O governo federal vem ampliando o número de universidades e suas áreas de abrangência. Várias dessas novas universidades são multicampi. Isso quer dizer que tem uma série de campi instalados principalmente fora do município-sede.

A gestão dessas universidades não pode ser a mesma que se aplica a universidades já cristalizadas, sedimentadas.

Com a criação dessas novas instituições foram autorizados e executados, por imposição legal, uma miríade de novos concursos públicos. E uma parte expressiva - para não dizer a maior parte - dos aprovados é gente jovem, de primeiro emprego. Isso se repete nas duas carreiras, administrativa e docente.

O importante nessa gente jovem é o entusiasmo, a vontade de fazer acontecer, a necessidade de buscar realizações. O ruim é que são universidades públicas. Com toda uma carga legal, típica do bem público, a ser cumprida. E aí a juventude se perde um pouco. Por inexperiência, desconheçem a constelação de leis, portarias, estatutos e regimentos necessários para o devido controle (sic) de uma instituição pertencente a todo o povo brasileiro.

Dessa forma, é mister que a comissão implantadora e/ou a primeira reitoria pró-tempore - que, espera-se, tenham capacidade de gestão já comprovada - gastem um tempo razoável em normatizar e publicizar normas e instruções detalhadas para funcionamento da instituição. Lembrem-se que estamos falando que o quadro próprio será composto, em sua maioria, por pessoal jovem de primeiro ou segundo empregos.

A universidade brasileira tem, em seu âmago, a exigência de prover ensino, pesquisa e extensão. São atividades mais voltadas para a carreira docente. Porém, permeando essas atividades, existe a gestão administrativa. Que deveria ser mais específica aos quadros técnicos.

E é sobre essa gestão administrativa que me atrevo a palpitar. Com algum embasamento teórico, alguma experiência, uma pitada de experimentação e a vontade de que essas universidades venham mesmo ao encontro das necessidades do povo e da nação.

Grosseiramente, a universidade se divide em reitoria, centro administrativo da empresa ( para desgosto dos doutos doutores docentes, uma universidade federal é um empresa no sentido de empreendimento humano) e faculdades, institutos ou cursos.

Numa universidade multicampi o desenho organizacional mais lógico se assemelharia a uma roda de bicicleta. Ou a um polvo. Um centro do qual saem raios ou tentáculos. A reitoria, eixo central, aglutina todas as atividades-meio necessárias ao funcionamento organizacional. Os raios seriam a ligação com as faculdades, institutos ou cursos, estes voltados principalmente às atividades-fim. Ou seja, as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Enfim, unidades de produção.

Compras, logística e frota, contabilidade, entre outras, centralizadas na reitoria. Um sistema de protocolo eficiente será capaz de ser o elo entre a reitoria e as demandas das unidades de produção. Hoje, com os meios eletrônicos disponíveis, um sistema desses é perfeitamente factível. com possibilidades de resposta quase que em tempo real.

A agenda única e comum, a partir da reitoria - administrada, não criada por ela - evitaria transtornos do tipo superposição de eventos ou acúmulo de recursos, sejam eles quais forem, numa unidade em detrimento das outras.

Qual a vantagem desse aparente inchamento da reitoria? Simples. Liberar técnicos e recursos, nas unidades de produção, para as atividades-fim que obrigatoriamente tem que ser ali desenvolvidas. Bibliotecas, laboratórios, secretaria acadêmica, estudo de projetos e busca de meios de financiamento poderão ser desenvolvidos durante os dois ou até, se necessário, três turnos de trabalho. Ou seja, estarão os técnicos, juntamente com os docentes, disponíveis para atender aos alunos.

Vemos, em algumas universidades multicampi, técnicos nos campi que são responsáveis por diárias, atividades de gestão de pessoal, compras, enfim, que na verdade nada mais fazem que receber uma demanda de um docente ou aluno e encaminhá-la a reitoria. Um técnico caro fazendo serviço de um mico amestrado. Haja dinheiro público para isso! É aqui que entra nosso protocolo informatizado.

Alguns dizem que cada campi deveria ter seu pregoeiro, figura essencial na atividade pública. Essa idéia parte da premissa que o requisitante é que sabe exatamente o que precisa ser adquirido, com que qualidade. Ora, se esse requisitante não é capaz de fornecer as especificações de um produto a um departamento centralizado de compras, também não saberá descrevê-lo a um pregoeiro a seu lado.

As universidades que conheço, devem haver outras com procedimentos diversos, tem um sistema de compras incrivelmente ineficiente. E de difícil controle. Jogam sobre o requisitante a incumbência de descrever o produto, encontrar o fornecedor e, no mais das vezes, obter os três orçamentos que é o mínimo que a empresa pública precisa. Isso acarreta uma sobrecarga de trabalho para o requisitante que, no mais das vezes, não tem habilidade ou interesse nesse tipo de atividade. Termina que o requisitante contata um único fornecedor e solicita que ele próprio, o fornecedor, obtenha de outros fornecedores que trabalhem com o mesmo artigo orçamentos maiores que o seu. Surge aí uma relação de dependência perigosa. O requisitante acostuma-se a solicitar sempre do mesmo fornecedor e este torna-se dependente do requisitante para fornecer ao serviço público. Pronto, temos uma porta aberta para a corrupção.

É evidente que um assunto complexo como este não se esgota aqui, é apenas uma introdução, uma idéia que pode ou não ser aproveitada. E aos puristas, aos que se preocupam com o embasamento teórico da minha proposta cumpre-me dizer que ela não é original. Nem nova. Baseia-se no conceito organizacional aplicado nas zaibatsu, desenvolvido por grupos empresariais japoneses já no século XV ou XVI.

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