O ovo da serpente da linguagem racialista


Por José Roberto Militão

“ PRETO é cor; a “raça” é negra”? Alimentando o ovo da serpente.

No combate ao racismo é imperiosa a desconstrução da linguagem de pertencimento racial. No espaço de uma semana, em dois tópicos, sucessivos e concorridos debates na internet sobre racismo no portal LUIS NASSIF ocorreu o uso abusivo em mais de duzentas vezes, da classificação racial dos pretos e pardos na condição racial de “negros” (`19/02, ´Preconceito sutil é mais forte e perpetua o racismo´; e 18/02, ´O DNA dos “Negros” e Pardos brasileiros´,)  http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/preconceito-sutil-e-mais-f....


Ficou obvio o uso da linguagem racialista é fonte do racismo que queriam combater. O perfil dos debatedores, sem dúvida, é de humanistas não racistas. A maioria reconhece a contundência do racismo sutil, tão bem exposto no texto de ANA MARIA GONÇALVES denunciando o cartunista ZIRALDO, com provas textuais, da prática do racismo na linguagem que uniu, com o intervalo de um século, dois expoentes da literatura infantil: ZIRALDO do sutil ´Menino Marron´ resolveu sair às ruas no carnaval de 2011 determinado a propagar a defesa pública da literatura com odiosa pregação racista e eugenista de MONTEIRO LOBATO, mentor intelectual de um plano de genocídio da raça negra proposto no livro ´O Presidente Negro´, a “solução final” para erradicar a “raça inferior”. http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id....

Na condição de escritores para crianças, ambos utilizaram com maestria da poderosa arma da linguagem para a sedução às suas crenças, da fértil mente e frágil alma. ARISTÓTELES, em a Política, afirma: somente o humano é um "animal político", isto é, social e cívico, porque somente ele é dotado de linguagem. Os outros animais possuem voz e com ela exprimem dor e prazer, mas o humano possui a palavra (logos) e, com ela, exprime o bom e o mau, o justo e o injusto. Exprimir e possuir em comum esses valores é o que torna possível a vida social e política e, dela, somente os humanos são capazes. É isso: a linguagem capacita o homem, para o bem ou para o mal. A identidade política da ´raça negra´, em vez da cor preta, expresso no slogan, é uso perverso e irresponsável da linguagem que consolida a crença racial, semente de mais e mais racismo. Qualquer identidade racial é odiosa.

No combate ao racismo é essencial o pressuposto da igualdade humana a partir da única espécie humana. Consiste, ainda, na negativa, reiterada, de qualquer ´raça´ humana.

(continua...)

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-ovo-da-serpente-da-lingu...

 

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Respostas a este tópico

 

     CLÁUDIA,

     vamos então aos filólogos. Talvez voce possa nos trazer luzes, já que não é minha seara. Já obtive maniestações de linguistas no sentido que não são sinônimas, pois se fosse, o MARQUEZ DE POMBAL não teria escrito na lei de 1755 (Directório do Índio): a designação aviltante, degradante e infamante de ´negro´ fica reservada aos ´pretos´ da COSTA D´ÁFRICA.

     Ora a cor ´preta´ não contém em si tais ´qualidades´ negativas atribuidas às pessoas designadas por ´negro´.

 

     Por conseguinte, salvo engano, na época da construção social da ´raça negra´, a palavra ´negra/o´, na língua portuguesa, não era sinônima da cor preta/preto.

 

     Não que seja tão relevante, pois a minha questão é a construção racial da classificação da ´raça inferior´. Marilena Chaui diz que a origem da palavra é do grego ´ne´krós´, a mesma raiz de necrotério, necrose, necrofilia, necrófago, sempre ligada ao que não tem vida.

      CALDAS AULETE remete ´negro´ ao latim ´nigrum, niger´, e a maioria das definições não remete a cor mas a uma situação trágica, degradante, sempre negativa. Com mantém o mesmo sentido do grego ´nekrós´, portanto, a provável fusão do grego para o latin, em que prevalece a origem grega.

 

    Nas frases, fora do sentido racial, não pode substituir ´negro´ por preto pois perde-se o sentido:  "Pois que chuva e negros ventos (pretos ventos) me fecham a porta e o dia." (Nicolau Tolentino)

 

    ´Negra´conforme AULETE:

(ne. gra) [ê]

sf.

1. Mulher de pele negra.

2. P.ext. Mulher escrava.




3. Em jogos de vários empates, a última partida, em que se define o vencedor.

4. Lus. Garrafa muito escura de vinho.


     Na definição de cor ´negro´:

 

7. Diz-se do que é escuro, tirante a preto. Ou seja, ´escuro´ menos o preto e o cinza.

 

(ne.gro) [ê] - CALDAS AULETE:

sm.

1. A cor do carvão, do piche, do ébano; PRETO.

2. Indivíduo de pele escura; PRETO.

3. Escuridão, trevas: o negro da noite.

a.

4. Que é da cor do carvão, do piche, do ébano (olhos negros).

5. Diz-se dessa cor: pedra de cor negra.

6. Que tem a pele escura.

7. Diz-se do que é escuro, tirante a preto, cinzento; que causa sombra, que traz escuridão; tempestuoso (negras nuvens): "Pois que chuva e negros ventos me fecham a porta e o dia." (Nicolau Tolentino)

8. Pej. Que anuncia infortúnios; infausto; adverso, funesto (negra sina, negro fado): Um negro destino o aguardava

9. Que se acha sujo, encardido: As crianças voltaram da rua com as mãos negras.

10. Pej. Horrendo, execrável, maldito, pavoroso (negra traição, negra morte)

11. Ópt. Que absorve toda a radiação luminosa incidente e visível.

Aum.: Aum.: negraço, negralhão, negralhaz. Dim.: Dim.: negrilho, negrote. Superl.: Superl.: negríssimo, nigérrimo

 

     No mesmo AULETE:

(ne.cro.man.ci.a)

sf.

1. Arte de evocar os mortos ou predição do futuro mediante esse contato.

2. Feitiçaria, magia negra.

[F.: Do gr. nekromanteía, as. Tb. nigromancia (var. pop.).]

 

      Agradeço se trouxer novas luzes, já que na questão da linguagem a origem da palavra é relevante.

 

abraço,

Militão

Militão

Onde está a coerência?

Mulato vem de mula. Por que não mudar também?

Cara, negro é sinônimo de preto, pelo menos na língua portuguesa, e segundo o Aurélio.

A origem de uma palavra não é motivo para se trocar por outra.

 

       ORLANDO, meu prezado.

 

       ´Mulato´ não vem do animal ´mula´. Ambos tem a mesma origem de linguagem ´racial´, significam o mestiço, a mistura de ´raças´.

        Em seu significado moderno comum, é o indivíduo híbrido resultante do cruzamento de um jumento, Equus asinus, com uma égua, Equus caballus. É indivíduo ´híbrido´, pois as espécies asinus e caballus possuem pares de cromossomos diferentes: são ´raças´ diferentes. Em razão disso são gerados ´mestiços´ como a ´mula´ é estéril.

 

        Embora seu uso seja antigo, os gregos já utilizavam e os árabes também em "muwallad", que significa mestiço de árabe com não-árabe, a qual deriva de "walada", gerar, parir, a verdade é que o racismo também faz uso para legitimar-se: ´multato´ significa mistura de ´raças´. O que não é verdadeiro.

 

       Ao compreender isso e pelo rigor da linguagem contra o racismo, deixei de empregar a designação ´mulato´ e ´mestiço´ para humanos, em razão de uma obviedade: não somos mestiços, pois nós não temos raças. Nós, humanos, eu, você, N. ALMEIDA, LUZETE, CLAUDIA, SIMONE, todos podemos ser e podemos gerar filhos miscigenados.. ou seja, com mistura de genes, não de ´raças´.

 

       Entendeu? O poder da linguagem não é tão bizantina quanto desejam... é relevante.

bye, Militão.

Prezado Militão

[[[...Entre todos esses termos, uma coisa eles têm em comum, buscam definir o resultado da junção de elementos díspares. A mistura de um café-com-leite dará um novo elemento; gerara uma cor análoga, resultado da fusão do branco com o negro. A minha intenção em escrever este texto é mostrar que muitas coisas que sabemos foram manipuladas com a pura intenção de organizar e estabelecer as regras do poder vigente; e que a verdadeira origem das coisas não é o mais importante para os homens que com suas bandeiras ocupam territórios em busca da sobrevivência e de poder. Um exemplo disso é lê num dicionário que a etimologia da palavra mulato vem do espanhol: ( esp. mulato (1525) 'macho jovem', por comparação da geração híbrida do mulato com a do mulo, de mulo (1042) 'macho'; ver mu(l)-Dicionário Houaiss). Mas por que o termo mulato tem origem no espalhol? Por que o mulo (burro) é mulato? Porque o burro é filho do cavalo com a jumenta, e o tadinho do burro nasce estéril. Mas os mulatos não são estéreis, ou o são? Então quer dizer que os filhos dos mulatos são na verdade filhos dos Ricardões! Portando, o que importa para os etimologistas, não é a origens dos nomes, mas, fazer um arranjo que possa compor uma verdade. Eu poderia dizer que a palavra mulato é uma combinação de um antepositivo da raiz mu (mutus: privado de palavras), com o adjetivo lato (do latino latus: largo, amplo.); e o termo mulato ficaria assim : uma grande mudez. Mas peço que não me leve a sério. É brincadeirinha. Foi sem querer querendo!...]]]

 

http://aduverbis.blogspot.com/2008/12/blog-post_03.html

 

Um abraço

 

 

     ORLANDO,

     pare de viajar, nosso tempo é precioso... Enfim, ´mulato´ não vem de ´mula´ nem de ´mulo´. Refere-se sempre, a idéia de mistura de ´raças´ ou o cruzamento de pessoas locais com estrangeiros (árabe).

 

      Por ser palavra criada nos tempos antigos em que não se tinha o conhecimento biológico e genético de hoje, é razoável que traga uma carga de desinformação e preconceito que hoje não podemos admitir.

      O conhecimento exige que seja aplicado pelo bem da humanidade.

      O texto que você linkou diz exatamente isso. Mulato é mestiço, e, como somente cruzamento de ´raças´ geram mestiços, não existem nem ´mulatos´ nem ´mestiços´. Somente miscigenados.

 

      Portanto, deixemos o ´mulato´ em paz, e em vez de assim designa-los, refira-se ao humano da cor parda, ou afrodescendente. Também não queira manipular as estatísticas, como fazem os racialistas: para engordar a ´raça negra´, somam aos pretos, os pardos, mulatos, escurinhos, mesmo que sejam filhos de branca(o) com preto (a).

 

     Para fins demográficos a correta identifação é pretos e pardos, brancos, amarelos, vermelhos que são as cores naturais da também natural melanina. Os pretos e pardos são os afrodescendentes ou afro-brasileiros, portadores de maior quantidade de melanina marron.

 

      A questão do uso de ´afrodescendentes´ ou afro-brasileiros, também merece uma defesa: é uma identificação de origem territorial, que utilizada, define bem o tipo de pessoa de quem falamos e não tem nenhuma conotação ´racial´.

 

     Se disser para minha mulher que estou debatendo com o ORLANDO, um afro-brasileiro de 45 anos, ela já tem idéia de quem estou falando. Se eu disser que CLAUDIA é uma jovem branca, loira, idem. Portanto, podemos muito bem identificar o tipo físico da pessoa, como ser humano, sem nenhum recurso ´racial´. Para isso o uso correto da linguagem.

 

     Não tenha vergonha de tua cor. Nós somos pretos ou pardos, assim como os brancos são brancos. E outra coisa: pare de ficar repetindo bobagens de pessoas ignorantes que falam essas asneiras de ouvir dizer. Mulato não é oriundo de ´mula´. Até na audiência pública no Senado da República, teve um militante profissional fazendo essa intervenção o que gerou um bate-boca, constrangedor e ainda foi qualificado de ignorante, envergonhando a todos.

 

   Como mulato não vem de ´mula´, acho que vc. nos deve um pedido de desculpas por afirmar tal bobagem. Afinal não é a primeira vez que você escreve essa absurda estupidez, dentre tantas outras.

 

bye

 

    Cláudia,

    Eis o ´x´da questão. Toda a minha preocupação é impedir que o estado e as instituições não utilizem ´negro´ como identidade racial.

 

    E o que você pede é exatamente isso: leis e cotas raciais. O estado legitimando a manipulação da soma de pretos e pardos = negros (aliás por isso não são sinônimas) pois senão o resultado não seria o mesmo.

 

    Nos EUA onde leis e cotas raciais foram empregadas, produziu-se o chamado niilismo social dos afro-americanos. Os dados estão no post original.

    Portanto é uma não solução. Leis e cotas, significa, simplesmente, conviver com o racismo, jamais erradica-lo. Porém, produz a peda da auto-estima dos designados pertencentes à ´raça´ que o racismo diz ser a ´raça inferior´, já que essa designação racial viola a dignidade humana, especialmente das crianças e adolescentes.

    Veja no Google: vídeo das crianças pretas e bonecas. É uma triste realidade: a auto- rejeição daquela ´imagem´ que você tão bem identifica como degradante. A criança não quer pertencer e não gosta da imagem da ´raça negra´.

 

abraço,

Militão

"Eis o ´x´da questão. Toda a minha preocupação é impedir que o estado e as instituições não utilizem ´negro´ como identidade racial".

Devo entender então que você se opõe a nomes ( não confundam com as intenções) oficialmente difundidos como Estatuto da Igualdade Racial, ou Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Instituições para promover a igualdade do que não existe, as raças, a não ser que se creia na tese da existência real das raças, sem respaldo da ciência, com base na sua construção ideológica, de reforço das crendices, por parte de movimentos políticos, de frações da academia, das correntes que você identifica como racialistas.

Usar no vocabulário do espaço republicano ou da academia, termos como classificação, identidade e, com todas as boas intenções possíveis, igualdade racial seriam, além de contrassenso, no sentido de se referir ao que não existe, instrumentos de perpetuação do racismo. Seria isto?

 

Neste caso, o racialismo lembra um pouco o darwinismo social; mas enquanto este último "biologiza" as ciências humanas com uma tese cientificamente aceita no seu campo de origem, o outro parte do mito para reconstruí-lo "cientificamente" como ideologia. Devo dizer que considero ambos moralmente indigentes e inaceitáveis; mas o racialismo se supera, não percebe - ou não quer perceber - a chance de ouro que o fim do mito das raças representa, prefere recriá-lo como "ciência" social para agir nos movimentos "social/político/ideológico", e assim atinge também o plano da indigência intelectual; para eles recomendo: vade retro.

 

Para você, um abraço.

 

      É issso ALMEIDA.

      Participei ativamente para retirar da lei do ´Estatuto da Igualdade´ o adjetivo  ´racial´ desnecessário e impertinente mas ficou no título da lei 12.288/10.

 

      Aleguei aos nobres parlamentares - fui expositor na Câmara e no Senado em audiências públicas - que assim como não podiam legislar sobre o ´ET de Varginha´ que o povo de lá acredita, também não poderiam legislar sobre ´raças´, que conforme o ORLANDO, o povo crê, embora não existam nem ´raças´ nem ETS,

       Na negociação até da redação final que resultou na lei 12.288/2010, conseguimos barrar as maiores barbaridades, como a previsão de ´cotas raciais´, e amenizar o texto racialista, porém, não foi possível negociar o ´nome´, pois o movimento negro, a SEPPIR e o Senador PAIM diziam que seria confessar uma derrota total e eles precisavam anunciar uma vitória com a conquista da lei.

 

        Observo que fui o relator na OAB/SP em 1996, do primeiro ante-projeto que resultou na lei do ´Estatuto da Igualdade´ e ele não era racial, era um código de PROMOÇÃO DA IGUALDADE, ou seja, recomendando política públicas de Ações Afirmativas sem a segregação de direitos em bases raciais. Essa alteração se deu no Senado, pois o Senador Sarney tinha um projeto de ´cotas raciais´ em vestibulares e concursos públicos de 1997 e foi integrado ao ante-projeto original.

 

     Enfim, é história, conseguimos o principal e perdemos no acessório.

abraço, Militão.

 

    CLAUDIA,

    eis o que penso: nãohá nenhuma paradigma positivo do uso da raça estatal.

 

    em síntese, está no artigo do post principal. O estado não tem o direito de ensinar a ´diferença´ racial é ensinar o ódio entre humanos que de fato são iguais:

" O resultado desse ovo da serpente com a crença ´racial´ e atitudes racistas, de lado a lado, será a violação da dignidade humana dos afro-descendentes, especialmente das crianças e adolescentes que aprendem e não acatam o pertencimento a uma ´raça inferior´. É o que se revela na tragédia social que está afetando aos afro-americanos, conhecida como o niilismo social, denunciada por intelectuais como THOMAS SOWELL, CORNELL WEST, KELVIN GRAY e BARACK OBAMA: neste 2.011, nos EUA, com um presidente afro-descendente, de 40 milhões de afro-americanos, 2,5 milhões de afro-americanos estão nas prisões ou sob custódia da justiça, ou seja 6% da população afro. Embora sejam apenas 12% da população, representam 65% dos presos. Entre os jovens de 16-28 anos a tragédia tem dimensão absurda: 50% dos jovens, do sexo masculino, estão presos ou cumprindo sentenças criminais. Entre a meninas, a gravidez adolescente, as afro-americanas representam 70%. Tais números revelam um futuro desastroso para os afro-americanos. Nós não podemos desejar isso a nossos filhos e netos.

Em vez de ensinar o ódio, devemos lhes ensinar o amor, conforme NELSON MANDELA: "Ninguém nasce odiando outra pessoa  pela cor da pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela)"

Militão

Você é mestre em tirar frases de seu contexto original, em especial, de pessoas negras: Martin Luther King, Malcom X etc.

Mandela começou começou na luta armada no CNA. Uma de suas frases é: "Não há caminho fácil para a liberdade".

[[[...Em 1961, Mandela tornou-se comandante do braço armado do CNA, conhecido como "Lança da Nação". Passou a buscar ajuda financeira internacional para financiar a luta. Porém, em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, por incentivo a greves e viagem ao exterior sem autorização. Em 1964, Mandela foi julgado novamente e condenado a prisão perpétua por planejar ações armadas...]]]

 

http://www.suapesquisa.com/biografias/nelson_mandela.htm

 

Um abraço



 

 

         ORLANDO,

 

         A tua citação da biografia de MANDELA estão corretas, e isso valoriza ainda mais, o que disse em seu discurso após 27 anos de prisão. Ele não queria o ódio, nem a divisão ´racial´, queria ensinar o amor e não o ódio, a divisão, a diferença.

 

          ORLANDO, tenho o mais profundo respeito por MANDELA cujas palavras e exemplo de vida tenho procurado praticar na luta contra o racismo. O fato e a honra de ter sido, com minha mulher, um dos cinco casais de afro-brasileiros que almoçamos com ele e Winnie, no Palácio Bandeirantes, a convite do governador Fleury, eu era um dos membros do comitê de mobilização e recepção de Mandela.

 

         Segue, tradução do ´google´ de sua auto-defesa em 1964 no processo em que foi condenado à prisão perpétua. Ele não praticou violência nem o ódio racial.

          No link tem a versão original, mas vai aqui um trecho que responde a tua insinuação de que ele considerasse o uso da violência de forma que não fosse política: a violência como resposta à violência.

          De qualquer forma, considerando as condições da época, da África ainda colonial, das guerras pela independência, da guerra-fria, da segregação racial ainda vigente nos EUA, trata-se de um documento político monumental.

 

          A famosa frase ´podemos ensinar a amar´, vem coroar uma das maiores obras de um humanista de todos os tempos, talvez, sem exagero, no mesmo nível dos sermões de Jesus: obra-prima.

 

          Dizia MANDELA em sua auto-defesa diante de um estado que impunha opressão e terror:

" Eu e os outros que começaram a organização, o fizemos por duas razões:

 Em primeiro lugar, acreditamos que como resultado da política do governo, a violência do povo Africano tornou-se inevitável, e que a menos que uma liderança responsável foi dada para canalizar e controlar os sentimentos de nosso povo, não haveria focos de terrorismo, que iria produzir uma intensidade de amargura e hostilidade entre diferentes raças deste país que não é produzido ainda pela guerra.

 

 Em segundo lugar, nós sentimos que sem violência não haveria caminho aberto para o povo Africano para ter sucesso na sua luta contra o princípio da supremacia branca.

Todos os modos legais de expressar oposição a esse princípio havia sido fechada pela legislação, e fomos colocados numa posição em que tínhamos tanto para aceitar um permanente estado de inferioridade, ou a desafiar o Governo.

   Primeiro quebrou a lei de forma a evitar qualquer recurso à violência, quando esta forma foi legislado contra, e depois o Governo recorreu a uma demonstração de força para esmagar a oposição às suas políticas, só então decidimos responder à violência com violência...

 

(...) Fizemo-lo não porque tal curso desejado, mas unicamente porque o Governo não nos tivesse deixado com nenhuma outra escolha. No Manifesto do Umkhonto publicado em 16 de dezembro de 1961, que constitui o Anexo AD, nós dissemos:

"A tempo na vida de qualquer nação, quando restam apenas duas opções - a submissão ou a luta. Esse tempo chegou à África do Sul. Ou não nos submetemos ou nos apresentamos à luta e não temos escolha a não ser bater de volta por todos os meios ao nosso alcance no defesa do nosso povo, o nosso futuro e nossa liberdade ".

 

http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.historyplace.com/speeches/mandela.htm

 

http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.historyplace.com/speeches/mandela.htm

 

 

 

Boa tarde Cláudia!

A proposta do Militão, com efeito, é politica e, sobretudo, na verdade, propõe deixar as coisas como estão para ver como é que ficam. Além disso, o Militão tem um discurso aculturado por todo o imaginário de "democracia" étnica brasileira. Na verdade, ele é um produto, acabado e sofisticado [culto e educado no sentido formal/acadêmico], da tentativa eugenista de branqueamento do início do século passado.

No entanto, o Militão não fala pela maioria dos negros brasileiros que, grosso modo, discordam de seu discurso e de suas companhias  - Magnoli, Kamel, Yvonne Maggie, Peter Fry e outros que, antes do Estatuto, nunca se manisfestaram a favor ou contra os negros. Ou seja, ignoravam a situação indigente do negro brasileiro.

Só haverá convivência se houver condições socioeconômicas para esse convívio. E, infelizmente, na base da pirâmide sócio econômica  o negro não terá condições de  mobilidade  econômica  e tampouco social - se não houver mecanismos específicos para que o negro ascenda social e economicamente. Concordo com você, esses mecanismos deverão ser usados por período pré determinado.

Fazendo um paralelo com o gênero, no caso a mulher, vocês, não queriam com a liberação feminina, nos anos de 1960, “provocar o ódio masculino”, mas almejavam que a mulher tivesse, de fato, os mesmos direitos que o homem. Do mesmo modo, ao contrário do que o Militão prega, nenhum negro quer criar uma situação de confronto entre negros e brancos no Brasil. Quanto à separação ela já existe, pelo menos, no contexto socioeconômico.

Militão escreveu no blog dele ontem, 17/03: “ORLANDO quem propõe leis raciais admitindo uma desigualdade presumida com classificação jurídica racial é racista e nazista. DEMÉTRIO está correto em dar o nome aos bois. Sinto-me confortável com essa adjetivação.”.

O discurso dele [Militão] é semântico, pois, ele usa “raça” de forma ambígua. Por um lado não existem “raças” e por outro lado o discurso “racialista” [sic] é responsável pelo racismo. De fato, a construção - ideológica e politica - eu não chamaria de “raças”, mas a construção de "comunidade de excluídos": negros, índios, homosexuais, “gordos”, “feios” etc., tem toda uma dinâmica que é impossível ser acompanhada ou contida. Portanto, abolir, por decreto, os tais termos “racialistas”, como quer o Militão, não acabará com o racismo e, tampouco, impedirá as pessoas de usá-los. É muito mais complexo do que isso.

Militão quer que, nós negros, em função da palavra negro estar estigmatizada com o significado de escravo, a troquemos por preto [muito mais ofensiva, para os negros no Brasil, do que negro]. Para sermos coerentes com o argumento do Militão, deveríamos mudar mulato, que significa mula para qualquer outra palavra.

Nós, seres humanos, somos diferentes. E isso só nos engrandece e enriquece culturalmente. Diferentes mas com direitos iguais. Diferentes mas tratados com o mesmo respeito. E não iguais mas tratados como diferentes e inferiores.

Lido com a realidade e acho que, se não houver os tais mecanismos de reparação para com o negro, nada mudará. Militão, como todo o politico, tem talento para falar e não dizer nada.



Um abraço

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