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Por Marco Aurélio Dias

Uma pesquisa sobre população com diploma universitário deixa o Brasil em último lugar entre 36 países. O Brasil teria que dar um salto fabuloso para elevar o percentual da população com formação acadêmica superior. Nos últimos anos, pode ter havido, no Brasil, uma negligência nos ensinos fundamental e médio, principalmente facilitando a aprovação de alunos que seriam reprovados, nessa correria para resgatar o descaso na Educação que foi a marca de quase todos os governos brasileiros. Ernesto Faria, especialista em análise de dados educacionais, analisando o relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), revela que o Brasil está no último lugar num grupo de 36 países, levando-se em conta o percentual de graduados na população de 25 a 64 anos, segundo informou o artigo de Amanda Cieglinski publicado pela Agência Brasil. Esses números são de 2008 e assinalam que somente 11% dos brasileiros nessa faixa etária têm diploma universitário. Nessa mesma pesquisa, entre os países da OCDE, a média (28%) é mais do que o dobro da brasileira. O Chile tem 24%, e a Rússia, 54%. O secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, falou, entretanto, que já teve uma subida dessa taxa desde 2008 e ressaltou que o número anual de formandos triplicou no país na ultima década. Todavia, na última década a população do Brasil também cresceu e pode ser que o número de formandos comparado com o número da população entre 25 e 64 anos não revele um crescimento tão acentuado. A oferta de vagas no ensino público superior continua pequena, e muitos estudantes recém formados no ensino médio se acham despreparados para a concorrência, acabando por desistir. A revista científica The Nature, no entanto, levantou uma questão importante: nos países ricos, existem mais doutores do que o mercado e as universidades conseguem absorver. "Alguns países têm uma ciência tão institucionalizada que não irá mais crescer", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fapesp. Nos EUA, por exemplo, os alunos jovens já começam a desistir do ingresso na universidade, e o sistema só segue em alta porque 20% das vagas numa universidade como a Harvard são preenchidas por estudantes estrangeiros. Diante desses dados, o Brasil tem que correr atrás do prejuízo e acelerar a oferta de vagas nas universidades públicas. Além disso, é necessário saber a razão pela qual muitas pessoas com formação superior vão trabalhar como ambulantes ou se empregam em serviços que não requerem a formação superior. É preciso saber se elas saíram despreparadas da universidade ou se foi a emergência do emprego que as fizeram desistir. Pode ser que as universidades, nessa correria por números, estejam descuidando relativamente ao ensino. De fato, o desperdício da inteligência brasileira não se dá só no caso onde pessoas de nível superior saem do país em busca de melhores oportunidades, mas na desistência daqueles que, ante a dificuldade de colocação no mercado de trabalho, abandonam o canudo e pegam qualquer serviço.

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Respostas a este tópico

Justamente. Lembro de uma prova que foi aplicada aos professores, acho que do ensino fundamental, para avaliar a preparação e a atualização dos mesmos, e o resultado foi calamitoso, a maioria ficou abaixo do nível esperado. Querer fazer em alguns anos o que os outros países fizeram a longo prazo não vai dar certo mesmo. Falta planejamento e falta ética. Quando a coisa está muito gritante, a gente (nossos políticos) corre para ajeitar.
Em muitos cursos, sobretudo nas licenciaturas, a pessoa se forma, e os salários oferecidos nao compensam. Uma faxineira que trabalhe 4 dias na semana ganha o dobro do que um professor com faculdade no sistema estadual do Rio de Janeiro.
Parece que o Brasil quer apresentar números aos companheiros internacionais. A qualidade do ensino é só um detalhe. Seria essa a filosofia: Se o aluno está com dificuldade, facilita, desce o nível do ensino e, se preciso for, dá a resposta. E, por outro lado, valorização do profissional no mercado de trabalho não é levada em conta. Por isso tanta gente abandona o canudo logo depois da formatura e ingressa nos bicos. Mas, pelo visto, o Ministério da Educação está satisfeito com os resultados... Parece que o importante é apresentar números: qualidade e colocação não são importantes... Como se diz em futebol, o importante é fazer o gol...
Acho que o Ministério da Educaçao está fazendo o que pode, depois de longos anos de abandono da Educaçao. Nao se consegue mudar uma situaçao dessas de uma hora para outra.

eu só imagino se a realidade de 2010 fosse comparada com a de 2000, por exemplo, e pela terrível tendência que assistíamos.

para se ter uma idéia de um Brasil comparado com um Brasil real (que, claro, tem sérios problemas a resolver na área da educação, ciência e tecnologia), acho importante olharmos os números com cautela.

 

trago um pedacinho de um outro olhar. quem sabe a gente conversa melhor...

 

Educação superior em Lula x FHC: a prova dos números

 

Artigo enunciado na Agência Carta Maior (mas retirei daqui, onde está o artigo completo: http://polivocidade.blog.br/2010/10/23/educacao-superior-em-lula-x-... )

 

Um jornalista que se apresenta como um dos mais acessados do Brasil pretendeu “desmontar” a política do governo Lula na educação superior. Fiquei interessado no tema. Fui reitor de uma universidade federal durante quatro meses no governo FHC e quase todo o tempo do Governo Lula, o que me permite a rara situação de, na condição de gestor público, poder comparar os distintos cenários de política de educação superior. Minha área de pesquisa é a Epidemiologia. Nessa condição, trabalho com modelagem numérica e técnicas quantitativas de análise, num campo onde exercitamos uma quase obsessiva busca de rigor, validade e credibilidade. O artigo é de Naomar de Almeida Filho.

 

Um jornalista escreveu em seu blog, auto-apresentado como um dos mais acessados do Brasil: “Provei com números que o que ele [o Governo Lula] fez mesmo foi aumentar o cabide de empregos nas universidades federais, aumentar a evasão e o número de vagas ociosas.”

Fiquei muito interessado no tema, por dois motivos: Primeiro, porque fui reitor de uma universidade federal durante quatro meses no governo FHC e quase todo o tempo do Governo Lula, o que me permite a rara situação de, na condição de gestor público, poder comparar os distintos cenários de política de educação superior. Segundo, porque minha área de pesquisa é a Epidemiologia. Nessa condição, trabalho com modelagem numérica e técnicas quantitativas de análise, num campo onde exercitamos uma quase obsessiva busca de rigor, validade e credibilidade. Isto porque uma eventual contrafação ou fraude estatística pode custar vidas, produzir riscos ou aumentar sofrimentos.

Assim, procurei, no blog do jornalista, a prova dos números. Encontrei, numa postagem de 24/08/2010 – arrogantemente intitulada “A fabulosa farsa de ‘Lula, o maior criador de universidades do mundo’. Ou: desmonto com números essa mentira” – três blocos de questões: aumento de vagas e matrículas; evasão na educação superior; empreguismo na rede federal de ensino. Analisarei cada uma delas, demonstrando que essas “provas de números” são refutadas em qualquer exame sério de validade técnica ou metodológica.

No primeiro bloco, referente a aumento de vagas e matrículas, achei as seguintes afirmações:

“A taxa média de crescimento de matrículas nas universidades federais entre 1995 e 2002 (governo FHC) foi de 6% ao ano, contra 3,2% entre 2003 e 2008 – seis anos de mandato de Lula. [...] Só no segundo mandato de FHC, entre 1998 e 2003, houve 158.461 novas matrículas nas universidades federais, contra 76.000 em seis anos de governo Lula (2003 a 2008).”

Aqui o jornalista comete erros primários (ou de má-fé) de análise de dados. Qualquer iniciante em análise estatística, demográfica ou educacional sabe que não faz sentido comparar um período de oito anos com outro de seis anos, ou este com outro de quatro anos; mais ainda se usarmos médias aritméticas ou números brutos; e pior ainda se considerarmos (como ele bem sabe) que o principal programa de expansão das universidades federais, o REUNI, começa a receber alunos justamente depois de 2008.
Além disso, usa dados errados. Eis os dados corretos de matrículas nas IFES:

2001 – 502.960
2002 – 531.634
2003 – 567.850
2004 – 574.584
2005 – 579587
2006 – 589.821
2007 – 653.022
2008 – 720.317
2009 – 917.242
2010 – 1.010.491

 (fonte: INEP e ANDIFES

Trata-se, basicamente, de sobrevivência. Conheço muitas pessoas com diploma universitário desempregada há muito tempo e que correm, dia a dia, atrás de vaga. Entregam currículo, têm experiência comprovada, e nada! Ademais, há preconceitos quanto à idade, gênero, raça, aparência, local de residência, etc. E, ainda pior, quando surge alguma possível vaga, os salários são tão aviltantes que, geralmente, a pessoa vai ganhar mais fazendo esses trabalhos sem necessidade de melhor qualificação!

Em resumo: esse é um país que despreza sua gente e NUNCA priorizou a boa formação, educação, etc.!

Só com a superação desse capitalismo nefasto e dependente poderemos dar aos brasileiros o que merecem, permitindo-lhes dar vazão aos seus potenciais criativos e construtivos!

Então, acorde gente, vamos revolucionar essa sociedade!

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