LILIAN MILENA

Da Redação - ADV

 

A queima do lixo, reduzindo em cinzas o montante de rejeitos, com produção de energia termelétrica, é proposta atraente às políticas de gestão de resíduos sólidos. As prefeituras de Recife e Belo Horizonte, estudam a implantação desses sistemas. Entretanto, compostos tóxicos, que podem ser formados durante o processo de queima do lixo, colocam em risco a viabilidade ambiental de incineradores.


A cidade de Curitiba, por exemplo, entregou recentemente um plano integrado com medidas para reciclagem, compostagem e biodigestão dos gases produzidos na decomposição do lixo, excluindo o projeto de incineração, por considerá-lo arriscado.


Europa, Estados Unidos e Japão contam atualmente com cerca de 600 incineradores que tratam resíduos urbanos. Enquanto que, no Brasil, a atividade é predominantemente realizada para atender o tratamento de resíduos especiais em aeroportos, hospitais, indústrias e agroindústrias, que lidam com materiais perigosos. São equipamentos de pequeno porte com capacidade inferior a 100 quilos por hora.

 

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Respostas a este tópico

Há uma espécie de cinismo na sociedade brasileira, pois não seria o dano as pessoas pela poluição gerada na incineração menor que as doenças geradas pela manipulação de lixo por catadores?

Os profissionais da área de tratamento de lixo não gostam da denominação e preferem a denominação resíduos sólidos, eles dizem isto afirmando que "resíduos sólidos urbanos" não são contaminados, esta opinião é mais condizente com os "resíduos sólidos" gerados na Europa e USA onde as pessoas não tem por hábito coletar de papel sanitário usado em cestinhas e colocar no lixo.
Caro Rogério:
Doenças em catadores podem ser evitadas, e entendo que não deve ser incentivada a atividade e catador, como muitos fazem, mas sobre isto já discuit bastante no blog, aqui não o farei.
Em minha opinão de não especialista, me alinho ao contido no texto quanto ao uso de incineradores, o resto ficando por conta dos CTR's, que, bem operados dão conta do recado.
Sobre as preocupações ambientais com os incineradores, basta um bom projeto e bom senso, este um artigo raro, para resolvê-las.
Um abraço
Caro Alfredo

Num ambiente de trabalho em que o patrão para não ser punido pelo ministério do trabalho obriga seus funcionários a utilizarem EPIs os chefes viram as costas e os empregados retiram estes equipamentos. Em sã consciência achas que os catadores utilizarão luvas, máscaras, e roupas de proteção. Não sonhe.

Temos que ter empregos descentes e salubres para estes homens e mulheres (muitas vezes crianças) e parar com esta PALHAÇADA de pousarmos como um país que recicla muito a base da saúde de miseráveis.

(pergunta séria - não é ironia, gostaria de saber a onde foi discutido isto no blog?)
Caro Rogério Maestri:
Só vi agora o seu questionamento, e estranhei a reclamação rsrs, pois " não deve ser incentivada a atividade de catador, como muitos fazem", portanto, temos a mesma linha de pensamento.
Não posso me lembrar dos posts em função do tempo já passado.
Um abraço
Alfredo

Não sou contra a reciclagem nem contra os catadores, mas sim da utilização política de uma atividade de como é levada é mais perniciosa aos que dela vivem do que proveitosa.

Caso os catadores, industrializassem parte do que produzem (isto não é impossível) eles seriam realmente beneficiados pelo seu trabalho, mas o que vejo é que não há nenhum movimento no sentido de agregar valor a suas tarefas. Os catadores do jeito que estão organizados são o elo mais fraco da cadeia de reciclagem, eles fazem o serviço pesado e ninguém se ocupa em fazer com que estes saiam deste serviço com a parte do leão.

Indústrias de reciclagem do alumínio, poderiam ser aproveitadas por esses homnes e mulheres, isto não é impossível, eles possuem a matéria prima e por exemplo se os catadores de cidades de grande porte tivessem apoio tecnológico das Universidades e financiamento público eles deixariam de ser meros catadores para ser recicladores.

Há outros produtos que se podem ser industrializados com relativa facilidade, alguns tipos de plásticos por exemplo. Não estou falando de recortar garrafas plásticas e fazer adereços e missangas para serem vendidas em feiras para intelectuais com complexo de culpa, estou falando em processar matéria prima.

Toda a minha indignação é que se reúne milhares de catadores e ninguém propõe isto, é como se queira que os mesmos fiquem a vida toda catando e retirando migalhas da sociedade.
Catadores do Alto Tietê na luta contra a incineração - 15/12/2009

Ver: http://www.mncr.org.br/box_2/blog-sao-paulo/catadores-do-alto-tiete...

Segundo o Secretário da Amat (Associação dos Municípios do Alto Tietê), Pedro Campos Fernandes, já é certo a compra de dois equipamentos de incineração para o Alto Tietê. Os municípios estão em vias de formalizar um consócio da região e já há verba para a compra dos equipamentos.

Carta aberta a sociedade organizado do Alto Tietê

Alto Tietê, 11 de Dezembro de 2009

Companheiros e companheiras,

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) por meio de seu Comitê Regional de Catadores do Alto Tietê vem a publico manifestar a sociedade, em especial as organizações populares do Alto Tietê, sua posição com relação a instalação de incineradores de resíduos e a queimar de materiais recicláveis como forma de destinação final do lixo.

Há alguns meses temos percebido a articulação de empresas multinacional do setor de incineração fomentando lobbys junto ao poder público para venda de equipamentos de incineração do lixo na America Latina. Esses projetos têm sido colocados a população desinformado sob termos de publicidade pouco conhecidos como pirolise, gasificação, “reciclagem energética”, no entanto são apenas sinônimos para a prática de queima do lixo. O argumento para implantação desse sistema é que com a queima do lixo é possível produzir energia elétrica e com isso dar uma solução definitiva a problemática do lixo nas cidades.

O MNCR é contrario a prática de incineração e luta, junto com diversas entidades ambientalistas, contra essa prática no Brasil. A queima do lixo é prejudicial a saúde humana e ao meio ambiente por gerar gases furanos e dioxinas que causam câncer. A queima do lixo para gerar energia, por outro lado, tirará o sustento de milhares de catadores de materiais recicláveis, pois para combustão do lixo orgânico é necessário também queimar os resíduos recicláveis como o plástico.

A realização do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê é uma iniciativa para promoção da incineração e para preparar a população de nossa região para receber um incinerador. Já há planejamento do Governo Estadual para implantação de uma usina na região do Alto Tietê, os estudos e negociação já seguem avançados. Em outras regiões esses eventos também estão sendo organizado com o mesmo objetivo, como pode ser verificado nos materiais em anexo. Um dos documentos difundidos no pré-fórum diz: “Atentos aos problemas acima, os países desenvolvidos já abandonaram a técnica de aterramento, optando pela incineração e últimamente utilizando o RSU como fonte para a geração de energia Termoelétrica, minimizando os impáctos atmosféricos e geoambientais.” http://www.luzdolixo.com.br/prf_temp.php No entanto, tivemos informações de nossa delegação presente na COP 15 que um número grande de equipamentos foram proibidos de serem instalados na Europa, por isso essas empresas (Alemãs e Francesas) tem oferecido esses serviços na America Latina.

No site do Fórum de Resíduos Sólidos do Alto Tietê podemos verificar o envolvimento de empresas de incineração como Luftech Soluções Ambientais, entre outras integradas à prática de incineração de resíduos. Os eventos de promoção da incineração têm recebido dinheiro dessas empresas para compra de brindes, entre outros gastos.

A geração de energia por meio da queima do lixo é uma prática condenada e por dezenas que entidades ambientalistas em todo o mundo por gerar risco a saúde humana a longo prazo. Ver estudo do Green Peace. http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/sumario_exec_health.pdf O custo de implantação de um incinerador para geração de energia é altíssimo, cerca de 13 mil reais por kW. Com já mencionamos, para criar combustão dos resíduos orgânicos, cerca de 60% do lixo, é preciso haver resíduos inflamáveis (plástico e papel) durante a incineração. Significa queimar materiais prima que pode ser reciclada e que economiza matéria prima virgem, e sobre tudo energia.

Por fim, defendemos a adoção da coleta seletiva com inclusão social dos catadores de materiais recicláveis por meio da contratação de suas cooperativas e associações como meio correto, eficiente a sustentável de tratamento dos resíduos sólidos no Alto Tietê, associada a outras formas de tratamento de resíduos com mesmo impacto no meio ambiente. Lutaremos pela implantação desse sistema para que possa atender adequadamente toda a população do Alto Tietê gerando trabalho e renda para milhares de catadores que atuam na região.

Comitê Regional de Catadores do Alto Tietê – MNCR

Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis - MNCR
Fico altamente angustiado quando vejo a instrumentação de movimentos populares para fins que não ficam bem claros.

O trabalho de um catador da forma que é estruturado com coleta de lixo através de carrinhos de tração humana ou carroças não é um exemplo de atividade salubre. Fico pensando que movimentos para manter este “status quo”, não levam em conta o principal, o homem.

Uma legislação que obrigasse a população como um todo a separar dos resíduos sólidos não recicláveis, plásticos, alumínio, vidro, papel e outros deveriam ser incentivadas. Financiamento público para a colocação desses materiais recicláveis em containeres e veículos para o transporte dos materiais deveria ser incentivado. Tudo isto levaria os atuais catadores passassem a ser recicladores. Também financiamento para que estes mesmos passassem a beneficiar estes resíduos dando maior valor agregado ao seu produto também deveria ser feito. Fontes de financiamento para este fim deveria vir do próprio produtor da embalagem, se ele a produz ele deveria pagar pelo destino final. Alguns diriam que isto simplesmente transferiria ao contribuinte o custo final, mas assim haveria o desenvolvimento de tecnologias que economizassem embalagens ou a compra a granel ficaria mais barata.

Todos estes movimentos no sentido do anteriormente exposto deveriam e poderiam ser feitos, porém vejo que há mais um aproveitamento político de setores lupen dos catadores para massa de manobra. ONGs internacionais tipo Green Peace e WWF que em seus países de origem não conseguem reciclar nada e incineram o não reciclado e o reciclável aproveitam-se dos catadores brasileiros para fazer claque para suas reivindicações.

Reciclar é necessário, o ganho energético, a possibilidade de diminuir a agressão a natureza já é uma consciência generalizada na população, logo a mobilização para esta separar resíduos sólidos recicláveis não é muito difícil.

Alguém pode dizer que isto esta sendo feito por estas organizações, porém se olharmos a página da Internet do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, vemos alguns indícios das intenções da coordenação deste movimento. Numa página muito bem estruturada, um trabalho profissional em tanto, várias informações políticas (não disse partidárias) são dadas, excelente devemos trabalhar o lado da mobilização das pessoas para que organizadas consigam mais. Os documentos são bem redigidos e escritos, explicando como deve ser a organização do movimento e a sua adesão.

O que me causou estranheza é que não há informações técnicas que ajudem os catadores melhorarem as suas condições de vida. Não há uma planta de como deveria ser um galpão de reciclagem, um desenho de um carrinho que permitisse um transporte melhor do material recolhido, um esquema de armazenamento ou até propostas de como agregar mais valor ao produto final do trabalho desses homens. O interesse é de somente mobilizar os setores e estes mobilizados fazerem o que?

Continuarem com as mesmas técnicas, as mesmas organizações que tem? Será que das centenas de cooperativas de catadores não há nenhuma que inovou algo? Ou será que o trabalho dessas pessoas não merece uma atenção.

Fica claro pela organização do site que interesse é mobilizar esta massa de trabalhadores e deixá-los pronto para atender o chamado das lideranças quando estas necessitarem.

Promover a melhora de vida dos catadores não me parece o objetivo dos coordenadores deste movimento, pensar em soluções técnicas que elevem a qualidade de vida dos trabalhadores não está na pauta.

Se os capitalistas estão tentando privatizar a coleta destes resíduos sólidos para incinerá-los ou para reciclá-los eles estão investindo em tecnologia e quanto menos se fizer do lado técnico dos catadores mais longe ficarão as propostas tecnológicas.
Parece-me que fica mais fácil copiar palavras chaves que podem ser utilizadas no MST no Movimento dos Alagados e outros do que estudar o problema dos catadores e propor soluções além da necessária mobilização.

A forma com que quadros dirigentes de movimentos como estes é quase desumana, propõe-se um imobilismo tecnológico sabendo que isto levará ao esgotamento do movimento e ao impasse político, e talvez este seja o único objetivo, mesmo sabendo que com isto somente aumentarão o sofrimento de nosso povo, que disto tem o suficiente.
Cara Lilian Milena:
Se Europa, EUA e Japão, juntos, operam somente 600 incineradores, é porque não é boa alternativa.
A opção brasileira para o uso de incineradores é a correta, somente para destino final de materiais perigosos, como eu sugeri no comentário em 27 de março, às 0:04.
Um abraço

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