Texto postado no Blog-mae, pelo participante Johnnygo, de que gostei muito: 

"São Paulo convive com manifestações há um bom tempo. Quem trabalha na Avenida Paulista, por exemplo, vê passeatas e carreatas com razoável frequência. Tem espaço para todos os gostos naquela colméia. Sem-terra, sem-teto, funcionários públicos, professores, GLBT, sindicatos, cada um defendendo a sua causa. Isso é lindo, ainda que provoque transtornos irritantes. Nesse sentido, as atividades do Movimento Passe Livre também são lindas, a despeito de qualquer análise mais aprofundada do mérito das reivindicações. Ou seja, protesto hoje é normal e saudável, quanto a isso não há motivo para temores.

   Há algumas semanas, quando começou a se falar em aumento das tarifas de transporte, o preço que inicialmente surgiu nos jornais foi de R$ 3,45. Como as tarifas não haviam sido reajustadas nos últimos dois anos, os "especialistas" dos jornais fizeram o cálculo da inflação no período e chutaram os tais R$ 3,45. No entanto, o prefeito Haddad prometera reduzir o valor das tarifas durante a campanha eleitoral. Seu esforço de negociação conseguiu obter uma tarifa menor que a estimada pelos "especialistas" da mídia. Daí chegamos aos tão discutidos R$ 3,20. Um reajuste de 20 centavos, ou 6,7%, percentual bastante inferior à inflação acumulada nos dois anos anteriores ao reajuste, que foi de uns 15%. Podemos supor que as reivindicações estejam relacionadas ao reajuste das tarifas de transportes, caso contrário teriam ocorrido em qualquer época do ano, e não somente agora que houve o reajuste. E, por este caminho, do ponto de vista material, a reivindicação não mereceria tanta atenção. Ou seja, se for pelos 20 centavos, convenhamos, é muito pouco para tanto alarde.

   No entanto, o espectro da demanda é mais amplo: pedem que o transporte público seja gratuito. Isso não acontece em nenhum lugar do mundo, pelo menos que eu saiba. Se houver algo assim em uma democracia capitalista, merece ser objeto de estudo. Se fosse implantado, demandaria completa reformulação dos gastos do Estado e do Município. Talvez uma carga tributária nórdica, na faixa acima dos 50%, permitisse tal façanha. Assim, se enveredamos pela estatização e gratuidade do transporte público, convenhamos também que temos um pleito discutível e com poucas chances de realização, pelo menos a curto e médio prazo.

   Nem 20 centavos, nem gratuidade. Observamos que os manifestantes parecem reunir-se em torno de um ideal difuso que, em si, tem pouca relação com o discurso estabelecido. As manifestações parecem movidas por palavras de ordem que simplesmente procuram servir de bandeira, quase uma desculpa, para algo maior que talvez não estejamos vendo. Aí me vem a pergunta: o que querem estes jovens que se manifestam? O que mobiliza estes jovens é algo menos concreto que um reajuste de salário ou um pedaço de terra. Não são os 20 centavos nem a estatização e gratuidade. Tanto pela idade dos manifestantes, quanto pelos tempos nos quais todos vivemos, é natural que eles se sintam inquietos. Algo meio indefinido os perturba, uma insatisfação disforme, um pulsar de desconfiança em relação ao mundo que vão conhecendo. Isso é normalíssimo. Essa mistura energética de indignação e insubordinação faz parte de uma fase de nossas vidas. Seria até bom que sustentássemos ao menos uma faísca desse sentimento pela vida afora, mas isso normalmente não acontece. E, para completar o quadro, a insubordinação e a indignação existencial dos jovens podem ser reforçadas por um mundo que valoriza o hedonismo, o consumo e a captação fragmentada da realidade.

   Quando jovem, no primeiro ano da universidade, participei de passeatas e frequentei reuniões políticas. As causas eram imensas. Por exemplo, gritávamos pelo fim da ditadura, pela liberdade de expressão. Hoje, em geral, discutem-se causas materiais e pontuais. Os professores querem aumento de salário, os sem-teto querem casa. Não quero com isso dizer que havia mais nobreza em minhas batalhas da juventude. Eu era bem inexperiente e bem limitado, e ainda sou, embora menos. O mundo tornou-se multipolar, mais complexo, mais interligado, menos preto-e-branco. Ficou difícil encontrar uma causa abrangente. Para combater as causas abrangentes, a polícia da ditadura militar batia para valer. A gente via os olhos injetados do Coronel Erasmo Dias na TV, em sua expressão de ódio e ameaça aos "baderneiros". Ai de quem chutasse a porta de um ônibus. Apanhava, ia preso e podia sumir do mapa. Hoje, há grosseirões que chamam Dilma de sapatona e Lula de cachaceiro, sem que nada lhes aconteça. Os policiais de hoje são umas doçuras se comparados ao aparato da ditadura militar que então estrebuchava. Hoje temos uma democracia, com todas as qualidades e defeitos que lhe são inerentes. Evoluímos. É normal que ocorram protestos. No meio deles, contudo, aparecem uns extremados que depredam e tocam fogo. Estes precisam ser identificados e punidos, pois desqualificam um movimento que poderia ser uma semente fértil. Dizem que a melhor maneira de destruir um bom argumento é defendê-lo de maneira errada.

   Há dois elementos novos nessa parada. Primeiro, a repercussão desproporcional que os atos têm obtido na mídia, que lhes confere notoriedade e serve de incentivo à construção de um momento-primavera, na esteira de acontecimentos recentes em várias partes do mundo. Temos uma Europa em crise, um mundo árabe em ebulição, os pobres dos EUA mostraram a cara no Occupy Wall Street. Aqui no Brasil, passamos por um bom momento econômico. Por mais que os pessimistas de plantão queiram reclamar, temos salários em alta, desemprego em baixa, inflação sob controle (!), câmbio subindo para um nível mais atrativo às nossas exportações, investimentos em alta, atividade industrial subindo, desonerações tributárias, excelentes reservas, juros razoavelmente baixos, relação dívida/pib tranquilizadora. Tudo isso enquanto o mundo passa pela maior crise econômica desde 1929. Mesmo assim, o clima dos noticiários é de que vivemos no Brasil uma hecatombe. Um cidadão que lê todas as matérias políticas do UOL durante uma semaninha apenas vai ter vontade de estourar os miolos. O clima de eleição foi antecipado. Para reforçar este clima, um simples movimento de protesto ameaça se transformar em nossa "primavera", nossa redenção contra todas as tiranias do universo. Nunca vi nenhum movimento reivindicatório receber tanta atenção da mídia. O Movimento Passe Livre conseguiu o estrelato. Na TV, imagens das manifestações são transmitidas em linha direta, horas a fio. Abre parêntesis: pelo menos a Globo adotou como referência o termo "passagens de ônibus", embora estejam em questão os preços das tarifas de ônibus, metrô e trens. Jornalismo suspeito, que busca associar a revolta ao recém-empossado prefeito Fernando Haddad - de fato, aquele que tomou a dianteira para reduzir as tarifas. Fecha parêntesis. Há uma disseminação do pessimismo pelos "velhos do Restelo", mas nada é tão simples, o preto-e-branco acabou. Os meios de comunicação estão numa situação complicada. Evidentemente, a pauta da redução de tarifas de transporte não é relevante para eles. Causas populares não interessam a jornais, muito pelo contrário, a tradição tem sido combatê-las. Se trabalhadores do campo paralisam o trânsito da Consolação por uma tarde, recebem alguns parcos segundos e severas admoestações da TV. Assim, embora o discurso de agora criminalize os jovens, repetindo a palavra vandalismo como um mantra, não chega a defender abertamente uma repressão mais dura. Por trás disso mora um detalhe: a segurança pública em São Paulo é responsabilidade do governador Geraldo Alckmin, que será o candidato da grande mídia concorrendo à reeleição para o governo do Estado. Um imprevisto ou uma tragédia na condução da PM, como um estudante morto (oxalá isso nunca aconteça), pode comprometer definitivamente a já combalida gestão de Alckmin na segurança pública. E aí a eleição do chuchu vai para o espaço.

   O segundo novo elemento na parada prende-se ao fato de que assistimos ao parto de uma nova era da informação. Em termos históricos, creio que vivemos uma gigantesca mudança, cujos desdobramentos, tanto para o bem quanto para o mal, são imprevisíveis. A internet no Brasil começou a se disseminar nos anos 90. É muito recente, coisa de duas décadas apenas. Estamos no olho do furacão e não conseguimos enxergar o todo. Só o futuro nos dirá, isso se ainda estivermos vivos quando os fatos atuais puderem ser vistos em perspectiva. Se a população turca protesta na praça Taksim de Istambul, assistimos o evento quase que instantaneamente aqui no Brasil. A notícia se distribui por vasos comunicantes e filtrantes nas redes sociais. Formam-se numerosos grupos de interesse, estabelecem-se identificações entre as pessoas, que tentam se agrupar. O funcionamento deste novo sistema é baseado em quantidade de acessos e multiplicidade de interesses. Não sabemos ainda quais as implicações políticas desse tipo de organização da sociedade. Se temos passeata em São Paulo pela qualidade do transporte, elas também são convocadas em outras capitais, mesmo que as realidades sejam bastante diferentes em cada lugar. A informação flui pelo facebook, pelo tweeter, msn, e cria um sentimento de unidade e de pertencimento que atenuam o desconforto com o individualismo geral. Este fenômeno começa a produzir uma nova maneira de participar, ainda incipiente, é verdade, mas já capaz de surpreender. Não sabemos no que tudo isso vai dar, mas tenho a convicção de que a mudança será grande. O momento que vivemos é muito auspicioso. Auspicioso e perigoso, todo cuidado é pouco."

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Respostas a este tópico

Coloco abaixo um trecho de uma crítica que recebi, e resposta que dei a ela, e que pretendo elaborar aqui melhor depois.

"Infelizmente o PT esqueceu, quando no poder, da esquerda que o pensou junto ao movimento operário.

Você está é perdida em sua escrivaninha acadêmica de gabinete e em seu ativismo de teclado. Não percebe que o sangue ainda pulsa nas veias e fica procurando manipuladores invisíveis conduzindo a consciência de milhares de pessoas pelas ruas das cidades como marionetes.

E tentanto defender o poste.

Há um sentimento crescente de basta e que resiste, ao cabo e ao fim, ao capital e à forma como ele se faz presente nos estados nacionais e em seus aparatos de repressão. O PT está inteiramente cooptado por esse modelo de desenvolvimentismo do consumo e da quantidade baseado na manipulação das grandes massas, justificado pelo sofrimento secular do povo que nunca teve geladeira e televisão para assistir o futebol. É bom ter, mas é só pão e circo, afinal. Mas uma nova geração, que teve acesso ao pensamento vai se formando, e que tem sangue nas veias, e que quer mais que apenas o direito ao consumo. Quer uma sociedade que seja para as pessoas, e não para as corporações transnacionais." 

"Você viu a foto do rapaz todo orgulhoso portando um cartaz que dizia "Saímos do Facebook"? Nem percebendo como o próprio cartaz negava o que dizia? Viu os vídeos da moça que faz diários e defende o movimento? Até dizendo coisas boas, mostrando um sentimento difuso e um desejo de mudança, com isso concordo, mas numa pobreza de idéias total e absoluta, num discurso abstrato contra " o governo" assim, sem dizer qual, todo e qualquer governo... Me lembrou da "novalíngua" do Orwell, da destruiçao da capacidade de pensamento que ele previu. 

Até espero que essa moçada cresça politicamente no meio desse movimento. Se der tempo. Porque me parece sim que há gente apostando na intensificaçao do conflito e no caos, com os resultados previsíveis. Eu era muito jovem em 64, mas li muito a respeito, vi os filmes do Tendler, etc. Tenho medo sim. Tomara que eu esteja errada. 

Quanto aos desejos que você está atribuindo a eles, essa juventude consumista anti-capitalismo? Tomara que você esteja certo, mas acho que está viajando na maionese."

 

Comentário do participante Hugo, num tópico do blog-mae hoje (O MPL e o aprendizado democrático): 

"Nassif, você definiu bem o principal problema do movimento: não ter cara.

Nas útimas semanas temos vistos dezenas de protestos espalhados pelo país, que a princípio pedem a redução ou o fim das tarifas e passagens de ônibus mas que de alguns dias pra cá tem ganhado caráter universal, ou seja, esses protestos estariam além dos 0,20 centavos de reajuste e se transformado e protesto contra os gastos com a Copa, por mais saúde, mais educação e menos violência, contra a repressão policial, etc.

A partir daí nota-se os mais variados tipos de apoio ou descontentamento contra essas manifestações. Alguns dizem que são vândalos que destroem o patrimônio público e privado outros que o movimento é orquestrado por uma esquerda radical que quer desestabilizar o governo do PT. Por outro lado defensores do movimento expressam seu apoio a partir daquilo que o aflige pessoalmente, transporte, educação, segurança, etc.

A grande novidade nisso tudo é a participação dos grandes veículos de comunicação em apoio aos movimentos populares. Curiosamente os mesmos veículos que tratam movimentos sociais como covil de criminosos, (MST, Movimento dos Sem Teto, por exemplo), que condenam greves, que se calaram ou apaludiram o massacre do Pinheirinho, que escrevem editoriais e mais editoriais criticando o Bolsa Família, as cotas nas universidades, as reduções de juros e impostos, de repente, passaram a apoiar as causas populares como se fossem suas bandeiras, como se sempre tivessem defendido o que sempre foram contra.

Ontem,14/06, o UOL chegou a colocar em sua manchete principal o horário da manifestação em Santos. Lindo, né?

O interesse dois grandes meios de comunicação é fortalecer o bem estar social e coletivo?

Óbvio que não. Mas sim se aproveitar da energia dessa juventudo e da falta de clareza sobre o que querem específicamente e criar o clima de histeria coletiva contra tudo que deu certo e favoreceu a população brasileira nos últimos anos. Com o fim de fortalecer a candidatura de Aécio.

O governo Dilma é perfeito? Claro que não, também tenho uma série de críticas a fazer, mas é o governo que tem a coragem de colocar em seu slogam o fim da miséria e que tem trabalhado de fato para incluir os excluídos, dar diginadade às pessoas que estão à margem da sociedade há séculos.

Lula, quando deu início ao seu segundo mandato, em à entrevista à BBC foi questionado porque ainda haviam tantos problemas sociais no Brasil e ele respondeu: Se em 4 anos eu tivesse conseguido resolver todos os problemas depois de 500 anos de injustiça, eu não seria presidente, eu seria Deus.

Dilma não resolveu nem vai resolver todos os problemas do Brasil, mas tem trabalhado de fato para que as injustiçãs diminuam.

No entanto ela tem sido tratada como um ditador árabe que sempre expropriou seu povo, como a pior pessoa que já governou este país, como a pessoa que deve ser retirada do poder com urgência. Isso, tanto pela direita quanto pela esquerda.

Quem ganha com isso?

Enquanto a mídia adere aos movimentos populares achando que irão fortalecer seu candidato natural, Aécio Neves, quem ganha é Marina Silva que é incensada pela mídia para ser o fiel da balança lara levar a eleição ao segundo turno ( e somente para isso ela é necessária).

Marina carrega uma imagem alternativa ao que não está certo, tanto à direita quanto à esquerda, Aos olhos dessa juventude, ela simboliza alguém que possui aura imaculada e defenderá os esquecidos pelos governos Lula/Dilma e FHC.

O seu novo partido tem a cara desse movimento, que é não ter cara. Não é de esquerda nem de direita, não é a favor nem contra ao sistema vigente, não tem um discurso prórpio (a exceção é o ambientalismo), portanto cabe nele qualquer discurso.

Mas Marina é pessoa que diz que sua fé não irá interferir no seu possível governo mas que recentemente defendeu Marcos Feliciano, dizendo que ele estava sendo perseguido por sua religião. Que diz que seu partido não aceitará doações de industria de armas, agrtóxicos, bebidas alcoólicas, mas não se importa em receber doações de bancos que financiam essas empresas. Ou seja, não tem uma identidade clara e bem definida.

Todas as mainifestações são válidas e devem existir, só que é importante que o movimento tenha sim uma identidade, seja ela qual for, para que se separe o joio do trigo.

Para que os jovens que estão indo às ruas, não façam marcha a favor do inimigo." 

Comentário do comentarista Moralles, no mesmo tópico "O MPL e o aprendizado da democracia": 

"Não vou levantar a bola do MPL por que eles nem precisam e tambem muito menos achar que tudo é lindo perfeito e não manipulado. É natural  e é o mínimo que se espera de uma democracia quase (?) consolidada  que movimentos como esse surjam saneando e trazendo novas  perspectivas politicas e sociais. Eu como muitos aqui fizemos parte da luta pela redemocratização, levei pauladas corri muito ,me escondi, isso tudo sem apoio de mídia alguma (pelo contrário) sabendo que a morte rondava sem apelação e correr para casa não me salvaria pelo contrário  exporia meus familiares.

Não tenho saudades,apenas orgulho, poderia ser tão menos sofrido, mas não quero observar atuais movimentos da minha ótica e achar que nada mudou,não havia net apenas reuniões horriveis onde tinhamos medo até do carteiro que passava pela rua. Desejo sorte  para o "passe livre" e muita paciência, apesar da facilidade para se organizar ficou mais dificil enxergar os potenciais inimigos, e eles ainda são os mesmos travestidos ou não em meio a multidão."

Comentário de Sérgio Saraiva, mesmo tópico no Blog-mae: 

"O MPL corre agora o risco do sucesso.

Com a violência da PM contra jornalistas dos seus orgão midiáticos de apoio rasgou se a cortina de ocultação que caiu sobre a opoinão pública apolitizada, por exemplo, na desocupação da USP. Lá,  os estudantes foram apresentados como maconheiros ou como "Os bebês da USP" (Vinícius Mota) ou "Delinquentes mimados" (Gilberto Dimnestein).

Nesse caso, a ação da polícia foi tratada como exemplar, porém não havia fotos da desocupação, só do antes e do depois.

Os estudantes são os mesmos e apresentação era a mesma. Agora grupelho de barderneiros e vândalos em função dos manifestantes terem adotado a violência como forma de ação política. Erro que as orgãos de mídia sabem bem como explorar.

Ora, a polícia era amesma, a novidade foi o sangue dos jornalista. Rasgou-se a cortina, vimos a cara dos manifestantes ouvimos o que tinham para dizer. Era confuso, mas não eram frases de de um grupelho de baderneiros. Nem eram meninos de periferia sobre os quais poderia-se insinuar terem a sua revolta patrocinada por traficantes que querem expulsar a polícia do local.

Tinham apelo e ganharam apoio popular.

Passamos agora para uma segunda fase.

Ocorrerão novos protestos? Ocorrerão.

Pelo menos até o final do mês. Depois vem julho, férias... e aí, haverá firmeza de propósito que resista?

A PM agirá da mesma forma? Não. PM e os orgãos da mídia estão em contato para estabelecer uma forma de ação e divulgação que recupere ao governo a imagem de mantenedores da ordem? Provavelmente sim.

E o MPL. O pessoal das pedras nas mochilas, das vidraças quebradas e dos sacos de lixo queimados são sua fragilidade. A liderança 

A oferta do Haddad e sua ação com perfil de professor que dialoga e procura ouvir os estudantes leva o movimento a um impasse? Claro que sim.

O grupo deverá se dividir? Creio que fatalmente isso ocorrerá.

A causa por trás dos protestos aos poucos parece a de ser "contra tudo isso que está aí". Ou, para resgatar um lema sessentista, "não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos. E o que não queremos é isso tudo que está aí".

Movimentos assim são fortemente agregadores, reunem de cyber-punks (eles ainda existem?) e anonymos  a trotskyquistas. Fora quem está no topo da cadeia alimentar social, todos têm algum motivo para ser contra alguma coisa em relação a tudo que está aí.

Mas e agora? Haddad quer conversar. Se aceitarem, ganham status de oficalidade, ganham um canal de comunicação privilegiado para apresentarem suas reivindicações atuais e futuras, mas abrem automaticamente negociações. E, em negociações, cada lado acaba tendo de ceder algo em nome do consenso.

A parte mais consequente do movimento deverá aceitar, mas e a turma das pedras na mochila e dos sacos de lixo incendiados. Com grupo dividido, essa turma pode ser reprimida com o pretexto da intolerância ao diálogo aberto?

A falta de uma estrutura programática mais firme por trás das reivindicações pode levar o movimento a ser cooptado por outros movimentos mais estruturados ou, muito pior, ser instrumentalizado por algum interesse.

A dor dos parentes das vítimas do acidente da TAM não foi instrumentalizada em uma passeata "contra tudo isso que está aí"? 

A Folha de hoje já traz informação de alguns movimentos nesse sentido.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1295768-trabalhadore...

Jovens com visibilidade pública e dispostos a lutar por alguma causa são um ativo político valioso.

Coisas e pessoas valiosas sempre atraem interesses diversos.

Ou seja, o MPL corre o risco do sucesso.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0711201103.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0711201103.htm"

Comentário de Djijo, no tópico do blog-mae (essencial de ser visto...) http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/haddad-exclusivo-o-mpl-e-a... (o tópico inclui um vídeo com a entrevista dada pelo Haddad ao Nassif no jornal GGN; aliás vale a pena ver o vídeo no lugar original, porque parece que nao abre no link acima; o link do original é http://www.jornalggn.com.br/blog/exclusivo-fernando-haddad-e-a-mili...)

"O feitiço virou contra o feiticeiro? A imprensa direitona cantou tantas "catástrofes" ocorrendo no Brasil e "desmandos políticos do PT" que a classe média se viu sem navio e resolveu botar pra quebrar, atirando pra todos os lados já que não confia em mais ninguém, ou seja, todos os partidos são suspeitos e todas as instituições são suspeitas? 

Ctrl+C e Ctrl+V da página do Facebook do MPL:
Júlio Carol Por favor! O movimento é contra um sistema! Portanto, não utilizem esse fórum para criticar partidos de direita, esquerda ou centro! Se fizermos isso, chegará o dia em que estaremos nas ruas e brigaremos entre nós, como já ocorreu na Venezuela!!! Não vamos perder o foco: o sistema não presta...nenhum partido presta!!! Todos estão contaminados pela escória de políticos que, após anos se manifestando contra a ditadura (e muitas vezes de forma violenta), vem hoje a público dizer que os manifestantes são baderneiros ou manipulados pela mídia e outros partidos! Não conseguem enxergar ou admitir que não conseguem ter a competência necessária para administrar o país!!! Muitas mudanças deveriam ter sido feitas á anos, pelos diversos partidos que já estiveram no poder...mas o que vemos??? Apenas descaso, desordem, desgovernos, desmandos, corrupção! Por um Brasil unido, justo e solidário!!! Essa é a bandeira que tem que ser levantada!" 

Texto postado pelo comentarista Homero Pavan Filho, no mesmo tópico da entrevista com Haddad (nao concordo com muitas coisas que ele diz, mas acho que suscita reflexao): 

"VINICIUS TORRES FREIRE

A burrice está solta nas ruas

Pobreza intelectual, polícia violenta e jovens autoritários e sem imaginação fazem o junho de 2013 em SP

"A IMAGINAÇÃO NO PODER" foi um slogan do maio de 1968 na França. A imaginação jamais chegará ao poder, pois a frase é uma espécie de oximoro. Mais deprimente é que a imaginação morreu até nos protestos, como esses do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo.

Como em tantos movimentos de protesto das últimas três décadas, por aí, as táticas do MPL parecem uma cópia e colagem ingênua e anacrônica de passeatas contra a ditadura brasileira de 1964 e dos motins de maio de 1968, por sua vez inspirados nas barricadas das revoluções operárias sérias da França de 1848 e de 1871.

O MPL não é decrépito pelo fato de a rebeldia para valer estar fora de moda, infelizmente, ou apenas porque suas ideias sejam versões pobrezinhas de pensamentos caducos. O MPL é velho ou regressivo até no seu amadorismo.

Movimentos revolucionários ou mesmo de reforma liberal séria velhos de 60 anos (ou até de 150 anos) eram mais criativos, articulados e capazes de usar recursos, tecnologias de comunicação e táticas políticas no estado da arte de suas épocas, por assim dizer (de revoltas operárias na Europa a movimentos pelos direitos civis nos EUA, por exemplo).

Tocado por jovens, o MPL não sabe nem usar direito as tecnologias da hora, internet e os celulares de que tanto gostam, não sabem projetar sua imagem nas ditas mídias sociais, não sabem organizar manifestações de modo a conquistar apoios sociais, não têm comitês de advogados, conexões políticas. Não tem inteligência teórica ou estratégica e, portanto, capacidade política: de convencer, de ganhar apoio, de crescer, de fazer uma boa causa vencer.

Em vez da passeata convencional ou do tumulto violento e, pois, em última análise, autoritário, por que o pessoal do MPL não se deita nas ruas, imóvel, agitando bandeirinhas brancas? Não é piada.

Primeiro, para defensores da "mobilidade urbana", seria uma metáfora irônica. Segundo, daria imagens que correriam mundo. Terceiro, desmoralizaria a violência estatal. Se a PM quisesse remover o pessoal, teria de carregar milhares de manifestantes, um por um. Caso a polícia ainda partisse para a ignorância, imagine o vexame: "Polícia espanca jovens deitados, com bandeiras brancas". Quarto, ganhariam simpatia; a violência de agora, além de tudo, é contraproducente.

Sim, é óbvio que a polícia tem sido bárbara, antidemocrática e profissionalmente imperita. Geraldo Alckmin é o responsável quase direto pelas cacetadas e tiros. Pode não ter mandado "prender e arrebentar" (cortesia do ditador-general João Batista Figueiredo, 1979-1985), mas tem dado o tom da coisa.

Desde seu primeiro governo deixou a polícia à vontade com a ideia macho de "a gente não leva desaforo para casa": bate e atira. Mas polícia deve ser atividade técnica, serviço público, e não briga de rua ou milícia de guerra. Claro, policiais também não devem ser vítimas de pedrada, tiro e menos ainda morrer no trabalho (sim, é apenas um trabalho).

A falta de educação profissional da polícia, a porteira aberta por Alckmin para a meganha e a pobreza intelectual (além da violência autoritária) do MPL provocaram esse tumulto sem sentido."

Vamos ver se consigo incorporar aqui o vídeo do filho do JC. Avaliem por vocês mesmos se nao é o cúmulo da ingenuidade bem intencionada e vazia: 

Agora os vídeos da tal moça dos diários. Primeiro o em que ela apóia o movimento, depois o que eu disse que era COMPLETAMENTE IMBECIL: 

Como sempre a Anarquista não entendeu nada, e chega ao absurdo de taxar a moça de imbecil. OU Anarquista!!! ou!!! hei!!! psiu!!!! O que se faz nos bailes fanks da vida, nos Tchans, nos programas das mulheres frutas? O que fazem a maioria dos jovens o dia inteiro, se não ter uma rotina idiota de comer, dormir e ouvir rep....E as madames em seus apartamentos, assistindo novelas, fuxicando nos salões de cabeleireiros, levando cachorrinhos e gatinhos de estimação ao veterinário, participando de bingos e calorosos reuniões em clubs de fortões fazendo strip teases... O que faz os congressistas, Deputados, Senadores e vereadores, prefeitos, governadores e os "Presidentos" e "Presidentas"? A não ser atolar-se no ócio do poder e não ter nada pra fazer. Melhor assim ! né!!!, porque se vão fazer alguma coisas, só sai bobagens, quando não propõem assassinar nasciturnos, bitolar as mentes, gramsciar os trouxas, mancomunar-se com infanticidas, fraudar licitações, abarrotar o Estado de companheiros, driblar as instituições, apoiar e ser apoiados nos conchavos....E, como fica o povo, cantando, sambando e reclamando. Chorando, sofrendo e morrendo. Que beleza Anarquista!!! seu raciocínio tosco é deveras admirável!!! ??? ..... Sei lá!....

Falou....

Em matéria de raciocínio tosco, você acaba de dar uma aula. 

Um participante colocou, no tópico "Secretaria de SEgurança de SP nao enviará tropa de choque", um link para um blog divulgando as instruçoes do movimento para quem vai participar, e quem pode ajudar de casa. Fiquei bem impressionada, se a moçada estava desorganizada no início (nao sei se estava), agora nao está mais. Queria pôr aqui as instruçoes, mas ultrapassa o limite para um comentário. Deixo o link: 

http://scmcampinas.blogspot.com.br/2013/06/quinto-grande-ato-contra...

Li a pouco (mas esqueci de copiar) um comentário que fala bem do que sinto. O comentarista dizia que estava num misto de felicidade e de apreensao com o movimento. Acho que é isso. É uma promessa imensa de renascimento da política feita diretamente pelo povo, e pelos jovens. Mas tb um risco tao grande de atiçar efeitos catastróficos... Mistura de medo com esperança. 

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