A “reinvenção” da imprensa. Será?

Amigos,
Na Europa foram feitos anúncios importantes que, mais cedo ou mais tarde e de uma forma ou de outra, acabarão por repercutir no Brasil. No último dia 20 o espanhol El Pais anunciou que “colocará em marcha a maior transformação cultural desde seu nascimento para seguir atendendo ao direito democrático dos leitores de contar com uma informação completa e verdadeira”. Em matéria com o título “El Pais se reiventa”, o jornal informa aos leitores que vai se converter numa empresa de produção de conteúdos de qualidade para o papel, a internet e a telefonia móvel. No anúncio, Juan Luis Cebrián, conselheriro da PRISA (Promotora de Informaciones, S.A.), que controla o grupo afirmou: “En cinco años, con toda seguridad existirán periódicos escritos. Dentro de 10, si se hacen las cosas precisas, a lo mejor, probablemente sí. En 15, no estoy seguro de que sigan existiendo tal y como los conocemos. Existirán si luchamos para que existan". Suspeito que não lutarão muito.
As mudanças implicarão na criação de um novo modelo organizativo e na criação de três novas empresas. No curtíssimo prazo, a mudança mais notável será a integração da redação do jornal com a equipe quem vinha fazendo a edição para a internet, até aqui aos cuidados de outra empresa do grupo. A data de inauguração do novo formato é primeiro de março.
Na França, Nicolas Sarkozy anunciou ontem, dia 23, um socorro de 200 milhões de euros à “imprensa escrita” e estabeleceu a internet como prioritária para “modernizar a imprensa e ajudá-la a sair da crise”. Ao mesmo tempo, Sarkozy anunciou a criação de um estatuto para "Editor de Imprensa Digital". Ao parlamento caberá definir o perfil desse novo profissional. Desconheço detalhes do tal estatuto. Mas desconfio sempre de propostas trabalhistas oficiais, principalmente quando vêm de cambulhada com grande aporte financeiro para salvar as empresas. Sinto no ar um forte cheiro de que seu objetivo é limitar a desenvoltura dos Blogs no trato com a notícia e até com a opinião. Pergunto-me se em breve, na França e até mesmo aqui, para escrever em blog será necessário ser editor de imprensa digital.
Este não é um tópico propriamente para debate. Não ainda. Faltam informações mais detalhadas sobre os dois casos citados. Mas decidi postar para que tentemos acompanhar e colher mais informações. Confiram nos links:
http://www.elpais.com/articulo/sociedad/PAIS/reinventa/elpepusoc/20...
http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Sarkozy/ayudara/prensa/200/...

Abraços,
Henrique Marques Porto

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Respostas a este tópico

Olá Henrique..

Bem...agora sim pegando sua carona...podemos procurar mais sobre este tal "estatuto sobre o editor de imprensa digital"

É para desconfiar mesmo.
Weden,
Minha suspeita (apenas uma suspeita) é que na França, mas não apenas ali, já está em curso um processo que pretende colocar os Blogs, inclusive os pessoais, sob a administração (e portanto controle) dos grandes grupos de comunicação, todos carregando o que parece ser os pesados e caríssimos caixões dos grandes jornais impressos. Imagine a Folha, o Estadão e O Globo controlando os principais blogs? Murdoch, nos EUA, anda falando coisa parecida com as propostas de Sarkozy. Ou seja, investir na internet e especialmente nos blogs. Já andei pesquisando mais sobre o tal novo ofício de "editor de imprensa digital" e nada encontrei. Mas a idéia de um novo estatuto criando ofício diferenciado do de jornalista profissional só pode ter o objetivo de contornar barreiras da lesgislação francesa. Aqui imagino que seria mais complicado, mas não impossível de fazer. Nossa lei habilita o jornalista profissional a atuar em todo tipo de mídia.
Com um pouco mais de pesquisa logo teremos dados mais concretos para debater. Mas é um fato que os grandes jornais da Europa e EUA estão aproveitando a crise econômica e a forte ajuda financeira dos governos para fazer bem mais do que sair do vermelho. O El Pais é um exemplo. A imprensa brasileira, ao longo do tempo, acompanhou as modificações dos jornais estrangeiros, notadamente os americanos. Não será diferente agora.
Abraço
Henrique Marques Porto
Oi, Renata
Essa é a versao otimista da coisa... Como tenho 60 anos e já aprendi a ser mais cética, tenho minhas dúvidas.

Veja que JÁ HOUVE controle do uso dos blogues quando se proibiu o seu uso na última campanha eleitoral (acredito que, após o sucesso do uso da Internet por Obama, as tentativas de controle vao ser mais fortes ainda).

Aqui no Brasil já houve tb casos de blogues "retirados" do ar por ordem judicial; e nao estou falando de casos de pedofilia nao: um era de um policial que fazia críticas à política de segurança do Serra (o PHA notificou); outro foi em Minas (li sobre o caso, mas nao tenho mais a origem).

E tudo isso sem falar, claro, nas pressoes "extra-oficiais": a retirada do material do PHA do IG; as calúnias contra o Nassif e contra o Mino do pessoal do Chaer; e a própria nao renovação do contrato com a TV Cultura. Querem coagir e estrangular economicamente os dissidentes.

Nao acho nada disso muito promissor quanto ao que ainda pode vir, sobretudo tendo Gilmar Dantas na chefia da gangue.

Um abraço
AnaLú
Analú...

Posso temperar seu pessimismo com um pouco de otimismo?

A rede se encontra neste exato momento num devir absolutamente longe do monopólio de interpretação.

Em outras palavras: tudo pode acontecer (e neste caso acreditar nisso é ser otimismo diante de uma atitude mais determinada ao fatalismo).

É midia nova, dizem até meta-mídia, entranhando relações sociais e fenômenos culturais há pouco tempo desconhecidos, redesenhando a história, gerando novos desejos, desfazendo parâmetros instituicionais, mexendo com a linguagem - talvez mesmo constituindo novos modos de subjetivação (pedindo perdão pelo conceitualismo em espaço não apropriado para isso).

Não serei ingênuo em dizer desse "devir" também a "fatalidade" de uma sociedade promissora.

Mas não acredito que tenhamos condições hoje de determinar que no fundo, no fundo, será mais do mesmo.

Bjs..
Weden e Renata,
Pretendia fazer um comentário curto sobre o que vocês escreveram. Desisti depois de ler no El País uma entrevista com Alma Guillermoprieto. "Reportera, mexicana, de 59 años". Reportera, reportear... Que inveja que eu tenho de algumas palavras e expressões de outros idiomas. Alma é considerada uma das maiores "reporteras" investigativas do mundo. A entrevista é imperdível. Tem relação com o tema e muito mais. Ela dá aulas numa universidade americana e, entre outros temas, fala sobre isso. Para atiçar a sua curiosidade e a de todos transcrevo uma pergunta e a resposta de Alma.
"(...)P. ¿Qué ha tenido que pasar para que una gran periodista latinoamericana, quizá la más importante del mundo de habla española, diga que somos unos dinosaurios?

R. Lo que siempre pasa para que entre en extinción un oficio: una nueva tecnología que lo supera.
(...)"

Humpf...

Abraço,
Henrique Marques Porto
Desculpem,
Esqueci de indicar o link com a entrevista de Alma Guillermoprieto ao El Pais.
http://www.elpais.com/articulo/reportajes/Siento/oficio/acabando/el...

Abraços,
Henrique Marques Porto
Bom, em determinismo absoluto, seja positivo ou negativo, tb eu nao confio. Tudo dependerá muito das ações e posições que tomemos. Só que, nesse sentido, o pessimismo é mais prudente que o otimismo, porque, como ele espera o inimigo "do outro lado da esquina", ele se prepara para ele...
Um abraço
AnaLú
se a maioria obtivesse acesso gratuito de banda larga e tivesse computador em casa
ou notebook ou celular de ultima geracao, esse tempo de 15 anos para o comeco do fim da imprensa escrita seria bem menor , obviamente...

sera muito ironico se criarem o tal do editor digital...O que os defensores do exercicio da profissao de jornalista sem diploma diriam agora?
Caro Altamiro,
Teriam pouco ou nada a dizer. Repare que na França -assim como na maioria dos países europeus, ao contrário da legislação brasileira, não existe a exigência de diploma universitário para ser jornalista profissional. Os franceses já cunharam a expressão "journalisme amateur" para qualificar o noticiário publicado nos blogs. Mas o mercado profissional é muito disputado e seletivo, e nele entram os que têm melhor formação -não necessariamente em jornalismo. Os jornalistas franceses, por sinal, desconfiam do Livre Vert (Livro Verde) -assim é chamado o conjunto de propostas do governo francês. Muito dinheiro público dado para salvar os patrões e pouca atenção aos trabalhadoes, os jornalistas -denunciam eles. Desde o início do ano passado os jornalistas franceses vêm realizando greves e já paralizaram algumas redações importantes, como a do Le Monde.
Por outro lado, tudo o que as grandes corporações que controlam as mídias querem é que todos tenham acesso a todos os equipamentos eletrônicos de última geração. Ganhariam muito dinheiro com publicidade e vendas. E muito mais dinheiro depois. A questão é que finalidade e uso tais equipamentos teriam. Ou seja, conteúdo. Neste exato momento alguém no Brasil está vendo o Big Brother por um celular de "última geração". Eu estou comentando o seu comentário do meu modesto computador. Outros, mundo afora, fazendo outras coisas igualmente úteis. Quantos de nós podem fazer uma opção livre? Essa é a nossa questão. É isto que está em jogo.
Abraço
Henrique Marques Porto
Oi, todos

Vale a pena ler o PHA hoje sobre o que o Ministro Marco Aurélio falou sobre a interdição do uso dos blogues -- desde já -- para fazer campanha para 2010. Eles estao com medo, mas o recurso é tentar amordaçar.

http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=6519
Texto importante sobre o tema deste tópico no site do Azenha hoje:

Blogueiros e sindicatos se juntam nos EUA
Atualizado em 26 de fevereiro de 2009 às 13:01 | Publicado em 26 de fevereiro de 2009 às 12:59

de JIM RUTENBERG, no NEW YORK TIMES

Um grupo de blogueiros liberais informou que está se organizando com sindicatos e com o MoveOn para formar uma comitê de ação política que buscará empurrar o Partido Democrata mais à esquerda.

Solicitando doações de seus leitores, os blogueiros planejam recrutar candidatos liberais para desafiar os democratas centristas que estão atualmente no Congresso.

A formação do grupo marca outro passo na evolução da blogosfera, que já demonstrou ser eficaz para motivar ativistas partidários a dar dinheiro e tempo para campanhas políticas, especialmente em disputas locais.

Mas também ilumina um problema crescente para o presidente Obama, cujo tentativa de construir uma ampla coalizão governsta -- quase sempre temperando suas posições previamente liberais -- já incomodou alguns de seus apoiadores à esquerda.

A nova organização é de muitas formas a equivalente liberal do Club for Growth, um grupo conservador que financia campanhas contra republicanos que não considera suficientemente dedicados a cortar impostos e reduzir o governo.
Mais um trecho de matéria interessante (no link http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2602200912.htm)

"TWITTER WAR"
"Washington Post" e o site Politico descrevem como os "tweets" tomam conta da cobertura política americana, no que já é descrito como "a guerra do Twitter". Saiu até até lista dos "dez mais" de Washington. O conflito maior é entre as estrelas de NBC e ABC, David Gregory e George Stephanopoulos, mas a lista traz o marqueteiro Karl Rove como líder. Também na relação, Al Gore, a blogueira Ana Marie Cox e Obama "ou, para ser exato, seus assessores".

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