Considerando o papel estratégico que as mídias têm no desenvolvimento brasileiro, não só como ramo econômico, mas como principal palco para o debate de ideias - a imprensa já foi conhecida como "o quarto poder" -, constata-se que a pesquisa em comunicação no Brasil é ainda pouco conhecida e divulgada. Para o primeiro doutor em Jornalismo no Brasil, e uma das maiores autoridades em pesquisa em comunicação no país e no mundo, o professor José Marques de Melo, a pesquisa brasileira neste setor ainda mimetiza a produção feita em países anglófonos: "falta uma pesquisa em comunicação genuinamente brasileira".

Para o professor, a universidade brasileira não dialoga com as empresas e indústria, restringindo o debate sobre comunicação e desenvolvimento somente à academia. Para abrir a discussão, e cobrir parte desta lacuna, o Ipea fechou uma parceria com a Socicom (Federação Brasileira das Sociedades Científicas da comunicação), presidida por Marques de Melo, para discutir políticas públicas de comunicação no Brasil. O professor, em entrevista para a Desafios, destaca a forte relação entre comunicação e economia, e constata, ecoando Raul Prebisch: "não há desenvolvimento sem comunicação".

Desafios - Qual a relação entre comunicação e desenvolvimento econômico?

Marques de Melo - A mesma relação entre o ovo e a galinha, ninguém sabe quem veio primeiro. É uma relação paradoxal. Há uma tese que diz que comunicação gera desenvolvimento econômico, engendrada por um sociólogo americano chamado Daniel Lerner, criador de uma teoria que diz que a comunicação está na modernização da sociedade. Basicamente diz que quanto mais meios de comunicação há numa sociedade, mais ela vai se modernizando, difundindo informações, somando elites. É quando a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) entra em cena com o projeto de utilizar os meios de comunicação para acelerar o desenvolvimento com programas de alfabetização, educação supletiva. Raul Prebisch, que foi um dos maiores economistas da América Latina, e muito ligado à Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), dizia que comunicação e desenvolvimento são dois fatores que caminham paralelamente. Não há desenvolvimento sem comunicação.

Desafios - Como a comunicação e a Economia se relacionam?

Marques de Melo - Existe uma disciplina chamada Economia Política da Comunicação, é um setor que está na crista da onda, despertando muita atenção no Brasil. Se refere ao estudo da comunicação do ponto de vista da economia, mas não da economia clássica, mas com uma certa influência do marxismo. Seria uma economia crítica, está menos para Roberto Campos e mais para Celso Furtado, mais ligado às correntes desenvolvimentistas.

O Brasil se destaca nessa área, talvez pelo fato de ser um país onde melhor se desenvolveram os estudos econômicos na América Latina. E também pelo fato que temos um Estado que planeja.

Desafios - Quando se inicia a pesquisa em comunicação no Brasil?

Marques de Melo - Esta é uma atividade que tem quase meio século de tradição. Fiz um levantamento recente sobre os primeiros estudos a respeito de jornalismo no Brasil, e eles remontam ao século retrasado. O primeiro artigo em periódico nacional tratando de jornalismo é de 1859, no Rio de Janeiro. Então temos quase 150 anos de estudos sobre jornalismo. Não são estudos empíricos, mas de natureza documental e histórica.

 

Portal do IPEA

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Respostas a este tópico

Caro  Alexandre,

Muito boa sua colocação.

Acredito que as pessoas deveriam caminhar ,aqui no Brasil em Milhares de áreas abandonadas.

Entre elas,a Comunicação que é perfeita em todas as áreas.

Sou Educadora e estou prestes  a construir uma pesquisa na área e quando lí sua observação tão bem feita,fiquei animada.

Obrigado,Alexandre!

Você é da área de Comunicaão?

Carinhosamente

Profª Imaculada Campos

Profª Imaculada Campos,

 

Não sou da área de Comunicação mas sou de um dos setores também abandonados pela pesquisa genuinamente brasileira que é a Educação. Sou Pedagogo e também em nossa área carecemos de um diálogo entre a academia e a "Escola Real" onde se realmente formam os alunos. Não existe também uma aproximação entre a academia e as diversas empresa que produzem para o setor, por ex: material didático, recursos didáticos de multimidia etc. A academia é passiva e apenas consumidora do que produzido na europa e EUA.

Ainda ontem estava no carro ouvindo a CBN e vi uma entrevista com uma Doutora em Educação que acabara de voltar de Stanford (EUA) e contava as maravilhas que viu lá no Curso de Educação e Formação de Professores. Dizia" Lá no primeiro dia de aula os alunos já vão para a sala de aula, é prática, prática, prática". Isto para mim, sem nenhum preconceito, é o MOBRAL da prática de Ensino. Voce confiaria em um médico que nunca fêz um curativo e vai cuidar da sua saúde? Pois é, esta professora de uma importante Instituição, teve que fazer Graduação, Mestrado, Doutorado e depois ir a Stanford para descobrir isto. E o que é pior, ainda tem espaço na CBN para divulgar.

Alexandre M. Leão.

Prof.Alexandre,

Que bom que somos formados na mesma área,mas ainda tenho Psicologia.

Já pensou ,desde o primeiro dia:prática,prática etc.

Mas a teoria é o que dá suporte a uma prática.Passa para mim,que ela,a professora talvez tenha interpretado de forma errônea.Pode ser ou não,mas de qualquer maneira ela colocou de forma equivocada,porque em Portugal,país pioneiro em formação de professores e França,dão o maior valor e trabalham muito bem esta Formção.

Modéstia parte,trabalho aqui no Brasil nesta área e vejo o quanto precisam de teoria.

Estou iniciando um trabalho numa escola Pública com 40 alunas recém saídas de um Curso EJA(Ensino Médio ) e farão o Magistério em Educação Infantil.

Hoje darei a 4ª aula e já pude perceber o quanto terei que trabalhar em termos de teoria.

Precisa haver uma conjugação entre teoria/prática.

vamos trocar idéias.

Acharei ótimo.

Grata

imaculada_campos@hotmail.com

Profª Imaculada,

 

Trabalhei durante 25 anos em uma instituição (SENAI) que tem uma metodologia de ensino muito simples. A série metódica. O nome já é explicativo, porque vem de um método próprio para o ensino de determinado conteúdo.

Funciona assim:

 

Digamos que tenho de apresentar para os alunos o conteúdo A

1º Passo - Apresentação téorica do conteúdo A, suas implicações e aplicações, como foi desenvolvido e como é aplicável na prática.

 

2º Passo - O Professor aplica na prática o conteúdo A demonstrando "passo a passo" (isto é importante) aos alunos a aplicação. Durante a apliacção prática o Professor faz perguntas sobre o conteúdo A, desfaz dúvidas e demosntra como é corretamente a aplicação prática.

 

3º Passo - O Aluno faz sozinho a aplicação prática do conteúdo A com o acompanhamento do professor. O aluno refaz a apliacação prática quantas vezes forem necessárias até que demonstre que domina completamente o conteúdo A.

 

A partir dai passa-se para o conteúdo B, C, D, etc, em uma ordem crescente de dificuldade. Ao final de um módulo o aluno tem um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes com relação a determinado conteúdo teórico.

 

Simples, mas funciona.

Profª Imaculada,

 

Mais um tema para nossa discussão.

 

John Dewey, o pensador que pôs a prática em foco.

 

Quantas vezes você já ouviu falar na necessidade de valorizar a capacidade de pensar dos alunos? De prepará-los para questionar a realidade? De unir teoria e prática? De problema-ti-zar? Se você se preocupa com essas questões, já esbarrou, mesmo sem saber, em algumas das concepções de John Dewey (1859-1952), filósofo norte-americano que influenciou educadores de várias partes do mundo. No Brasil inspirou o movimento da Escola Nova, liderado por Anísio Teixeira, ao colocar a atividade prática e a democracia como importantes ingredientes da educação.

Dewey é o nome mais célebre da corrente filosófica que ficou conhecida como pragmatismo, embora ele preferisse o nome instrumentalismo – uma vez que, para essa escola de pensamento, as idéias só têm importância desde que sirvam de instrumento para a resolução de problemas reais. No campo específico da pedagogia, a teoria de Dewey se inscreve na chamada educação progressiva. Um de seus principais objetivos é educar a criança como um todo. O que importa é o crescimento – físico, emocional e intelectual.

O princípio é que os alunos aprendem melhor realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Atividades manuais e criativas ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas. Nesse contexto, a democracia ganha peso, por ser a ordem política que permite o maior desenvolvimento dos indivíduos, no papel de decidir em conjunto o destino do grupo a que pertencem. Dewey defendia a democracia não só no campo institucional mas também no interior das escolas.

Revista Nova Escola - Editora Abril

Prof.Alexandre,

Bom dia!

Acabo de ler sua colocação sobre Dewey,recordo-me de seu posicionamento perante à Educação no momento Histórico em que viveu.

Grandes idéias desenvolveu e sua visão de Educação continua em evidência ,quando colocamos ,principalmente a Educação através de projetos.

Em MG,a professora Helena Antipoff ,trouxe suas idéias ,como as de Claparède e tantos outros.

Estou lecionando num curso de Formação de professores e estarei revendo idéias de todos os educadores que deram sua colaboração em educação.

O cerne de suas idéias de muitos deles ,continuam vivas entre nós e sendo reestruturadas.

Minas foi pioneira ,pois para cá vieram alguns Educadores estrangeiros,graças à professora Helena Antipoff que muito contribuiu para o seu desenvolvimento.

Quero ainda destacar em meu curso,todos os estrangeiros que aqui chegaram convidados pelo governo de Minas da época ,como Jean Piaget que era mestre de Helena Antipoff .

A Educação está ruim no país, pela falta de percepção dos governos,de desleixo mesmo.Não valorizam,portanto não formam bem,não pagam  nada ou quase nada.

Esta turma que iniciei o trabalho nos primeiros dias de fevereiro fizeram o Ensino Médio ou grande parte dele no EJA (Ensino Médio).

Quando tivemos isto?

Mas saiba,que MG atualmente tem se mostrado muito bem nos exames do ENEM,apesar de tudo.

Estou percebendo devagar que o grupo como qual trabalho, está perfeito para serem Professores de Educação Infantil ao final de 1 ano e meio.

por quê isto?

O governo já percebeu ,que faltam bons professores.

Tenho uma ligeira impressão de que ,se soubermos nos posicionar,poderemos exigir muitas coisas.

Grata

Imaculada campos

 

 

 

Alexandre,gostaria de iniciar um projeto de pesquisa neste momento.

Se ,for de seu interesse,quem sabe não podemos trabalhar juntos.

Ah! O grupo :Atração de Cérebros deve chegar no topo do governo e assim poderemos angariar recursos.Que acha?

Imaculada

Professor,fiquei sem internet no dia de ontem e só hoje vejo o que escreveram para mim.

Concordo com você que a atração de cérebros precisa deslanchar no Brasil,porque ,infelizmente,a pesquisa em Universidades é para poucos e em Escolas Públicas,é nada.Ninguém nunca viu resultado de pesquisas de Mestrados e Doutorados.

Os professores de escola,de nada sabem.As notícias mais requintadas são para os grandes em Universidades,por isto,começarei esta pesquisa ,com meus alunos .

É triste ver o que estou vendo.professores lecionando comigo quase sem nenhuma informação,conhecimentos para darem aula e lá estão dando aulas de Filosofia,Antropologia etc.

Mas ,não os critico,porque a nada têm acesso.

As Bibliotecas estão tomadas de ótimos livros ,mas ficam nas prateleiras e ninguém se aproxima.

Chegaram caixas e caixas na semana que passou e eu fiquei mostrando aos professores a importância de conhecer as idéias deles.

Mostrei os brasileiros como Paulo Freire e outros estrangeiros como Piaget,Vigostky ,leontiev, Wallon etc apenas para deixá-las mais interessadas,porque são muito jovens e vieram de Ensino Médio.Poucas têm Pedagogia ou o Magistério de Ensino Fundamental.

Veja que situação!

Imaculada

Imaculada,

 

Acho interessante esta proposta do Projeto de Pesquisa. Mas devo adiantar que por motivo de trabalho não fiz nenhuma Pós Graduação Strictu Sensu. Fiz diversos cursos no Exterior (França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Austria, Israel), mas nenhum a nível de Mestrado ou Doutourado. tenho apenas a experiência vivida e aprendida em Educação em 25 anos.

Mas se for do seu interesse tenho vontade de participar deste Projeto de pesquisa.

Hoje sou Conselheiro do Conselho Estadual de Educação de MG e Presidente do Conselho do FUNDEB MG, além de ter uma empresa de Consultoria Educacional a qual convido para visitar o nosso site:

www.pleiadeeducacional.com.br

 

Profª Imaculada,

Vi o presente que me enviou o que agradeço pela gentileza. Vi também a cobrança pela resposta sobre a participação na pesquisa.

Respondi no mesmo dia. Talvez possa ter ocorrido algum problema com este blog. Hoje mesmo tentei adicionar uma resposta em outro assunto, mas nas tres tentativas a resposta saiu comprometida.

coloco novamente a minha resposta e devo adiantar que me interessa sim participar detes Projeto.

 

 

Imaculada,

 

Acho interessante esta proposta do Projeto de Pesquisa. Mas devo adiantar que por motivo de trabalho não fiz nenhuma Pós Graduação Strictu Sensu. Fiz diversos cursos no Exterior (França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Austria, Israel), mas nenhum a nível de Mestrado ou Doutourado. tenho apenas a experiência vivida e aprendida em Educação em 25 anos.

Mas se for do seu interesse tenho vontade de participar deste Projeto de pesquisa.

Hoje sou Conselheiro do Conselho Estadual de Educação de MG e Presidente do Conselho do FUNDEB MG, além de ter uma empresa de Consultoria Educacional a qual convido para visitar o nosso site:

www.pleiadeeducacional.com.br

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