aprendizagem, e por isso postos em turmas diferentes de acordo com o seu nível). Tive oportunidade de analisar, no meu curso de Psicologia, um desses testes, nao me lembro qual dos 2.

Uma das coisas que se testava era coordenação motora. Como? Se fosse com o uso de bolas de gude, por ex., crianças de origem popular provavelmente se sairiam melhores que as de classe média. Mas nao, era com o uso de quebra-cabeças: com os quais umas crianças brincavam desde quase o berço, ao passo que outras estavam vendo pela primeira vez... Que coisa: as crianças de origem popular se saíam pior, por que será?

Outros testes eram sobre vocabulário e conhecimento geral. Havia pequenas imagens de objetos, ou de eventos, e as crianças deveriam dar o nome do objeto ou reconhecer o evento, conforme o caso. Entre os objetos: abajur; cadeira de balanço; PÊNDULO!!!; nao lembro mais. Coisas que faziam parte do cotidiano de umas crianças, que por isso sabiam os seus nomes (pêndulos nem isso...), mas eram desconhecidas das outras crianças-- as coisas, logo obviamente as palavras. Entre os eventos havia Carnaval, Natal, até aí tudo bem (mais ou menos: árvore de Natal cheia de bolas e presentes? hum...). Mas tb FESTA DE HALOWEEN (testes "adaptado", como a cara de quem adaptou... nem a classe média daquele tempo seria capaz de reconhecer a imagem -- umas abóboras com olhos e boca, iluminadas por dentro -- como manifestação dessa festa, que na época nao era conhecida como agora, a classe média ainda nao ia tanto a Miami -- rs, rs). Jamais um bumba-meu-boi, certo?

Resultado: como por milagre, todas as crianças de classe média terminavam na turma "com boa prontidão", todas as de classes populares na outra... E as professoras mais antigas na escola, provavelmente mais experientes, escolhiam primeiro. Qual turma você acha que elas escolhiam?

Nao, Rogério. TESTES NAO.
Cara Ana Lú
Se há uma experiência que demonstra ser estes testes "culturais", retiro a minha proposta o mais rápido possível.
Sou tachado, naõ por ti, de intolerante e cabeça dura, mas se há uma argumentação sólida quanto à forma desses testes e não tenho condições teóricas ou práticas para refutá-las, vou logo tirando a minha proposta.
Como se diz na ciência, cem resultados positivos, são anulados por uma prova negativa. Se minha experiência é positiva e há dezenas negativas. Concordo com tua opinião. Se estiver errado não insistirei no erro.
Nao se trata de erro, Rogério. Você, como 99,999% das pessoas que nao sao formadas em Psicologia, nao conhece testes psicológicos, nem tem a obrigação de conhecê-los.

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