O Amazonas Film Festival iniciou no dia 03/11/2011 com a exibição do filme “Xingu” do cineasta e produtor Fernando Meirelles e, segundo comentários é muito bem produzido e os atores tanto profissionais como os indígenas fizeram uma bela interpretação. 

Talvez vocês achem estranho eu estar falando sobre cinema, não mudei sobre o que escrevo.  O fato é que em março deste ano, recebemos no antigo Espaço Cultural da COIAMA, dois cineastas locais, que nos falaram sobre a proposta de fazer um filme curta-metragem, que iriam produzir sobre o índio urbano e me convidaram para participar, indagamos de que forma seria, e disseram que depois iriam explicar.

Pois bem, numa certa noite, eles retornaram já com um contrato em mãos para que eu assinasse, e eles iriam filmar um depoimento meu, a respeito dos parentes índios urbanos. 

Após ler sobre o roteiro e as situações que iriam aparecer no filme que eram; depoimentos, fotos e até acontecimentos com indígena urbano que escamoteavam suas identidades étnicas devido ao preconceito e discriminação e como não havia parentes de nossa etnia, preferi não participar do filme intitulado ‘’Ser ou Não Ser’’.

A idéia dos cineastas, não foi negativa, no entanto percebemos que infelizmente, algumas pessoas ainda não conseguem decifrar ou entender porque a forma do índio urbano é tão conturbada. 

Chegam até a comentar: Se vivem assim, porque não voltam para o mato onde é o lugar deles?  Essa é uma visão arcaica do proselitismo de quem não consegue absorver a essência da natureza humana.

Seria bem mais fácil decifrar esse enigma se, ao invés disso passassem pelo menos uma semana  em convivência com os índios, no caso urbano. 

Iriam descobrir que eles não estão aqui na capital para fazer turismo, e nem para disputar lugar com ninguém mais sim, que foram levados a viverem nesta situação e que tentam sobreviver como qualquer cidadão brasileiro.

Primeiro, porque vivemos num país democrático, e o índio tem o direito em viver na cidade estando ele apto a colaborar muito mais com sua experiência, caso lhes dessem oportunidades, pois inteligência e conhecimento não lhes faltam.

O roteiro deste filme mostra apenas alguns ângulos do ponto de vista dos referidos cineastas mais não retratam determinados fatos reais que estão acontecendo com a grande maioria dos índios urbanos em Manaus.

Temos um exemplo, tem 10 meses, que estamos mostrando as dificuldades das 12 famílias indígenas que vieram para cá devido á falta de assistência, morando em área de risco e acreditando nas promessas da melhoria da qualidade de vida, após peregrinarem por alguns lugares, acabaram sendo conduzidos pelo antigo Coordenador Regional do órgão para uma garagem da FUNAI, onde foram deixados convivendo com ratos, passando necessidades básicas e mesmo após reivindicarem o apoio a moradia no sentido judicial, até agora nenhuma solução e nem opção real de viverem dignamente foi oferecido para estas famílias. 

E ainda existem pessoas que fazem pouco caso e descaso com relação aos problemas enfrentados por estas pessoas, e em redes sociais e virtuais chegam a dar gargalhadas com a situação degradante que estas pessoas estão passando, isto sim, seria um grande roteiro para um filme com histórias reais do cotidiano indígena em Manaus.

 Para estas pessoas que estão fingindo fazer filantropia e com cinismo e deboche dizem ser solidários com os índios do Amazonas, gostaria apenas que eles tivessem a oportunidade de morar por 10 meses com mais 12 famílias, num total de 46 pessoas, sem apoio logístico em uma garagem de carros velhos, com lixo e ratos, enviando ofícios a órgãos pedindo ajuda por alimento e sequer ter resposta.

Tudo isso acontecendo dentro de uma garagem em divisões de lona, com recém nascido, pessoas doentes e quase dormindo no cimento, enquanto isso, aqueles que já poderiam ter lhes dado a mão lhes deixam na reserva e na espera.

Pois bem voltando ao Festival, o longa-metragem “Xingu” que retrata a saga dos irmãos Villas Boas, e que narra os percalços vividos por eles, baseado em fatos reais, foi muito bem elaborado e de muita importância não só para os índios como também para a história do Brasil.

No Festival, o cineasta Leonardo Costa, apresentou ontem para o público que lotou o Teatro Amazonas, o seu filme “Ser ou Não Ser”, um curta- metragem que vai mostrar ao mundo, a discriminação sofrida pelos indígenas que habitam nas cidades.  Muitos fatos mostrados nesse filme, foram bastante comentados em artigos que escrevi em meu blog e no Portal Luis Nassif.

Diga se de passagem os artigos: “Discriminação e Descaso” e “Fome Zero Para os Índios”, este último em destaque no Portal Luis Nassif, é realmente um retrato em preto e branco da situação que os descendentes dos primeiros habitantes deste país sofrem fora e dentro de suas aldeias e nas áreas urbanas.

Quanto ao “Ser ou Não-Ser” mostra até que ponto chega àqueles que foram os donos de uma terra rica, mas que hoje lhes é negado o direito de nelas viver de forma digna e poder mostrar suas dúvidas sobre Ser ou Não índio.

Por que antes, para sobreviver, tiveram que trocar ouro por miçangas, deixaram até de falar suas línguas.  Mesmo assim, o poder econômico foi lhes dizimando, passaram até a serem cabos eleitorais, no que apenas alguns dão sorte.

Quem sabe um dia, nossos parentes amazonense possam vir a mostrar um filme que não mostre a incerteza do Ser ou Não Ser e sim, mostrar que São Índios, que na cidade ou nas aldeias também são cidadãos brasileiros.  Afinal ÍNDIO É ÍNDIO em qualquer lugar e merece o respeito e consideração.

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A realidade indígena do Brasil, da Amazônia ao xingu está sendo mostrado na forma real, sem ficção no Amazonas Film Festival.  O filme Xingu, que Fernando Meirelles foi o produtor mostrará aos brasileiros a saga de três homens, os irmãos Villas Boas. que mostraram ao mundo a união de brancos e índios em prol da natureza.

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