SP: Professores repudiam suspensão de kit anti-homofobia e querem seu próprio material

De repente o governo Alckmin vê aí uma boa oportunidade de fazer boa política. Não vamos esquecer que Alckmin sancionou em 2001 a lei anti-homofobia de S.P., a que proíbe repressão a manifestações afetivas.

 

http://mixbrasil.uol.com.br/pride/grupos/sp-professores-repudiam-su...

SP: Professores repudiam suspensão de kit anti-homofobia e querem seu próprio material
Professores paulistas acusam governo federal de ser conservador e querem seu próprio kit

 

Professores querem seu próprio kit

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) se posicionou contrário à suspensão do kit anti-homofobia do Ministério da Educação – que seria distribuído ainda neste ano para educadores e alunos a partir dos 14 anos de 6 mil escolas brasileiras. Em nota oficial, a entidade acusa o governo de ser “demagógico, pernicioso e conservador”.

O Sindicato se diz indignado com a decisão da presidente Dilma Rousseff e propõe ainda que os próprios professores tomem a iniciativa de fazer outros matérias com o mesmo objetivo. “Que comecemos nós mesmos a produzir e multiplicar materiais diversos e trazer a discussão para dentro das escolas, dos locais de trabalho, dos sindicatos, dos locais onde nossa vida realmente acontece.” Confira na íntegra:

NOTA
KIT GAY – PRESIDÊNCIA DO BRASIL – MOVIMENTO LGBTT

Nos irmanamos àquelas e aqueles que sentem-se traídos  e se indignam com os últimos acontecimentos envolvendo a presidência do Brasil e a luta por justiça social.

Não nos furtamos no passado e não nos furtaremos agora de expressar o nosso mais profundo repúdio a essa linha política adotada pela presidência da república e corroborada pelos partidos e instituições que lhe dão sustentação.

Mais uma máscara caiu! Agora, apenas os hipócritas e mal intencionados não são capazes – OU TEM A CORAGEM - de admitir a verdadeira natureza desse governo: DEMAGÓGICO, PERNICIOSO E CONSERVADOR. E nesse ínterim ele se iguala às esferas estaduais e municipais. Não é possível hoje distinguir entre o que propõe a burguesia reacionária e o que propõe o governo federal.

De acordo com nossos princípios políticos, um material de combate à discriminação e ao preconceito de gênero (homofóbico, lesbofóbico, transfóbico, etc.) deveria ser elaborado a partir e com a contribuição dos professores e de toda a comunidade escolar, não a partir de um grupo seleto que “pensou para...”. Ainda assim, tendo em vista a mobilização dos conservadores e os gastos públicos envolvidos na produção e confecção do chamado “kit-gay”, julgamos oportuno que a questão fosse discutida nas escolas e que estas se apropriassem da discussão que vai muito além da mera distribuição deste kit. Isto é, este material poderia se converter em uma real iniciativa de combate à estupidez, opressão e injustiças impingidas aos/às jovens nas escolas brasileiras.

Mais uma vez fica claro que o atrelamento ao governo não é benéfico à luta e ao movimento LGBTT; que a institucionalização (burocratização) excessiva é perniciosa.

Façamos de mais este ato vergonhoso do governo federal a matéria-prima para novas iniciativas de uma militância verdadeiramente combativa e livre. Que comecemos nós mesmos a produzir e multiplicar materiais diversos e trazer a discussão para dentro das escolas, dos locais de trabalho, dos sindicatos, dos locais onde nossa vida realmente acontece. Para além dos subterrâneos onde viceja uma infinidade de igrejas que parecem mais um “mercado negro de ações”, direcionemos os nossos passos para um mundo fora das cavernas, porões, calabouços e gabinetes.

Secretaria LGBTT / APEOESP – Subsede Sul / Santo Amaro

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Respostas a este tópico

e eu ainda não achei o programa do PT prá tirar o pó...

Tenho certeza que em algum lugar deve estar escrito que até realpolitik tem limites...

Mas é o que eu acho.

Uma coisa é usar como moeda de troca cargos, mesadas, concessões, coisas banais do cotidiano que depois se acertam. E para conseguir algo compensador.

Outra coisa é entregar a dignidade de 5 milhões de eleitores e a estabilidade emocional de 250 mil adolescentes. E para conseguir o quê? Permanecer refém.

Tô pensando em desenhar um avatar novo : "vendido por 70 moedas".

Oioi Cláudia! Decepcionado não é nem o termo, eu tô é "passada" kkk

Mas então, cabe ao governo provar que a luta contra bullying/assédio/chacota em escolas continuará. É obrigação constitucional e pode gerar uma ADI.

A decepção não é só em relação a esse material, o qual nem conhecemos, mas em relação ao modo como as coisas foram feitas, a meu ver um tiro no pé. Maioria em congresso se obtem com propostas que os deputados possam se orgulhar junto a sua base de eleitores, não às custas do dia-a-dia de 250 mil adolescentes.

O que a maioria hétero acharia da proibição da pílula anticoncepcional ou do preservativo? Ou o fim do divórcio? Ou o que ainda pode ser uma questão : estudos com células-tronco.

Mas a ideia é fazer uma limonada : dar subsídios e discursos pras bandas progressistas.

Do partido que forem. Minha afiliação é a princípios, não a projetos de poder.

Se o kit tivesse ido pras escolas normalmente, como previsto, o mais provável é que ficaria engavetado. Não estava prevista aplicação obrigatória, era mais ou menos um convite para que os professores conhecessem o material e lessem a cartilha. Não seria muito diferente da doação de um dicionário. Pais nem tomariam conhecimento... Agora meio milhão de pais podem ficar preocupados com o que ocorre em escolas, no século XXI pais de adolescentes gays não são todos à la Bolsonaro.

Com o fuzuê todo muitos professores poderão ter curiosidade de conhecer, mais gente ficará conscientizada do problema e os métodos da bancada evangélica ficarão mais conhecidos.

Ótimo, haverá mais transparência no geral. E, como em qualquer questão, fica mal pra quem no início optou pela reação.

Sobre este assunto, um texto do colega Jaime:

http://blogln.ning.com/forum/topics/escolas-podem-fazer-seu

A APEOSP, como sempre, dá uma dentro e outra na água.

Ao mesmo tempo em que ela não cai no discurso equivocado da mídia de que o kit é agressivo à sociedade (com base em dados falsos e, é claro, pela mais pura conveniência política), se deixa escorregar na falácia de que o MEC deveria ter "discutido com professores" e que o kit é "muito pouco quando só distribuído".

Um pouquinho de reflexão e honestidade dos sindicalistas para admitir que o MEC cumpre seu papel quando propõe uma política de combate à homofobia, e que a concretização dessa política envolve ONGs e também as secretarias de educação do país.

Mais ainda, que TODOS os kits produzidos pelo MEC nos últimos 8 anos tinham foco duplo: tanto servem para embasar o trabalho independente do professor, quanto auxiliar aquele professor ainda sem formação plena ou "só" licenciado (como nas escolas de 2o grau) que não se sentem qualificados para planejar ações pedagógicas.

 

A APEOSP perdeu uma grande oportunidade, em parte.

 

Sobre o kit anti-homofobia paulista, não creio que a APEOESP consiga essa proeza. Menos pela capacidade de arrigimentar interessados e mais pelo desinteresse de fato na questão. Isso não me parece prioridade para o sindicato.

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