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Uma professora da Bahia tem as imagens de sua dança sensual jogada no youtube, e a repercussão acaba resultando na perda do emprego; a cantora Vanusa sofre uma crise de labirintite, durante a interpretação do Hino Nacional na Assembléia Legislativa de São Paulo, e no youtube a versão que ganha força é de que estaria embriagada; uma pesquisadora é acusada e perseguida durante quase uma semana por um blog de esgoto ligado a uma revista sensacionalista de ser "chefe da festa do ecstasy". Seu pecado? Levar adiante uma pesquisa de pós-doutorado sobre políticas de redução de riscos.

O que esses casos revelam? Que a grande rede é ruim por si mesma? Que ela deveria passar por mecanismos de controle para que mais reputações não sejam destruídas?

A discussão é complexa demais para respostas irrefletidas. Por um lado, é evidente que a rede, ao ganhar importância relativamente às outras mídias, acaba por ter potencializado o seu poder de destruição.

Hoje o estrago que o youtube pode trazer a uma vida é equiparado ao que uma TV pode causar. Com o agravante de que a disseminação de suas imagens é muito mais difícil de ser controlada.

Se por um lado a opção por não criar dispositivos de controle sobre a liberdade na internet parece ser a mais condizente com um mundo democrático, por outro, devemos gastar algum tempo pensando de que forma casos como estes acima deveriam resultar em punições.

O simples fato de a professora baiana ter ousado dançar de forma provocativa em um momento de lazer não nos dá o direito de explorar sua imagem de forma pública. Se por um lado fazer circular no youtube não se compara com comercializar esta imagem - no que seria mais fácil a punição - por outro é óbvio que se trata de um ato que traz prejuízos à vida de alguém. Não é justo descarregar sobre a própria vítima a culpa por um mau comportamento. Isso é um julgamento moral e simplista.

Se bebo com meus amigos, ninguém tem o direito de me filmar bebendo e lançar no youtube sem minha autorização. Se digo um palavrão, também não gostaria que isso fosse gravado para provar uma suposta falta de controle sobre meu vocabulário.

Se a cantora Vanusa teve um problema por causa de remédio, trata-se de uma grande perversidade distribuir imagens dela subtitulada como embriaguez.

Deveríamos criar mecanismos mais eficientes para a retirada imediata de imagens como estas da rede, ou dispositivos legais mais rigorosos contra autores que abusam do direito de livre expressão para sugerir, por exemplo, que uma pesquisadora séria é "chefe de festas de drogas", como no caso do blog aludido acima.

A rede é como faca: pode preparar belos pratos, mas pode servir ao assassínio. Não discutir formas mais eficazes de impedir que ela prejudique reputações é não encarar a realidade. Falar em nome de uma liberdade total e irresponsável é compactuar com o lado perverso da Humanidade.

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Respostas a este tópico

Primeiramente, não podemos julgar o comportamento das pessoas. Também, não podemos dizer que a mídia em si é ruim para a sociedade ou ameaça a reputação das pessoas. Como sabemos, depende sempre de quem a utiliza e para quês fins.

O problema não está em como as pessoas se comportam durante uma festa ou um momento de descontração. Ela é livre e pode fazer o que querer. Não devemos julgá-la ou menosprezar o seu trabalho por essas situações. O problema já começa aí. Quando nós mesmos damos aos assuntos como este, uma importância indevida. Se a sociedade não desse valor a esse tipo de coisa, isso não teria efeito, logo ninguém iria publicar algo assim.

O que essas pessoas querem é exatamente isso. Querem difamar, já que vivemos em uma sociedade preconceituosa que está acima do bem e do mal. Que diz: Uma pessoa não deve agir assim. Deve agir de tal maneira. Ou até: Um profissional não faz esse tipo de coisa. Estamos muito acostumados a ouvir e a ver esse tipo de coisa e concordar. Nós damos importância e permitimos que isso aconteça.

Somos seres humanos, temos vontades, desejos, medos, fraquezas... Todo mundo é assim, não somos diferentes nestes pontos. A diferença está em como você vê determinado assunto. Se você prefere ser discreto, tudo bem. Se não se importa que os outros saibam, pelo menos respeite os outros.

Quanto à mídia, ela é apenas um canal que mostra o reflexo da sociedade que somos.

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A sociedade do espetáculo quer a extinção da intimidade. Todos frente a cameras fotograficas e de video, computadores, webcams exibem suas vidas particulares: blogs, twitter, sites, o escambau.

O lado perverso da Humanidade, Weden, se revela bem na rede.

Interessante foi o caso do Belchior que, acredito, é uma pessoa ponderada. Não quis servir de pasto à vampiragem negando-se a falar de sua vida particular.

Pena que é uma exceção.

Li o cineasta Lars von Triers faladno sobre seu mais recente e violentissimo filme, que chocou em Cannes. Disse ele que a violência no cinema, com todos aqueles efeitos, sangue espirrando, etc, não choca tanto quanto a violencia interior que ele mostra: o inconsciente.

E fico pensando se tudo isso, toda essa exteriorização, todo esse show não é, exatamente, o grande medo de cada um encarar a si mesmo.

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Veja só, Wenden: recebi hoje, através de grupo de ex-colegas de colégio, o vídeo da Vanusa. Mesmo já tendo lido teu comentário, não liguei cousa com lousa e comentei o vídeo dizendo que ela parecia alcoolizada. Só depois disso me caiu a ficha. Fiz o que estava a meu alcance: mandei uma mensagem ao grupo retificando minha opinião.

Mas a essas alturas, o mal já estava feito.

Fica a lição: se a rede é ágil, nosso raciocínio precisa estar mais aguçado. Ou pensar duas vezes antes de postar bobagem.

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O que eu não sei é se quem faz isso tem ou não consciência do mal, isto é, se faz deliberadamente para prejudicar o outro ou se simplesmente age de acordo com sua índole. Também não sei qual dos casos é pior.

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Parabéns pelo equilíbrio da sua posição, Wedencley! Como ouvi um professor meu brincou uma vez, "bom senso é uma virtude rara", e portanto merece ser reconhecido quando aparece!!

Além disso, tive a impressao de que a sua posição tem a ver com uma idéia que persigo há anos: identificar os limites mínimos indispensáveis à liberdade, justamente para garantir a máxima liberdade viável de todos, sem que a liberdade de um oprima outro.

Se por acaso te interessar, tenho dois trabalhos sobre isso disponíveis na net, um curto, o Manifesto do Pluralismo Radical, e outro de 35 páginas, Liberdade Socialmente Sustentável.

Grande abraço!

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antes de vc criar um falso dilema/tópico por conta e uso da internet, tal "comportamento perverso" é a velha questão de boas maneiras, boa educação, sentido de vida social, amor e respeito pelo outro.
e a causa dessa escandalização, dessa banalização dos costumes, da moral pública, dessa degeneração da vida em sociedade origina nos vícios e nos ilícitos impunes do poder e da política; na homogeneização planetária da opinião pública conduzida pela mídia; na codificação dos desejos e valores impostos pelo mercado/capital/consumo.

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Li em alguns comentários e concordo que a rede reflete aquilo que a sociedade pensa e faz. Para alguém que está acostumado a ver nádegas balançarem em sua tv nas tardes de domingo, nada mais normal que disponibilizar um vídeo de uma dança "sensual", captado em uma inocente casa de pagode, na grande rede.

Assisti ao vídeo da professora bahiana, nele percebi uma dezena ou mais de celulares fazendo a filmagem de suas peripécias (só faltou a câmera on board). Será que a inocente professora pensou que tal situação pudesse prejudicar sua imagem? Acredito que não, pois em momento algum vi constrangimento pelas filmagens que estavam sendo feitas, muito pelo contrário...

No caso de Vanusa, a impressão que se tem ao ver o vídeo é mesmo de embriaguez, pois quem em sã consciência vai acreditar que uma pessoa experiente como ela se disporia a cantar o Hino Nacional Brasileiro na situação apresentada?

Quanto à pesquisadora desconheço os fatos, mas se é como o descrito no post, a censura deve ser feita ao blog e a revista e não a rede como um todo.

Acredito que a professora "não fez nada por mal", acredito também na seriedade da Vanusa quando diz que estava sob efeito de remédios, mas no que realmente acredito é que a cada dia que passa. mais as pessoas se expõe ao ridículo, a situações vexatórias e quando isto se torna público é que vão pensar o quão estúpidas foram, o quanto sua imagem foi arranhada.

No meu ver, a professora não deveria ter dançado daquela maneira e Vanusa não deveria ter tentado cumprir com suas obrigações se não se sentia bem, simples assim.
Na minha cidade existe um radialista (não sei se a frase é de sua autoria) que, repórter policial, sempre avisa aos incautos “Se você não quer virar notícia, não deixe o fato acontecer”. E nesse caso sou obrigado a concordar com ele...

Francamente, sou a favor de limites, mas desde que estes sejam impostos pela consciência das pessoas, tanto das que produzem, quanto das que revelam os fatos.

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Há uma questão na internet que a difere de todos os outros meios de comunicação, é que não estamos falando de concessões nem de empresas privadas nem de profissionais, estamos falando de pessoas comuns que lêm, escrevem, divulgam textos e imagens. A internet é como se fosse uma grande conversa de botequim, uma grande conversa entre amigos, uma grande conversa de família e até um monólogo, embora seja também um trabalho profissional, um trabalho corporativo, um trabalho institucional. A maior revolução da rede, porém, é dar a palavra e possibilitar a ação de pessoas comuns. Qualquer tipo de censura é o impedimento de as pessoas comuns se manifestarem. O dano da censura à revolucionária liberdade de expressão que a internet criou é superior a qualquer outro dano que ela possa vir a causar. Este para mim é o ponto de partida da discussão. Se há concordância quanto a isso, se há consenso de que nenhum dando justifica o dano maior da restrição à liberdade de expressão e de informação, podemos discutir tudo o mais.

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Wedencley,

Nós, brasileiros estamos perdendo a noção do ridículo, ou no mínimo subvertendo os conceitos morais.

Todos nós que vivemos no brasil conhecemos, pelo menos medianamente, a forma de pensar da maioria das pessoas, e decidimos como vamos nos comportar em ambientes públicos. Podemos argumentar: mas ninguém tem nada com isso! claro que não, mas também ninguém tem nada a ver quando a mãe tira o filho da escola quando a sua professora se comportou dessa forma.

Entendo que as pessoas devem ser livres para fazer o que lhe aprouver, e pagar pelo resultado que vier.

A internet, felizmente não tem nada a ver com isso, ela não pensa, não fala, não ouve, não sente gosto e nem odores, é apenas um instrumento. Nós, indivíduos, é que somos os responsáveis por nossos atos e devemos assumir quando bons e quando ruins forem os resultados.

Falou...

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