Encontrei-me com Zouzou Dupré, querida amiga de infância naqueles anos loucos (a década não entrego, seus araponguinhas etários, quiqui). Esteve aqui de passagem pra adquirir milho-trans para o seu haras de bodes Lacôutelle, que fizeram a fama do bucólico vale St. Antoinette de Lajour, com seus tranquilos bosques delicadamente contornados pelo lindíssimo Loire, e a revelar um castelo ou um petit soleil após cada curva de rio e em cada elevação.
Demos uma esticadinha no Chez Manolo, onde nos deleitamos relembrando os bons, velhos... e aprazíveis... tempos. Zouzou tem milhões de histórias, como esta Zezinha que vos escreve. Conde Graziano-d’Ildefeonso, o Luigi, costumava dizer: “Essas duas Zês só aprontam agás”. Quaquaquá!
Zouzou foi um pouquinho de tudo, aquela ali nasceu com um fogareirinho no derrière que nunca a fez sentar praça em nada nem lugar algum. Expulsa de quatro academias as mais chics da Europa, veio dar com as belas espáduas na praia de Trindade, costa sudeste deste Brasil varonil, onde exatamente travou relações com esta Zezinha, ao melhor estilo egalité fraternité e liberté generalé. Hippies, estátuas vivas, moscas mortas, artesãs, cortesãs e frilas malsãs; fizemos de tudo pelo nobre propósito humano que, como diria Spinoza, é “no morirse de hambre”, além de um trocado pra dar garantia. Mais tarde, em aldeia de pescadores da Bahia Zouzou fisgou um fisherman sósia perfeito de Dorival Caymmi, o jovem. Compreensivel que tenha dado um veloz bye bye a esta chininha deslocada, principalmente com vistas a preservar sua nova aquisição noir.
Mas é passado, hoje somos amigas e confidentes. Zouzou agora é pesquisadora de uma ong financiada por grupo fino-dinamarquês associado ao GRES Beija Flor de Nilópolis, dedicada em mapear a migração de avis-raras segundo variações térmicas e deslocamentos de cardumes atraves das correntes oceânicas. Coisa pra lá de complicada, que zezinha nem vai explicar porque além de pobretões vocês parecem todos bem burrinhos, quiqui...
O fato é que Zouzou me disse algo inquietante que me fez derrubar o chá verde de Bombain nas havaianas do mâitre, e que preciso lhes revelar em avant. Sem pânico, ouviram? Não está ainda positivamente confirmado; são tendências, mas cujos efeitos podem ser calamitosos.
Seguinte, sorellas: Aumenta a cada dia o número de aves que se recusam a voar!!!!!
Recuperaram o fôlego? Então continuo: Segundo Zouzou, há trinta anos houve um mapeamento e eram 37% o total das espécies-ave classificadas “terrestres”, isto é, que camelavam, no máximo saltitavam, nos seus afazeres do dia-a-dia avícola (Zouzou usa muito jargão científico). Atualmente, segundo aferições realizadas pelo Instituto de Altas Pesquisas Ornitológicas de Dar-As-Salaam, em parceria com a NASA e a Federação Mundial dos Observadores de Aves, o índice cresceu para 78%!!!!!
Há explicações várias e contraditórias, como em toda interpretação de dados de pesquisa científica. A mais aceita, ou menos controversa, é a de que liberação de GEE de forma maciça e extensiva, acarretada pelo aquecimento global, esta sendo fortemente potencializada pela diminuição da emissão de nicotina em cidades de todo o planeta. Componentes químicos liberados por fumaça de cigarro parece ter um efeito renovador à aptidão de voo de aves voadoras, assim explicou Zouzou, e governantes envolvidos em legislações antifumo podem ser convocados a responder em tribunal internacional por crime contra a humanidade.
Já pensaram? É consenso geral que aves voadoras desempenham papel fundamental no equilíbrio de biomas, tanto quanto no esfriamento atmosférico. Bilhões de asinhas batendo em cascata produzem brisas e ventinhos refrescantes. Afora a proliferação deletéria de mosquitos, gafanhotos, besouros e toda espécie de insetos voadores nojentos, porque galinhas e perus dão conta de baratas e minhocas, mas como vão alcançar um marimbondo? Pegando carona em pipas, quiquiqui! E tambem o aumento da população de peixes acarretando o aumento de volume de água marítima, trazendo efeitos catastróficos, como tsunamis, maremotos e atropelamentos por jet ski no morro de São Conrado. Uau! Imaginem se não houvesse flying birds, de onde meu amiguinho Elton teria tirado “Pidgeon Fly”?
É o Apocalipse, now!
Pois bem, outro dado interessante. Pelas projeções, dentro de 20 anos nenhuma ave mais voará. Adieu les oiseaux. Porém... porém, tucanos serão exceção. Tucanos serão o único espécime natural a fazer companhia a aviões e mísseis transcontinentais. Já pensaram? Devido a uma mutação híbrida derivada de acasalamento com certa raça de urubus albinos, tucanos desenvolveram mecanismos casuísticos em seus equipamentos de voo. Ou seja, transformam-se de acordo com instâncias climáticas ou alterações ecológicas.
Resistentes e flexiveis, podem vir a ser os senhores dos ares com suas asas negras e bico comprido. Outro agravante, tucano são defecadores compulsivos e só não deram vazão a tal instinto atávico porque as demais aves lhes dão certa “prensa” em voo, ameaçando enfiar os dejetos que ejetam nos seus próprios respectivos. Se acabarem as aves voadoras, tucanos terão liberdade para, em expressão vulgar, cheries, cagar na cabeça do mundo inteiro, quaquá!
Isto se a humanidade não fizer alguma coisa. Está ainda em tempo. Duas coisas. Fumar pra caramba e produzir algas vermelhas. Constatou-se que maré vermelha faz um mal tremendo a tucanos. Até algumas espécies tucanas gostavam de se alimentar de algas vermelhas, mas com o tempo parece que adquiriram alguma imunodeficiência adquirida. Não podem nem chegar perto, nem olhar de longe. Saem voando piando duro, estridente, em absoluta histeria, ao encontro dos urubus albinos que sempre sabem encontrar alimento mais palatavel, menos intoxicante.
É isso, meninas e meninos. A Revolução dos Bichos começou como batalha aérea. Aves somente rasteiras, nossa geração pode ser a derradeira a se deleitar com um lindo gavião em voo majestoso. Os ceus podem pertencer aos tucanos, e tome merda, hihihi!
Enfim, Zezita e Zouzou estão vendo aí a aquisição de um bunker. Claro que projeto de Paulinho Mendes da Rocha e equipado com mini-academia, mini-piscina e macro-adega. Se acontecer, será devastação pior que guerra nuclear. Aí, só irão sobreviver as baratas e o nosso querido José Alencar. Quaquaquá!
Em tempo, darlings: galinhas já estão deixando de por. Vai faltar pinto! Aiaiai, quanta desgraça!
Passando pra deixar meu alôzinho pra todos e correndo. Bem, não entendi nada que a Luzete comentou hehehe, fiquei voando pra alho, mas jamais imaginei que a Via apia tinha a ver com alho. Bem, vou ler depois com mais calma pra assimilar. Indo que hoje o dia promete. Zezinha, bem que eu queria estar em sampa aquela urbe barulhenta hehehe, mas não vou mais falar porque no meu querido diário, afinal, o que passou passou, que descanse em paz. Caso eu precise de terapia, Cabocla, psicanálise é muito caro, mas será que consegueria umas consultas com vc dividindo em algumas parcelas sem juros? Ai ai! bessos a todos
Zezinha , hehehe, olha, sábio conselho viu. Nunca tinha pensado nisto. Neste rolo do momento da transferência. Cabocla tá sumida, mas vai ter de me indicar um amigo, não vai dar pra fazer terapia com ela. Ainda mais com esta semelhança com Bacal... vai que na hora da transferência dá pobrema. Ótima pontuação, obrigada.
Zezinha, tem uma coisa que não resisto, tenho de contar. Hoje é meu aniversário hehehe. Eu adoro fazer aniversário, desde criança. E gosto de festa, bolo, ( a lena deixou um lá pra mim). Gosto que me dem beijinhos, abraços, se não me ligam, eu ligo lembrando. Dois dias antes já fico lembrando todo mundo que é pra garantir. Duas coisas: isto é caso de terapia? Como fazer uma festa pobre de aniversário com glamourrrrrrrrrrrr? E a última: será que o paulistano do churrasquinho grego vai lembrar de me ligar? Seria uma boa desculpa pra eu ligar lembrando-o da data?kkkkkkkkkkkkk Quando puder mande uma de suas dicas preciosas. Se não servir pra este ano, servirá pro próximo, ou adapto tudo pro Natal kkkkkkkkkkk bjs
Ligar pra bofe, jamé! Não é ecologicamente correto. Autopreservação é fundamental. depois que bofe não lembra nem o que jantou noite passada, vai lembrar de efemérides? Sem neura, isso não quer dizer que ele não te ama de paixão... Somente que tá procurando alguma chave ou o cartão e algum consertador de alguma coisa. Bem aventurados os esquecidos, eles ganharão biquinhos de tristeza, mas economizarão uma nota em presentinhos, quiquiqui!
Beijinhos e abraços e carinhos sem ter fim? É caso de terapia, sim. Talvez camisa de força. Nós, mulheres, temos muito disso, né? Beijinhos e abraços, depois vontade de dar gravatas, socos no fígado e chutes no baço..
Nada que uma tonelada de chocolat não substitua. Hoje é dia especial, manda ver!
Vai com tudo!
Zouzou acha tambem que não se deve entregar mesmo, assim de mão beijada.
Vampiros geralmente transitam após o anoitecer, assim como terapias funcionam melhor após a aparição da lua cheia, ou sob qualquer formato, assim como via de regra brilha mais à luz do luar.
Somos criaturas noturnas, fingimos apreciar a luminosidade solar, mas é na penumbra que revelamos nossos segredos mais ciosamente guardados.
Resquícios de tempos ancestrais, ano lunar, uivos pra lua, o cio correndo solto em sonhos de noites de verão. Nuit, noche, night, midnight summer, é prestar atenção em Walter Hugo Khouri ou Antonioni ou primo Baudelaire ou Vincent Van Gogh, que pintava dias noturnos, amarelos lunares, entardeceres febris, o grande lampião aceso por um Deus que nos execra e deplora.
Já não existe o perdão, principalmente depois de "Os Imperdoáveis", a suprema decretação da desnecessidade de redenção. Clint Eastwood trabalha sobre Khouri e Antonioni e principalmente sobre Sergio Leone. O destino de um homem está nos acordes de uma gaitinha de boca. Tudo caminha para o imperdão, e a indecisão entre to be or not to be. Questão fechada, página virada, folhas mortas.
É cada um por si, e todos contra Deus.
Nada que uns daiquiris dentro de um ofurô não solucionem, momentaneamente.
Sinais inexistentes aqui nesse furúnculo do mundo.
Banda estreita, telefonica absurda, bando de filhos da monarquia hispánica...
Phodamse. Zezinha não precisa deles, que se callen para siempre e morram de gangrena nos baguitos, la canaille.
A questão fundamental é rever tudo, reaver, retrovaille, rebobinar.
Disso tudo Zezinha não sabe aonde vai dar, talvez por aqui mesmo, mas a gaitinha vai tocar.
Deus salve América e a América a faremos nós.
Lafayette, aqui estamos.