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SÓ PESSOAS FRUSTRADAS VOTARIAM NA CHAPA BOLSONARO-MOURÃO
Não se observa nenhuma qualidade pessoal, política ou moral dos candidatos citados que possa levar uma pessoa normal a escolhê-los para o comando do país. Como explicar, então o alto percentual de votos com que essa chapa aparece nas pesquisas eleitorais?
A explicação é simples, a maioria dos eleitores que escolheram essa chapa o fizeram como um ato de protesto e decepção contra a incapacidade do sistema político de dar respostas adequadas às demandas destes eleitores, de melhor nível de instrução e de renda superior à média, em relação ao caos urbano que tomou conta do país, o aumento da violência, as dificuldades de mobilidade, a estagnação da renda, o crescimento do endividamento etc. As pessoas estão decepcionadas e sem terem a quem recorrer.
Por serem politicamente despreparadas, imaginam que escolher candidatos inexpressivos pode não somente servir como um sinal de protesto, como abrir a possibilidade de uma reconstrução do sistema a partir do zero, através da possibilidade do poder político ir parar nas mãos dos militares.
Os meios de comunicação muito têm contribuído para a geração desse ambiente de desesperança e revolta, especialmente com base nas campanhas anticorrupção, que não deixam quase nenhum político a salvo de ser denunciado por ter metido a mão no dinheiro público.
Ora, essas campanhas procuram mostrar que o principal problema do país é a corrupção. Sendo esta, a causa da falta de recursos que impede resolver todos os problemas que afetam a qualidade de vida desses segmentos.
É uma resposta simples para uma questão complexa, que tem a virtude de organizar e mobilizar facilmente ditos segmentos para campanhas vingativas contra o sistema político.
Mais grave ainda é que o citado sistema politico possibilitou o acesso das faixas mais pobres da população a benefícios públicos, contribuindo para maior carência para atender às demandas desse segmento da classe média, o que não deixa de ter um fundo de verdade.
Sob o comando dos meios de comunicação, cria-se no imaginário dessa classe média a impressão de que a corrupção e a orientação dos recursos públicos para melhorar as condições de vida dos segmentos mais pobres são apenas dois aspectos de uma mesma realidade, cuja ação conjunta desloca recursos públicos para finalidades outras que o atendimento das demandas dessa mesma classe média.
Fica, dessa maneira, criado o ambiente para a radicalização política da classe média, dirigida ao sistema político e, especialmente, aos partidos políticos de base popular, que acabam sendo colocados como os bodes-expiatórios da corrupção e da destinação de recursos públicos a programas sociais.
É, por conseguinte, dessa classe média revoltada, incomodada com a deterioração de sua qualidade de vida, que se forma o contingente de eleitores de direita que aceita ser liderada por políticos inexpressivos que nada têm a oferecer em matéria de mudanças que venham a aprofundar a democracia, mas que se especializam em fomentar o ódio entre grupos sociais, contra os segmentos mais pobres da população e os partidos políticos que os representam, bem como, contra o sistema democrático de governo.
 
Brasília, 24 de setembro de 2018

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