Tenho lido comentários em vários blogs na linha de "a CPI da Privataria vai dar em nada", "não interessa ao PT", "a velha mídia vai abafar a CPI", e assim por diante. 

Recuso-me a me deixar contaminar por este derrotismo antecipado. A luta mal começou! Ainda não medimos forças, e conhecemos bem o inimigo, que virá com toda a força do desespero - e daí? Qual avanço democrático foi feito com pouco esforço? 

Sou do tempo em que o DOI-Codi jamais seria extinto, a censura iria ficar aí por um século; o FMI dominaria o Brasil eternamente; um metalúrgico jamais seria eleito para nada além de deputado; o Brasil jamais seria maduro para eleger uma mulher. Ah, e ao Império Britânico seria sempre mais rico do que o Brasil...

Aos trancos e barrancos, fomos avançando, rompendo esses mitos que nos eram impostos. Não se pode comparar o Brasil de hoje ao de três décadas atrás, nem mesmo ao de dois ou três anos atrás. 

A blogosfera acaba de derrotar o silêncio imposto pela velha mídia. Uma CPI está requerida e será instalada, para desvendar o maior roubo da História da República. Há deputados sérios que resistirão às pressões que virão. Os sindicatos vão ter que agir, mais cedo ou mais tarde. 

Não aceito o derrotismo antecipado; arrisco-me a dizer que até o realismo é negativo neste momento. Há que sonhar e caminhar, porque a vitória é possível e pode estar ao nosso alcance. Sei que não haverá uma "revolução": haverá sim um passo enorme na politização do povo e na depuração da política praticada no Brasil. A direita será desmascarada no seu falso puritanismo, na sua hipocrisia. 

O alcance desta mudança depende de nós, de nosso círculo de influência, de esclarecermos e mobilizarmos os brasileiros que pudermos. Só ao final saberemos a que ponto estamos da democratização do Brasil. Nem um minuto antes. 

Conclamo os amigos a persistirem na pressão sobre os membros do Congresso, na denúncia do cinismo midiático, e no esclarecimento de nossos conterrâneos ainda eventualmente iludidos. Ou fazemos isso, ou fiquemos com as bundas nas poltronas, olhando o tempo passar e dando nosso dinheiro para meia-dúzia de malandros engravatados.

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Respostas a este tópico

Beleza, Antônio. Pessoalmente tenho uma certa tendência ao pessimismo, mas acho que os 2 tipos de discurso sao necessários: o do otimista, sem o qual nao há esperança e açao; e o do pessimista, que antevê os obstáculos e ajuda a evitá-los.

Creio que, com uma boa mobilização esta CPI sai..

é o que espero!

Antonio tens razão.Temos que fazer muita pressão nos blogs, no Facebook,etc... para que não caia no esquecimento e a CPI não saia. E também pressão sobre os deputados,principalmente da base do governo.

Eu quero mais do PT... Eu quero que sejam provocados todas as Instituições de Ordem Policial e Jurídica para trazer à luz da Lei esses acontecimentos. Eu quero que o PT sepulte o PSDB, FHC, Serra e todos os que roubaram o País e lacre para sempre o sepulcro! Eu quero CPI! Eu quero que todos os envolvidos, e a mídia com certeza está entre eles, sejam punidos exemplarmente ou nunca mais votarei em alguém do PT ou da Base Aliada encerrando um conluio que tive com o Partido que achava que era o melhor. Ou fazem isso agora ou vão penar um golpe de estado que está sendo Urdido e que o PT não está enxergando! Só a crítica é muito pouco!

Será que aquele pessoal que convocou as passeatas e manifestações contra a corrupção não sairá às ruas agora?
Por que te calas, direita?

Porque é a direita, pô! A direita só age no interesse da direita, você tá querendo que pé de mamona dê maçãs? (rs, rs)

Às vezes, um genérico...

Estou é provocando aquelas criaturas que vinham aqui pedir combate à corrupção, tendessi?

Marise, ponha isso tb no tópico do Webster (já está lá?), porque o Webster quer reunir lá tudo o que conseguirmos sobre o assunto. 

Essa entrevista parece velha, porque ainda está falando que a segunda ediçao estava para sair... Saiu na Rádio Itatiaia? Minas... Terreno fértil para encontrar ouvidos... 

Correndo o risco de levar pauladas dos amigos(as) que tanto respeito e admiro, queria dar um palpite tático. 

Taticamente, não creio que devamos hostilizar qualquer deputado (a exceção, é claro, são os líderes da direitona-burra: ninguém converte os que ficaram no DEM, entre outros). Como lembrou o próprio Protógenes Queiróz no debate do Sindicato dos Bancários (eu estava na fila do gargarejo), alguns deputados de boa conduta deixaram de assinar porque estavam fora de Brasília; outros preferiam consultar seus líderes ou bases, mas não são hostis à CPI; houve até quem não asisnou porque o prazo acabou e faltou tempo.

Creio que , táticamente, (repito) devemos pressionar a todos, mas sem agredir ninguém NESTE MOMENTO. A etapa é instalar a CPI, em fevereiro - decisão que cabe à Mesa, presidida pelo Marco Maia, do PT-RS (nada a ver com o boneco de ventríloquo Rodrigo Maia). Se apertarmos nos lugares certos, ou seja, nas bases de cada deputado, um bom número deles irá apoiar o andamento da CPI - uns por convicção, muitos por medo mesmo (medo eleitoral, é claro...). 

Distribuindo aplausos e críticas a cada um conforme sua postura e desempenho concreto, poderemos fazer valer a vontade e o interesse da população lesada pela Privataria Tucana. Já ouvi tucanos dizendo que sentem-se traídos pelos que cometeram os crimes, e que o PSDB precisa livrar-se deles para continuar a existir. Não tenho porque duvidar que existam muitos militantes honestos no PSDB (a famiglia Serra não "rachou" o botim com todo mundo, ou sim?). 

Não estou sendo ingênuo, sei que podemos fracassar em obter o apoio da maioria da Câmara (nominalmente de esquerda ou aliada) e os suspeitos poderão abafá-la com total apoio da velha mídia. Mas já trabalhei na Câmara (secretário do então deputado Audálio Dantas, do que muito me orgulho) e assisti a viradas inimagináveis. 

Eu não daria NESTE MOMENTO, pretextos para algum deputado voltar-se contra a CPI (mesmo que no ímtimo ele já seja contra). Façamos de conta que confiamos em todos eles, que eles cumprirão seu dever histórico perante suas bases. Levemos esta posição aos deputados de nossos Estados e a todos da base governista e próximos. Eles devem saber que estamos de olho, torcendo para que ajam corretamente.

À medida em que um ou outro for pisando na bola, aí sim concentraremos o fogo nos traidores, um por um, região por região, pelos meios que tivermos ao nosso alcance: do jornal de bairro às manifestações em frente a suas casas. Não estou pedindo tolerância com os acanalhados: apenas acho que devemos ter o "timing" correto, taticamente, para alcançarmos o objetivo, que é esclarecer a Privataria, levar os culpados à Justiça e tentar limpar um pouco a classe política. A questão não é de "moralismo", nem é pessoal: trata-se de uma chance histórica de avançarmos na democratização real do país. 

Aos mais exaltados, que respeito igualmente, peço: batam na idéia se não concordarem, poupem o autor, que já apanhou bastante e está indignado na mesma medida.

Abraços a todos! 

Concordo em gênero, número e grau. 

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