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Gilmar Ferreira Mendes se superou na entrevista concedida à IstoÉ desta semana.
Que venha logo abril de 2010.


Entrevista
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2066/artigo141414-1.htm

Gilmar Mendes:
"Sou alvo de um movimento organizado"

Presidente do STF diz que está no meio de um tiroteio ideológico por contrariar interesses

Por Octávio Costa e Hugo Marques


JULGAMENTO Gilmar diz que a Justiça brasileira está mais célere, mas ainda é desigual
Depois do polêmico bate-boca com o ministro Joaquim Barbosa em abril, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, recebeu o apoio de boa parte de seus colegas. Mas tem sido alvo de abaixo-assinados na internet e enfrenta protestos contra sua permanência à frente do STF, algo inédito na história do Judiciário. Na quarta-feira 3, ele foi vaiado por estudantes após audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Em entrevista à ISTOÉ, Gilmar afirmou que ficou no meio de um tiroteio ideológico, desde o momento em que concedeu dois habeas-corpus ao banqueiro Daniel Dantas. "Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas isso não me cabe questionar", diz. "No caso Daniel Dantas, como havia uma luta política e comercial, há interesses contrariados, obviamente." Para Gilmar, a maior exposição do STF torna as pessoas que o integram mais expostas, mais suscetíveis a eventuais ataques. Mas ressalta que a autoridade da mais alta corte do País "é inequívoca". Quanto à sugestão de Barbosa para que Gilmar "ouça mais as ruas", o presidente do STF rebate: "Isso serve para encobrir déficits intelectuais."

ISTOÉ - Existe um descompasso, hoje, entre a opinião pública e o Poder Judiciário? Seria o caso de ouvir as ruas?
Gilmar Mendes - O embate que surge nesse tipo de colocação é saber se no combate à impunidade nós deveríamos fazer concessões no que diz respeito à observância dos direitos e garantias individuais. Entendo que a questão não está à disposição do julgador. A Constituição não deixa esse espaço. Combate à impunidade? Sim. Combate ao crime organizado? Sim. Mas dentro dos paradigmas do Estado de Direito. Se formos consultar a chamada opinião pública, vamos ter que saber como se faz a consulta. É a minha opinião pública, é a sua opinião pública? É a opinião pública de que grupo? É a minha rua? É a sua rua? É a rua de quem? É o ibope do bar? Do Baixo Leblon?

ISTOÉ - O País caminharia, então, para um outro tipo de Justiça?
Gilmar - Exatamente, Justiça plebiscitária. Tenho a impressão de que essa discussão escamoteia, na verdade, déficits argumentativos e serve de álibi para fundamentar tudo. A Justiça nazista era assim. Decidia em nome do interesse do Reich, ou de interesses "mais elevados". Isso não tem nenhum cabimento.

ISTOÉ - Como o sr. vê as manifestações contra a sua presença no STF?
Gilmar - Evidente que é um movimento organizado. Muito provavelmente, até remunerado. Em geral, imprimem panfletos. Mas não me cabe questionar isso. Tenho inúmeras manifestações de apoio em todos os setores, nunca tive nenhuma dificuldade de andar pelas ruas.


"Tenho inúmeras manifestações de apoio, nunca tive nenhuma dificuldade de andar pelas ruas"


ISTOÉ - As pessoas parecem acreditar que podem influenciar o STF.
Gilmar - Isto é uma bobagem. O tribunal nunca seguiu esse tipo de toada. Quando, por exemplo, no início da ditadura, houve as violências mais marcantes contra governadores, foi o STF que deu liminar em habeas corpus. Nas fases por que passamos hoje, especialmente a partir de 2003, 2004, com a nova ênfase das ações policiais, foi aqui que as pessoas encontraram abrigo. Nas operações Anaconda, Navalha e outras, com ataques inclusive à magistratura, foi aqui que as pessoas encontraram salvaguarda. Mas no caso Daniel Dantas, como havia uma luta política e comercial, há interesses contrariados, obviamente.

ISTOÉ - As pressões surgiram em função do caso Daniel Dantas?
Gilmar - Com certeza. É fundamentalmente em função desse caso, que teve duas decisões liminares concedidas por mim, referendadas pelo plenário, por nove votos a um.

ISTOÉ - Os críticos dizem que o STF agiu como juiz de primeira instância.
Gilmar - Esta é outra lenda urbana. É uma mentira deslavada. O caso tinha passado por todas as instâncias, pelo juiz de primeiro grau, tinha passado pelo Tribunal Regional Federal, pelo STJ e estava aqui com o ministro Ayres Britto. Quanto ao segundo habeascorpus, o tribunal considerou que era descumprimento do primeiro.

ISTOÉ - A Constituição determina que se fique em liberdade até que o processo transite em julgado. Mas alguns casos geram clamor público e deixam uma sensação de impunidade.

Gilmar - No Brasil temos hoje cerca de 480 mil presos, dos quais um número elevado, talvez de 50% a 60%, é de presos provisórios e outros já com sentenças definitivas. É um índice elevadíssimo, se considerados os índices mundiais de população carcerária em relação ao número de habitantes. Não mostra uma Justiça leniente quanto às prisões. O tribunal admite, mesmo depois de uma sentença de primeiro, de segundo grau, que se determine a prisão, mas com os fundamentos da prisão preventiva, quer dizer, o risco de fugir e a preservação da ordem pública. Mas há que exigir a fundamentação para a prisão. Não pode ser automática.

ISTOÉ - Muita gente diz que o STF, em cento e tantos anos, nunca condenou um parlamentar. Gilmar - Não é verdade. No passado, vamos encontrar pessoas que foram condenadas ou absolvidas. Mas, especialmente após a Constituição de 1988, os processos estavam parados. Esses processos só retomaram o seu curso normal a partir de 2002, 2003. Então, esse discurso é falso. Estamos cheios de lenda urbana, porque estamos no meio de uma luta política em que, mesmo pessoas sem formação jurídica, às vezes de formação jurídica não suficiente, transformaram-se em lutadores.

ISTOÉ - Como assim?
Gilmar - São gladiadores da opinião pública. Repito: essa tese de a Justiça "ouvir as ruas" (defendida por seu desafeto, ministro Joaquim Barbosa) serve para encobrir déficits intelectuais. Eu posso assim justificar-me facilmente, não preciso saber a doutrina jurídica. Posso consultar o taxista.

ISTOÉ - Quando o sr. fala em luta política, parece que há duas visões no STF.
Gilmar - Não vou falar sobre isso.

ISTOÉ - Mas há, no STF, duas concepções diferentes do direito?
Gilmar - O resultado dos julgamentos do STF está espelhado nas suas decisões, nos acórdãos, isso é inequívoco. Agora, creio que o foro privilegiado, o foro por prerrogativas de função, como nós o chamamos, tem cumprido função importante, até mesmo no que concerne à governabilidade. Dentro do conceito de criminalização da atividade política, se não tivesse foro privilegiado, certamente o presidente Lula não passaria por uma cidade sem ter que depor ao Ministério Público ou à polícia. É isso que se quer?

ISTOÉ - Por que a opinião pública tem a sensação de impunidade?
Gilmar - Quanto ao modelo especialmente de defesa, temos uma sociedade com muitas desigualdades, em que a defesa é paga. E pessoas que dispõem de advogados têm melhores condições. As outras dependem de defensorias públicas. Até há pouco tempo uma boa parte dos Estados nem sequer tinha essas defensorias.

Nós temos nos engajado inclusive no sentido de estimularmos as defensorias públicas, a advocacia voluntária. Porém, se olharmos numa outra perspectiva, certamente o serviço de saúde das pessoas aquinhoadas é melhor do que o serviço de saúde das pessoas sem recursos. O que vale também para o serviço escolar. Sem dúvida, a maior parte da população presa é analfabeta e pobre.

ISTOÉ - O que o sr. sente quando visita os presídios e vê a maioria pobre e analfabeta?
Gilmar - Essa é uma realidade.


"Dentro do conceito de criminalização da atividade política, se não tivesse foro privilegiado, o presidente Lula não passaria por uma cidade sem ter que depor"


ISTOÉ - O sr. não se sente frustrado, sem condições de mudar essa realidade?
Gilmar - Esse não é um problema que me cabe resolver. Essa questão tem que ser resolvida pelas instâncias apropriadas. O que estamos fazendo, menos até como presidente do Supremo, mais como presidente do Conselho Nacional de Justiça, é a adequada revisão das penas impostas. É preciso saber se as pessoas estão cumprindo a pena devida. Nessa área, por exemplo, não tem ninguém para me dar lição. Sou eu que tenho liderado, via CNJ, o processo de mutirão carcerário em todo o País. Antes, ninguém tinha feito isto.

ISTOÉ - Quais as medidas do CNJ?
Gilmar - Estamos incentivando a instalação das varas de execução criminal virtuais, para que haja controle e não haja esse quadro vergonhoso de encontrarmos pessoas que já cumpriram a pena duas vezes. Estamos discutindo a prisão provisória, exigindo que o juiz faça verificação do tempo de prisão, a cada três meses.

ISTOÉ - Como presidente do CNJ, o sr. pediu a suspensão da construção da sede do TRF1. Estava muito cara?
Gilmar - Nós estamos arrostando todas estas questões, as obras, a contratação de servidores e o aumento de quadros. Abrimos uma caixa de Pandora. Estamos discutindo todos os temas com grande abertura e honestidade.

ISTOÉ - Qual o problema mais grave da Justiça brasileira?
Gilmar - Talvez o maior problema hoje seja de fato a morosidade, mas decorrente em grande parte do excesso de demanda. Nós falamos de números de processos extremamente elevados, cerca de 70 milhões de processos no ano passado. Isso significa praticamente um processo para cada três habitantes.

ISTOÉ - Mesmo assim, a Justiça está ficando mais célere?
Gilmar - Tenho a impressão que sim. É claro que nós temos muitos desafios. Na medida em que temos êxito no conhecimento, na expansão das nossas atividades, nós atraímos mais processos. Em alguns casos eu até usei a expressão: "a gente é tão exitoso em determinadas áreas que acaba produzindo fracasso".

É o que eu chamo de "fracasso do sucesso", como já aconteceu no Juizado Especial Federal, que começou com um número pequeno de causas e teve uma expansão brutal de causas exatamente porque as pessoas perceberam que ali se obtinha uma decisão mais rápida.

ISTOÉ - Quando deve ser o julgamento do ex-ministro Antônio Palocci?
Gilmar - Talvez no final deste mês ou no início do mês de agosto.

ISTOÉ - As polêmicas recentes que envolveram o STF não afetam a imagem da mais alta corte do País?
Gilmar - Tenho a impressão que não. É claro que a maior exposição do tribunal chama a atenção e torna o tribunal e também as pessoas que o integram mais expostas, mais suscetíveis a ataques. Então é natural que isso ocorra. Mas é notório que, se nós hoje olharmos a autoridade do tribunal, ela é inequívoca. E certamente o tribunal não tem uma classificação depreciativa, se tivermos em conta os demais poderes.

ISTOÉ - A ideia de alguns ministros de limitar a transmissão das sessões do STF pela televisão pode prosperar?
Gilmar - Não acredito. Sempre que há algum incidente, e já tivemos alguns, vem essa colocação. Não acredito que essa ideia venha a frutificar ou que tenha maioria no âmbito do tribunal. Na realidade, a TV Justiça é hoje um símbolo da própria transparência do STF, que vem inclusive sendo imitada.

ISTOÉ - O sr. acha que poderia haver um outro sistema para escolher os ministros do STF?
Gilmar - Sempre há possibilidade de aperfeiçoar modelos. Eu tenho a impressão de que esse modelo que praticamos parece ter consistência. Se for introduzido o mandato, por exemplo, nós teremos o problema da renovação contínua da corte. Se abrirmos para uma escolha pelas casas legislativas, haverá o risco da politização excessiva e até mesmo de partidarização. Se abrirmos para a participação de organizações corporativas, teremos o risco da sindicalização das escolhas. É preciso estar atento.

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Leiam também:

Ministro diz que é alvo de um movimento organizado

http://www.conjur.com.br/2009-jun-13/gilmar-mendes-alvo-movimento-o...
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Tags: gilmar, justiça, stf

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Respostas a este tópico

Essa idéia de se legitimar como doutrinador na esfera criminal porque organiza um mutirão criminal é tão esquisita quanto colocar no escritório uma placa "especialista em direito imobiliário" depois de participar de um mutirão da casa própria. Conhecimento jurídico e mão na massa não se confundem, e não precisa ser sequer bacharel em direito para passar o dia contando prazo prescricional criminal no cargo de técnico judiciário. Um matemático pode fazer isso, tanto quanto um médico, caso queiram.

Por outro lado, deslegitimar com ofensas a crítica que se faz a este "ativismo judiciário" sem limitações de poder, nem mesmo na Constiuição, é um quase um "mutirão" pela desconstrução da obra jurídica iniciada em 1827 com a fundação dos cursos jurídicos no Brasil.

A ciência do direito não se faz com "autoridade do tribunal sábio", que se defende do "mal exterior". Essa sim é uma retórica semelhante à utilizada pelos tribunais do regime de Hitler, que defendiam "o bem maior da sociedade"(ariana) contra um "mal judeu". A boa ciência do direito se faz com a melhor razão, colhida da jurisprudência, da doutrina, dos professores, dos advogados, e inclusive da opinião pública leiga, como se exige na interpretação da lei civil. Se o direito for construído exclusivamente pelos que estão nos tribunais, terá sempre este tom belicoso, em que os juízes deixam de ser mediadores-julgadores e tomam parte na discussão para construir argumentos. Aí sim haverá uma radicalização, como esta que o Gilmar Mendes já está construindo a cada entrevista que concede.

Justamente para evitar abusos de qualquer um que detenha o poder é que foram inventados os instrumentos para freá-lo. Instrumentos dos quais o STF vem tentando se desvencilhar com a retórica da defesa do bem maior. Na sessão de julgamento em plenário do HC 95.009, do Daniel Dantas, a tônica foi esta. Defendia-se a autoridade do Supremo contra alguma coisa organizada - talvez a tal da opinião pública - que se manifestava para tentar barrar a jurisprudência da "carteirada". A análise dos fatos, como é função de um tribunal, ficou a cargo do ministro que teve o voto vencido, Marco Aurélio de Mello. No restante da sessão ouviu-se apenas discursos desvencilhados dos fatos. E o poder de analisar um fato na função de julgador já não é pequeno.

Esta entrevista da "Isto É" vem ao mesmo tempo em que o respeitado constitucionalista do Largo São Francisco Elival da Silva Ramos informa a respeito da tese crítica ao "ativismo judiciário" que ele defendeu para se tornar professor titular da USP.

Tanto não é obra de alguém com "formação jurídica deficiente" que o ministro Lewandowsky e o professor Virgílio Afonso da Silva compareceram ao Salão Nobre para ouvir o que o professor tinha a dizer.

O direito se resolve com debate, contraditório, argumentos e decisão bem fundamentada. Não é uma dicotomia entre direito-nazista e direito-não-nazista. Até o Carl Schmitt sabia disso e deixou transparecer quando fez as suas obras. Uma crítica, ainda que dura como a que fez o professor Elival, tem de ser respeitada. Se o Judiciário não for uma área onde se obrigue a um confronto de idéias, então é melhor fazer como recomendou o professor: jogar fora a Constituição e deixar que o Supremo escreva outra.

O link em que o Elival apresenta sua tese no Estadão está abaixo. A tese agora me parece ainda mais importante a partir do momento em que o STF tenta se legitimar não só como última instância da interpretação, mas também como o órgão criador da regra sobre qualquer assunto. Aliás, criador judicialmente e extrajudicialmente.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090613/not_imp386667,0.php

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Há realmente um movimento organizado em relação a Gilmar Mendes. De proteção a ele. Não cometerei a mesma leviandade de quem não sabe suportar críticas_ e, portanto, é incapaz de compreender a livre expressão do pensamento, o contraditório e até mesmo o processo democrático_ afirmando que de forma remunerada. Com efeito, trata-se de mais uma entrevista unifacetária, com característica unicamente de ressonância do pensamento pseudo-oficial, sem qualquer intuito instigativo, contestador e despida do caráter crítico que permeia a atividade jornalística. Observa-se em mais de uma passagem, o já costumeiro método das perguntas com resposta sugeridas. Ou vice-versa. Já havia sido assim, por exemplo, na entrevista concedida pelo Ministro ao Roda Viva, quando até amigos particulares do mesmo exerceram o papel de entrevistadores.
Curioso é que esse estratagema de tentativa de imposição de legitimação às condutas do entrevistado é demolido por suas próprias observações, as quais mais uma vez demonstram o desprezo de Mendes pela sociedade, sua subversão completa de valores e a tentativa_ reveladora de traços paranóicos_ de ver-se a si próprio como vítima de perseguição por opiniões e atitudes que julga além e equidistantes do bem e do mal. Não titubeia, portanto em atribuir aos desafetos todos os vícios que pratica cotidianamente. Senão, vejamos:
Gilmar diz que as manifestações contra sua presença do STF são " remuneradas", exemplificando com a impressão de panfletos que divulgam os atos públicos. Desconhece, ou ignora, porém, o direito de reunião amparado pela Carta que tanto diz conhecer e defender. Gastos mínimos e irrisórios garantidores do exercício da faculdade constitucionalmente atribuída não têm o condão de tornar " remunerada" a participação da sociedade organizada. Ao contrário, torna-a onerosa. Bem ao contrário do episódio ocorrido no mesmo dia de um dos atos, quando o Presidente da mais alta Corte brasileira, cedeu as dependências públicas do STF para um lançamento de publicação privada e comercializada, cujo proprietário é seu melhor amigo, Márcio Chaer, dono do CONJUR. Na linha argumentativa do Ministro, pode-se considerar as opiniões despendidas pela publicação a seu respeito como " remuneradas"?
Quando menciona a Justiça nazista, Gilmar se esquece de que o argumento mais utilizado em decisões por si proferidas, completamente despidas de fundamentação jurídica consistente_ como, por exemplo, o segundo HC concedido a Daniel Dantas, em que omitiu fatos, atropelou intâncias e julgou em tempo recorde_ é justamente a defesa de " interesses elevados", como o Estado Democrático de Direito, sem explicar em que e por que a efetivação da Justiça Penal, prevista no próprio capítulo dos Direitos e liberdades individuais e coletivos, é lesiva à ordem pública e à paz social. Quando ele mesmo cita, para dizer que " a Justiça não é só para os ricos", o fato de que, em 352 HC´s concedidos pelo STF, 18 foram para cidadãos humildes, demonstra que seu processo de alienação da realidade social tem avançado a passos céleres.
Em outro momento, o entrevistado chega a citar atos de Ministros do STF, na época da ditadura. De forma absurda, utiliza a insuperável dignidade e o brilhantismo de eternos luminares do Direito, como Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva, para ilustrar suas atitudes hodiernas, como se sua atuação não fosse em direção diametralmente oposta à daqueles.Os quais, esses sim, foram cassados brutal e covardemente pelo Regime Militar, mas por sua coragem, e por não se renderem à pressão de poderosos de qualquer setor. E, como _ em uma espécie de revelação de traumas inconscientes_ o Ministro adora falar em " déficit intelectual", jamais poderia sequer se lembrar dos juristas acima citados, cuja compreensão do Direito, da dinâmica social, da adequação daquele a esta, situam-se ( porque eternas) a galáxias de distância de seus limitadíssimos estudos. Gilmar Mendes nunca deve se esquecer que seu horizonte de conhecimento não supera o campo do Direito Constitucional, e mesmo nessa área ele necessita beber em fontes mais consistentes, mormente em métodos de interpretação, pressupondo-se que acredita realmente nos conceitos que difunde.
Por isso, é inócuo burlar a realidade quando afirma, a respeito da execução penal, que nessa área " ninguém pode me dar lições". Como se não bastasse o Ministro não deter conhecimentos elementares de Direito e Processo Penal, arroga-se em detentor de todos os méritos alcançados pelo CNJ, como se o Conselho só existisse em razão de sua pessoa. Demonstra,mais uma vez, o despreparo para a participação em órgãos colegiados. E, ele sim, escamoteia a realidade, ao desprestigiar juristas verdadeiros, como o Ministro Gilson Dipp, cuja estatura moral e científica não pode ser maculada em uma desonrosa comparação com o temporário Presidente da Corte Suprema. E que, aliás, para andar nas ruas sem dificuldade, como afirmou poder fazer o entrevistado, não necessita de dois carros oficiais com seguranças, estacionados em vagas para deficientes físicos, enquanto profere aulas sobre_ pasme-se_ direitos individuais.
Prosseguindo em texto que já se afigura involuntariamente longo, Gilmar Mendes poderia afirmar, com segurança, que escaparia de um pedido de investigação por dia se o Conselho Nacional de Justiça fosse dotado com os necessários poderes de controlar disciplinarmente o decoro e o comportamento de TODOS os magistrados? Talvez devesse circunscrever-se, em sua tentativa de blindagem de ex-autoridades, a seu próprio exemplo pródigo, ao invés de citar representantes de outros Poderes. Cabe, porém, a estes, não a nós, a resposta à altura da dignidade pessoal e do cargo.
Finalmente, cabe uma última observação, a respeito da " lógica do absurdo" prestigiada dia a dia pelo entrevistado. Buscando justificar a absurda vitaliciedade em um Tribunal que ele reitera ser Político ( e a política é dinâmica, carecendo sempre de renovação ), mais uma vez abriga-se em " interesses elevados" para construir a defesa de sua tese. Como pode alegar a politização excessiva ou partidarização da corte com a instituição de mandato para seus Ministros, tendo em vista que ele era exatamente auxiliar de confiança de um Presidente da República quando foi nomeado para o Tribunal que hoje deslustra, com aguerrida participação naquele governo, a ponto de determinar a advogados da União que descumprissem ordens dessa mesma Corte? E como pode, defendendo o direito de ficar 21 anos no cargo_ engessando a evolução do pensamento jurídico_ dar, ao mesmo tempo, uma entrevista dizendo que uma nova reeleição para cargos executivos constituir-se-ia em " casuísmo"? A alternância de poder deve dar-se em qualquer esfera em que se exerça, isso mesmo, o poder.
A cada nova manifestação de Gilmar Mendes_ que, em uma lenda urbana, queixa-se do " estoque" de processos herdado para isentar-se da responsabilidade pela ausência de resposta jurisdicional em feitos envolvendo parlamentares, embora não lhe falte tempo para ocupar espaços na imprensa que lhe é tão solícita_ chego a conclusão de que o que vemos não é " mais do mesmo".
É o mesmo do menos.

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Perfeito.

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Quanto mais eu leio o Gilmar Mendes mais eu me lembro do Rumsfeld.
O STF gosta sim de by passar as instâncias inferiores.
Veja-se o caso de Maluf que o Supremo soltou sem que o caso passasse por todas as instâncias.
Porque será?

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O discurso do Gilmar, ao meu sentir, é falacioso (para não dizer mentiroso). Ao contrário da sua conclusão, tenho absoluta convicção de que o critério de justiça abrigado pelo Estado de Direito é impessoal e transcende à opinião pessoal do julgador. Ao revés, quando é a opinião pessoal do julgador que prevalece nas decisões, aí sim é que se encobre a verdade e se caracteriza os “déficits argumentativos que servem de álibi para fundamentar tudo”
Aí sim é que se caracteriza a Justiça nazista, decidida no interesse do Reich (Gilmar Dantas), ou de interesses "mais elevados".
Isso sim é que não tem nenhum cabimento Sr. Gilmar.
Respeite a Inteligência do Cidadão Brasileiro Sr. Gilmar .

Responder esta

Os argumentos desfraldados na entrevista não são acadêmicos, são de acadêmico, segundo semestre. Afirmar que os que discordam são remunerados equivale a afirmar que os colegas Ministros que trabalham no IDP só manifestaram apoio por pressão econômica, de chefe para subalterno (uma espécie de assédio moral). O desagravo dos colegas a Gilmar não contem nenhum endosso jurídico, já que o segundo HC sequer foi fundamentado. Qualquer acadêmico de terceiro semestre sabe. Foi massagem de ego. E a quantidade de Ministros equivale ao tamanho do ego, não à qualidade dos argumentos. O fato de um movimento ser organizado só é demérito para a Gilmar. Para os que se organizaram importa mais não ficar pastando bovinamente nos bem conservados gramados que abriga o STF enquanto o inquilino atropela a tudo e a todos. Uma pessoa investida no status de Ministro e que participa de uma fraude e sai julgando e condenando antes da investigação é, no mínimo, um péssimo exemplo, jamais um julgador!

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O que mais me espanta é a total falta de resistência no STF, o Sr Gilmar é um "trator", tem desrepeito para com seus pares, faz caras e bocas durante as falas alheia, comentários azedos, na maioria das vezes sem conteúdo, apenas para manifestar-se contra. Mesmo diante de comportamento claramente intimidatórios, não há qualquer confronto,exceto o Ministro Joaquim, que ousou se insurgir e foi massacrado, uma vergonha nunca vista.

O STF tem uma composição de alta qualidade, mas de homens medrosos, comandados por um déspota, que não respeita absolutamente o Direito. Sinto-me envergonhado toda vez que este cidadão abre a boca, incrível sua capacidade de falar tolices, demonstrar seu Ego inflamado, sua vaidade, toda sua vulgaridade.

Pergunto-me: até quando? devemos esperar abril/2010?

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Gilmar citando seu grande mestre Gilmar:

- Em alguns casos eu até usei a expressão: "a gente é tão exitoso em determinadas áreas que acaba produzindo fracasso". É o que eu chamo de "fracasso do sucesso".

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"Sou alvo de um movimento organizado"
Nem li o resto! Cai de tanto rir!

Nenhuma palavra sobre Gilmar.

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Com essa acusação de "remunerado", ele tenta desqualificar qualquer movimento ou oposição contra suas atitudes não condizentes com o cargo que ocupa. Fica cômodo. Sem enfrentar a realidade, arranjou uma desculpa que não convence ninguém. É bom que o ministro saiba que o Brasil não é constituído só de jornais, revistas e televisão, mas, por incrível que pareça, de gente com capacidade própria de pensar, raciocinar e enxergar os fatos.

Responder esta

Quando se refere aos HCs concedidos, Gilmar Mendes sempre argumenta que há interesses políticos e comerciais envolvidos. Por que será que ele usa esse artifício?
Ora, vivemos em sistema econômico competitivo, a concorrência e a batalha por mercados são as regras do jogo capitalista. No entanto, não parecem ser estes os motivos que conduziram Dantas e seus grupos ao mundo dos crimes financeiros, e outros. Mesmo que fossem, esses motivos não justificam a atuação de empresários e de suas respectivas empresas em desconformidade com as leis que imperam no país. Acatemos as Leis, propalou Moisés.
Agindo de forma temerária, burlando o complexo legal do país, Dantas mantinha-se, ou era mantido, impune por décadas. Ele é daquele tipo de criminoso que sempre está de olho na boutique dela, sem se importar com os métodos que irá utilizar.
Segundo os agentes responsáveis, um pipocar de contundentes indícios de prova, e mesmo provas substanciais, agitam-se nas toneladas de materiais apreendidos do banqueiro. Traseiros quentes, batem contra o vidro como se prontas para caírem nos saquinhos dos pipoqueiros.
Mas qual pipoqueiro, que nada?! Sem azeite, sem sal, sem botijão de gás, o pipoqueiro anseia por lançar seu carrinho sobre o país.
Contentem-se com piruás! Continua gritando nesta entrevista.
Em meu quintal, jamais nasceu um pé-de-milho. E, se brotasse, o teria decepado na primeira folhinha. Não sou o cronista Rubem Braga, que se comprazia em cuidar dessas porcarias. Longe de mim! Ai de ti, Brasil. Deixem-me, enquanto cavo uma ladeira para vos atingir. Disso sei cuidar, em minha cidade, Diamantino, os Bandeirantes encontraram diamantes, e eu encontrei os Bandeirantes da São Paulo de hoje, minha turma me aguarda feliz.

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"Dentro do conceito de criminalização da atividade política, se não tivesse foro privilegiado, o presidente Lula não passaria por uma cidade sem ter que depor"
E ele(gilmar),seria preso com certeza.

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