O que um cientista estrangeiro quer, para vir ao Brasil? Em muitos casos, tranquilidade e qualidade de vida, como muitos dos que foram para Campinas. Em outros, a possibilidade de participar do sonho de construir um país. Às vezes, melhores oportunidades de trabalho do que nos países de origem.

Como deveria ser uma política de atração de cientistas? Qual o papel do Ministério de Ciências e Tecnologia, CNPQ, Capes, das multinacionais estrangeiras no país?

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Respostas a este tópico

Considero a estrutura universitária burocrática demais para a atração efetiva de cientistas estrangeiros.
A começar pelos concursos, que, aparentemente por lei, devem ser realizados em língua portuguesa. Imagine um pósdoc
não lusófono na europa ou EUA. Trata-se de alguém sob intensa pressão para incrementar seu curriculum,
sob pena de ter o fim da carreira acadêmica decretado em um par de anos. Esse indivíduo dificilmente se dará ao luxo
de investir tempo no aprendizado de português simplesmente porque ficou sabendo da abertura de concurso em alguma universidade brasileira. Eu poderia citar outros aspectos dos concursos que atrapalham bastante a vinda de cérebros estrangeiros, mas creio que esse da língua já é suficiente. O estrangeiro típico de uma universidade brasileira é alguém
que, quando da sua contratação como professor, já terá passado alguns anos como doutorando ou pós-doc no país e já terá maior ou menor desenvoltura em português.
Portanto, se é para atrair cérebros estrangeiros, defendo a criação de institutos de pesquisa como os Max Planck da Alemanha. Já temos alguns deles: CBPF (física), IINN (neurociências), CIFMC (física da matéria condensada) além, é claro, do Impa (matemática).
Concordo com os seus comentários, mas também não vamos deixar de tentar fazer as coisas andarem na UNiversidade. A questão dos concursos, diga-se, não éum problema somente para contratrar estrangeiros, é um empecilho que tira agilidade e pró-atividade das direções universitárias.
Hoje somos exportadores de talentos de corpo e alma , não apenas de cabeças com conhecimento mas tambem os sem cabeças mas bons de bola. Parece piada mas é pura verdade, um, apenas um time de futebol de primeira linha na europa tem renda anual superior a pelo menos a soma de seis ou sete maiores times brasileiros. Imagine então a soma dos seis maiores times de futebol da europa!!!
Os cientistas estrangeiros vem muito ao Brasil adquirir conhecimento e voltar, mas há vários que adotam o Brasil, com paixão e muita, pois a verba para a pesquisa e estudo constuma ser muito pontual e política não há uma estratégia a longo prazo e uma aplicação direcionada, constante e suficiente aos centros de excelencia, criadouro de cabeças e realização e desevolvimento de sonhos.
Estamos muito atrasados mais ainda temos chance não podemos é ficar na janela vendo o bonde passar....
Também acho que em geral as condições de trabalho no Brasil e o salário são competitivos para atrair pesquisadores da Europa e América do Norte. Os centros tradicionais de pesquisa são uma parte importante do sistema, mas existe muita coisa além disso. Eu acredito que uma política federal de contratação através do CNPQ, Capes e Ministério da educação poderia ser bem sucedida. Talvez o primeiro passo para implementar isso nem envolva muito dinheiro. É mais uma questão de organização e vontade/interesse para tornar os concursos acessíveis para estrangeiros. Em um segundo momento talvez uma bolsa de pesquisa para manter o contato dessas pessoas com o exterior. O sistema de pesquisa nacional seria beneficiado com mais diversidade e mais integração com outros países.

Caro Hadriano,

Concordo em geral com o seu ponto de vista. O meu comentário se referia mais especificamente a concursos para professor doutor. Nessa categoria, pelo menos nas Universidades mais estruturadas do país, o salário e as condições de trabalho (tempo para pesquisa, acesso a algum dinheiro para congressos, etc.) não são tão terríveis. Quanto ao salário para pós-doutores, concordo que as condições sejam muito ruins, com algumas excepções regionais onde o salário é melhor. O problema estrutural a meu ver é o seguinte. _Em geral_, o pós-doutor no Brasil ainda é tratado como "alguém que ainda não passou em um concurso". É uma condição precária e portanto não devidamente remunerada e respeitada. Por outro lado, em um ambiente mais desenvolvido e estruturado (dos quais já existem alguns no Brasil), o emprego de pós-doutor é devidamente visto como uma etapa importante na carreira de pesquisa. Mas não da para negar: Se você é pós-doutor, O CNPQ está dizendo na sua cara que o seu trabalho mensal vale 3200 reais para eles (no momento).

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