http://www.ipnews.com.br/voip/voip/neg-cios/ti-por-onde-andam-os-pr...

TI e Telecom: por onde andam os profissionais brasileiros?

Por Alexandro Cruz
02 de junho de 2009
O País continua a mostrar que o número de vagas em TIC é bem superior à quantidade de prestadores de serviços. Mesmo com a falta de especialistas, as empresas não param de investir nas tecnologias. Porém, usar os aplicativos adequadamente, tornou-se uma luta para os empresários. Dessa forma, quem estiver preparado para o boom do IPv6 em 2010, por exemplo, se destacará.

Um levantamento realizado pela Cisco mostra que em 2010 serão mais de 120 mil cargos em abertos no setor de TI na América Latina, o que corresponde entre 40 e 50 mil no Brasil. Já a consultoria IDC, relata que a falta de mão-de-obra especializada nesse setor proporciona um atraso tecnológico da nação, além de uma perda significativa na competição de mercado mundial.

Mas, porque isso está acontecendo? O que leva à essa falta de capacitação profissional? Existe um culpado?

De acordo com Wagner Moita, diretor de serviços da D-Link, a falta de capacitação já começa na parte mais alta da pirâmide hierárquica das empresas. “Eles dão muito valor às certificações internacionais, mas na hora de investir nos profissionais, mudam de opinião”. Além disso, o executivo da integradora alega que os donos das empresas perdem muito dinheiro porque preferem apenas comprar equipamentos de soluções IP, mas não valorizam o treinamento de seus funcionários para utilizá-los. “Sem treinamento, as empresas não conseguem ter autonomia de uso dos equipamentos e isso reflete em custos de prestações de serviços das terceirizadas. Em resumo: treinar é mais barato”, diz.

Para o instrutor da Impacta, Jeferson Diniz Maurelli, a falta de incentivo e informação decorrente no País são fatores preponderantes na carência de profissionais em TI. “O profissional que busca aprender sobre comunicação IP não sabe onde encontrar o caminho das pedras”, diz. Além da desinformação, o instrutor avalia que os cursos são muitos caros, o que torna difícil o aumento de novos profissionais no ramo. “Um curso completo chega a custar R$6 mil”, completa.

O custo, a falta de informação e o desinteresse dos empresários até são características relevantes pela falta de profissionais. Mas há um fato que é considerado ainda mais "assustador" e foi levantado pelo gerente regional para América Latina e Caribe do programa Cisco Networking Academy, Ricardo Santos: o baixo nível do ensino básico no Brasil.

De acordo com o executivo, muitos alunos desistem dos cursos porque não possuem conhecimentos básicos de inglês e matemática, matérias primordiais para quem trabalha com tecnologia da informação. “Eles não vêm preparados com essas duas exigências e os cursos existentes não promovem aulas especiais para essas matérias”, alega.

Hoje em dia, além da falta de capacitação convencional em TI, o grande desafio existente é encontrar um profisisonal que tenha conhecimento em TI e Telecom. Com o crescente ciclo da convergência digital entre as empresas, quem trabalha em um dos setores vem demonstrado sérias dificuldades em aprender os dois conceitos e usá-los de forma inteligente.

A integração se tornou indispensável para o desenvolvimento econômico das empresas, mas, o que aparenta acontecer, é que o prestador de serviço não consegue acompanhar a essa evolução. Isso ocorre principalmente com o profissional que só trabalha com telefonia analógica e, agora, tem que se adaptar aos novos conceitos de comunicação, convertidos em transferências de dados e que tudo se tornou possível de ser realizado, como voz, imagem e troca de arquivos dentro de um único aparelho.


Ainda há esperança
Uma alternativa para reduzir a lacuna da falta de mão-de-obra no Brasil está surgindo de algumas empresas privadas e de instituições de ensino. Preocupados com o futuro do profissionalismo brasileiro, as corporações decidiram oferecer cursos de capacitação e apoio ao conhecimento em TI.


A Cisco, por exemplo, possui há dez anos o projeto Cisco Networking Academy, que capacita - gratuitamente -, as pessoas interessadas em entrar no ramo de Tecnologia da Informação. Segundo Ricardo Santos, o curso, além de aumentar a oferta de empregos, possui um cunho de responsabilidade social corporativa.

Já a D-Link possui um sistema de treinamento oferecido aos clientes, aos canais e para os seus próprios funcionários. Batizado de D-Link Technology Institue (DTI), o curso tem o objetivo de ensinar os alunos a usarem com eficiência todos os aplicativos disponíveis nas plataformas de TI e, assim, diminuir os custos mensais, como é o caso da contratação de suporte terceirizado.


Por outro lado, instituições de ensino também investem em capacitação de TI. A Impacta enfoca em cursos de transferências de dados em rede sobre IP, além de conceitos sobre VoIP, teleconferência e Comunicação Unificada.

Para o executivo da Cisco, o lançamento de novas tecnologias acontece mais rápido do que a formação de novos profissionais e uma pessoa se torna capacitada a prestar serviços em aproximadamente sete meses. “Precisaremos de uns cinco anos para reduzir essa lacuna no Brasil”, enfatiza.

No entanto, para a teoria se transformar em prática: “o profissional precisa estudar bastante e sempre se manter atualizado, caso contrário, ele será engolido pelo mercado. Além disso, ele deve estar preparado para o boom do IPv6, previsto para 2010. Ou seja, quem souber usar essa nova versão, estará a frente dos concorrentes”, alerta o instrutor Jeferson Diniz Maurelli.

Exibições: 82

Responder esta

Respostas a este tópico

Achei este artigo interessante e, de certa forma, "desapontante", pois não vi

nenhuma referência à reciclagem de profissionais de TI tecnologicamente

defasados, ou seja, precisando de atualização tecnológica. Eu tenho 51 anos

de idade, sou formado em ciência da computação pela Unicamp desde 1983 e já

trabalhei em várias empresas no Brasil e algumas no Canadá. Penso que la no

primeiro mundo há diferenças básicas e gritantes em relação ao Brasil e uma

delas é a cultura de incentivo do funcionário a se atualizar nas novas

tecnologias, dentro das próprias empresas. Lá existe realmente a pesquisa e o

desenvolvimento em TI e isso faz com que a experiência profissional seja

amplamente valorizada. No Brasil são raríssimas as empresas que fazem algum

tipo de pesquisa em TI, a grande maioria apenas faz desenvolvimento, ou seja,

apenas adapta as tecnologias já existentes às necessidades próprias ou de

seus clientes. Além disso, nas empresas, há a mentalidade do imediatismo,

isto é, lucro máximo, no menor tempo possível, com investimento mínimo. Isso

significa que quando surge a necessidade de mudar de tecnologia costuma-se

comprar uma nova, que já esteja consolidada no mercado e contratam-se, com

baixos salários, recém formados ou não formados como estagiários, em cuja

formação ela já seja contemplada. Neste processo demitem-se os colaboradores

mais antigos evitando com isso, não só o gasto com a capacitação dos

antigos, como também o pagamento de maiores salários. Não é bacaninha?

Presumo que, la fora, certamente deve haver alguma política governamental de

apoio à pesquisa e desenvolvimento, resultando na valorização do conhecimento

já adquirido pelos profissionais, justamente pelo fato dele não ser obtido

nas salas de aula. Ao que me consta, esse tipo de investimento nunca foi

prioridade para a elite que comanda o país e, portanto, muita água deverá

passar por baixo da ponte antes de mudar essa perspectiva no nosso Brasil.

Bom, como não encontrei escolas que ministrem cursos de atualização de

tecnologias de TI com qualidade e a preços acessíveis e atualmente estou

desempregado, gostaria de saber se existe alguma empresa que se dispõe a

investir num profissional da área de TI desatualizado e precisando de

emprego, ou seja, eu. Alguém se habilita? :?)

RSS

Publicidade

© 2020   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço