Talvez fosse melhor não alimentarmos este episódio lamentável que foram as manifestações racistas e regionalistas que surgiram no processo eleitoral. O lixo, a gente deve enterrar, antes que o mau-cheiro tome conta. 
Além disso, tanto aqui no Portal do Nassif como em outros meios e entidades, já surgiram respostas dignas a este desafio que a direita-burra nos coloca: preservar os mais altos valores do Povo Brasileiro, quais sejam: a boa convivência entre pessoas e grupos das mais diferentes origens, cores de pele, religiões, e posições políticas. 
Porém, como paulista de Taubaté, sinto o dever de pedir desculpas aos irmãos dos demais Estados pelas novas agressões que sofreram nessas últimas semanas. Sinto-me revoltado, e ao mesmo tempo extremamente envergonhado: meu Estado natal mostra-se inferior a todos os demais, em Cultura e Humanismo. 
Sei que os tais "manifestos" contra a migração foram articulados por gente que se considera "especial" porque jamais enfrentou os problemas, nem sentiu as alegrias, do povo brasileiro. Gente que conhece Orlando, Flórida, mais do que Salvador ou Caruarú, ou frequenta Campos do Jordão na temporada mas nunca foi ao Pantanal. Se foi, fica naqueles hotéis de 2 mil reais a diária, e usa a piscina, mais do que o mar e as cachoeiras, e as lagoas. Gente sem sonhos, sem curiosidade, sem ideais coletivos: trancadas em si e em seu dinheiro - dos seus afortunados pais, digo.
Há um critério de "felicidade" bastante distorcido nessas mentes. Acham que tudo e todos são "compráveis" e, portanto, felicidade é igual a quanto dinheiro têm no bolso e nos cartões. 
Encontro brasileiros assim na Europa, onde passo metade do ano. Estão nas lojas de marcas sofisticadas (embora elas existam no Brasil), comprando peças caríssimas para trazerem para amigos que "precisam" saber que aquilo veio da Europa - portanto, é superior, mais moderno ou sofisticado. 
Viajam de primeira classe porque não suportam esperar 15 minutos numa fila onde está "o resto" (eu, inclusive). 
Não me refiro aos verdadeiramente ricos, os bilionários que possuem castelos à margem do Mediterrâneo e apartamentos no Marais, e podem gastar 10 milhões de euros num dia sem perderem nada. São uns vinte no Brasil, apenas.
Refiro-me à chamada "classe média", que acha que será realmente rica, desde que não haja concorrência para seus negócios, que os governos não lhes cobrem dívidas ou, pelo menos, juros tão altos sobre as dívidas (e os deixem sonegar com a inexistência de uma CPMF). 
Esses cidadãos, também meus irmãos, me olham de cima prá baixo quando tento traduzir seus pedidos numa loja da Holanda, ou do Egito, ou da Suécia (normalmente eles gritam para o vendedor, em portunhol, e querem obrigar o atendente a entendê-los...). "Não preciso de ajuda", afirmam, talvez estranhando encontrar um brasileiro vestido casualmente num lugar reservado a "eles". 
Mudar esta mentalidade não depende de Governo. É um processo lento, cultural. Marx disse que o que politiza o homem não é a mente, mas o estômago. Marx errou nesta sua frase - tanto quanto acertou em obras inteiras.
Fosse assim, a fome no Nordeste teria provocado uma revolução contra os coronéis do tipo ACM e outros, há muito tempo. Fosse o estômago apenas, os que comem bem teriam mais disponibilidade para sentir ao menos compaixão pelos privados deste direito básico. Fosse assim, a elite brasileira (minha região só libertou os escravos antes da Lei Áurea porque esses começaram a matar barões  do café), já teria feito deste Brasil um país justo, de mercado interno poderoso. Puro capitalismo, mas já seria um enorme avanço.
Foi preciso um trabalhador chegar ao poder federal (o que não significa o poder nacional, sabemos), para que uma parcela do povo conseguisse o mínimo que os países mais antigos (os EUA são mais novos que nós) tornaram direitos elementares, há cem, duzentos anos. Ou, no caso da Europa destruída, há quarenta ou cinquenta anos.
É lamentável que os conservadores no Brasil não tenham um partido sério, com um programa para a Nação inteira e não para 20 ou 30 milhões de pessoas. O resto, para os partidos conservadores que estão aí, o resto é o "resto". Este "resto", que é o maior patrimônio deste País, somos todos nós que não podemos gastar um milhão num dia, somos os negros, os índios,os emigrantes e imigrantes  os empregados nas fazendas ou fábricas dos ricos. O resto, somos 99% da população.
Nós, que adoramos ver 'opera de graça no Ibirapuera ou em qualquer praça do Brasil, mas não podemos entrar nos Theatros Municipais da elite (nem temos casacos de pele e colares para tanto).
Nós que ajudamos uns aos outros, aqui fora dos palácios, enquanto os ricos e seus bispos fecham-se em  e orações hipócritas e blasfemas (porque nem se lembram das lições de Cristo). 
Desculpem o desabafo, eu escreveria por horas sobre a tristeza que sinto ao ver que, em pleno século 21, alguns paulistas (que não merecem ser assim chamados) ainda estão na Idade Média. 
"Quatrocentão", sou eu, minha cidade, meus irmãos baianos, gaúchos e acreanos! 
Vamos em frente, lutando contra esse atraso cultural de alguns paulistas e pessoas de outros Estados. Apesar de lamentável, esta é uma luta que valerá a pena, sempre!

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Respostas a este tópico

Poxa, conforta a alma cívica ler o que um paulista lúcido e culto pensa. Eu que já morei em 4 estados do Brasil e que ensino em uma das maiores universidades federais brasileiras, nos meus 36 anos de ensino universitário, estou cansado de de ler tanta mediocridade, desinformação e alienação política (claro, no PIG que já quer destilar seu ódio no competente ministro paulista da Educação). É um bálsamo para o espírito e um conforto saber que não existe somente uma direita burra neste estado que dorme em berço explêndido podendo ser muito mais somando que rendendo-se aos braços do psdb, sim, agora mais que nunca assim minúsculo mesmo...
PAULO, agradeço a generosidade, mas saiba que o meu modesto texto expressa o pensamento da grande maioria dos paulistas e de quem vive em São Paulo. É uma lástima que tenhamos que reafirmar nosso sentimento universal, não é mesmo?
Direita, em São Paulo, acabou com Laudo Natel, Claudio Lembo, Delfim Neto, Antonio Ermírio de Morais,e outros mais que têm condições de debater.O resto são herdeiros dos barões do café, e têm ódio da Princesa Isabel...rsrsrs
D. Helder Camara.

Frei Tito.

Maria da Penha.

Charge do Lula( pasquim)
O Brasil recebeu imigrantes italianos, portugues, espanhois, alemães, austriacos, árabes, japoneses, entre outros. Esses imigrantes se instalaram principalmente nas regiões sul e sudeste, regiões prosperas e de terra boa. Não tenho conhecimento de imigrantes enviados ao nordeste. Esses imigrantes chegaram ao Brasil cheios de esperança e com muita vontade de trabalhar, e assim o fizeram sabendo aproveitar a oportunidade que tiveram neste país, transformando-se na classe média brasileira. Entretanto, os descendentes desses imigrantes, hoje, hostilizam e repudiam os brasileiros que saem de de suas terras secas e improdutivas a procura de uma vida melhor. São esses descendentes que se dizem "quatrocentões" paulistas, mas que seus antepassados chegaram ao Brasil no máximo há 200 anos.

Ps.: sou descendente de italianos
Parabéns, Antonio Barbosa Filho. O Brasil (como um todo) precisa de pessoas como você, um verdadeiro brasileiro! Penso, integralmente, como você, em especial em relação ao "pequeno detalhe" da CPM, e dos emergentes da fajuta classe média que, esquecendo de suas origens, menosprezam os mais humildes e menos afortunados e se deslumbram com as viagens ao exterior sem nada conhecer no nosso lindo Brasil. São uns idiotas, lamentavelmente!
Antonio, que beleza de post.Só poderia ser escrito por uma pessoa com tua sensibilidade, que eu conheço bem. Mas não é só SP. Aqui no sul também tem os que querem a separação,pois se acham os melhores. O que não é verdade. É difícil para certas pessoas entenderem que vivemos num mesmo país e que portanto somos irmãos, independente de cor, raça, sexo,religião ou classe social.
E eu sinto a mesma tristeza que tu sentes quando vejo que ainda temos muita gente assim, principalmente aqueles que acham que com o dinheiro se compra tudo. Até consciências. São os liberais da vida que pululam por todos os lugares.
Beijão
Confota mesmo Paulo, ver um paulista tão politizado. coisa que é difícil de se ver , pelo menos nas classes média e alta. Confesso a vc Antônio que me aliviou bastante a mágoa e atristeza que carrego ao saber q infelizmente um operario n conseguiu governar para meia dúzia de gente preconceituosa que tem a seu favor um partido preconceituoso. Mas vamos em frente somos 90% desse Brasilzão do meu Deus e haverá o dia que eles se curvarão perante a maioria principalmente nós nordestinos, pois se não for assim estarão fadados ao isolamento em si mesmo. Que me perdoe vc mas épreciso que se diga somos superiores em intelecto a eles.
Xiiii !
Milhões de xiiiiiiiii!!!????
Mas que barbaridade, tchê..quaguaguaguana!!!!
Não entendi tanto xxxiiiiiiiiiiiiisss, mas respeito o Sérgio. Deve ter a ver com bandeira do arco-íris, ou estarei enganado, Serjão? rsrsrs
Bandeira do arco-íris? Eu? Xiiiiiiiii...

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