Veio olhar correndinho? Quáquáquá! Nada como um "lead" cheirando a sacanagem pra aumentar o ibope.

Seguinte, blogueiras e blogueiros, uma sacada que só blogues permitem sacar:
Zezito sentado tentando bolar uma história chinfrim e aí se lembra dos tempos em que dava aulas de sânscrito e se fazia um troço supermaneiro.

Criação Coletiva! Obra a múltiplas mãos, ou teclados, que seja. Esta é a proposta indecente do Zé. Um best seller de produção coletiva a papar o próximo Nobel. Muita grana na parada!

Simplicíssimo: Zé-gatilho atira a primeira frase da história. Quem quiser, tiver um tempo, vontade de dar um trato, vem e escreve, acrescenta, altera, turbina ou ralenta de acordo com seu próprio estilo.

Que tal? Única regra: Não há regras. Pode tudo, inverter situações, matar personagens, livre associação, ruptura temporal, narrativa direta, indireta, intimista, grandiloquente, escrita automática, realismo, naturalismo, surrealismo, haikai, caicai, uma frase, um parágrafo, quinhentas linhas, vale tudo!

Pensando melhor, uma única regrinha básica: Não matar todo mundo (tipo meteoro se chocando com o planeta, tsunami mundial, peste amarela e calamidades afins) só pra mixurucar a brilhante proposta do Zé.

O sistema, no pouco conhecimento aqui disponível, é copiar o já escrito, colar e escrever na sequencia. É assim, até alguém apresentar um formato mais apropriado, ou mais simples.

Então vai, Zezito lança a frase inaugural:


O homem que entrou no ônibus de uma das linhas clandestinas a transitarem pelas incontáveis estradinhas de terra que ligam o porto de Haifa aos entornos da Grande Telaviv, parecendo uma aparição surgida em meio à névoa de poeira cinzenta e fumaça de óleo diesel, fez com a mão direita uma larga saudação, extensivo a todos os demais passageiros amontoados nos bancos maltratados por milhares de solavancos. Poucos se dignaram em responder à saudação e ao sorriso amigável do estranho.


(Bom, só uma observação: Começa em Haifa, mas não precisa continuar, certo? Quem achou uma porcaria de começo, basta prosseguir à sua imagem e semelhança. Por exemplo: Enquanto isso, Tião Calé caminhava perdido em cismas rumo ao boteco da Tonha, em Quixadá. Simples!).
Só não deixem Zezito falando sozinho. Até os desafetos devem participar, até pra dar um novo viés. Gratos pela preferência.

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Respostas a este tópico

- Puedo participar?
- Claro, Pablito, à vontade. Só não se esqueça de assinar.


Sube a nacer conmigo, hermano.
Dame la mano desde la profunda
zona de tu dolor diseminado.
No volverás del fondo de las rocas.
No volverás del tiempo subterráneo.
No volverá tu voz endurecida.
No volverán tus ojos taladrados.
Mírame desde el fondo de la tierra,
labrador, tejedor, pastor callado:
domador de guanacos tutelares:
albañil del andamio desafiado:
aguador de las lágrimas andinas:
joyero de los dedos machacados:
agricultor temblando en la semilla:
alfarero en tu greda derramado:
traed a la copa de esta nueva vida
vuestros viejos dolores enterrados.
Mostradme vuestra sangre y vuestro surco,
decidme: aquí fui castigado,
porque la joya no brilló o la tierra
no entregó a tiempo la piedra o el grano:
señaladme la piedra en que caísteis
y la madera en que os crucificaron,
encendedme los viejos pedernales,
las viejas lámparas, los látigos pegados
a través de los siglos en las llagas
y las hachas de brillo ensangrentado.
Yo vengo a hablar por vuestra boca muerta.
A través de la tierra juntad todos
los silenciosos labios derramados
y desde el fondo habladme toda esta larga noche
como si yo estuviera con vosotros anclado,
contadme todo, cadena a cadena,
eslabón a eslabón, y paso a paso,
afilad los cuchillos que guardasteis,
ponedlos en mi pecho y en mi mano,
como un río de rayos amarillos,
como un río de tigres enterrados,
y dejadme llorar, horas, días, años,
edades ciegas, siglos estelares.
Dadme el silencio, el agua, la esperanza.
Dadme la lucha, el hierro, los volcanes.
Apegadme los cuerpos como imanes.
Acudid a mis venas y a mi boca.
Hablad por mis palabras y mi sangre.

Pablo Neruda
O que me aborrece nas esquerdas é a sua entediante previsibilidade.

Implantei projetos mineradores, petroquímicos, siderúrgicos, madeireiros; construí rodovias, ferrovias, barragens, reestruturando geograficamente áreas de interesse nacional em várias partes do mundo. Projetos de larga escala tendem a produzir desenvolvimento de regiões e setores específicos, mas trazem distorções em setores incompatíveis à nova modalidade produtiva, acirrando tensões no entrechoque novo-velho, gerando contradições que se definem, quase sempre, à bala. Disponho invariavelmente da força, estão comigo o capital e os canhões. A esquerda tem por sua vez, quase sempre, a razão. Eu não apreciaria que um bando de intrusos me entrasse pela casa e começasse a remodelar ao seu bel-prazer, arrastando móveis, trocando cores e funções das dependências e, por cima, disparando contra mim se protesto. É o que faço mundo afora, perfeitamente cônscio dos meus atos, como um cirurgião e o seu bisturi, um incendiário e a sua tocha. Concedo às esquerdas a razão que lhes cabe por se organizarem contra mim, reconheço-lhes o direito à luta, reconheço-lhes a luta e os direitos. Me exaspera é vê-las fazer da justiça credo, conferindo nuances irracionais à razão intrínseca que as legitima. Muita vontade tenho de sistematizar uma rebelião contra mim mesmo. Saberia questionar-me com eficácia maior do que esses ajuntamentos díspares a manipular metas e conceitos desregrados, parecendo antes quadrilleros que exércitos populares. Está certo, reconheço os mecanismos a girar por detrás dos conflitos, reconheço o processo revolucionário melhor que a maioria das lideranças desses movimentos. Mais que tudo, não me sujeito à sedução do poder que põe a objetividade a perder, pelo simples fato de que tais atrativos são, para mim, tediosa rotina. Minha intenção é bem outra. O que me leva a participar de tais empreendimentos sui generis é mais curiosidade que ganância. Desejo não tinha de associar-me a abutres para dilacerar republiquetas equatoriais. Não me agradam as suas companhias, o lucro potencial não vale o risco, massacrar populações não é meu hobby predileto. Só estou nessa por uma coisa que Kurt Thomas insinuou na apresentação do projeto e que me passou sensações estimulantes. A idéia de promover revolução contra-revolucionária me pareceu exercício vivo de política, a dissecação direta na carne apodrecida de uma ditadura, a intervenção real no organismo da História. Secretamente, porém, estou gestando o embrião de uma idéia ainda mais arrojada: Por que não uma revolução contra-revolucionária... que acabasse produzindo revolução real? Desta encruzilhada talvez possa extrair-se a dialética de uma nova solução nascida do ferro e do fogo de elaborar-se um propósito virtuoso para a aventura humana nesta Odisséia que parte do átomo e chegará ao espírito. Kurt está equivocado, como estão todos os demais acionistas desta aventura. Não deveriam ter me incluido nesta viagem sem retorno; a minha ambição vai muito além daquilo que os mantém na estreita bitola do calculismo financeiro. Pretendo dar sentido à matança; meus atos transcendendo o medíocre corporativismo. Somente o capital é capaz de gerar as condições objetivas à destruição do próprio capital; isso o velho Karl engendrou em teoria e T. Longmann executará na prática, da cobertura de seu Valhala financeiro, armado até os dentes de lógica e obuses.

É preciso considerar os limites para a busca ao lucro, apesar das evidências em contrário. O espírito humano (de que consiste?) anseia, sob todas as circunstâncias, expandir-se devidamente submetido à iluminação do conhecimento. Quem sou eu para renegar potencialidade à evolução humana se para isso preparei-me toda a vida? Hei de negar minhas convicções, meus próprios impulsos, minha necessidade íntima de embrenhar-me nos insondáveis mistérios do tempo? Meu destino se traçará por minhas próprias mãos, ao preço de minha própria existência. Não nasci Luís XVI, nasci Voltaire; um Voltaire século vinte no limiar da superação de sua própria condição social, ultrapassando a condicionante à luta real de classes. Serei eu a classe que a si mesma irá dizimar; as forças da teoria e da ação amalgamadas na erupção definitiva da síntese dialética realizável, sustentável; lógico porque científico.

Qual um Prometeu tecnológico, munido do sagrado facho de laser, emerjo do esquecido calabouço medieval de uma Europa conspurcada para amansar o conflito produtivo de um planeta à mercê de impérios mesquinhos, e realizar a emancipação definitiva do Homem. Meu sonho, minha meta, meu Ser.
Ao completar meus quinze anos, quando amigas de infância pariam e suavam na lavoura ou junto ao fogo, minha mãe enfardou com extremado cariño, num quente amanhecer de janeiro, uma trouxa contendo dois vestidos de algodão, um azul e outro verde, duas calçolas, um casaquinho acanhado muito ornado, duas camisas brancas e um par extra de sandálias de couro cru.

Abraçou-me, depois de arranjar o pacote, e me beijou um beijo confundido em lágrimas, beijo de mãe para filha; triste, e ao mesmo tempo contendo uma felicidade que ninguém saberia explicar a razão, e me recomendou: “Vá com Deus. Nunca se esqueça dos seus”.

À entrada da bodega, diante do velho balcão que ainda insiste em visitar-me em sonhos, don Ramiro forçou-se por manter a dignidade dura de pai. Quanto lhe beijei a mão, passou-me uma pequena sacola de couro contendo um maço de pesos, reserva financeira do negócio, acrescido de algumas moedas de cobre, fruto das irregulares contribuições auferidas por padre Acuña. A fortuna inteira da Bodega del Ramiro e da Igreja San Juán de Monte Verde me foi passada às mãos, enquanto declaravam solenes: “Acreditamos em ti, Gabi. A vila há de um dia ouvir o teu nome e brilhar sob a tua luz”.

É a parca lembrança que pude agarrar dos dois homens que verdadeiramente amei. Rudes e severos, mas amolecidos pela despedida, ajudando-me a subir no velho ônibus em ruínas da Capital Transportes que me deixaria dia seguinte na estação da cidade Mortágua, onde me esperava don Arduíno, amigo fraterno de Acuña, com missão de conduzir-me a salvo até a recepção do Instituto María Magdalena, internato no qual me adestraram para o mundo e de onde decolaria para a Universidad de Torres Albas, na capital federal, onde concluí bacharelado em Direito.

Não tornei a pôr pés em Villa del Hondo, nem quando soube da morte de meu pai e, um mês depois, de minha mãe. Estava por demais absorta na finalização da minha tese sobre "Legislação rural e a microvisão camponesa"; tese a angariar aplausos por parte da banca composta por luminares ligados ao governo federal, e que me valeu honroso convite para assumir cargo na Assessoria do Gabinete de Assuntos Fundiários do Ministério do Interior.

Eis me aqui, hoje, chefe de gabinete, analista de política rural do generalíssimo Joaquín Paco Monzón. Concluindo apreciação de relatórios sobre as conflagrações incontroláveis que estão a se dar em Monte Verde, Santa María, Arroyo Manso, Calógeras e Mairoquí, despachei memorandos recomendando urgente deslocamento de tropas à região a fim de conter a qualquer custo a proliferação de focos rebeldes junto a povoados e fazendas, sob risco de contaminar a estabilidade fundiária. “Eliminar as lideranças”, ressaltei no memorando, “Vasculhar vilas, ranchos, investigar igrejas”, escrevi, “neutralizar e eliminar fisicamente indivíduos ou grupos suspeitos de colaborar com a guerrilha”.

E, de repente, me bateu essa impressão inquietante, que não sei a quê veio: “Gabi, guapa, o que está fazendo da sua vida?”.

As paredes não me respondem. Tampouco o noroeste, que começou agora a soprar, está a me devolver resposta.
Eu nem havia percebido que você continuou sua jornada. e ela continua instigante. muito instigante.

e aí eu considero: quanto talento e quanto acanhamento, falta de ousadia, ou de sei lá o quê, para enfrentar outros mares.

melhor assim quietinho, é?
uma revolução contra-revolucionária. bela idéia. louca idéia. mas a trama está logicamente consistente. historicamente consistente? difícil dizer.

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