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Um capítulo de Tempos Modernos, novela "das sete" na Globo, trouxe uma surpresa. Sábado à noite, por volta das 19:55, uma cena com crianças sorridentes e saudáveis saindo de uma escola parecia ser mais uma entre tantas cenas cotidianas retratadas em nossas teledramaturgias.

Mas eis que um ônibus da EMTU entra literalmente em cena. Lógico, dirão os mais desavisados, estes veículos fazem parte do cenário urbano paulista e a realidade não precisaria ser censurada graças a pudores políticos.

O problema é que esse ônibus dá meia parada em frente à câmera que coloca em foco a inscrição "Governo do Estado de São Paulo".
 
Não se tratou de uma passagem do onibus pela câmera. Mas de um merchandising escandoloso do Governo de São Paulo, com fins eleitorais evidentemente. A cena tentou articular crianças sorridentes e saudáveis ao governo, usando para isso o "produto" ônibus.

Em dois casos há algo grave e suspeito acontecendo aí. Se a propaganda foi paga, é bom que o Governo do Estado explique quanto custou ao bolso do contribuinte uma brincadeira desta, até porque não se trata de uma campanha de prestação de contas. Além disso propagandas subliminares não servem a bons propósitos, como todos sabemos.

Pior ainda se o merchandising não foi pago. Aí é a Globo que tem que se explicar, informando porque está usando novela para fazer campanhas políticas.

A Globo já tinha se envolvido em campanhas suspeitas com o governo Serra quando veiculou em vários estados (eu aqui no Rio, assisti a alguns destes comerciais) algo que aparentemente só interessaria ao contribuinte paulista: anúncios da Sabesp.

Agora vem com este ônibus-eleitoral enfiado numa novela das sete a poucos minutos do Jornal Nacional.

O que a Justiça Eleitoral tem a dizer sobre isso? O que o Governo do Estado de São Paulo tem a dizer sobre esta inserção? E o que a Globo tem a dizer sobre este tipo de artifício?

É bom ficar de olho.


TIPO DE ONIBUS USADO EM MERCHANDISING ELEITORAL PELA GLOBO





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Respostas a este tópico

Weden, se fosse só isso eu nem me preocuparia muito. Muito pior sao discussoes de natureza política nas novelas, com sentido claramente direcionado a criticar o governo e as esquerdas.
Weden,
e a censura às aparições da Dilma feitas pelo jornalismo do Globo?
Cortaram-na das cenas em que aparecia junto à Madona, no carnaval.
A Dilma agora só aparece no noticiário da Globo para ser criticada.
Eita televisãosinha rastaquéra, essa.
Weden,
Aqui, no Rio, a Rede Globo & derivados fazem campanha aberta do Flamengo. Está bem claro que, assim, a TV Globo ganha da Record em audiência. A imprensa do Rio só fala em Flamengo, Adriano e Wagner Love. Torcedores dos outros clubes comentam e criticam este marketing agressivo e toda esta alienação imposta. É uma coisa nojenta. Será que não era hora de esta gente mudar o disco? Sou também jornalista e não estou vendo a neutralidade da imprensa. Ou o jornalismo é apenas comércio? a imprensa do Rio perde em qualidade para a imprensa de São Paulo.
NELSON MARZULLO TANGERINI, JORNALISTA.
A Rede Globo sempre agiu desta forma. Em período eleitoral as coisas tornam-se mais explícitas, temos de ter atenção aos métodos empregados pela emissora. Mas há ainda outros veículos alinhados à Vênus Platinada, principalmente no eixo Rio-São Paulo.
A Rede Globo elege o presidente, o governador, o prefeito. E escolhe quem vai ser o Campeão Carioca ou o Campeão Brasileiro. Este país está nas mãos da Globo. A Rede Globo não se importa com o interior fluminense. Só a cultura ipanemense importa. A imprensa comete o mesmo erro. Niterói só apareceu na mídia porque o morro do Bumba veio abaixo. Não se fala sobre os artistas e os escritores de Niterói. Gostaria que se discutisse, também, sobre a imprensa do Rio. É uma imprensa ruim, arrogante, elitista. Não consigo ler os jornais do Rio. Então leio A FOLHA DE S. PAULO, O ESTADO DE S. PAULO e ESTADO DE MINAS. No Rio, só pensa em futebol. Mais nada.
NELSON MARZULLO TANGERINI, Jornalista e escritor.

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