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VOTAR CONTRA OS PRÓPRIOS INTERESSES.

Flavio Lyra.

Não constitui uma experiência pouco frequente na história das democracias que os povos se valham da liberdade do voto contra seus próprios interesses. As crises em que se encontram várias democracias no mundo atual têm muito a ver com esse descompasso entre o que os eleitores consideram seus interesses reais e o que acaba acontecendo na prática com os governos eleitos, que seguem rumos que muito se afastam do desejado pelos eleitores.  

Há indicações muito claras de que as candidaturas do Capitão Jair Bolsonaro e de seu vice, General Mourão, aos postos de dirigentes maiores do Brasil, recai de modo estridente nessa situação paradoxal. Os dois candidatos nunca se destacaram, nem por qualidades pessoais, nem por suas ideias, como pessoas aptas a desempenharem essas altas funções.

É bastante considerar que, por sua formação militar alicerçada na hierarquia e por declarações enfáticas, os dois mencionados candidatos, têm forte propensão para formas autoritárias de governo, que nada têm a ver com a preferência da população pela democracia, recentemente comprovada por pesquisa, na qual 69% dos entrevistados se declararam adeptos da democracia.

É igualmente surpreendente que ambos militares não mostrem qualquer intenção de fortalecimento da soberania nacional, nem da manutenção sob o controle do Estado de atividades estratégicas para o fortalecimento do Poder Nacional e para o desenvolvimento econômico. Pelo contrário, se mostram ultra- liberais no plano econômico e exageradamente adeptos do fundamentalismo de mercado, típico dos manuais de economia neoliberais.

Deixam antever, ao contrário, sua simpatia pela submissão dos interesses nacionais aos interesses das corporações internacionais.

No plano cultural, são declaradamente avessos a mudanças destinadas a proteger minorias, a combater a discriminação racial, a favorecer as ações em favor dos direitos humanos, em geral.

No Brasil atual, há quatro grandes questões irrecusáveis do ponto de vista de nosso futuro. A questão da soberania nacional, fundamental para determinar os rumos que teremos de seguir em nossas relações internacionais, com vistas a, situar nossas decisões internas em matéria de orientação do processo de desenvolvimento. A questão da redução das desigualdades sociais, sem o que não teremos chance de avançar na elevação das condições de vida da população. A questão das desigualdades regionais, que se agravada bem poderá afetar a unidade política do território nacional. E, finalmente, a gravíssima questão da proteção ambiental, fundamental para a qualidade de vida da população.

Para nenhuma destas questões, as candidaturas anunciadas têm qualquer proposta a oferecer à população. A temática monotônica de suas campanhas tem sido o combate à corrupção, dirigida equivocamente ao partido que lhe faz oposição, pois trata-se de um problema geral.

Estamos, assim, diante de uma situação em que os votos poderão mais uma vez se transformarem em arma mortífera contra os interesses da população.

Brasília, 06 de outubro de 2018.  

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