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A Revista BRAVO deste mês estampou na matéria de capa a questão: QUAL O FUTURO DA MÚSICA? O CD vai acabar? Os artistas vão viver de shows? A vinda do grupo Radiohead ao Brasil reacende a discussão sobre o assunto.

Dez questões são levantadas (acesse aqui) e respondidas pelo jornalista e escritor Arthur Dapieve autor de "De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo" (2004) e Black Music (2008).

E VOCÊS, O QUE ACHAM?

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Respostas a este tópico

Ontem eu quase fiz um post sobre a morte de CD, Laurinha. Mas o tema era um pouco diferente do que trata a revista Bravo. Na minha opinião, vários artistas já estão vivendo de shows. Numa entrevista a Maria Gabriela, Zeca Pagodinho declarou que não ganhava mais a vida com gravações em CD, mas com seus shows pelo Brasil. Nas questões levantadas pela resvista, eles citam o exemplo do vinil não ter morrido. Mas os vinis tinham capas lindas, encartes, verdadeiras obras de arte para colecionadores. Já os CDs com aquelas capas de plástico não possuem o mesmo charme. Na minha opinião, ele acaba.
Bela discussão.
Helô.
Concordo com você em vários aspectos, por exemplo, que muitos artistas estão sobrevivendo dos shows e que os vinis são um charme em todos os sentidos. Aqui em casa guardamos com muito carinho nossa coleção de vinil e o nosso toca-disco, que na época da reforma do som da sala o técnico disse que não daria certo integra-lo ao som dos outros equipamentos. Fiquei indignada e não descansei até dar tudo certo.
Quanto a sobrevida do CD você foi bem taxativa, "ele acaba". Mas quanto de oxigênio ele ainda teria?
A BRAVO diz, na questão nº 2, que ele não acabará nos próximos 5 anos e explicita várias razões, entre elas a "qualidade sonora dos CDs que é muito maior do que a música disponível na internet para download" e a perspectiva dos grandes selos capricharem mais nas edições, argumentos com os quais eu concordo.

Que as mudanças ocorram no sentido de facilitar a vida/sobrevida dos artistas que labutam tanto para divulgar sua arte que, os apaixonados expectadores como nós, tanto admiram e curtem.

Helô, grata pela participação. Só mesmo a temática MÚSICA faria eu "puxar" uma discussão aqui no Portal, devido a minha falta de tempo e, também, timidez. Gosto mais da retaguarda do que da linha de frente :)
Beijos.
Oi, Guará.
Como você mencionou, a industria fonográfica tentou "sepultar o velho e bom vinil".
Concordo, em parte, com os argumentos da BRAVO quando diz que "embora, no primeiro momento, isto quase tenha se concretizado, o LP foi voltando, e voltando com força cada vez maior, a ponto de alguns dos principais lançamentos de 2007 (como Favourite Worst Nightmare, dos Arctic Monkeys, um fenômeno da internet) terem vendido mais vinil do que CD na Grã-Bretanha". Isso demonstra que "o velho e bom vinil" não está sepultado.
Já aqui no Brasil acho que isso não vem ocorrendo, ou seja, a preferência pela compra do CD predomina, até porque, praticamente, inexistem selos investindo na área do vinil.

Sou bastante eclética em relação a área da Música (minha Página aqui no Portal denuncia isso) bem como no gosto musical. Realmente não tenho preconceitos nessa área.
Quanto ao rock prefiro os, digamos, mais leves... :)

Você foi às recentes apresentações, no Brasil, do Deep Purple? Soube, via imprensa, que eles fizeram shows, nesse mês de março, em Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo.

Sei pouquíssimo da banda que é considerada uma das mais criativas do heavy metal e que teve inúmeras formações.

Valeu pela participação!
Beijos.
Olá, Laura, a pergunta título remete à forma de como a música é, digamos, vendida ou ofertada pelo artista, seu ganha-pão ou sua forma de "comunicar-se"...
E para isso a mídia utilizada é, assim, irrelevante num primeiro plano. Vc não acha que alguém que faz a música acontecer, com seus instrumentos convencionais ou não (vide Hermeto e outros...), o faz por puro prazer antes de tudo??
E, como algum iluminado disse certa vez "mesmo que se esteja tocando há mais de três horas "obrigado pela profissão" nos bailes da vida, o artista sempre pode ser surpreendido com seu pezinho em baixo da mesa batendo no chão, cadenciadamente, com uma alegria, digamos, contagiante a todos, já reparou... ?
Oi, Mário Henrique.

Acho que tudo que fazemos na vida, seja nos planos interpessoal ou intrapessoal, em qualquer área, quando fazemos com satisfação/prazer, as dificuldades inerentes à atividade humana acabam sendo minimizadas. Não quero com isso dizer que devemos nos acomodar a determinadas condições adversas. Sempre acho que devemos "morrer esperneando" :)

Trabalhei toda vida como professora (do nível infanfil ao universitário) e , na grande maioria das vezes, em condições adversas, mas o meu prazer em ministrar aulas, tive a felicidade de conservar sempre.

Infelizmente, no nosso país, é difícil o artista, de todas as áreas, sobreviver da sua arte, por mais prazerosa que ela seja. No caso da música conheço um caso concreto que está acontecendo aqui em Teresina.
Trata-se do grupo de choro "Trombone & Cia" (querendo conhecer um pouco do Chorinho piauiense, clique aqui) que atua há cinco anos aos "troncos e barrancos", ou seja, sem o devido apoio das instâncias oficiais, prevalendo o prazer de tocar.

O que você coloca no último parágrafo do seu comentário (que por sinal, gostei muito) é o retrato fiel que acontece com o "Trombone & Cia".

Eu que acompanho o trabalho desse grupo, desde sua criação, lamento que músicos excelentes, após sua apresentação, retornem para suas casas com um cachê de vinte a trinta reais. Eu acho um total desrespeito.

No nosso "Brasilzão" quantos artistas fazem das "tripas coração" para não abdicar dos seus talentos....

Abraços.
Pois é, Laura, como você mesma diz: ...devemos morrer esperneando...aos trancos e barrancos....fazendo das "tripas coração" para não abdicar de nossos talentos!! Concordo com tudo isso e, ainda, receba meus parabéns pela sua pesquisa sobre os "chorões" do Piauí...nos bailes da vida...em troca do pão de cada dia... Ah! E pela sua profícua carreira de magistério que, como sabemos, o professor também merece todo nosso respeito, seja nas escolinhas de vilas do interior de nosso Nordeste seja em qualquer faculdade nos confins deste grande país!!
Tudo de bom!!
Colegas.

A Revista Exame aborda a matéria "As gravadoras ainda podem sobreviver", entrevistando o jornalista americano Steve Knopper.

Para o especialista, a mesma internet que quase destruiu a indústria é agora a grande chance de salvação do negócio. Para ele as gravadoras cometeram o erro de combater os sites de trocas de músicas.

Na entrevista a seguir, Knopper fala sobre o impacto da internet na indústria da música e discute os caminhos para trazer de volta os lucros das empresas do setor.

1) Entre os erros cometidos pelas gravadoras, qual foi o que mais contribuiu para a crise atual?

Quando o Napster, primeiro programa de compartilhamento de músicas pela internet, surgiu, na década de 90, as gravadoras tentaram combatê-lo em vez de buscar alianças. Isso foi fatal. Quando as gravadoras conseguiram fechar o Napster nos tribunais, os serviços de compartilhamento de músicas na internet não acabaram. Pelo contrário, eles se multiplicaram.

2) Por que as gravadoras fizeram da internet uma inimiga?

Com as vendas dos CDs, as gravadoras detinham o controle de cada passo do negócio, do momento de produção do álbum à compra dele por um fã. A internet representou a quebra dessa cadeia de produção lucrativa. As gravadoras cometeram o erro de pensar que, se processassem alguns sites ou se ignorassem por um tempo a nova tendência, ela simplesmente deixaria de existir.

3) Os acordos para a venda de músicas na loja virtual iTunes, da Apple, selaram a paz entre as gravadoras e a internet?

Realmente, quando a loja surgiu, foi um bom negócio para as gravadoras. Num período curto, 1 bilhão de músicas foram vendidas. Mas o problema é que a iTunes não criou margens de lucros altas para as gravadoras. Tampouco para a Apple, mas para a Apple tudo bem, porque ela só queria usar a iTunes para vender iPods.

4) As gravadoras aprenderam a lidar melhor com a internet?

Elas começaram a ficar um pouco mais espertas, entendendo que as novas tecnologias podem representar a salvação de seu negócio. Está claro que o consumidor atual de música não está mais interessado apenas em ouvir um CD.


5) Qual dos novos modelos de negócios para a indústria musical o senhor considera mais promissor?

Todos eles. Quando lançam um álbum hoje, por exemplo, isso não ocorre apenas no formato CD. As empresas oferecem também as faixas para download em celular e vendem os direitos para videogames como o Guitar Hero, entre outras ações. Isso é inteligente. Poderiam, no entanto, ter feito o mesmo há dez anos.

6) As gravadoras vão sobreviver?

As principais gravadoras vão sobreviver. Sempre haverá algumas delas que vão continuar a produzir estrelas como Beyoncé e Justin Timberlake. Mas está cada vez mais difícil fazer isso.

7) O setor de mídia impressa também enfrenta dificuldades para adaptar seu modelo de negócios à plataforma digital. Os jornais estão cometendo os mesmos erros das gravadoras?

A mídia impressa também não conseguiu encontrar até hoje um modelo online lucrativo. Assim como as gravadoras, os jornais e as revistas precisam virar rapidamente o resultado dessa partida. A história da tecnologia mostra que os velhos participantes do jogo que não se adaptam às novas regras acabam morrendo.

*********

Colaborador das revistas Wired e Rolling Stone, o jornalista americano Steve Knopper acaba de lançar nos Estados Unidos o livro Appetite for Self-Destruction: The Spetacular Crash of the Record Industry in the Digital Age ("Apetite para a autodestruição: a espetacular quebra da indústria das gravadoras na era digital", ainda sem previsão de publicação no Brasil).

Eu sei que fico com muita pena quando gravadoras, livrarias, lojas de instrumentos musicais fecham as portas, como recentemente aconteceu com a "Guitarra de Prata", a "Kuarup"...

Torço para que o artista brasileiro talentoso consiga viver da sua arte...

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