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Um Natal para se esquecer (ou não) Ou ainda Belzebu não é Zulu

 

(foto de João Roberto Ripper)

 

A foto que ilustra esse texto é do magnífico fotógrafo, João Roberto Ripper. Faz parte de um conjunto de doze que ilustram um calendário para o ano de 2003, distribuído pelo Centro Santo Dias de Direitos Humanos, ligado a Cúria Metropolitana de São Paulo que tinha como patrono o arcebispo Don Paulo Dom Paulo Evaristo Arns. A jornalista, Suely Pinheiro, respondendo a época pela Assessoria de Imprensa daquela instituição, solicitou a Ripper que este doasse gratuitamente algumas fotos para publicação, o que ele atendeu prontamente. Passado esses dez anos é possível olhar para trás, de forma panorâmica, e se perguntar o que deu errado, já que é notória que economicamente houve uma melhor distribuição de renda e as perspectivas de se alcançar vida material são mais concretas e muito além dos sonhos. Há poucos dias vimos, num episódio da série Caminhos da Democracia, o sociólogo Herbert José de Sousa (o Betinho) lembrar que quando chegou ao Brasil, em 79, retornando de seu exílio de quase dez anos (também uma década) teve um sentimento contraditório; por um lado à alegria de ter voltado ao seu país de origem e, de outro, indignação ao ver o resultado deixado pelo Regime Autoritário que produziu em tão pouco tempo a miséria num labirinto a perder de vista.

 

Basta comparar estes dois ciclos, pois, que ao que tudo indica estamos ao final de um deles para verificar que, se não sabemos o que anda errado no Brasil ao menos temos a certeza de que algo de muito errado e “invertido” vem acontecendo aqui e agora. Nesse exato momento mais um alucinado que se arvora “ser Deus”, se veste em pele de “Rei do Universo”.  Nada de novo, personagens de pior espécie já estiveram entre nós deixando marcas de sua ação predatória. Chegou a afirmar, ontem (20/12), que “acima do Supremo não existe Corte alguma”, logo, sendo ele momentaneamente o chefe dessa corte acredita poder fazer o que bem entender. O sinal de seu “autismo social” é a arrogância, coisa que não lhe faltou em momento algum. Claro que o verdugo está errado e, junto com ele, oportunistas de toda ordem. Já dizia Corisco na Terra do Sol; “A Terra é do Homem; não é de Deus, nem do Diabo”. O que exigimos no momento não é passar por cima da Lei e, sim, o seu exato cumprimento deixando sempre claro que outras leis virão, criadas também por esses mesmos homens da mesma forma como se constrói o próprio destino. Deixar claro, também, que Belzebu que não é Zulu, vá suportar a sua dor aguda “nos quintos dos infernos”. Este povo, além de pão, quer Justiça e o seu Sonho de volta. Temos certeza de que nos próximos Natais, olharemos com tristeza esses momentos de vergonha por que estamos passando.

 

Por Jair Alves - dramaturgo

21/12/2012

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comentário do escritor Liu Sai Yam

 

 

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Respostas a este tópico

Conferindo Jair e  agradecida pela leitura. Incrível a fotografia/arte né, tem um equilíbrio fantástico.

Sentido tão desejado ao nosso Brasil.

A propósito não encontrei o comentário sugerido.

abço

Lena, 

veja lá logo abaixo da minha assinatura. comentário do Liu....

Aproveito para desejar-lhe estonteante 2013, muito melhor que todos os demais.

bj 

jair

Olha Jair, estonteante é bravo viu, demais.  chega de estontear com coisa ruim.  rsrs

Estonteamento para o bem  pra vc também meu caro, será melhor sim.

bjo meu.

lena

o link não está funcionando,  pra mim não. rs

http://www.facebook.com/liu.yam/posts/10200322218084292?comment_id=...

"O jogo perverso de um procurador no 171 do vencimento de prazos pra jogar holofotes sobre si e sobre um indivíduo que se arroga o título de líder supremo do Supremo. 

A caracterização é de método quadrilheiro com indícios evidentes de má fé, quando não justiçamento com requintes de crueldade. 

Os reis magos, notadamente orientados por uma estrela, seguiam na direção da manjedoura. Os magos, reificados pela dramaturgia moral típica da Santa Inquisição, buscam o aplauso do populacho no Circo Máximo pra se candidatar a futuros aspirantes a césares. 

Nisso tudo, um aspecto humano, banal: a condenação de Natal ao invés do indulto. Com agravante de jogar pras arquibancadas. Porque haverá recursos, que reforçarão (haverá quem incrimine a defesa às últimas consequências) o papel feérico dos paladinos da moralidade seletiva. A república dos hipócritas está preparada pra atirar a primeira pedra.

Ai de vós, fariseus. Ai de nós..."

ok, valeu.

Valeu

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