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Dossiê Guerra do Paraguai

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Comentário de Marcos Kruse em 14 outubro 2010 às 3:29
(continuação...) situação de elevado grau educacional da população paraguaia, em comparação com o quase total analfabetismo brasileiro, também não é relavante? O argumento de Doratioto de que o desenvolvimento paraguaio não teria se processado de dentro para fora e sim, de fora para dentro (por meio do fornecimento de máquinas e equipamentos por exemplo) é uma faca de dois gumes. Ora, o Paraguai comprava e pagava a vista o que queria. Não foi o capital estrangeiro quem financiou o Paraguai. Para comprar tecnologia no exterior é preciso gerar internamente a renda. Daí que somente pode ser sóbria a análise que vai compreender a natureza interna do desenvolvimento paraguaio. Por todos estes questionamentos e outros mais é que entendo ser ainda necessário se escrever sobre a Guerra do Paraguai. Há muito viés ideológico a iluminar e deturpar a análise dos fatos. Penso ser muito difícil de explicar a invasão do Mato Grosso, por exemplo, como uma empreita em busca de ampliação das fronteiras como se estas já estivessem sacramentadas e o Paraguai tivesse livremente aceito as imposições imperiais de fronteira.
Comentário de Marcos Kruse em 14 outubro 2010 às 3:17
A temática da Guerra do Paraguai é fascinante. Li tanto Chiavenatto quanto Doratioto. Estou ciente das posturas distanciadas de ambos autores quanto à análise do tema. Comento a obra mais recente. Faço o comentário adotando uma postura de suspensão de juízo porque, a meu ver, exercer o juízo demandaria grande aprofundamento. De qualquer modo, da leitura de Maldita Guerra, apesar da louvável busca pelas fontes, permanecem importantes questionamentos em aberto. Em ordem, pois. 1) Não é de todo convincente a afirmativa de que a Inglaterra teria feito vultosos empréstimos ao Brasil porque julgara ser impossível ao Paraguai vencer a guerra. De fato, o Brasil já era devedor antes da Guerra e os empréstimos visavam, entre outras coisas, garantir o recebimento dos recursos antes emprestados. Então, a Inglaterra entrou, de corpo e bolso, na guerra. 2) documentos escritos não estabelecem a verdade dos fatos eis que, sempre, são documentos produzidos sob determinados contextos e condições. Entendo, assim que mesmo a carta citada à fl. 89 da obra ora comentada tem valor probatório circunstancial e que o alcance admitido para a carta extrapola o necessário cuidado na avaliação das fontes. 3) Nos anos de 1807 e 1808 a Inglaterra já havia tentado tomar a Bacia do Prata. Foi derrotada, todavia. Partiu, então, para conquistar Trinidad (1814) e parte da Guiana Holandesa (1831). Em 1851 promoveu um bloqueio no Rio da Prata eis que o endividamento das potências com a Inglaterra era grande e anterior à Guerra. Em 1865, a dívida brasileira era de 12 milhões de libras esterlinas e os empreendimentos ingleses estavam situados no Rio (+ de 50%) e Buenos Aires (+- 30%). 4) Em 1850, a importação brasileira perfazia 55% do total enquanto que o serviço da dívida consumia 70% da receita do Estado. Daí se configura uma relação umbilical entre Brasil e Inglaterra a ponto de estarem presentes o London Braziliam Bank em 1862 e o London and River Plate Bank em 1863 (Rio e Buenos Aires). 5) As desavenças diplomáticas entre Inglaterra e Brasil (questão escravagista e Christie) foram solucionadas rapidamente para garantir novos empréstimos ao Brasil. 6) Ademais, a situação do Paraguai, antes da Guerra era clara em torno de uma definição de saída para o mar. A verdade é que o Paraguai estava sendo encurralado para um beco sem saída e isso, antes da Guerra. Para Doratioto, esta grave situação paraguaia em torno das fronteiras é simplesmente descartada como se fosse capricho dos López. 7) As reiteradas desobediências dos comandados de López não coaduna com a imagem defendida pelo autor de um ditador intolerante como apresentado na obra (pp. 173, 176, p. 515 nota 233, p. 224). 8) Por que a obra não contrapôs ao regime de López o governo do Império? O Imperador brasileiro se julgava acima de tudo e de todos, sentindo-se gravemente humilhado ao realizar o serviço manual na inauguração da estrada de ferro de Mauá como relata a obra de J. Caldeira, MAUÁ. 9) é também muito suspeita a total insistência do Império em desalojar completamente López do poder. Por que tinha que ser desta maneira? Esta é uma insanidade que precisa ser bem melhor explicada. 10) finalmente, a continuidade da Guerra se deveu, única e exclusivamente, à persistência brasileira. Por que isso? 11) Ao final de seu livro, Doratioto defende a idéia de que a permanência na Guerra e a grande valentia paraguaia decorreu do caráter ditatorial de López. Sinceramente, este argumento não convence. Quer dizer que as mães paraguaias mandaram seus filhos, suas crianças para lutarem na guerra por medo de López? Finalmente, 12), sem que seja a questão menos importante, Doratioto nem faz qualquer esforço para comparar a situação econômica do Paraguai e Brasil, questões que foram levantadas por Chiavenatto an passant. O Brasil conseguiu um pequeno trecho de estrada de ferro às custas do investimento do então Barão de Mauá. O Paraguai tinha construído, ele próprio, seu trecho ferroviário. Não é isso relevante? Depois, a
Comentário de George wrdew em 4 julho 2010 às 4:41
5 - A agricultura deles não era nada socialista.
Era apenas controlada pelo "estado", mas o estado não visava o bem social, mas o próprio, o da família Lopez.
Tanto não era socialista, que o plano de financiamento da guerra de Solano Lopez, foi o arrendamento das plantações existentes de algodão (eles não exportavam tecidos, mas algodão para a Inglaterra) e chá aos bancos estrangeiros por 500.000 libras esterlinas afim de pagar o material bélico encomendado na europa (couraçados já citados, canhões Krupp, espingardas modernas etc).
Daí eles invadiriam o Mato Grosso e ampliariam a zona de cultivo de seus produtos e pagariam com as exportações a expansão da grande fazenda.
Esta documentação citada foi apreendida pelos Argentinos, e tudo o que escrevi está nos livros citados acima.

Quanto às Estâncias da Patria, que mostram "caracteristicas sociais modernas"...dêem uma olhada nisso.
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/358/35845116.pdf

"As famosas Estancias de la Patria, anteriormente tomadas como exemplo de equilibrio social, utilizaram não só o trabalho de camponeses, mas também de escravos de origem africana e de prisioneiros."
Fonte:
HERMANO NEGRO:La esclavitud ne el Paraguay
Josefine Plá

A fonte é de um livro paraguayo, o que aliás me deixa alegre, pois todos livros paraguayos que citei, de diversas décadas e séculos, escritos por gente séria e consultando fontes primárias, corrobora a verdadeira história da guerra do Paraguay e não os delírios do Schiavenato.
Seria mais fácil para eles seguir a linha deturpada e mentirosa, e dar uma de pobrezinhos, mas o que acontece aqui é o contrário.

Graças à grande desinformação realizada pelas 27 edições do livro do Schiavenato, professores ainda ensinam na escola um monte de delírios nos forçando a uma "mea culpa" fantasiosa, pedir "desculpas" ao Paraguay.
Desculpas por que?
Eles nos invadiram, eles premeditaram a guerra , e eles se deram mal rapidamente, em Riachuelo, a mais importante batalha da guerra, que tornou o destino deles previsivel.

E o mais importante!
ELES, pelo menos os historiadores e persquisadores paraguayos, SABEM DISSO, e tem contribuido muito mais que os brasileiros para escrever a nossa história.
Centenas de milhares de documentos sobre a guerra do Paraguay, são dois livros de indices de microfilmes, estão à disposição de quaisquer historiadores na BN.
O palácio do Itamaraty tem arquivos, o Arquivo Nacional tem arquivos, a biblioteca da Universidade da Cafifornia tem livros e fotocópias de documentos.Fontes primárias não faltam, o que falta então?
Com raras aparições de outras fontes, o "normal" é que a maioria das discussões aconteça aré hoje citando os livros do Pomer, Duratioto e infelizmente, do schiavenato.
Aqui surpreendentemente, estou vendo serem indexados novos trabalhos sobre o tema, que deverão ajudar a resgatar a verdadeira história dessa guerra, onde não fomos os carascos, mas coadjuvantes da história.
Abraços a todos,
George Gratz
Comentário de George wrdew em 3 julho 2010 às 18:07
Link da Edição on-line da Folha
http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/histpar_1.htm
e segue.
São dez links com a matéria que foi publicada sobre o tema, mostrando novas pesquisas e conclusões.
Comentário de George wrdew em 3 julho 2010 às 17:42
4 - Dizer que o Paraguay era "relativamente fechado" é como "quase grávida", e não bate com nenhum registro histórico, e estou falando de material Paraguayo, por exemplo, o livro OBRERO MAXIMO.
Carlos Lopez fez o contrário, abriu as portas de sua "fazenda" para o mundo do livre comércio.
Eles possuiam uma ferrovia incipiente, construida pelos ingleses para o escoamento da produção agricola.
Isto não caracteriza o bom desenvolvimento do país.Mas simplesmente otimizar o transporte da produção.Usinas de cana de açucar também tiveram suas "ferrovias" no mesmo estilo por aqui.
Indústria siderúrgica eles nunca tiveram, tanto que todas chapas de caldeiras etc, vinham da Inglaterra, eles tiveram uma ou duas (não tenho os dados de cabeça) pequenas fundições.Pouquissimas nações tinham siderurgicas e a produção de chapas de ferro neste periodo era muito limitada.Para vc ter uma idéia, os franceses só conseguiam fazer um navio de guerra pesado com chapas metálicas por ano em média.

Citando o estaleiro, que construia navios com casco de madeira para a nascente marinha mercante Paraguaya, podemos chegar à mesma conclusão.Tudo planejado pelo mesmo Carlos Lopez, e pelo mesmo motivo, para o bom escoamento de sua produção agricola.
Notem porém que, como já foi dito, todas as máquinas e caldeiras destes navios vinham da Inglaterra e, estaleiros construindo navios com casco de madeira, de pequeno porte, existiam a séculos no mundo inteiro..
(segue3)
Comentário de George wrdew em 3 julho 2010 às 17:39
3 - A Inglaterra nunca considerou o Paraguay como ameaça, aliás nunca considerou o Paraguay seriamente.
Muito menos a Inglaterra planejou ou executou qualquer plano maléfico para acabar com a "nascente ameaça" do grande pais .
O que eles fizeram foi, após a batalha de Riachuelo, quando quaisquer comunicações estavam bloqueadas, vender todos navios de guerra encomendados pelo Paraguay ao seu arqui-inimigo, o Brasil, e mais alguns.
Apesar das leis rígidas de exportação de armamentos para países em guerra, que os ingleses já tinham na época, e que foram foram usadas no bloqueio de armas e navios encomendados pelos confederados na guerra da secessão americana, no caso do Paraguay, como não houve protesto formal pelos canais diplomáticos ,a venda de todo material necessário à guerra foi efetivada.
Este relato está no livro
Historia diplomatica del Paraguay de Luis G. Benitez.1972
A comprovação de todas encomendas está em vários documentos ingleses, na BN, e no livro acima citado.
Note-se que a encomenda de CINCO encouraçados capazes de navegar em rios denota aqui uma premeditação e a certeza de que haveria guerra.

4 - A suposta chacina, baseada no fato da comparação entre os sensos populacionais é falsa.Pois o Paraguay aumentou propositalmente o número de habitantes para parecer mais temível.
Lembro a todos que, além disso, na época, não haviam fronteiras com postos aduaneiros como hoje, e a migração de refugiados existiu durante a guerra, como em todas as guerras. Relatos de 1867 (TRÊS anos antes da guerra terminar) também demonstram uma redução de população devido às várias epidemias.
(segue2)
Comentário de George wrdew em 3 julho 2010 às 17:33
Pessoal,
me perdoem, mas citar qualquer livro do Chiavenato como fonte para discussão sobre a guerra do Paraguay é no mínimo triste.
Para começar a Inglaterra não teve nada, nadinha a ver com isso.

Olha, em minha humilde opinião, toda história da guerra do Paraguay está, até hoje , muito mal contada.

O que consegui ver através de fontes primárias quando procurei a parte que me interessa - Guerra naval - Utilizando microfilmes da coleção Rio Branco na BN, e arquivos diplomaticos na biblioteca do Palácio Itamaraty, além de bibliografia paraguaya gentilmente fotocopiada por um amigo na Universidade da California, corrobora o seguinte:

1 - O Paraguay era uma enorme fazenda, bem administrada, nada mais que isso.
Carlos Lopez foi o mentor de todo o desenvolvimento desta organização latifundiária.
O livro abaixo conta esta história.
CARLOS ANTONIO LOPEZ, OBRERO MAXIMO. LABOR ADMINISTRATIVA Y CONSTRUCTIVA.
Pérez Acosta, Juan F. 1948


2 - A pretensa industrialização do Paraguay passou por aqui.

Todas as caldeiras de locomotivas e navios a vapor eram fabricados em Londres, pela Blyth Brothers, Limehouse, London.......que recebia como pagamento algodão e chá-mate , negociado por eles mesmos no mercado lodrino.
A pretensa industrialização do Paraguay não existiu.
Todos os detalhes de transações comerciais entre eles estáo na BN, incluindo a encomenda de navios de guerra couraçados por ordem do Paraguay, e canhões para artilha-los, tendo como intermediários os mesmos Blyth.
Com esse material escrevi um artigo para a Revista Maritima Brasileira entitulado "Couraçados para o Paraguay?"
e a primeira parte uma serie sobre couraçados publicada no livro anual de história naval "Warship" entitulado "Brazilian Imperial Navy built ironclads 1864-1872", editado pela Conway Maritime Press na Inglaterra e pela US Naval Institute Press nos EUA.
(segue)
Comentário de Moacir Teles Maracci em 8 janeiro 2010 às 22:22
De tudo o que li nesse "dossiê", uma coisa fica muito clara, e nesse ponto, faço coro com Chiavenato: não se pode minimizar a influência inglesa nos rumos dos acontecimentos que levaram a essa guerra. Que interesses mais específicos tinham os membros da Tríplice Aliança na questão do Paraguai, um país fechado por necessidade, limitado pela própria geografia já que não só não dispunha de uma saída para o mar, mas os caminhos fluviais de seu principal item de exportação - a erva-mate - passavam justamente pelo Brasil e pela Argentina. Lendo os comentários da Márcia, pegamos ali vários elementos para uma boa análise geopolítica, mas, retomando, o único interesse que realmente pesou para que houvesse esse conflito foi o do capitalismo inglês. O vigoroso capitalismo britânico fez das comarcas da América do Sul, entrepostos para a circulação livre das manufaturas britânicas. A única exceção foi o Paraguai! Vendo as coisas por esse ângulo, se entende na necessidade da "parte secreta" do Tratado da Tríplice Aliança, justamente a que previa o extermínio do país guarani e a repartição do seu território. E assim se fez. Volto a afirmar que não foi meramente uma guerra de "exército contra exército", mas de interesses antagônicos: de um lado, os ingleses que não desejavam de forma alguma qualquer coisa que pudesse representar liberdade econômica aos países sulamericanos, de outro, o Paraguai, cujo modelo de desenvovimento ia bater de frente com o modelo inglês, já que a nação guarani não dependia dos capitais ingleses para se desenvolver, pois desde sua independência isolou-se, e a burguesia entreguista que existia no Brasil, Argentina e Uruguai era fraca ou não existia no Paraguai. E essa é mais uma razão que invoco para relativizar o rótulo de ditador que amiúde se cola em Francia e nos López. Como se nas demais ex-colônias sulamericanas existissem modelos de democracia representativa...O modelo centralizado foi uma necessidade histórica do Paraguai justamente, conforme diz Chiavenato não havia uma classe dirigente capaz de interferir nos destinos do país. Em outras palavras, Francia, e depois, os López não tinham com quem dialogar. O Paraguai era, assim um estado paternalista, à maneira das missões jesuíticas (aliás, há quem diga que o Paraguai do século XIX seja uma herança delas), com proteção zelosa aos seus membros. Afinal, passados 140 anos, a Guerra do Paraguai arde na memória dos militares dos países da Tríplice Aliança. Seria um evento histórico para se esquecer, por isso esse silêncio todo. Quanto ao Brasil, nosso país não sabe como lidar com as páginas hediondas da sua história. Exemplo recente dessa que corrobora essa minha afirmação é quanto à questão dos desaparecidos políticos da ditadura militar. Basta tocar no assunto e lá vem certos setores militares e reacionários de todo tipo esbravejando com rótulos como "revanchismo", "rancor", "inimigos da anistia', etc, etc. Precisamos revisitar eventos históricos como a Guerra do Paraguai, Guerra de Canudos, Palmares, ditadura e assemelhados para que tiremos lições, e assim, a história não se repetirá.
Comentário de luzete em 7 janeiro 2010 às 14:28
Uma das leituras mais instigantes sobre o tema vem de Chiavenato. Ele trabalha o tema a partir de uma crítica àquela perspectiva que privilegia a história a partir do olhar do vencedor. O autor vai trazer a história dos vencidos, no caso, o Paraguai e contestar a versão da Guerra do Paraguai como descrita pelos militares, durante a ditadura militar.

Em 1979, lançou "Genocídio Americano - A Guerra do Paraguai" (Brasiliense), questionando a história oficial do conflito. E, com o passar do tempo, o contestador se tornou contestado.

"Em vez de enaltecer o "heroísmo" das potências regionais que venceram o regime de Solano López, Chiavenato enfatizou a obediência de Brasil e Argentina à política externa britânica para a qual o Paraguai pecaria justamente por tentar escapar à sua influência."
(http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u336867.shtml)
Comentário de Virgilio Freire em 5 janeiro 2010 às 11:13
É importante lembrar a atuação dos Fuzileiros Navais do Brasil na Guerra do Paraguai. A Marinha de Guerra era composta por marinheiros e oficiais navais, especializados em navegaçào, em estratégia naval, em artilharia, etc. Mas durante os combates, os navios chegavam a colidir uns com os outros, e os Fuzileiros Navais, embarcados nos navios brasileiros, abordavam os navios paraguaios. A atuação dos Fuzileiros foi decisiva para as vitórias de Humaitá e Riachuelo. Atualmente, na Força de Fuzileiros da Esquadra, o Primeiro Batalhão de Infantaria chama-se Batalhã. o Riachuelo, e o Segundo Batlhão, onde servi com orgulho, é o Humaitá. Faz parte da cultura e do espirito de corpo dos Fuzileiros Navais brasileiros a história e os sacrifícios dos militares do CFN na guerra do Paraguai.

https://www.mar.mil.br/cgcfn/museu/historicofn.htm
Comentário de Marcia em 5 janeiro 2010 às 3:27
CONTINUA.


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http://www.overmundo.com.br/overblog/mato-grosso-do-sul-o-paraguai-...
Comentário de Marcia em 5 janeiro 2010 às 3:26
CONTINUA

Aliás, a Guerra do Paraguai, além de ter tornado o Paraguai um dos países mais pobres da América do Sul, provocou a diminuição do seu território. Mato Grosso do Sul é a maior prova disso. Municípios sul-mato-grossenses como Ponta Porã, Porto Murtinho, Miranda, Bela Vista, Jardim e Maracaju foram tomados dos paraguaios após a guerra, numa apropriação de terras estrangeiras que aconteceu em outros estados também como Rio Grande do Sul, Paraná, Rondônia e Acre. Até a cidade de Nioaque, que fica a uns 200 km de Campo Grande, tudo era Paraguai, esta é a verdade. Por isso, nem podia ser diferente: o sul-mato-grossense é o brasileiro mais paraguaio do país.
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Comentário de Marcia em 5 janeiro 2010 às 3:24
Mato Grosso do Sul: o Paraguai é aqui!


cultura paraguaia está impregnada nos costumes sul-mato-grossenses. E cada vez mais aceita pela população. Até porque a colônia é numerosa e acaba conquistando a Capital e interior do Estado com costumes que tem tudo a ver com o clima da região, por exemplo. Em dias de calor escaldante, não há quem regule o refrescante tereré. Ao entardecer já virou coisa corriqueira as famílias e amigos irem para frente das casas tomarem a bebida e jogar conversa fora. Mesmo nas repartições públicas, escritórios e empresas particulares o tereré é apreciado do patrão ao motorista. O tereré já virou uma instituição em Mato Grosso do Sul, assim como o sobá vindo dos descendentes de Okinawa.

Um exemplo da força da cultura paraguaia no MS é a Associação Colônia Paraguaia. Fundada em 1973, é a maior do país com 740 famílias associadas. Possui sede própria na Vila Pioneiros e realiza diversas atividades artísticas e encontros sociais. Reúne aproximadamente mil pessoas no segundo domingo de cada mês em que organiza o churrasco típico paraguaio. Uma das datas mais esperadas é 8 de dezembro, quando a associação promove a Festa da Virgem de Caácupe, a Padroeira do Paraguai. São várias novenas que passam pelos bairros onde residem as famílias e descendentes de paraguaios, encerrando na sede da instituição. No local foi construído uma réplica da imagem que se encontra no Santuário de Caácupe, no Paraguai, onde milhares de pessoas vão pagar promessas.

O presidente da associação, Amado Leite Pereira, lembra que a Vila Popular, em Campo Grande, é um verdadeiro reduto paraguaio na Capital. Pelo menos 80% da população do bairro são de paraguaios e descendentes. Isto porque os primeiros paraguaios que vieram para a Capital eram tropeiros, que lidavam com gado de corte, e se instalaram na região porque o lugar que hoje fica a Vila Popular era onde tinha os frigoríficos. Apesar da presença numerosa da colônia no Estado, ele admite que faltam mais projetos em parceria entre Brasil-Paraguai. “Já existem alguns na área de saúde e educação. Muitos brasileiros estudam em Pedro Juan Cabalero e outro tanto de paraguaios aqui em Campo Grande. Temos também o SUS Fronteira para atender os paraguaios que vivem em cidades fronteiriças com o Brasil. Mas ainda é pouco”, afirma Amado.

Um dos objetivos do presidente é montar uma associação de músicos do Paraguai em Campo Grande. “Temos pelo menos 80 músicos vivendo na Capital atualmente e em situação crítica. A maioria não consegue sobreviver somente da música”, alerta Amado. A época de ouro da música paraguaia em Campo Grande aconteceu da década de 50 aos anos 80. Neste período era comum nos restaurantes, festas de aniversário e eventos sempre ter uma dupla de paraguaios tocando harpa e violão. Hoje são inúmeros os grupos paraguaios na Capital, como Los Celestiales, Los Latinos, Los Divinos e o cantor Benitez Ortiz, um dos mais conhecidos da cidade. O cachê em média cobrado é de R$ 600,00 por três horas de apresentação.

O violonista Cristobal Urbieta, natural de Assunção e componente do grupo Alma Latina, se impressiona quando testemunha em terras sul-mato-grossenses milhares de pessoas bailando ao som da polca paraguaia. “O povo adora dançar polca aqui em MS, coisa que no próprio Paraguai já é difícil de acontecer nos últimos anos. O sul-mato-grossense parece mais ligado ao costumes paraguaios do que os próprios paraguaios”, surpreende-se Cristobal. O harpista do Alma Latina, Fábio Kaida Barbosa, é uma prova disso. Natural de Campo Grande, e sem descendência paraguaia, aprendeu a tocar harpa, instrumento genuinamente paraguaio, e diz que leva o Paraguai no coração.

Fábio não se conforma que o destino dos grupos de música paraguaia seja tocar apenas em festas de aniversários, bailes e restaurantes. “Até hoje quem é conhecido no Brasil como músicos paraguaios é a Perla e o Luiz Bordon. E eles só conseguiram porque fizeram um trabalho mais profissional. O mais
Comentário de Marcia em 5 janeiro 2010 às 3:14
CONTINUAÇÃO.....

Lembremos apenas que a solução foi uma resposta à ameaça dos portenhos (habitantes de Buenos Aires) contra a independência paraguaia, e não se deve concluir que o modelo de desenvolvimento econômico foi livre opção de ditadores afeiçoados ao povo. É inegável que o povo foi beneficiado, mas isso ocorreu como efeito indireto de uma política apoiada na "razão de Estado”.



Os sucessores de Francia. Depois de ter governado por trinta anos, Francia foi sucedido por Carlos Antonio López, que se preocupou em desenvolver a indústria. Em vez de consumir divisas obtidas com as exportações de couro e erva-mate e com a importação de manufaturas, o novo ditador tratou de equipar tecnicamente o país, visando a produção interna. A criação da fundição de Ibicuí foi a mais famosa dessas iniciativas. Ao lado disso, estudantes paraguaios eram mandados para o exterior e técnicos estrangeiros eram contratados. Com Solano López chegou ao fim essa experiência original. A guerra destruiu o país, que, embora não houvesse atingido um nível europeu de desenvolvimento, tinha praticamente eliminado a miséria. Quando a guerra começou, o analfabetismo era praticamente desconhecido no Paraguai.
Comentário de Marcia em 5 janeiro 2010 às 3:14
Bibliografia:

História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual

História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP
















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Comentário de Marcia em 5 janeiro 2010 às 3:07
Política Externa do II Reinado e a Guerra do Paraguai (1865-1870)

Origens da Guerra



Os interesses em conflito – Durante cinco anos, o Brasil, a Argentina e o Uruguai, apoiados financeiramente pela Inglaterra, fizeram uma guerra suja, que tinha por meta a destruição do Paraguai. Esse confronto militar ficou conheci­do como Guerra do Paraguai e foi a mais longa e sangrenta das guerras ocorridas na América do Sul. Os motivos dessa guerra foram muito com­plexos, pois abarcaram inúmeros interesses, que, por fim, acabaram voltando-se contra o Paraguai. O terreno para compreender a origem do conflito é o Prata, durante o processo de in­dependência da região.



A origem dos países platinos. A Argentina, o Uruguai e o Paraguai faziam parte do Vice-reino do Prata, uma possessão espanhola.

Em 1810, quando a Argentina proclamou a sua independência --- posteriormente reafirma da em 1816 no Congresso de Tucumán -, deu­se o primeiro passo no sentido da independência total do Prata da dominação espanhola.

Em 1811, José Gaspar Rodríguez Francia proclamou a independência do Paraguai. Mais tarde, em 1828, o Uruguai libertou-se do Brasil, formando um outro país independente. Com isso, desfez-se a antiga unidade do Prata.

A fragmentação do antigo Vice-reino não estava, contudo nos planos dos poderosos comerciantes de Buenos Aires, que esperavam manter a unidade sob sua direção. Isso equivalia a dominar e anexar o Paraguai e o Uruguai.

O Paraguai, considerado por Buenos Aires uma província argentina, tinha motivos de sobra para temer por sua independência. Situa­do no interior do Prata, sem acesso direto ao mar, encontrava-se à mercê de Buenos Aires, que controlava o estuário. É fácil perceber que, para o Paraguai, o direito de navegar com segurança e a garantia de manter aberta a sua comunicação com o exterior eram questões vitais.



Os ditadores paraguaios. Por tudo isso, o Paraguai era um país vulnerável. Bastaria bloquear o estuário do Prata ou qualquer trecho do rio Paraná para que o seu isolamento do resto do mundo fosse completo. Assim, desde a sua independência, o Paraguai desenvolveu uma política voltada para dentro, a fim de depender o mínimo possível do exterior. Essa política foi inaugurada por Francia (1811-1840) e aprimorada por Carlos Antonio López (1840­1862) e seu filho e sucessor Francisco Solano López (1862-1870). Foram esses os três ditadores que imprimiram ao Paraguai uma direção histórica peculiar.



O modelo paraguaio. Francia compreende­ra muito cedo que o desenvolvimento do Paraguai com base numa economia exportadora daria muitos poderes aos grandes proprietários rurais e à burguesia mercantil. De­pendendo do mercado externo, dependeria igualmente de Buenos Aires, pois a produção teria que ser embarcada ali, com o devido pagamento de taxas. Os grandes proprietários e comerciantes paraguaios fariam então concessões a Buenos Aires, tendo em vista seus interesses particulares, mesmo à custa da soberania do país. Grandes proprietários e comerciantes podiam ser considerados, portanto, aliados em potencial de Buenos Aires; conseqüentemente, eram categorias sociais perigosas para a segurança do Estado. Esse era o ponto de vista de Francia.

Entende-se, assim, por que Francia optou por um modelo econômico voltado para dentro, com ênfase ao mercado interno. Para enfrentar o desafio, Francia estimulou as pequenas e médias propriedades dirigidas à produção de alimentos para o consumo local; confiscou, depois de lutas, as propriedades dos grandes empresários rurais e monopolizou o comércio exterior.

A essa combinação de pequenas propriedades e economia com elevado grau de estatização correspondeu, no âmbito político, um poder despótico e ditatorial. Portanto, os traços que fizeram a originalidade paraguaia foram: pequena propriedade, estatização e ditadura.

Lembremos apenas que a solução foi uma resposta à ameaça dos portenhos (habitantes de Buenos Aires) contra a
Comentário de Luis Nassif em 4 janeiro 2010 às 9:25
Rafael Barrett
El dolor paraguayo
Prólogo: Augusto Roa Bastos. Selección y notas: Miguel A. Fernández. Cronología: Alberto Sato
Materias: Ensayo ss. XIX y XX, Historia de Latinoamérica ss. XIX y XX, Pensamiento político ss. XIX y XX, Sociología
Páginas: XXXII + 269
País: Paraguay

Nº 30
Formato: Empastado
ISBN: 980-276-032-3
Formato: Rústico
ISBN: sin número
Aunque nacido en España de padre inglés y madre española y muerto en Francia, Rafael Barrett (1876-1910) será el más lúcido expositor del drama de la realidad social de Paraguay de fines del siglo XIX y comienzos del XX. Formado en el mundo ilustrado de una España aristocrática, imbuido de los principios de un difuso anarquismo, acentuado luego por su contacto con el pueblo paraguayo diezmado tras la guerra de la Triple Alianza, Barret pondrá su pluma, moralizadora y combativa, al servicio de su causa, luchará con ese pueblo y sufrirá prisión y destierro. Su obra fue publicada originalmente en periódicos y revistas de Paraguay, Uruguay y Argentina, y sólo posteriormente recogida en libros, la mayoría de ellos de aparición póstuma. En El dolor paraguayo se incluyen sus textos consagrados al examen de la vida paraguaya –entre ellos varios inéditos– así como aquéllos que, motivados por sus experiencias en su país de adopción, le sirvieron para explicar los procesos sociales y morales de los hombres. El prólogo, preparado especialmente por Augusto Roa Bastos, expone una lúcida dimensión de la escritura de Barrett.
Dolor_paraguayo.pdf
Comentário de Ademário Iris da Silva Junior em 4 janeiro 2010 às 0:04
AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA
Eduardo Galeano
Há um pequeno comentário de Eric Hobsbawn em 'The Age of Capital'. Confirmando a tese da influência inglesa na Guerra do Paraguai.
Comentário de Moacir Teles Maracci em 3 janeiro 2010 às 23:56
O que a Márcia comentou é basicamente o que conheço sobre o que entendo ser o maior conflito militar da América Latina, e concordo com seus comentários. Quanto à bibliografia eu li de J. J. Chiavenatto Genocídio Americano - A Guerra do Paraguai, publicado pela Brasiliense em meados dos anos 80. Como não disponho mais desse livro, fico devendo a ficha. Do mesmo autor, sugiro O negro no Brasil, especialmente ao abordar a questão do negro nas fileiras do Exército nos campos de batalha. Ainda hoje, os livros didáticos de História nas escolas paraguaias quando referem-se ao Exército brasileiro atuante naquela guerra, citam fundamentalmente os negros. Para a elite da época, a guerra serviu para "branquear" o país. A historiadora Vívian Trías aborda bastante esse conflito em seus trabalhos. Por último, gostaria de citar o livro famoso de Eduardo Galeano: As Veias abertas da América Latina, no tópico: "A Guerra da Tríplice Aliança aniquilou para sempre a única experiência de desenvolvimento realmente independente". Esse livro foi publicado no Brasil em 1983, pela Paz & Terra. De tudo o que consegui de acesso a registros sobre essa guerra, ficou: a Inglaterra foi a grande fomentadora dessa guerra, que só a ela beneficiou; não foi uma guerra de exércitos, mas principalmente uma guerra de extermínio, tanto assim que o grande Duque de Caxias deu por encerrada sua participação quando entrou em Assunción em 1868, ao que parece. Ele terminou a guerra aí. Mas para o imperialismo britânico e seus títeres brasileiros, argentinos e (como sócios menores) uruguaios, era preciso aniquilar a nação guarani, pela experiência, ou pelo exemplo ameaçador que representava para os interesses britânicos, os verdadeiros donos da América do Sul, sem nenhum exagero. Por isso, exterminou-se 80% da população guarani, não sobrando, segundo Galeano, pedra sobre pedra. Pode-se comparar a Guerra do Paraguai com a Guerra de Canudos, ocorrida décadas depois nesse detalhe importante: aniquilar perigosos exemplos de resistência, até, segundo um general vencedor da Guerra (ao que parece, o general Câmara) "aniquilar até o feto no ventre da mulher". Desnecessário dizer que foi uma guerra de extrema violência, especialmente contra a população civil paraguaia. Tenho meus questionamentos sobre as insistentes afirmações de que Francia, depois os Lopez eram ditadores. Não havia democracia no Paraguai e em nenhuma parte da América Latina e ninguem reclamava, seja os coronéis brasileiros do café ou os encomenderos latinoamericanos. Nesse panorama histórico, falar de alguma ditadura é olhar com os olhos de hoje a uma materialidade histórica de outros tempos. Concordo com Chiavenatto, que no caso do Paraguai o que faltou ali foi uma classe dirigente que lutasse pelos seus interesses mesmos classistas, mas como interesse da nação guarani. Não havendo essa classe dirigente, dificilmente poderia surgir quadros dirigentes capazes de propor alternativas aos regimes centralizados de Francia e dos Lopez, porque no campo econômico a experiência paraguaia foi pioneira e interessante, na medida em que se desenvolvia sem submeter-se aos interesses do capital externo (britânico). A grande fraqueza de Francisco Solano Lopez foi não compreender com a devida abrangência o papel do Paraguai naquela etapa histórica na qual o Império Britânico impunha a sua "pax" em todas as comarcas latinoamericanas. Para o presidente paraguaio, tratava-se de querelas diplomáticas, ou de simples conflito entre países. Ele só começou perceber alguma coisa quando se fecharam os canais de comunicação entre os rios Paraguai, Paraná e o Atlântico, que inviabilizou as exportações paraguaias. O fechamento foi o estopim da guerra, que já estava urdida bem antes através de tratados secretos que determinavam a partilha do Paraguai entre as nações vencedoras (apenas no campo militar, pois elas ficaram para sempre nas mãos do imperialismo capitalista britânico e depois norteamericano).
Comentário de Marcia em 3 janeiro 2010 às 23:03
caça a Solano López (1869-1870)
Fim da guerra: o comando do Conde d'Eu


Conde d´Eu em revista a tropas brasileiras em campo aberto, 1869.No terceiro período da guerra (1869-1870), o genro do imperador Dom Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai, pois buscava-se, além da derrota total do Paraguai, o fortalecimento do Império Brasileiro. O marido da princesa Isabel era um dos poucos membros da família imperial com experiência militar, já que na década de 1850 participara, como oficial subalterno, da campanha espanhola na Guerra do Marrocos. A indicação de um membro da família imperial pretendia diminuir as dificuldades operacionais das forças brasileiras, problema agravado pelos muitos anos de campanha, pela insatisfação dos veteranos e pelos conflitos, políticos e pessoais, que se alastravam entre os oficiais mais experientes.

Em agosto de 1869, a tríplice aliança instalou em Asunción um governo provisório fantoche aliado de contrários a Solano, encabeçado pelo paraguaio Cirilo Antonio Rivarola. O Império acelerou o processo para a formação do governo, que prometerá realizar eleições democráticas no ano seguinte e criar uma assembleia constituinte.

Solano López, prosseguindo na resistência, refez um pequeno exército de 12.000 homens e 36 canhões na região montanhosa de Ascurra-Caacupê-Peribebuí, aldeia que transformou em sua capital. À frente de 21 mil homens, o conde d'Eu chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, a chamada Campanha das Cordilheiras, que se prolongou por mais de um ano, desdobrando-se em vários focos. Principalmente no Brasil, após os conservadores terem voltado ao poder no camará imperial, se tornou prioridade a reconstrução do estado paraguaio. Para este ser reconhecido, era necessário a vitória sobre Solano. O processo foi acelerado pela entrada no governo argentino, em 1868, de Domingo Faustino Sarmiento, cujos desejos expansionistas o Império do Brasil temia.[


Coronel Joca Tavares e seus auxiliares imediatos, incluíndo Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" .O Exército brasileiro flanqueou as posições inimigas de Ascurra e venceu a batalha de Peribebuí (12 de agosto), para onde López transferira sua capital. Após a batalha de Peribuí, o Conde d'Eu parece ter-se exasperado com a obstinação paraguaia em continuar a luta, nada fazendo para evitar a degola de prisioneiros capturados durante e depois dos combates. Na batalha seguinte, Campo Grande ou Nhu-Guaçu (16 de agosto), as forças brasileiras se defrontaram com um exército formado, em sua maioria, por adolescentes e crianças e idosos, recrutados a força pelo ditador paraguaio. A derrota paraguaia encerrou o ciclo de batalhas da guerra. Os passos seguintes consistiram na mera caçada a López, que abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens, embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte.

Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio, que se internara nas matas do norte do país acompanhado de 200 homens. No dia 1° de março de 1870, as tropas do general José Antônio Correia da Câmara (1824-1893), o Visconde de Pelotas, surpreenderam o último acampamento paraguaio, em Cerro Corá, onde Solano López foi ferido a lança pelo cabo Chico Diabo e depois baleado, nas barrancas do arroio Aquidabanigui, após recusar-se à rendição. Depois de Cerro Corá, as tropas brasileiras ficaram eufóricas, assasinando civis, pondo fogo em acampamentos e matando feridos e doentes que se encontravam nos ranchos.

Não era esse o desejo do imperador D.Pedro II, que preferia ter López preso a morto. No Rio de Janeiro, a morte de Lopéz foi muito bem recebida e o imperador recuperou sua popularidade que havia sido abalada pela dispendiosa guerra. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz.


Cadáveres paraguaios após a Batalha de Boquerón, julho de 1866 (Bate & Co. W

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