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Villa-Lobos, cinquententário da morte

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Villa-Lobos, cinquententário da morte

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INTERPRETES DE VILLA LOBOS: 4 respostas 

Iniciado por Marcia. Última resposta de Lena 15 Jul.

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Lena Comentário de Lena em 15 julho 2009 às 15:36
Sobre seu pai:

Seu pai era homem culto, professor funcionário da Biblioteca Nacional, autor de várias obras sobre história e coreografia do Brasil, tinha muita sensibilidade e tinha muito amor: a música.

Duas vezes por semana reunia na sua casa, para uma noitada musical, vários componentes dessa sociedade Sinfônica, e que além de amigos e bons músicos, tinham também projeção em outros setores.

Foi fundador da Sociedade de Concertos Sinfônicos no Rio de Janeiro, a primeira, no gênero a existir na cidade.
Lena Comentário de Lena em 15 julho 2009 às 15:29

14/07/2009 - 16h40 Villa-Lobos adormece e sonha com mitos da cultura e novas melodias
Direção: Gira de Oliveira. Duração: 50 minutos. Não recomendado para menores de 2 anos. Leia mais no roteiro
As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações
da Folha Online

Divulgação

"A Ciranda do Villa" recria de forma fantástica a vida de Villa-Lobos
Durante um sonho, o então menino Heitor Villa-Lobos faz uma viagem por todas as regiões do Brasil e acaba conhecendo algumas das principais figuras do folclore, como o saci, o curupira e o lobisomem, além de descobrir melodias e sons que irão servir de inspiração para suas composições posteriores.

É a partir dessa fábula, criada com base em experiências reais do maestro carioca, que se desenvolve o espetáculo "Ciranda do Villa", realizada pela Cia. Lúdicos do Teatro Popular. A temporada é gratuita e acontece no Sesc Ipiranga (região sul da capital paulista) até 2 de agosto, com sessões aos sábados e domingos, às 16h.

Na história, o pequeno Tuhu (apelido de Villa-Lobos na infância, que significa "labareda", em tupi) passa pelo Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e descobre sua musicalidade ao se encontrar e aprender com mitos da cultura brasileira.
Marcia Comentário de Marcia em 14 julho 2009 às 15:44
Choro N° 1 (Heitor Villa-Lobos) - Turibio Santos





Choro N° 1, composto em 1920 pelo brasileiro Heitor Villa-Lobos, para violão solo, aqui executado pelo exímio violonista brasileiro Turibio Soares Santos.
Lena Comentário de Lena em 13 julho 2009 às 22:07
O poeta Carlos Drummond de Andrade: "Quem o viu um dia comandando o coro de 40 000 mil vozes adolescentes, no estádio do Vasco da Gama, não pode esquecê-lo nunca. Era a fúria organizando-se em ritmo, tornando-se melodia e criando a comunhão mais generosa, ardente e purificadora que seria possível conceber".
Lena Comentário de Lena em 13 julho 2009 às 21:58
Eu acho bastante interessante a inserção de representação na literatura e teatro infantis atestando às crianças o gosto pela arte.


espetáculo apresentdo em 03/2007
O Trenzinho Villa-Lobos foi inspirado na vida e nas artes infantis do menino Tuhu, apelido de Heitor Villa-Lobos, que mais tarde vai tornar-se um dos mais importantes compositores musicais do Brasil e do mundo. Texto e direção de Dario Uzam. Bonequeira: Surley Valério.

O Trenzinho Villa-Lobos é uma proposta musical de Teatro de Bonecos manipulados de corpo inteiro, com técnica direta. São cinco manipuladores ao todo, com dois ou três manipuladores/atores animando cada boneco. Trata-se de uma encenação com história autônoma, em espetáculo delicado, plástico e divertido, com fundo cultural e musical. Tem 50 minutos de duração e está direcionado às crianças de 03 a 14 anos, ou de todas as idades
Lena Comentário de Lena em 13 julho 2009 às 21:20
Até hoje, estudiosos não chegaram a um acordo sobre o que é verdade e o que é mito sobre a vida de Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro

Por: Jeanne Gallegari

Heitor Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro da história, nasceu há exatos 120 anos. Muito já foi escrito, ouvido e comentado a seu respeito. O que intriga, porém, é o que não foi dito: mais de um século após seu nascimento, a vida do gênio continua cercada de um tanto de mistério.

A começar pelas famosas viagens que o maestro fez pelo interior do Brasil – de onde tirou inspiração para desenvolver o nacionalismo presente em sua música, traço pelo qual ficou tão conhecido. Parece ter havido certo exagero dele ao relatar suas expedições pelos rincões do país. “Só a primeira viagem à Amazônia, de 1911, está confirmada. Villa estava com uma companhia de operetas como violoncelista. As demais são duvidosas e tudo indica que ele personalizou aventuras contadas por seu cunhado, que trabalhou no projeto Rondon”, diz Vasco Mariz, musicólogo e diplomata, autor do livro Villa-Lobos – O Homem e a Obra.

Aliás, as pesquisas de Vasco Mariz solucionaram um dos episódios mais míticos da vida do maestro. Corria que ele havia inventado para a imprensa francesa, em 1929, uma história de que teria sido seqüestrado por índios canibais brasileiros e só escapara da panela por causa de sua música. Na verdade, diz Mariz, quem inventou a história foi uma amiga dele, a poetisa francesa Lucie Delarue Mardus, que a publicou na revista Instransigeant. E conseguiu o que queria: fazer lotar o concerto do músico.

Se, porém, algumas de suas viagens e histórias foram romanceadas, as pesquisas que fez dos sons da natureza, do folclore e da música popular foram, de fato, fundamentais para sua obra. “Villa-Lobos introduziu os sons do Brasil na música, assim como Guimarães Rosa introduziu em sua escrita o falar das Gerais”, diz Maria Maia, autora de Villa-Lobos – Alma Brasileira. Para o maestro, as ousadias formais e as inovações técnicas que introduziu eram não resultado de um modismo, mas a melhor maneira de retratar a exuberância da natureza e do povo brasileiro. Antes dele, era considerado desprezível aproveitar o folclore na música erudita brasileira, segundo Vasco Mariz.

Nascido no Rio de Janeiro, Villa-Lobos aprendeu violoncelo e clarinete com o pai, que tocava em grupos amadores de música clássica. Em viagem pelo interior de Minas, onde a família morou quando tinha 6 anos, o menino aprendeu a gostar da música rural, sertaneja, e seu interesse aumentou ao observar o choro dos bares cariocas. Para tocar aquelas canções, Villa-Lobos resolveu aprender violão, mas teve que estudar escondido: os pais não aprovavam seu envolvimento com a música popular da boemia carioca. Era dotado de um ouvido musical privilegiado. Conseguia, por exemplo, compor, ouvir rádio e conversar, tudo ao mesmo tempo. E chamava esse dom de “ouvido profundo”.

Depois das viagens que fez ao interior, Villa-Lobos começou a incorporar os elementos nacionais às suas composições. O sentimento nacionalista se fortaleceu ainda mais durante a Semana de Arte Moderna de 1922, de que participou ativamente – detalhe: de terno e chinelo de dedo, por causa de uma crise de ácido úrico nos dedos do pé.

A partir daí, o sotaque brasileiro de sua obra ficou cada vez mais nítido. Comparado aos maiores nomes da história, como Wagner, Bach e Chopin, o brasileiro foi, e continua sendo, um dos compositores contemporâneos mais gravados lá fora. Ironicamente, quanto mais nacional sua arte ficava, mais se universalizava e conquistava o mundo. Como é típico dos gênios.


O maestro educador

Ele lutou pelo ensino de música nas escolas

Cinco de março, data de nascimento de Heitor Villa-Lobos, virou o Dia Nacional da Música Clássica no país. Uma homenagem ao homem que desenvolveu o maior projeto de educação musical do Brasil. Mais do que formar talentos, a idéia do maestro era despertar o interesse pela música erudita. O primeiro trabalho foi feito com o governo do estado de São Paulo, no início dos anos 30. Villa-Lobos, que residira um tempo na França, desistiu de seu plano original de voltar à Europa porque queria cuidar do projeto. Em seguida, foi ao Rio de Janeiro, onde coordenou a implantação da educação musical nos colégios. Nessa época, desenvolveu o seu Guia Prático, coleção de livros para o ensino de música. Villa-Lobos acreditava que, antes de estudar teoria, as crianças deviam dominar noções de ritmo, som e timbre. Seu método foi bem aceito e o maestro contiunou o trabalho, criando o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, em 1942, e dirigindo apresentações, como a de 40 mil estudantes no 7 de Setembro de 1940. Um dia após a morte do maestro, em 1959, o canto deixou de ser obrigatório nas escolas. Hoje, poucos colégios têm a música no currículo.
Lena Comentário de Lena em 13 julho 2009 às 20:13

Em Tuhu, o menino Villa-Lobos, primeiro título da coleção Caras e Máscaras, assinada por Karen Acioly, nome de referência do teatro infantil, os pequenos leitores conhecerão um pouco da história do mais importante maestro e brasileiro, inspirado na sua infância, mesclando, de forma lírica, fatos reais com boas doses de fantasia.
Marcia Comentário de Marcia em 12 julho 2009 às 23:15
A carta de Villa-Lobos a Stokowski


Aguardando sua resposta urgente...
Villa-Lobos para Stokowski,
ou o lado econômico do câmbio cultural.
Daniella Thompson

4 de março de 2002
Tradução: 25 de novembro de 2005

Heitor Villa-Lobos
Um pequeno pós-escrito da história de Native Brazilian Music em Caçando Stokowski, o qual eu cito:

Stokowski fundou diversas orquestras, incluindo a All-American Youth Orchestra (AAYO), regida por ele em concertos e gravações em 1940 e 1941. Foi esta orquestra que no verão de 1940 navegou com ele a bordo do S.S. Uruguay para uma turnê de Boa Vizinhança ao Brasil, Argentina, Uruguai, e alguns países da América Central. Seu primeiro porto de escala foi Rio de Janeiro, onde eles tocaram concertos no magnífico Teatro Municipal nas noites de 7 e 8 de agosto.

Stokowki era um aficionado confesso pela música brasileira. Antes da viagem, ele escreveu ao compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, cujas obras ele vinha defendendo desde 1927, e solicitou sua ajuda para recolher e gravar “a mais legítima música popular brasileira”. O maestro explicou que, devido ao seu grande interesse pela música do Brasil, ele iria pagar todas as despesas envolvidas e até especificou os tipos de música que desejava: sambas, batucadas, marchas de rancho, macumba, emboladas, etc. As gravações propostas estavam destinadas a lançamento pela Columbia Records. Elas também seriam tocadas em um congresso folclórico pan-americano que estava por vir (e que nunca aconteceu).

Villa-Lobos atendeu ao pedido do maestro e recorreu ao seus amigos, os sambistas Donga, Cartola e Zé Espinguela, que convocaram a nata dos músicos do Rio.

Mas o que aconteceu entre o pedido inicial de Stokowski e as gravações efetivas?
Eu agradeço a Aloisio Milani pelo scan da seguinte carta de Villa-Lobos a Stokowski, escrita no estilo especial de francês do compositor e aqui reproduzida textualmente (veja a tradução para o português abaixo):

Rio de Janeiro, le 16 Juillet 1940

Cher Monsieur Stokowski

J’ai bien reçu votre lettre du 3 courant que je me hûte de vous répondre pour vous exprimer tout le plaisir que j’ai éprouvé, en apprenant votre prochaine visite au Brésil.

Je suis vraiment ravi de vos plans d’échange folklorique entre les nations des continents américains par l’intermède de disques.

Vous pouvez compter sur moi, car je ferai tout mon possible de vous satisfaire, en correspondent à la confiance que vous m’avez témoignée.

Je vous remets ci-joint un plan des enregistrements qui deveront être faits chez les chanteurs populaires (originaires de tous les États les plus typiques et qui démeurent dans les environs de la Capitale), travestis de vêtements typiques, s’il en sera nécessaire pour le filmage.

Pour mobiliser ces éléments il est nécessaire le suivant:

1) - Votre consentement dans un réponse urgente pour
initier la convocation de ces éléments dans ces dix jours;

2) - La garantie de 500 dollars pour les depenses générales;
c’est à dire pour ces musiciens à qui l’on doit payer pour les
rassembler, ce qui est une chose très difficile;

3) - Les copies des disques enregistrés doivest rester à Rio,
même ceux qui seront enregistrés dans les pays américains;

Si vous êtes d’accord avec le plan présenté ci-dessus, il serait convenable que vous envoyiez le plus vite possible, des instructions à l’Ambassade des États Unis de l’Amerique du Nord du Brésil,* pour qu’il eut en entendement matériel avec l’organizateur des éléments typiques qui devront servir à votre projeté enregistrement, car je n’ai pas de moyens matériels pour cette entreprise, cependant, je pourrai, avec plaisir, les organizer et les coordoner.

Quant à la partie artistique de votre excelente orchestre de jeunes américains, je dois vous rappeler que, pour leur plus grand succès e pour la sympathie et l’intérêt de la nouvelle génération brésilienne, il faut organizer des programmes avec la plupart de musiques modernes, ayant dans chaque concert, un auteur brésilien, à votre choix, et un autre des États Unis. Comme vous, j’ai un grand intérêt pour l’échange de la musique artistique entre les deux Continents.

En attendant votre réponse urgente, je vous prie, Cher Monsieur, d’agréer l’assurance de mes sentiments les plus distingués,

H-Villa-Lobos
Av.Almte Barroso, 81 - Edif.Andorinha, 5° and.
s/ 534 - Rio de Janeiro, Brésil



--------------------------------------------------------------------------------


Rio de Janeiro, 16 de julho de 1940

Caro Sr. Stokowski

Recebi sua carta do dia 3 do corrente e me apressei para responder para expressar todo o prazer que tive ao saber de sua visita iminente ao Brasil

Estou verdadeiramente encantado com os seus planos para intercâmbio folclórico entre as nações dos continentes americanos por intermédio de discos.

Você pode contar comigo, pois farei tudo que me for possível para satisfazê-lo, correspondendo à confiança que você depositou em mim.

Estou mandando em anexo um plano das gravações que devem ser feitas por cantores populares (oriundos dos estados mais típicos dos Estados [do Brasil] e que vivem nos ambientes da Capital), vestidos em roupas típicas, se for necessário para filmagem.

Para mobilizar estes elementos, o seguinte é necessário:

1) - Seu consentimento em uma resposta urgente para
iniciar a convocação destes elementos nos próximos dez dias;

2) - A garantia de 500 dólares para despesas gerais;
isto é, a estes músicos, que devemos pagar para
reuni-los, que é uma coisa muito difícil;

3) - As cópias dos discos gravados devem permanecer no Rio,
mesmo aqueles que serão gravados nos países americanos;

Se você estiver de acordo com o plano apresentado abaixo, seria mais conveniente se você enviasse o mais rápido possível instruções para a Embaixada dos Estados Unidos da América do Norte do Brasil,* para que haja um entendimento material com o organizador dos elementos típicos que irão servir em sua gravação planejada, pois eu não tenho os meios materiais para o empreendimento. No entanto, eu poderia organizá-los e coordená-los com prazer.

Quanto à parte artística de sua excelente orquestra de jovens americanos, eu devo lembrá-lo de que, para o maior sucesso possível e para a simpatia e interesse da nova geração brasileira, deve-se organizar programas principalmente com música moderna, e incluir em cada concerto um compositor brasileiro, de sua escolha, e outro dos Estados Unidos. Como você, eu tenho um grande interesse na troca da música artística entre os dois Continentes.

Aguardando sua resposta urgente, eu peço a você, Caro Senhor, para aceitar a confiança de meus sentimentos mais distintos,

H-Villa-Lobos
Avenida Almirante Barroso, 81 - Edifício Andorinha, 5° and.
s/ 534 - Rio de Janeiro, Brasil


http://daniellathompson.com/Texts/Stokowski/Aguardando.htm
* Teria sido essa a Embaixada dos EUA no Rio, ou a Embaixada do Brasil nos EUA? Naquela época, o nome oficial do Brasil era Estados Unidos do Brasil. Ao escrever a carta, Villa-Lobos sofreu um pequeno lapso e criou os Estados Unidos da América do Norte do Brasil.
Marcia Comentário de Marcia em 12 julho 2009 às 23:09

O SAMBISTA DONGA ESCREVE PARA VILLA

Donga escreve para Villa-Lobos
Quanto valiam $500 em 1940?
Daniella Thompson

5 de março de 2002
Tradução: 24 de novembro de 2005




Treze dias depois de Villa-Lobos enviar sua carta a Stokowski, os “elementos” fizeram suas próprias exigências:

Rio, 29 de Julho de 1940

Exmo.Snr.Maestro H.Villa-Lobos

Na qualidade de encarregando de convocar e organizar os elementos para tomarem parte nas gravações do Exmo.Snr.Maestro Leopoldo Stokowski e necessitando um adeantamento urgente para as despezas com os referidos elementos por vós determinados, peço-vos providencieis no sentido de me ser confiada a importancia total de 1:700$000 (um conto, setecentomil reis) afim de ser distribuidos do seguinte modo:

ao encarregado do Maracatú e Frevo 200$000
ao encarregado do Grupo Regional 200$000
ao encarregado dos Sambas 100$000
ao encarregado de Macumbas, Candomblés e Batucadas 200$000
ao encarregado das Modinhas 50$000
ao encarregado dos Choros 200$000
ao encarregado de Emboladas, Desafio e Toada 300$000
ao encarregado das Instrumentações 200$000
Despezas diversas (automóvel, etc.) 250$000


Total 1:700$000

Aproveito a oportunidade para vos apresentar os protestos de alta estima e consideração,

Ernesto dos Santos "Donga"



A carta de Donga (veja facsimile abaixo) exibenão só a assinatura de quem a escreveu, mas também a de Villa-Lobos, que atesta tê-la visto e concordado com as condições estipuladas.



= = =

De acordo com meus cálculos, 1:700$000 equivaliam a aproximadamente US$595 na época.* Donga estava pedindo 19% a mais do que o valor ($500) que Villa-Lobos pediu a Stokowski—nada mais do que qualquer contratado sabendo seu próprio valor pediria. Embora a cifra de $595 pareça perfeitamente razoável, devemos considerar uma carta enviada por Carmen Miranda dos EUA em dezembro de 1939, na qual ela fixou um conto em $50, o que converte 1:700$000 na quantia minúscula de $85.

Qual era o poder de compra do dólar nos EUA naquela época?

Em 1940, uma geladeira de porcelana custava $157.75. Um jogo de 50 talheres de prata de lei com padrão “Rose”, fabricado em Baltimore pela Stieff Co., custava $150. No mesmo ano, os pais de Don Stott compraram um novo Plymouth por $660. Cinco anos antes, eles compraram uma elegante casa de 6 quartos, 3 banheiros em uma linda rua de Washington, D.C., por $3.500. Uma casa no campo poderia ser obtida por $2.000 ou menos.

Hoje, uma geladeira grande traz um prejuízo para o comprador de quase $1.000, um jogo de 46 talheres de prata de lei com padrão “Rose” da Stieff custa $1.545, enquanto que uma casa de seis quartos em Washington, D.C., extrai pelo menos $1.5 milhão. Aquele Plymouth provavelmente custaria $25.000 hoje. Se o poder de compra do dólar fosse usado como uma régua graduada, $500 em 1940 provavelmente valeriam cerca de $19.000 hoje, e os $595 de Donga seriam equivalentes aos nossos $22.500. Se usarmos a taxa de câmbio de Carmen Miranda, os $85 de Donga valeriam $3.214 em dólares atuais.

Por outro lado, um pesquisador mais qualificado, o economista Morton J. Marcus da Universidade de Indiana, determinou que uma cesta básica custando $100 em 1997 teria custado $8,72 em 1940. Isto tornaria quinhentos dólares de 1940 iguais a $5.734 no final da década de 90, enquanto que os $595 de Donga valeriam cerca de $7.000 hoje (ou $1.000, se seus 1:700$000 equivalessem a $85).

= = =

* Meus cálculos um tanto convolutos são baseados em informações obtidas na Internet acerca da taxa de câmbio entre o mil réis brasileiro e o Reichsmark da Alemanha nazista (7$142,857 = RM1) e uma média aproximada do valor do Reichsmark contra o dólar (RM2,5 = $1).


Scan cortesia de Aloisio Milani



Uma crise urbana em agosto de 1940


http://daniellathompson.com/Texts/Stokowski/Donga_para_Villa.htm
Marcia Comentário de Marcia em 12 julho 2009 às 21:58
Nelson Freire plays Villa-Lobos and his dog(Danuza) observes

 

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