Sirkis conta como entrou na

Luta Armada contra a Ditadura

 

Alfredo Sirkis treinando na clandestinidade - luta armada - guerrilha

Sirkis treinando na clandestinidade

 

Alfredo Sirkis pode ser considerado um homem de muita sorte. Pois, foi um dos poucos militantes das organizações de Esquerda armada que lutaram contra a ditadura que não foi ferido, torturado ou preso. Sirkis participou de um dos grupos de Esquerda mais procurados do país, a VPR, deCarlos Lamarca. Seu livro, Os Carbonários, é ótimo para quem gostaria de entender como funcionavam as organizações clandestinas daquele período. No trecho abaixo ele conta como foi sua entrada para a guerrilha; a dor ao saber da morte dos companheiros e como escapou de uma blitz da OBAN. 

 

JUVENAL E AS FERRAMENTAS

Tinha quase um metro e noventa. Desengonçado, braços muito compridos, magro, com uma discreta barriguinha que lhe estufava a camisa à frente. Meio curvado, tinha uma cara como que talhada em madeira: nariz reto e pontiagudo, maçãs e queixo salientes, olhos escuros e um bigode negro, elegante, da mesma cor do cabelo, onde já apareciam, aqui e ali uns fios prateados. Tinha uns quarenta anos.

Mineiro, muito tímido, jeito de filho de pastor protestante, que realmente era. Tratava todo mundo de professor e tinha um fino senso de humor, às vezes pouco perceptível, Nada poderia corresponder menos à imagem que tínhamos do famoso Juvenal-grande-quadro-da-organização. Passada a primeira decepção de quem esperava um atlético Che Guevara, terminamos nos afeiçoando muito ao bom mineirão.

Era muito procurado pela polícia, mas tinha o ar menos suspeito desse mundo, Rodava pela cidade, de ponto em ponto, com seu volks bege clarinho, e sempre nos recebia, naquele posto de comando ambulante, com o mais terno dos sorrisos:

— Como vai professor, tudo bem?

Alex se ligou a ele de tal maneira, que passou a tratar todo mundo de professor, a cometer os mesmos erros de dicção — pobrema em vez de problema, e outros — e a usar algumas das suas expressões, particularmente aquela com a qual, candidamente, evitava todos os palavrões: “é fogo, velho”.

Juvenal, junto com a companheira, Lia, tinha organizado a COLINA no Rio e acompanhara os sargentos Lucas e Viana nas suas primeiras ações. Tinha sido da direção da VAR, mas declinara de participar do comando nacional da VPR, que na época era composto apenas de três pessoas: Lamarca, Jamil e Lia. Preferiu assumir a formação da segunda unidade de combate da organização no Rio. A primeira, o Comando Lucas, formado dos veteranos dos GTAs da velha VPR e da COLINA, operava freqüentemente. Naqueles dias tomara um posto da Aeronáutica, perto da Av. Brasil, capturando três fuzis M-1 e algumas fardas.

 

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Sirkis e Minc e Gabeira e a utopia revolucionária germinada dentro da elite estudantil-social cuja representação concreta era a Escola de Aplicação, escola secundária mantida pela Faculdade de Filosofia da UFRJ.

Outras brincadeiras, outros papos. Molecada de 13, 14 anos, lendo Bakunin, O Manifesto, Che, Ho, Mao... o couro engrossado pelo exercício da porrada livre e da zoação livre, sem intermediação de pais, mestres e apartadores de briga. Línguas afiadas na chapa quente da discussão política, sem frescurites, sem cordialidades neutras, sem medo dos guardiões da convivência hipócrita, do debate dentro dos limites do “respeito” e da “tolerância”.

Ressalta-se também uma pulverização dos ME, que é desunião de ME’s sob influência de linhas de esquerdas desunidas e principalmente saindo da bitola organicista do partidão. Contrapondo-se ao desentendimento entre as esquerdas, a direita que sempre soube se identificar entre si e de se unir em momentos estratégicos, como ocorreu aqui, no Chile, na Argentina, no Uruguai, na Bolívia... e como aqui nesta comuna blogueira, em que se assiste a um nítido processo de atração mútua, de imantação, de concordâncias comuns e apoios comuns sobre temas diversos. Uma “qualidade” da direita. O descarte da filosofia e a repulsa ao estético impõem parâmetros discursivos em nome da panacéia que se convenciona denominar “conhecimento”, seriedade, cordialidade... e adaptem-se camaleoas.

Age of innocence... O tiro no peito de Getúlio e o tiro na cabeça de Allende traçaram um ciclo de “maturidade” das forças de direita, não permitindo mínimas frestas a políticas com o mínimo de direção “popular” (que logo “vira” populista, comunista...), mídias sempre a serviço de oligarquias rurais ou industriais, classe média sempre atrelada a fantasias moralizantes, teológicas; forças armadas sempre sendo “forçadas a contragosto” em intervir pra restaurar a normalidade democrática. Por trás de tudo, tio Sam apontando o dedo: “I Need You”.

Sirkis tem história, como Minc. O discurso em cima de uma Kombi velha pra dois operários cavando valeta e a presença física da morte sob tortura talvez tenham causado sequelas permanentes, cicatrizes que não fecham. Reconhecem que a guerrilha estava perdida por antecipação exatamente porque nasceu no Colégio – e revolução não se aprende (só) no colégio – pra enfrentar impérios e assassinos profissionais. Fazem hoje resistência pontual, dirigida, em cima de temas específicos e tentando estabelecer vasos comunicantes entre as diversas alternativas de resistência política e cultural. Mais uma vez, a sempre nova-velha questão: unidade e apropriação das ferramentas contemporâneas de comunicação; que a direita sabe manipular como ninguém. E mais uma vez, como estabelecer contatos de terceiro grau com o sambão (ou hip hop ou axé) que roncam pelas avenidas. Trabalhos sobre a forma não significa formalismo, mas o reconhecimento da necessidade de produzir linguagens... maiakovisquianas.

Alegria Alegria sempre, sim às utopias e bom humor na veia. Direita detesta isso tudo, logo se juntam pra por ordem na bagunça e desatravancar o progréssio.
Ótima análise que você fez. Muito boa mesmo. A divisão sempre foi um grande problema das esquerdas.

um outro material muito interessante se refere aos manuscritos de Grabois, revelados há pouco tempo. a CC faz uma entrevista com lucas figueiredo, responsável pela divulgação deste material. vale a pena ser lido. e não dá mesmo para negar: uma utopia. sonhadores. e talvez não saibamos avaliar o quão importante foram neste forjar da nossa consciência política. sem dúvida, apesar de tudo, da derrota, devemos a eles um cadinho do que somos. do que o Brasil é, naquilo que ele tem de luta por justiça social.

 

Exclusivo: O diário do Araguaia

Redação Carta Capital

Em entrevista, o jornalista Lucas Figueiredo, um dos mais brilhantes repórteres investigativos do País, fala dos manuscritos de Maurício Grabois, líder da guerrilha, revelados na próxima edição de CartaCapital e que foram mantidos sob sigilo pelo Exército por 38 anos.

Durante 605 dias, o Velho Mário, nome verdadeiro Maurício Grabois, dirigente histórico do PCdoB e líder da Guerrilha do Araguaia, registrou em diário a saga dos 68 combatentes que se isolaram na Amazônia com o propósito de tomar o poder dos militares. Entre registros factuais e impressões pessoais, o comandante escreveu mais de 86 mil palavras até ser executado pelos militares em 25 de dezembro de 1973. O diário foi recolhido pelos seus algozes e, posteriormente, copiado em forma de documento digitado e guardado na grande gaveta de papéis secretos do Exército.

O mistério acabou. CartaCapital obteve uma cópia integral do diário. Trata-se de uma visão particular de Grabois, quase sempre sozinho a anotar os momentos de angústia e tensão na mata. Em entrevista, o jornalista Lucas Figueiredo, autor da reportagem de capa da edição que chega às bancas a partir desta quinta-feira 21, fala sobre o diário, cuja íntegra original pode ser lida aqui e uma versão explicativa, aqui.

CartaCapital: O que mais chamou a sua atenção no diário de Grabois?

Lucas Figueiredo: Esse diário é o registro histórico mais aprofundado da Guerrilha do Araguaia. O documento possui mais de 86 mil palavras. Para se ter uma ideia, o texto digitalizado completou 150 páginas de tamanho A4, que cobrem 605 dias de conflito. Além de lançar luzes sobre esse episódio nebuloso da ditadura, o documento é uma peça valiosa por incluir o relato pessoal de Grabois. Toda a sua dor, angústia, solidão, saudades da família estão contempladas no texto, que revela o lado humano do guerrilheiro.

 

Obrigado Luzete
Taí, mano
Em destaque e aberto à visitação.
Enfia foto, texto, desenho, discurso, tudo!
Marshall McLuhan voltou com tudo! Quem não se comunica se trumbica!
Vai pra cima, vamos pra cima, eles vêm pra cima.
Pau neles!

Foi você que colocou o post em destaque? Muito obrigado! :)
Os malucos iam pra Perpignan, pra Marselha, pra Francia, um morro e a vida, como em A Noviça Rebelde. O amor na guerra, o tesão de olhar uma flor da própria Pátria, um pássaro armando voo. Estalinistas, trostsquistas, anarquistas, republicanos, camponeses, operários, mulheres e crianças... Que lindo (e triste) êxodo debaixo do Sol que queimava a cara, o Sol que veio de Marrocos sob a forma de morte.

No pasarán? Passaram feito trator, como passam hoje, como passam enquanto Paulão K está silencioso, como se o mundo fosse deles. Não será!

Acorda, Lobo, o legítimo Lobo predador e solitário. Um lobo com K! Uiva por nós!

Não, não mesmo.
Foi por mérito próprio, reconhecimento, sinceridade.
Se eu tivesse como destacar, só destacaria os meus, hahá!
Valeu, pra cima e abraço.
Veja meu novo post. É sobre a História das FARC http://www.comunistas.spruz.com/pt/A-Historia-das-FARC/blog.htm
Pra cem Curiós, um Durrutti.
Pra mil Médicis, um Giap.
O jogo tá equilibrado. Não a arrependimentos, sim ao sim.
O profissionalismo Montonero, descendo aos metrôs pra paralisar Buenos Aires.
A coragem desesperada de disparar de um fusca contra brucutús.
A loucura milimétrica de explodir um bueiro pra mandar Carrero Blanco pro espaço.
A ousadia, o foda-se, a História...

Zhu De ou Chu Teh (Yilong, Sichuan, 1 de dezembro de 1886 - Pequim, 6 de julho de 1976).
Comunista, fundador do Exército Vermelho Chinês, precursor do Exército de Libertação Popular. Projetou a Revolução que deu origem a República Popular da China.

Em 1927, com Zhou En Lai, inicia o levante de Nanchang, a semente do Exército de Libertação Popular. Derrotado, Zhu De conduziu suas tropas ao sul, unindo-se à guerrilha de Mao Zedong.

Torna-se comandante-em-chefe das forças comunistas, posição que ocupou durante a Segunda Guerra Mundial e a luta contra o Partido Nacionalista, o kuomintang, até 1954. Juntamente com Mao, Zhu De conferiu conceito estratégico à guerra de guerrilha.


Nguyen Giap
Em 7 de maio de 1954 o exército colonial francês sofre derrota histórica no Vietnã, no vale de Dien Bien Phu, pela guerrilha Vietminh.

O alto-comando francês se rende a Nguyen Giap, dos nomes mais marcantes das guerras anticolonialistas da história do século 20.

A fila de soldados que se rendiam. Debilitados pelas febres, exaustos das noites mal dormidas, sombras do orgulho colonial francês. Aos 7 de maio de 1954, o coronel Christian de Castries, comandante da guarnição-fortaleza Dien Bien Phu, depôs as armas.

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