Reminiscências Zouzou - O Poder Feminino é Nós no Poder!!!


A poucas dezenas de horas de este país avacalhadamente corajoso referendar, após 500 e picos de años entretidos em esperas e barracos mil, uma distinguida senhôura no posto mais prestigioso da República Federativa, eis que zouzou se remete a extemporânea ligação metafísica com as energias dispersas de umas e tantas sorelli estrepitosas da efervescente tourné du siécle iluminada e iluminista inaugurada a partir da consolidação dessa bourgoisie ilustrada, culta, e não por isso menos gentilhomme e neurastênica a demandar inumeráveis cortes epistemológicos (em fatias finas e sociocompartimentadas) nessa insana missão de redefinições culturais, psíquicas e, porquoi non?, fisiológicas.

Sócrates himself, pra sua (dele) sorte já havia ingerido sua dose concentrada de cicuta, não tendo portanto que se virar no operoso transtorno de ampliar a gama de possibilidades ao sofismar, bem como à submissão à trágica conclusão de que só sabia que nada sabia, mas se quiser perguntará às novas luluzinhas de Atenas, que secam seus maridos e as melhores amigas, quiqui...

Zouzou é por destino avant la lettre, autodidata diplomada em variados setores do conhecimento humano que jamais se deixou restringir pelo dito diversionista de que por trás de todo grande homem haverá de haver uma grande mulher (seja que diabo signifique “grande”), principalmente porque o seu (dela) concubino #2, o arquiduque Henri Ferdinand del Nouveau Liechstenstein, fora um tanto desfavorecido no quesito verticalidade – em seus melhores momentos, nunca chegou a medir mais que 4 pés, cerca de 1,5 metros métricos incluindo-se salto carrapeta duplex e topete projetée armado a gumex – e cuja melhor qualidade era a altura que adquiria ao sentar-se sobre as carteiras que carregava nos bolsos traseiros, invariavelmente abarrotadas de dinheiro em cash e credit em cards, e que o faziam crescer sobremaneira na estima de tutti quanti e tutti frutti.

Aussi, o sic transit franqueado pelo estimado arquiduque nos rarefeitos territórios sócio-geográficos alpinos e renanos possibilitou a zouzou a aquisição de míriades de relacionamentos extremamente enriquecedores no que toca a memoires et nostalgies de printemps perdues. Zouzou essa transmutada em cronista-testemunha ocular do zumzum feroz a se desenvolver em cortes imperiais ou aparelhos clandestinos, com seu indefectível séquito de alpinistas, garimpeiros, jardiniéres e cavalariços a rondar burgueses revolucionários empenhados em remoldar o perfil do espírito humano em plena aventura nos territórios da Liberdade, munidos da ambição criativa e inclinação destrutiva a arderem simultaneamente nas entranhas pulsantes de cada macho e fêmea da espécie hominídeo, desde que o espécime resolveu trocar os vermes e as bolotas das árvores por filés rossini e minuettos e rondós decorados a trajes Paco Rabanne.

Resumo da ópera zouzou très co(s)mique: Um relato café-concerto-sinfônico de uma belle epòque em que demoiselles descobriram, enfim, e refinaram à quase perfeição, o seu dom em acarretar ataques de nervos em bofes desavisados. Novas idéias e novos estilos brotaram de cada studio, camarim, boudoir, garçonnière, bar e localidades de mais difícil qualificação, configurando a definitiva assertiva de que política e putaria são expressões complementares da mesma busca de transcendência à mediocridade humana.

Zouzou assevera a veracidade de cada episódio, embora (mui feminilmente) também não bote sua (ça) mãozinha no fogo. Desmentidos enfáticos ou ameaças de processos por difamação foram sempre instrumentos eficazes para abalar as convicções de zouzou, amarelinha que só...

Da convivência com amigas/inimigas cordiais, como George Sand, Paula Matamoros, Dolores Ibarruri, Martine Cloisent, Sofia Carnalle, Patrícia Galvão e Natália Alexandrova, entre tantas outras figuras de proa da vanguarda político-cultural dos anos dourados de 1930/50, zouzou assimilou certos “não-espalhes” de alta octanagem, e que ora vai mandar ao Deus-dará. Coisas como que... que...

... que Pamella Sondergart, editora do jornal New Left for Country Women, de Alabama, e ativista contra a extinção de alemães machos no pós-Primeira-Guerra, importou e casou-se “no escuro” com um desconhecido registrado pelo nome Kaspar Hauser, tipo esse calado e soturno que, depois da lua de mel, passou exatos 3 anos sentado estático diante da TV assistindo a um programa interminável. Ao se dar conta de que o aparelho de TV nem havia sido inventado ainda e que na verdade o marido estivera o tempo todo a assistir a uma tela de William Turner, Pamella foi à corte de Massachussets tentar o anulamento do matrimônio por maustratos à estética plástica. Não obtendo resultado, atirou Kaspar e Turner às chamas da lareira, numa noite especialmente fria de inverno, espanou as cinzas e nunca mais pensou no assunto...

... que as amigas Lili Marlene e Emilia Bórgia viajaram ao Oriente e se afeiçoaram à última imperatriz Lili Mei Fang, e à qual ministraram verdadeiras aulas de política e feminismo, ao ponto de a doce Mei Fang decidir candidatar-se ao cargo de primeira presidente-mulher da República Nacionalista recém-inaugurada, pelo Partido do Sândalo que Perfuma a Lâmina. Levou tão ao pé da letra o dístico do partido, que, informada de que o candidato adversário tinha 25% de vantagem em número de eleitores, não hesitou em mandar decapitar 29% dos eleitores do adversário na elevado propósito de equilibrar o jogo democrático e assegurar uma vantagem mínima, descontada a margem de erro dos 2%. Só não foi eleita por um engano pueril: não havia contabilizado os indecisos; e indeciso por indeciso, muitos perderam a cabeça à toa...

... que Rosa Luxemburgo cooptou Lou Andreas Salomé para escreverem (e assinarem) conjuntamente o documento-bomba intitulado “O Marxismo é um Machismo – Crítica à Crítica Sexista”, só com intuito de espicaçar o búlgaro Kautsky que andava arrastando as asas para o lado de Lou Andreas, e que Rosa, apesar de considerá-lo um revisionista cachorro, por outro lado também o considera um cachorrão a ser revisto...

... que Lillian Hellman entrevistou Frida Kahlo em Coyoacán, em 1932, que lhe falou da dor de cotovelo de haver perdido a parada sobre um nanico brasileño chamado Prestes (que não prestava pra nada, na opinião de Kahlo), cheio de conversa mole, que depois de apimentar o taco nas tintas surrealistas de Frida, se mandara com uma realista socialista insossa chamada Olga para um lugar esquisito chamado Rio de Fevereiro, ou Março (Frida não se lembrava bem), deixando-a com o chato do Rivera e um russo mais chato ainda chamado Leon Tróstski. Foi quando Frida decidiu deixar crescer o bigode tentando incoporar Pancho Villa...

... que Vlad Lênin e Josip Stalin brigaram de fato e chegaram a trocar sopapos durante uma reunião do comitê central bolchevique na residência de Lênin, por conta de uma piada de mau gosto proferida por Stalin quando Nadia Krupskaia mandou Vladimir ir preparar o chá e assar os bolinhos de cevada enquanto ela dava os retoques finais na redação oficial da deliberação ao 2º Plano Quinquenal. Josip mencionou algo como “mulherzinha da dacha” e Nadia sentou-lhe o bloco de anotações no focinho, provocando a ira de Vladimir, que acusou Stalin de ser um porco georgiano...

... que depois disso, Stalin nunca perdoou Lênin, ainda mais por este haver acrescentado: “De todos os bigodes da Mãe Rússia, o dos georgianos é o menos dialético e o mais áspero”. Tanto que por retaliação post mortem, Stalin utilizou a revolucionária invenção soviética chamada Fotochópiski para apagar parte da cabeleira de Lênin nas fotos para a posteridade. É de se destacar que Lênin sempre teve imensa vaidade de sua vasta cabeleira, chegando a rivalizar com o topete magnífico de Lev Trótski (cujo maior orgulho era ouvir as gatinhas tovariches suspirarem à sua passagem: “Gosto muito de você, leonzinho, caminhando sob o sol...”). O resultado foi a eternização de um Lênin calvo para as gerações posteriores, e que causou traumas irreversíveis a Krupskaia...

... que Martine “la Pink” Floyd Patterson, herdeira da Saison-Pan Arabian, companheira inseparável de Isadora Duncan e mecenas de Nijinski, nunca perdoou Vasili Kandinski por este haver insistido em permanecer num sarau tête a tête com Vladimir Maiakóvski, arruinando o clima e impedindo Maikóvski de lhe recitar os versos de sua última composição, chamada “O Futurismo ao Cubo e a Bucetinha de Martine” (que depois se revelou peça de araque, feita de improviso só no intuito de conseguir uma “rapidinha” com Martine). Martine passou a sabotar sistematicamente todas as exposições de Kandinski, ao qual só se referia como “o pequeno burguês decadentista”...

... que lady Elizabeth (quaquá) Avedon sempre desprezou seu pai, lord Paul John George Avedon, por colonialista e capitalista nas horas vagas. Discípula de Oliver MacAllister, irlandês célebre pela inclinação anarquista e proselitismo iconoclasta-antirreligioso, e leitora atenta de Karl Marx e Cruz e Souza, Elizabeth ganhou um cavalo célebre em torneios de turfe, um verdadeiro corisco das raias. Não obstante, nem vacilou em (re)batizar o cavalo com o nome de “Filho da Puta”, em homenagem ao pai, conforme declarou em coletivas de imprensa. Mais tarde, já casada, adquiriu outro cavalo e o batizou de “O Outro Filho da Puta”, agora em homenagem ao marido, o par do reino Sir Antony Francis Devaine...

... e por aí vai. Altas histórias de zouzou, que conta mas não assina embaixo porque já passou da idade de ser otária, quaquá!

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Respostas a este tópico

Tudo e nada, nada de tudo e pau na máquina.
Pau?! Um dia zouzou pontifica sobre a tal inveja do tênis (nike ou adidas?) que aí, como diria uma sister extraviada, vai foder a mariola, quaquaquá!!!
Palos arriba que estamos llegando.

Xiiiiiiiii,
Que Festança!!!

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