A indústria não contrata doutores ou os doutores não encontram os empregos que gostariam?

 

O país se eforça em produzir doutores, mas inúmeros deles não conseguem uma posição no mercado de trabalho fora das universidades.  Falta política de desenvolvimento tecnológico, falta disposição das empresas em contratá-los ou a formação acadêmica obtida não é a esperada pelas empresas?

 

Um plano de desenvolvimento tecnológico determina metas de curto, médio e longo prazo para obtenção de resultados em áreas consideradas prioritárias para o país. Essas áreas devem ser definidas por governo e empresas que pretendem contratar mão de obra altamente qualificada. O governo deve contribuir com o financiamento de cursos de pós-graduação e as empresas com a contribuição financeira a fundos de pesquisa. Os profissionais qualificados seriam contratados para o desenvolvimento tecnológico das empresas, cujos lucros realimentariam o sistema com mais recursos e mais demanda de aperfeiçoamento tecnológico.

Ao menos parcialmente, vejo o governo tentando fazer sua parte. Por outro lado, não vejo o interesse das empresas em contratar essa mão de obra. O interesse maior das empresas é por profissionais com qualificação para a execução de atividades especializadas já implantadas. Por exemplo, nenhuma farmacêutica possui laboratório de pesquisa de fármacos novos, de biotecnologia ou de biologia molecular no Brasil. Tudo isso está lá fora. Ao mesmo tempo, a indústria nacional está estruturada na produção de genéricos.

Em outro setor, o de energia, onde há investimento pesado em projetos de pesquisa e desenvolvimento, os projetos buscam aperfeiçoamento de processos, mas quase nada em termos de novas fontes.

O país não desenvolveu tecnologia eólica própria, e está derrapando na pesquisa sobre energia solar. O tema vem sendo abordado pelo site Ambiente Energia, cujo link disponibilizo a seguir:

 

http://www.ambienteenergia.com.br/index.php/2011/06/solar-fotovolta...

 

De acordo com o Plano Decenal do Setor Elétrico (2010-2020), apresentado pela EPE, precisamos acrescentar 60.000 MW à nossa matriz, além de 40.000 km de linhas de transmissão.  Se nessa área estratégica não existe um plano de desenvolvimento de longo prazo, o que dizer de outras, que poderiam agregar valor aos produtos nacionais e abrir novos mercados para exportação? Não estamos correndo o risco de retornar ao padrão do início do século 20, quando erámos nada mais que exportadores de commodities?

A respeito desse tema, sugiro a leitura de dois livros de Monteiro Lobato:

Mr. Slang e o Brasil

America.

Os colegas se surpreenderão com a atualidade das críticas apontadas por esse autor visionário.

A solução passa por várias argumentações já discutidas aqui, entre as quais, uma grande reforma das universidades.

 

 

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