"Nós vamos falar de direitos humanos em todo o mundo? Vamos ter de falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui que se chama Guantánamo."

Esta aí uma afirmação da antiga companheira e atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, com a qual concordo plenamente. Sempre considerei mais importante falarmos sobre direitos humanos no Brasil, que é onde temos obrigação de os defender, do que em outros países, a respeito dos quais nossas opiniões dificilmente exercerão a mínima influência (*). Aqui podemos fazer a diferença; alhures, quase nunca.

E a discussão dos direitos humanos no Brasil é fundamental hoje: não só nossa tíbia redemocratização permitiu que presos comuns continuassem até agora, 27 anos depois que o Brasil saiu das trevas ditatoriais, submetidos a torturas semelhantes às que os presos políticos sofríamos nos DOI-Codis dos carrascos militares, como está em curso um processo de fascistização que já registra terríveis violações dos DH na USP, na cracolândia e no Pinheirinho.

Percebe-se claramente que a truculência autorizada por Geraldo Alckmin na capital paulista é um balão de ensaio para, se engolida, nortear a atuação policial em muitas outras cidades brasileiras.

Então, nossa presidente precisa mesmo acordar de sua letargia e começar a agir consistentemente para proteger os direitos humanos no Brasil, antes de ter lições a dar a outros países.

* O senador Suplicy, o Carlos Lungarzo da Anistia Internacional, eu e tantos outros brasileiros com espírito de justiça protestamos infinitas vezes contra as torturas infringidas a cidadãos sequestrados em seus países e arrastados para o inferno de Guantánamo. Fizemos o que tínhamos de fazer, mas sem ilusões: sabemos muito bem que de nossos protestos não adveio resultado concreto.

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Eu também acho de uns anos pra cá perturbado. Já há anos que ele fala coisas estranhas (como em 2005 dizer que Lula é mestre em esconder tramoias ou algo assim) mas a ficha caiu quando o Claudio Lembo deu uma "direta" após aquele discurso infeliz em 2010 no Largo São Francisco (um discurso pedindo a volta da democracia tomada pelo lulismo ou algo assim.)

Agora, se em algum momento alguém de pensamento no geral diferente fala algo inteligente, apoie-se.

Você se refere ao PSB? Vou aproveitar pra enganchar um comentário lá atrás do Gilberto, em que ele se pergunta se é possível endossar Haddad+Kassab.

Ora, eu acho que não é pra se quebrar a cabeça.

Pra cargos executivos e votação em primeiro turno, não vale a pena defendermos desde o início algo em que não confiamos plenamente. É o momento de apoiar novos partidos que cresçam, ideias ou algo assim. O foco em primeiro turno é votar em deputado aceitável. (É o que dá pra fazer com o voto com a democracia que temos.)

Em geral não há risco "do outro" se eleger em primeiro turno se não votarmos de cara no "menos pior". Isso é uma ilusão que se vende. Os eleitores em sua maioria são bem estáveis nos campos. Se "o outro" se eleger no 1º turno, é porque se elegeria no 2º turno. E no 2º turno dá pra usar o voto útil mesmo, dá tempo. 

O que aconteceu... As eleições para executivo passaram a ser de 2 turnos em 1990 (acho) e muita gente se preocupa como se fosse antes, em que um candidato ruim podia se eleger com 20 ou 25% dos votos. 

Também não podemos achar que tudo depende do executivo. Nem um presidente nem um governador pode fazer coisas muito significativas (para o bem ou para o mal) com Congresso ou Assembleia contra. Não há mais decreto-lei, medidas provisórias precisam ser aprovadas ou no máximo republicadas em 6 meses. É tudo muito engessado. O que os gestores podem fazer é ser criativos na administração do orçamento, na escolha de ministros inteligentes/capazes.

Assim, acho que muitos brasileiros tem negligenciado na hora de votar no legislativo, confiando apenas em votar em legenda e focando somente no ocupante do cargo executivo.

Ai, ai, agora estou rindo dos presuntos de Pinheirinhos, porque defendo a Dilma? Como é que é?, não tenho o rabo preso? Por favor, quanta bobagem.

Era só o que me faltava eu ter que expor um currículo de minha vida, de minhas aspirações, de meu posicionamento político. Este Portal virou o quê, o último bastião do patrulhamento ideológico? Dá licença, né.

Alexandre,

Parece que sim. Acusações e cobrança de currículos. Tem que mostrar e dizer "você sabe com quem está falando?"... Soa familiar!!!

É, Gilberto, tá na hora de ir embora mesmo daqui, porque ser enquadrado pela ditadura é uma coisa, mas por gente que se diz de esquerda, progressista e o escambau aí é pracabá.

Como diz o Maestri, o último apague a luz.

Alexandre, 

Eu não estou aqui para me pavonear. Acredito fortemente no debate, para me ajudar a andar para a frente. Se não concordo posso fazer a crítica sem partir para ofensas pessoais ou me amparar em falsas prerrogativas. O exercício do debate pressupõe argumento. Pressupõe escuta. O exercício da crítica pressupõe oferecer um mínimo de alternativas.

Não parece ser a atitude de alguns por aqui. 

 Oi  Gilberto,e Alexandre vai não.. viu

vamos tomar um cafezinho com tapioca.

ao som do Facundo( sei que vão  gostar)

Vou não... a gente negaceia, mais fica.

Acho que sou mais a primeira (como identificação com a letra). Não levo muito jeito para abrir as alas...

Tenho uma resistência do tipo Bartebly (novela do Melville), conheces? 

Nao saia, Alexandre. Ninguém aqui é dono do pedaço, ninguém pode pretender decidir quem pode e quem nao pode falar, e o que pode ou nao ser falado.  

Belíssimo documento, Valquiria. 

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