Você Gosta De Poesia? Quais São Os Seus Poetas Preferidos?

Eu sou desde os 4 anos apaixonada por eles e um dos meus favoritos é este gaúcho aqui:

Poeminho Do Contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana

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Respostas a este tópico

Nina, dois poetas sempre me emocionaram bastante, desde os tenros tempos da escola, mostrando aspectos tão diversos da pessoa humana... E valeu pela iniciativa!!

Augusto dos Anjos com seus VERSOS ÍNTIMOS:

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Sómente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

e VINÍCIUS DE MORAES com seu Soneto da Fidelidade:

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes
Better,better...isto aqui tá ficando muito bom...Belíssimas preferências, Lúcio e Mário Henrique!!!
Nina, eu não tenho preferidos. Gosto de tantos. Cada um poeta me encanta. Para não repetir os que já colocaram, que eu também sou fão, vou colocar outros que me dizem muito. Um é tua e minha paixão:nosso poetinha gaucho. Outro é um antigo poeta, também gaucho e não tão conhecido e Clarice de quem não preciso dizer nada.

RECORDO AINDA

Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...

Mario Quintana


Duas Almas


Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
Entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
Vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho,
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...


Alceu Wamosy



Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Clarice Lispector


E mais este que também me encanta.

A FLAUTA VÉRTEBRA

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.


Vladimir Maiakóvski
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector

Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
Clarice Lispector

O amor não se entrega aos preguiçosos.. para existir na sua plenitude exige por vezes gestos preciosos e fortes.

É natural cometer erros, partir sem os ter compreendido é que torna inútil o sentido de uma vida. As coisas que nos acontecem nunca são definitivas, gratuitas, cada encontro, cada pequeno acontecimento tem um significado, a compreensão de nós mesmos nasce da disponibilidade em aceitá-los, da capacidade de mudar de direcção em qualquer momento, de deixar a pele antiga.


Uma vida desperdiçada é aquela em que o caminho do amor não se conseguiu cumprir.

Quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiras-te no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar



Susanna Tamaro

Sou fã n° 1 de Susanna e Clarice
Emoção pura, nestas predileções,Marise e Zaíra...
Parar. Parar não paro.
Esquecer. Esquecer não esqueço.
Se caráter custa caro
pago o preço.
Pago embora seja raro.
Mas homem não tem avesso
e o peso da pedra eu comparo
à força do arremesso.
Um rio, só se for claro.
Correr sim, mas sem tropeço.
Mas se tropeçar não paro
― não paro nem mereço.
E que ninguém me dê amparo
nem me pergunte se padeço.
Não sou nem serei avaro
― se caráter custa caro
pago o preço.
Sidónio Muralha (* Lisboa – 29/07/1920; † Curitiba – 08/12/1982).
Ó Deus se existes,


porque te escondes
além do pensamento que me deste?
Porque teceste
uma muralha de universo,
espalhada por mil nuvens de infinito
e me deixaste aqui,
poeira de vento,
a boiar no tempo,
um quase nada,
suspenso numa estrela
quase morta;
contando os dias de viver,
quando amanhecer;
julgando que o saber
é erudição que a fantasia tece...




Ó Deus se existes,
porque me fizeste
escravo de bom senso,
a adivinhar além do que parece?
juízo ancorado, quando penso,
candeia da pesquisa, risco,
passando as gerações de mão em mão?...
Será que sou apenas isto,
luz frouxa da razão,
no candelabro do limite
pendurada?
sombra de outra vida que passou?
traço no tempo e nada?
ou anjo condenado a não saber quem sou?



(Luís Rosa, in "Poemas de amar e Pensar um Pouco)
Tem uma noite amanhecendo em mim
largada de estrelas, repleta de sóis.
Tem uma noite rompendo minha madrugada
rasgando auroras, prometendo desvarios.
Tem uma noite me abrigando de frios.
Tem uma promessa em dois olhos escuros
inundando meu coração de luz.
Tem um sol atravessando uma noite de séculos
me prometendo loucas auroras.
Que venha.
Vou coalhar de estrelas
cada passo seu.

Cristina Mota
(uma amiga que amo muito e escreve d+)
Em 2007 eu fiz este poema que por acaso, achei hoje...

Miscelânea


Minha alma tem malocas
De sotaque Adoniran
Minha alma busca a calma
Feito Teilhard Chardin
Minha alma tem guirlanda
Danças de Carmem Miranda
Minha alma é mar dengoso
Qualquer coisa de Veloso
Minha alma é flor em jarros
Pantanal, Manoel de Barros
Minha alma tem um bosque
De frondoso Maiakoviski
Minha alma ouve banjos
Versos soltos, Neide Archanjo
Minha alma não tem teto
Só soleiras e Lispector
Minha alma tem pardais
Mangueiras e carnavais
Jangadas e igarapés
Patativas e assarés
Caymmi compondo coco
Com Monarco e Manassés
E Adélias, Cecílias e Espancas
Alices,Sophias e Coras
Minha alma sem demoras
Busca Pessoa e temas
E convive nas escoras
No suspiro dos poemas.


Nina Araújo.



mas faltam alguns...rs.
Uma plêiade deles,Simone! Que emoção!! Nossa!!

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