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Flavio Lyra.

À primeira vista, pode parecer que este artigo esteja em contradição com a realidade. Depois da vitória de Bolsonaro no 1° turno, pode soar estranho ver uma derrota no acontecido, que para o olhar da grande imprensa e dos menos avisados aparece como uma vitória retumbante. Trata-se de uma vitória oca, pois sua substância carece de sustentação ética, econômica e política.

Dentro de uma perspectiva histórica, as forças populares que apoiam a candidatura de Haddad saíram altamente vitoriosas do confronto, porquanto os meios e as formas adotadas pelos adversários refletem muito mais do que se imagina uma atitude de desespero extremo frente ao avanço continuo na afirmação de um modo mais sério, participativo e democrático de fazer política.

A atuação de outros partidos, como o PDT de Ciro Gomes, o PSOL de Boulos, o PCdoB de Manuela etc , defendendo programa assemelhado ao do PT, mostram claramente que a sociedade não se deixou influenciar pelos recuos antidemocráticos do governo Temer. Continuam muito vivas as aspirações do povo brasileiro por mudanças que favoreçam a soberania nacional, a redução das desigualdades sociais e regionais, a independência da política externa e o avanço da democracia.

Não cabem dúvidas quanto a muito discutível qualidade das lideranças a que as forças de direita tiveram de recorrer e as bandeiras retrógadas que lhe estão servindo para participar da cena política, em que se evidencia como característica fundamental o antipetismo baseado na mentira e na perseguição sistemática das lideranças adversárias, os métodos fascistas de ataques verbais e materiais aos que defendem mudanças em favor do povo e as ameaças à forma democrática de governo.

O derretimento do PSDB e a adesão de boa parte de seus quadros às candidaturas de extrema-direita é um retrato fiel do fracasso da tentativa desse partido de comandar o país ao lado de Michel Temer e do fisiológico e corrupto partido que seu grupo comanda. A proposta da “Ponte para o Futuro” fracassou.

A direita que tenta se organizar em torno de Bolsonaro, não tem proposta para a retomada do desenvolvimento do país. Mesmo que consiga vencer no 2° Turno da eleição, estará condenada a ser derrotada mais à frente.

Suas propostas de reduzir o tamanho do Estado, de avançar com as privatizações, de aprofundar a retirada de direitos da classe trabalhadora e de manter incólume o poder dos bancos e a subordinação do Banco Central ao oligopólio financeiro, não têm como prosperar.

Brasília, 09 de outubro de 2018.    

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Vamos para frente...

Não há diferenças, enquanto o PT ou qualquer outro partido de esquerda não enfrentar com seriedade as grandes reformas estruturais que precisamos, ou fazer a meia culpa e não continuar endeusando aqueles que foram condenados em todas as instancias a qual foi submetido, continuará com pouca legitimidade. E não sou eu quem disse, foram as urnas. Até o momento, mais de 49 Milhões de pessoas desejam a mudança.São quase 6 Milhões a mais do que a Dilma teve no primeiro turno em 2014. O PT perdeu o poder de representatividade do Povo, e enquanto não descolar do discurso Lula Livre, continuará assim. Muito embora tenha mantido a posição de maior bancada no congresso, ainda assim assistiu sua bancada diminuir e a bancada conservadora dar um salto gigantesco. O PT precisa oxigenar, esquecer a velha politica. Lula, Dilma, Lindhembeg, Gleisi...todos esses sairam derrotados dar urnas... Lindhemberg não foi reeleito, Dilma não foi eleita, Gleise com votação PÍFIA para deputada. O PMDB e PSDB definham, e o PT vai junto. 

 LEANDRO: por certo, não há como desconhecer a realidade das urnas. Mas, há uma realidade mais profunda que explica o que vem ocorrendo com a cabeça dos eleitores, que também não deve ser desconhecida. É preciso que as pessoas entendam que estamos caminhando para o abismo e que Bolsonaro só vai agravar o problema. Admito que ele tem grande chance de ganhar e provocar o caos na economia, pois suas propostas vão agravar os problemas que produzem a estagnação econômica do país. Não pretendi fazer um trabalho de marketing político, apenas ajudar a entender a problemática que nos cerca. Abração. 

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