Acusamos a Web com um reduto de besteirol, onde não há, ou havendo, é rara, a construção de conhecimento. Proponho, deste modo, um problema: será que a ausência de conhecimento ao qual se refere a crítica não peca por uma concepção moral aí contida? Afinal o que é conhecimento? Onde buscaremos uma definição abrangente, capaz de dar conta ao que realmente é cognitivo?
Por que proponho este problema?
Porque tenho refletido, confesso que ainda não iniciei pesquisa, a respeito das múltiplas fórmulas de conhecimento na web, não considerando aqui qualquer limitação a suas possibilidades.

Não há, pois, conhecimento no domínio de técnicas que permitem novas formas de expressão midiáticas? O simples domínio técnico, evidentemente, apenas capacita a reproduzir produtos diversos, contudo, como tal, também permite o acesso a interações elementares para novas experiências. É o que acontece, por exemplo, aos jovens com os celulares, a trocar informações de textuais e imagéticas e a criar dentro desta relação novos formatos expressivos.
A quem provém de uma cultura baseada em mídias tradicionais, parece uma aberração,um absurdo constituir expressões paralelas, carregadas de códigos por vezes exóticos, e até mesmo ofensivos, à língua padrão. Mas o berço da criatividade não está no padrão e sim na experiência discursiva, mesmo que para isto seja necessário um padrão. E mesmo sob os critérios comunicativos clássicos de constituir regras expressivas, convém levar em conta uma abertura para qualquer possibilidade de conhecimento, qualquer possibilidade expressiva, embora audaz, embora subvertendo os padrões estabelecidos.
Tudo isto porque reflito sobre a Web e as novas tecnologias de comunicação como portadoras de uma abertura fantástica, uma possibilidade incomparável a outros meios. Permite a migração de não apenas conteúdos mas expressões múltiplas. Claro que sempre haveremos de ter expressões e conteúdos quaisquer. Mas o juízo de valor a respeito de um conteúdo ou forma expressiva é incapaz de perceber a natureza que elas contêm: ninguém pode prever as experiências possíveis, tal qual como o fizeram os videomakers, os vanguardistas nas artes plásticas, na literatura e no cinema.
Digo, pois, que os jovens, alguns ignorando a língua padrão, tem mais a oferecer do que supomos. Provas? Ofereçamos possibilidades, mas não as limitemos a regras, embora elas mesmas sejam elementos para o processo criativo.

Entro em diversas reflexões a respeito:
1. não estamos podando, porque restringindo expressões? O contexto moral não traz em si a sua limitação (um poder adjacente à língua)?
2. o nosso assombro diante das novas formas de relacionamento expressivo não comprova a ignorância diante das transformações em curso?
3. os relacionamentos atuais, dependentes de mídias tecnológicas, determinam status tanto na propriedade do bem midiático, quanto na modalidade de uso, não?
4. se pais e professores compreenderem a inserção midiática destes relacionamentos, poderão igualmente interagir com os jovens e perceber um repertório não apenas expressivo, mas de conteúdo, estratégia capaz de derrubar o muro da ignorância.

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