Na moita, a Marinha do Brasil abriu concorrência para a compra de cinco Navios Patrulha Oceânicos (NaPaOcs). Oito empresas de sete países
entraram na disputa. Enquanto isso, a Aeronáutica não fecha consenso.
Em setembro o ministro Nelson Jobim recebeu TODOS os pilotos que
testaram os aviões e a opinião deles, em muitos pontos, não bate com a
dos engenheiros da COPAC. O Gripen NG ficou em terceiro em termos de
desempenho, depois do Rafale e do F/A-18E/F. O relatório da "Gerência"
foi extremamente criticado pelo Alto Comando que modificou o vencedor.
Sim, o relatório que chegou ao Jobim e ao Presidente Lula NÃO TRAZ o
caça sueco como vencedor. Sabe porque? Os pilotos morrem de medo de um
novo AMX pela proa. O programa de fabricação do avião projetado pela
Aeritalia (hoje Alenia) e pela Aermacchi deveria custar US$ 700
milhões. Ficou por US$ 3,5 bi e quase faliu a Embraer. Em 1994, fiz uma
visita melancólica à empresa. No pátio, quatro aviões prontos. A Força
Aérea Brasileira não tinha como pagá-los (deveriam custar US$ 10 milhas
e o preço saltara para US$ 32 milhões). Oito estavam em diversas fases
de finalização na linha de montagem vazias.

O resultado desse programa caótico foi uma frota desigual, com quatro
padrões diferentes de painéis e equipamentos. Diga-se de passagem: de
projeto brasileiro, pouco há. Na versão brasileira nossos engenheiros
introduziram dois pontos para tanques ejetáveis nas asas e, por causa
de um embargo norte-americano, substituíram o canhão Vulcan de 20mm por
dois DEFA de 30mm. A vibração dos canhões maiores descalibrava todos os
radares testados no aparelho, até que os italianos da Galileo
conseguiram desenvolver uma versão do Scipio capaz de aguentar o
tranco. Com isso, o avião ficou sem equipamento de detecção, que só
será integrado na modernização prevista a partir deste ano.

A falta de critério da COPAC ficou evidente na semana passada. Os
russos foram expulsos do F-X2 porque sua proposta "não apresentava
garantias". A desculpa era que o Su-35BM, modelo oferecido pela
Rosoboronexport, ainda era um protótipo sem encomendas. No momento da
decisão, havia cinco aparelhos voando. Os geniais engenheiros da FAB
selecionaram o Gripen NG da SAAB, que não passa de um demonstrador.
Cabe uma explicação: um protótipo é representativo do aparelho em
produção. Um demonstrador não passa de uma gambiarra que antecede o
protótipo. O protótipo do caça sueco deverá voar neste ano. É preciso
ressaltar que o Su-35 tem dois modelos de radar integrados, ambos de
varredura eletrônica. O de varredura passiva (PESA) tem um alcance de
220km. O de varredura ativa chega a 250km. São os mais potentes
disponíveis no mercado. O do Gripen NG está em desenvolvimento pela
SELEX, empresa escolhida depois que a Raytheon, a Thales e a Elta
pularam fora do programa...

De lá para cá, o governo da Federação Russa encomendou 48 Su-35BM. A
proposta russa previa a venda de 36 Sukhois Su-35BM, de 4ª geração, e a
transferência de tecnologia crescente a partir da 37ª célula, até
chegar a 100% de nacionalização a partir da 72ª unidade. O preço
unitário pelos Su-35BM seria de € 40 milhas. Para baratear e garantir o
suprimento de componentes, a Rosoboronexport instalaria um armazém
alfandegado em Viracopos com peças suficientes para manter os aviões
voando por 30 anos. Como atrativo adicional, previa a participação
brasileira no PAK FA T-50, o único caça de 5ª geração desenvolvido fora
dos Estados Unidos. Os geniais engenheiros da COPAC decretaram que esse
era um sonho impossível, apesar de dois países, Rússia e Índia, estarem
comprometidos com o projeto, que conta com mais de 300 opções de
compra. A KNAAPO, fábrica responsável pelo desenvolvimento, não estaria
capacitada para a tarefa.

Para azar da Gerência F-X2, o PAK FA T-50 voou na última quinta-feira!
Tem três protótipos prontos, dois voando e um terceiro em ensaios
estruturais em Moscou. Ou seja, a proposta sem garantias colocou dois
modelos de avião diferentes no ar, um deles de 5ª geração, enquanto a
proposta garantida só possui um demonstrador no ar sem radar! E o que é
pior: não passa de um caça de 4ª geração, potencialmente obsoleto antes
mesmo de voar. A data prevista para a entrada em fabricação do T-50 é
2013. Tem um radar AESA revolucionário (são cinco antenas espalhadas
pela fuselagem, cobrindo todos os ângulos de ataque). É interessante
observar que os dois aviões de combate russos compartilham motores,
computadores de bordo e radar (no caso do Su-35BM, a antena de proa), o
que facilitaria a manutenção.

MARINHA
Comparando a atuação da Aeronáutica com a da Marinha dá para observar
uma grande diferença no modus operandi. A Força Naval teve aprovado
três programas, de tecnologia francesa, para a construção de um
estaleiro e a fabricação de seis submarinos convencionais e um de
propulsão nuclear. Foi mais além. Sem despertar o interesse da mídia,
contactou mais de dez estaleiros internacionais para a construção de
cinco (três unidades firmes com duas opções adicionais) NaPaOcs. Sete
deles responderam. Dois alemães, Thyssen e Fassmer; um britânico, BAe;
um chileno, ASMAR; um coreano, Daewoo; um espanhol, Navantia; um
francês, DCNS; e um italiano, Fincantieri. A Fassmer e a Asmar vão
trabalhar em conjunto. Ofereceram uma versão atualizada do OPV-80. Duas
unidades operam na Marinha do Chile, onde é conhecida como classe
Piloto Pardo, que pretende comprar mais quatro. Argentina e Colômbia
também selecionaram o modelo. Dentro do governo, que trabalha na
integração do continente, esse é um argumento de peso.

Os requerimentos da Marinha do Brasil preveem navios com velocidade
igual ou superior a 20 nós, armados com um canhão de 76mm, capazes de
receber helicópteros Linx, Pantera ou Esquilo. O deslocamento ficaria
entre 1.850 e 2 mil toneladas. Os preços variam entre US$ 30 milhões
(preço do Piloto Pardo) e US$ 100 milhões (projeto Gowind, da DCNS, e
Avante 1400, da Navantia). Coloquei abaixo alguns links para que possam
examinar os modelos em licitação (não consegui descobrir qual o modelo
oferecido pela Daewoo).

http://www.royalnavy.mod.uk/operations-and-support/surface-fleet/pa...

http://www.tk-marinesystems.de/bilder/produkte/sentinel_spalterecht...

http://www.fincantieri.it/CMS/Data/prodotti/000019.aspx?cms640909ff...=

http://www.segurancaedefesa.com/Mais_PZM.html

http://www.dcnsgroup.com/batiments-de-surface/corvettes/famille-gow...

http://www.navantia.es/irj/portal/anonymous?NavigationTarget=navurl...




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Respostas a este tópico

Na moita?
e como é que vc sabe disto, quer dizer, pelo menos vc, mais o autor do texto que vc reproduz e eu... que li aqui... e mais a turma que participa da concorrência... e mais:

http://blogs.diariodonordeste.com.br/egidio/marinha-do-brasil-vai-c...
http://sistemasdearmas.com.br/nav/modmbopv.html
http://pbrasil.wordpress.com/2009/07/15/especial-prm-reaparelhament...

e mais um monte de sites, viu!

portanto, o que vc queria mesmo dizer, hein?

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