Respondendo às perguntas de FHC!! Afinal, 'Para onde vamos?'!!

Irei responder a algumas das perguntas feitas pelo ex-Presidente FHC em seu artigo 'Para Onde Vamos?'. Então, vamos lá:

1) "Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada?".

R - O Congresso Nacional está discutindo livre e democraticamente os projetos de lei enviados pelo Presidente Lula. Logo, temos ar suficiente no Congresso para ser respirado e, portanto, ninguém está engolindo coisa alguma.

E pelo que se viu até o momento, nenhuma das propostas apresentadas pelos parlamentares, (tanto da base governista, como da oposição), alteram o modelo de exploração do petróleo do pré-sal elaborado pelo governo do Presidente Lula. São todas propostas cosméticas, mas que não alteram os projetos enviados pelo Presidente.

Até as empresas petrolíferas multinacionais já aceitam a mudança das regras que o governo Lula defende, dizendo que o Brasil tem, sim, o direito de ampliar a participação estatal no processo de produção do petróleo do pré-sal.

Portanto, há um alto grau de consenso político quanto às propostas elaboradas pelo governo federal para o modelo de exploração do petróleo do pré-sal, não existindo motivo algum para se postergar ou adiar a decisão a respeito das mesmas para o ano eleitoral de 2010, quando os parlamentares estarão ocupados com as eleições e permanecerão pouco tempo em Brasília.

2) "Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública.".

R - Com a mudança para o sistema de partilha, a criação da Petro-Sal, a capitalização da Petrobras e a escolha da empresa estatal para ser a única operadora do sistema, com uma participação mínima de 30% e que poderá ser muito maior nas áreas mais interessantes, com maior potencial de exploração, o Estado brasileiro ficará com 75% dos lucros gerados pelo petróleo do pré-sal. E isso permitirá que o governo passe a ter muito mais recursos para serem investidos em educação, ciência e tecnologia, combate à pobreza e meio ambiente, como estabelece a proposta defendida pelo governo Lula.

Isso mais do que justifica a adoção do sistema de partilha para a extração do petróleo do pré-sal pelo Brasil. Aliás, todos os maiores produtores mundiais de petróleo adotam o sistema de partilha e não o de concessão, que é o que defende FHC.

3) "Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou?".

R - Mesmo que o governo anunciasse o vencedor da concorrência com antecedência, esse tipo de decisão não é técnica, mas política. E a escolha tem que ser feita com base em critérios muito mais políticos do que técnicos.

Afinal, o Brasil não está apenas comprando aviões da França, mas está fazendo uma aliança estratégica com os franceses, o que vai muito além da mera compra de algumas dezenas de aviões de caça. A questão é: os concorrentes da França estão dispostos a fazer o mesmo? E se dispõem a cumprir todos os aspectos desta aliança estratégica?

Esta é uma questão de fundamental importância, sim.

Vejam o caso da Venezuela que, nos anos 1970, comprou caças dos EUA e, agora, com Hugo Chávez no poder (eleito democraticamente pelos venezuelanos), os norte-americanos simplesmente se recusam a vender peças de reposição para os aviões venezuelanos que, assim, ficam impossibilitados de voar. Foi por isso que Chávez comprou novos caças da Rússia e não dos EUA. Um país que age assim será um parceiro confiável para o Brasil neste tipo de negócio? Creio que não.

Aliás, o próprio FHC já agiu assim, politicamente, em questões de concorrência internacional, como ocorreu no caso do Sivam. Embora a proposta da empresa francesa Thomson fosse mais vantajosa para o Brasil, FHC escolheu a empresa dos EUA, Raytheon, para instalar o Sivam. Porque? Devido a fatores políticos, é claro.

Então, se FHC pôde agir politicamente neste tipo de assunto, porque o governo Lula não pode fazer o mesmo?

Aliás, qual decisão, de qualquer governo, que não se define por ser uma decisão política?

Com a palavra, FHC...


4) "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?".

R - Pelo simples fato de que a Vale possui uma parte significativa do seu capital votante nas mãos do Estado brasileiro, que é dono de 41% das ações com direito a voto da empresa (via Fundos de pensão das estatais e BNDES).

Aliás, o investidor privado com maior participação no capital votante da Vale é o Bradesco, que possui 17% das ações com direito a voto, muito menos do que o Estado brasileiro, portanto.

Mas, quem administra a empresa, estranhamente, é o Bradesco e não o Governo brasileiro, o que é um absurdo total, pois é o Estado quem detém a maior parte das ações com direito a voto e não o Bradesco ou qualquer outro investidor privado.

5) "Porque antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso...) exibindo uma candidata claudicante?"

R - Quem antecipou a campanha eleitoral foram os pré-candidatos tucanos, José Serra e Aécio Neves que, apesar de serem governadores de estado, passaram a percorrer o Brasil inteiro em atividades tipicamente eleitoreiras. Eles deixaram claro, e de forma pública, que tem, sim, a pretensão de se eleger Presidente da República em 2010. E passaram, o tempo inteiro, a agir como tal.

Serra, por exemplo, chegou ao extremo de mandar a Sabesp fazer uma campanha publicitária, no valor de mais de R$ 43 milhões, em veículos de mídia do país inteiro. Até no Acre a Sabesp fez propaganda.

Será que o sr. FHC poderia explicar qual é a ligação da Sabesp com o Acre?

Com a palavra, o sr. FHC.

6) "Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?".

R - É verdade que no Irã há forças democráticas que lutam para ampliar as liberdades no país. Mas, também é verdade que Israel é o único país que legalizou a prática da tortura e que é um país agressivo e militarista, possuindo (proporcionalmente) uma das maiores Forças Armadas do mundo e chegando até a ter cerca de 200 armas nucleares. Foi o Estado de Israel quem invadiu e atacou o Líbano, em 2006, e não o Irã.

E também foi o Estado de Israel quem roubou os territórios dos palestinos (sendo que estes vivem na região há mais de 4 mil anos), através do uso de métodos brutais e violentos, a fim de se criar o Estado judaico na Palestina.

Assim, quem é que desrespeita, mesmo, os direitos humanos e não se preocupa com a paz? Israel, é claro.

Mas, sobre os crimes e atrocidades cometidos pelo Estado israelense contra os palestinos, o sr. FHC faz um silêncio sepulcral.

Por que será, hein?

Exibições: 165

Responder esta

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço