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RESGATANDO O ROMANTISMO DOS ANOS 30 ... "OS VERSOS QUE TE DOU" - J G de ARAÚJO JORGE


J. G. de Araújo Jorge


OS VERSOS QUE TE DOU

J. G. de Araújo Jorge


Ouve estes versos que te dou, eu os fiz

hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos ... e serei feliz ...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei  depois
relembrar o passado de nós dois ...
esse passado que começa agora ...

Estes versos repletos de ternura

são versos meus, mas que são teus, também ...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém

que possa perturbar nossa ventura ...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los

nas lembranças que a vida não desfez ...

E ao lê-los ... com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez ...

Se nesse tempo eu já tiver partido

e outros versos quiseres, teu pedido

deixa ao lado da cruz para onde eu vou ...

Quando lá novamente, então tu fores,
podes colher do chão todas as flores,

pois são versos de amor que ainda te dou.


J. G. de Araújo Jorge (José Guilherme de Araújo Jorge) nasceu na Vila de Tarauacá, no Estado do Acre, aos 20 de maio de 1914. Ainda jovem iniciou-se na poesia. Estudou em Coimbra, Portugal, e fez curso de Extensão Cultural na Universidade de Berlim, Alemanha. Além de escritor, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura, líder estudantil, tinha política em suas veias. Foi candidato a vários cargos públicos. Elegeu-se deputado federal pelo Estado da Guanabara, em 1970. Foi reeleito em 1974 e 1978. Mesmo combatidos pelos críticos, seus livros — em número de 36 — tinham grande aceitação e foram publicados em diversos países. Faleceu no dia 27 de janeiro de 1987.


O poema acima foi extraído do livro “Meu céu interior”, Editora Vecchi – Rio de Janeiro, 1934.

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OBRA DE J G de ARAÚJO JORGE

As informações abaixo foram compiladas dos livros "Concerto a 4 Mãos" 2° edição, página 173,e "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou" volume II, 1° edição 1966, página 352.

J. G. de Araujo Jorge é o mais popular poeta do Brasil, de nossos dias. Seus versos multiplicam-se pelos cadernos de poesia dos jovens; são declamados em festas e recitais; difundidos em programas radiofônicos, jornais e revistas de todo o país, e, principalmente, estão na memória e no coração do povo.

Que maior glória pode aspirar um Poeta? Só Castro .Alves e Augusto dos Anjos conseguiram no Brasil popularidade igual à conquistada por esse grande poeta moço.
Ele próprio já confessou, numa trovinha:

Minha maior alegria
minha glória humilde e nua
é ver a minha poesia
fazer ciranda na rua

Lírica e social, a poesia de Araujo Jorge emociona os corações enamorados, fala à alma de toda gente porque traduz seus desejos, angústias e esperanças, e, ao mesmo tempo, indica rumos e faz-se intérprete das reivindicações de sua época.

Romântico e socialista, é o poeta moderno que interpreta seu tempo e vê sua mensagem cumprir sua missão. J. G. de Araujo Jorge compõe letras para canções e para hinos. É o poeta do seu povo.

Eis uma relação completa de suas obras:

Índice de Obras de J. G. de Araujo Jorge (clique para acessar)

01 - 1934 Meu Céu Interior

02 - 1935 Bazar De Ritmos

03 - 1938 Amo!

04 - 1934 Cântico Do Homem Prisioneiro!

05 - 1943 Eterno Motivo

06 - 1945 O Canto Da Terra

07 - 1947 Estrela Da Terra

08 - 1948 Festa de Imagens

09 - 1949 A Outra Face

10 - 1952 Harpa Submersa

11 - 1959 Concerto A 4 Mãos

12 - 1958 A Sós. . .

13 - 1960 Espera.. .

14 - 1961 De Mãos Dadas

15 - 1961 Canto A Friburgo

16 - 1964 Cantiga Do Só.

17 - 1965 Quatro Damas.

18 - 1966 Mensagem 19 -1960 Coleção Trovadores Brasileiros

20 - 1964 Cantigas De Menino Grande. 100 Trovas,

21 - 1964 Trevos De Quatro Versos . Trovas

22 - 1969 O Poder Da Flor

23 - 1942 Um Besouro Contra A Vidraça PROSA

24 - 1961 Brasil, Com Letra Minúscula- PROSA

25 - 1939 Poesias - Coletâneas

26 - 1947 Poemas De Amor-Coletâneas.

27 - 1948 Antologia Da Nova Poesia Brasileira

28 - 1961 Meus Sonetos De Amor Coletâneas

29 - 1961 Poemas Do Amor Ardente Coletâneas

30 - 1963 Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou

31 - 1964 Amor Vário Antologia Lírica.

32 - 1966 Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou

33 - 1969 No Mundo Da Poesia Crônicas

34 - 1970 Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou

35 - 1981 O Poeta Na Praça - Coletâneas

36 - 1986 Tempo Será - Coletâneas

J G de ARAÚJO JORGE FALANDO DE SI

36 - O POETA NA PRAÇA - ( 1a edição - 1981)

  Não há incompatibilidade entre o poeta e o político. Aí estão os 
exemplos no mundo contemporâneo: Lorca, Neruda, Mao Tsé-tung, 
Ho Chi Minh, Lumumba, Senghor, Agostinho Neto, Nicolas
Guilhen, poetas líricos, sociais e grandes líderes de seus povos.
Em mim, são como duas faces de uma mesma moeda.
Na Faculdade de Direito, fundei uma Academia de Letras, fui 
orador do CACO, da União Democrática Estudantil, 
(germe da UNE), presidente de Diretório, do 1o Congresso nacional
da Juventude, diretor de jornais, publiquei meus primeiros livros,
atuei em movimentos políticos e populares. 
Costumo dizer: 
"fiz curso de
Felinto Müller e do Gal. Newton Cavalcanti."
Lia Marx, Spengler, Rousseau, e Castro Alves, Alvares Azevedo,
Tobias Barreto. Em 1943, uma posição humanista: "O Canto da
Terra". Em 1947, uma definição política: "Estrela da Terra".
"Na encruzilhada de minha poesia /  Cristo e Marx se encontrarão 
e acima de tudo cantarei a liberdade" Antecipava em 30 anos a 
"Populorum Progressio", e a revolução da Igreja de João XXIII
tentando conciliar o cristianismo  e o socialismo. Quando a crítica
metia o rabo entre as pernas com medo da ditadura, e os poetas, 
como caramujos de jardim enclausuravam-se em hermetismos 
artificiais, lancei livros que o DIP apreendeu, participei de comícios
dissolvidos a bala, vi meu programa "Encontro com a Poesia" ser
retirado do ar, pelo SNI, então dirigido pelo Gal. Golberi do Couto 
e Silva, no dia do lançamento de "Mensagem".
Mas proclamava em minha poesia neo-romântica: "Não me
envergonho nunca de falar de amor"  ou , "Acima de tudo cantarei 
o amor./ O de Cristo e Confúcio, o de Romeu e D. Juan/ o de Che  
Guevara./ Botarem-me então no "índex". E passaram a coachar: 
"É o poeta das moças." E daí?  Poeta das moças,  dos moços, e com 
isto, sinto-me, como dizia Romain Roland, "um contemporâneo do
futuro".
Subestimam o leitor, o grande e insuspeito juiz. Vingam-se dos que
tem leitores, eles precisam de cicerones para poderem ser entendidos, 
e parodiam 
Édipo:  "Decifra-me, ou morrerás" Complexados. Shakespeare foi,
em seu tempo, considerado "um poeta açucarado". Baudelaire, 
  preso e acusado de imoral.  No Brasil tenho ouvido restrições a 
Vinícius porque  "desceu até a canção popular;  a Jorge amado, que
está "transigindo com o público";  Chico Buarque, classificado como
compositor  "de laboratório".
Drummond, o grande poeta, se queixa num de seus poemas da
"galhofa" de alguns. Console-se. Teria que me queixar da galhofa
maior de certa  crítica, "não-li-não-gostei" , e de certos intelectuais, 
filhos de encalhes, da poeira das estantes, e ininteligíveis ao próprio
bestunto. Neste livro reuni poemas de sentido social e político, de sete 
livros publicados e de um ainda inédito. Uma face da minha poesia.
A que sei fazer. A que, para minha alegria,  "faz ciranda com o povo
nas ruas". 
-J.G. de Araujo Jorge
Brasília, maio de 1981

Obs: Os oito livros  que compõe "O Poeta na Praça"  são:
TEMPO SERÁ - ..........( 1986).Publicado alguns meses antes da sua
morte.
O PODER DA FLOR .......(1970)
CANTIGA DO SÓ......... (1965)
MENSAGEM ..............(1966)
A OUTRA FACE.......... (1949)
ESTRELA DA TERRA...... (1947)
O CANTO DA TERRA ..... (1943)
CÂNTICOS.............. (1941)

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